domingo, 18 de outubro de 2015

O PRIMEIRO DRÁCULA DE CHRISTOPHER LEE E DO DIRETOR TERENCE FISHER

1974: estava com 18 anos. Vesti o melhor pijama e marquei lugar diante da televisão. Estava pronto para prestigiar a exibição, pela então badalada 'Sessão Mistério' da TV Globo, de O vampiro da noite (Dracula, 1958). É o filme que catapultou Christopher Lee ao estrelato, deu visibilidade à produtora inglesa Hammer Film e inaugurou a 'Coleção Maldita de Terence Fisher'. O diretor contrariou diversas opiniões ao realizá-lo. Para sua felicidade, o sucesso, além de estrondoso, devolveu a respeitabilidade às produções voltadas ao sobrenatural e aos vampiros. Segundo os entendidos, é o ponto culminante do terror gótico. Quanto a mim, torci o nariz. Esperava algo apavorante e me deparei com uma realização prejudicada por excesso de contenção, mais parecida a um melodrama bem comportado. Provavelmente, com a avaliação em tela de O vampiro da noite, serei condenado, pelos fãs mais ardorosos, ao inferno no qual ardem os iconoclastas. Que me perdoem; nada posso fazer. No Brasil, o filme também é conhecido como Horror de Drácula, tradução literal do título atribuído pelo distribuidor estadunidense, responsável por lançá-lo no mercado mundial. Em 1965 o diretor Terence Fisher filmou uma espécie de prolongamento para O vampiro da noite: trata-se de Drácula, o príncipe das trevas (Dracula: prince of darkness), com apreciação neste blog acessada pelo link http://cineugenio.blogspot.com/2013/12/das-cinzas-de-o-vampiro-da-noite.html.









O vampiro da noite
Dracula

Direção:
Terence Fisher
Produção:
Anthony Hinds
Hammer Film Production
Inglaterra — 1958
Elenco:
Peter Cushing, Christopher Lee, Melissa Stribling, Michael Gough, Carol Marsh, Olga Dickie, John Van Eyssen, Valerie Gaunt, Janine Faye, Barbara Archer, Charles Lloyd Pack, George Merritt, Milles Malleson, George Benson, George Woodridge, Geoffrey Bayldon, Paul Cole e os não creditados Guy Mills, Richard Morgan, John Mossman.


O diretor Terence Fisher


Quando o inglês Terence Fisher resolveu refilmar Drácula — romance escrito por Bram Stoker em 1897 —, muitos viram a iniciativa como contraproducente. Consideravam o tema do vampirismo suficientemente batido e banalizado, incapaz de despertar novos interesses. Até a ocasião — se as filmografias merecem crédito — o Conde sugador de sangue da Transilvânia dera o ar da graça em quatro produções do cinema sonoro: Drácula (Dracula, 1931), de Tod Browning — com Bela Lugosi no papel título —, é a mais famosa. A seguir vieram os obscuros A filha de Drácula (Dracula’s daughter, 1936), de Lambert Hillyer; O retiro de Drácula (House of Dracula, 1945), de Erle C. Canton; e Blood of Dracula (1957), de Herbert L. Strock. Filmes sobre vampiros em geral havia em maior número: O solar do diabo (Le manoir du diable, 1896), de Georges Méliès; Lilith und Ly (1919), de Erich Kober; O vampiro (The vampire bat, 1933), de Frank R. Strayer; A marca do vampiro (Condemned to live, 1935), de Frank R. Strayer; A volta do vampiro (Return of the vampire, 1944), de Lew Landers; Os vampiros (Vampiri, 1956), de Ricardo Freda; O ataúde do vampiro (El ataúd del vampiro, 1957), de Fernando Méndez; O morcego (El vampiro,1957), de Fernando Méndez; sem esquecer as obras mestras Nosferatu (Nosferatu eine symphonie des grauens, 1921), de Friedrich Wilhelm Murnau; e Vampiro (Vampyr, 1931), de Carl Theodor Dreyer.


Apesar dos contrários, Fisher foi em frente. Para ele a atração exercida por Drácula e demais criaturas do fantástico nunca esteve circunscrita ao gênero ou à história; dependia exclusivamente da capacidade do ator escolhido para viver o personagem. Se a interpretação fosse convincente o público responderia de forma positiva, mesmo se o argumento incorporasse incoerências e recorrências.




Acima e abaixo: o Conde Drácula, pela primeira vez interpretado por Christopher Lee


A premissa de Fisher se mostrou correta. Christopher Lee, canastrão convincente, consagrou-se no papel. É o Drácula mais popular do cinema. Movimenta-se com desenvoltura por ambientes escuros, essenciais à sobrevivência do vampiro e aos climas de pavor e suspense necessários às realizações do gênero. Além de O vampiro da noite, circulou com a capa esvoaçante e dentes pontiagudos em sete outras realizações: Drácula, o príncipe das trevas (Dracula: prince of darkness, 1965), de Terence Fisher; Drácula, o perfil do diabo (Dracula has risen from the grave, 1968), de Freddie Francis; Sangue de Drácula (Taste the blood of Dracula, 1969), de Peter Sasdy; Conde Drácula (El Conde Dracula, 1970), de Jesús Franco; O Conde Drácula (The scars of Dracula, 1970), de Roy Ward Baker; e Drácula no mundo da minissaia (Dracula AD 1972, 1972), de Alan Gibson.


O inocente corretor de imóveis Jonnathan Harker (Van Eyssen) se torna bibliotecário no roteiro de Jimmy Sangster para O vampiro da noite. No romance, rumava da Inglaterra à romena região da Transilvânia para negociar o castelo do Conde Drácula. Agora é contratado para lhe organizar a biblioteca. Na verdade, é um caçador de vampiros. Algo não dá certo, claro! Atacado por uma vampira, preocupa-se com seu destino. Registra as transformações que lhe ocorrem, como advertência, em diário. Espera que alguém encontre o volume. Antes da consumação da metamorfose, fracassa ao tentar eliminar Drácula, adormecido na cripta.




Acima e abaixo: Van Helsing, o caçador de vampiros interpretado por Peter Cushing


Passam-se os anos. Chega à região, em busca de Harker, o Dr. Van Helsing (Cushing). Tenta levantar informações sobre o desaparecido. Nada consegue. Só encontra gente arredia, que o evita. Entretanto, recebe em segredo o diário, encontrado nas proximidades do castelo de Drácula. Aí chega, a tempo de presenciar a saída de uma carruagem transportando caixão funerário. É Drácula indo ao encontro de Lucy (Marsh), noiva de Harker. Encantou-se por ela, de imediato, desde que a viu em fotografia. Van Helsing reconstitui os eventos ao encontrar, quebrado, um porta-retrato entre os pertences de Jonnathan. Logo o avista, transformado em vampiro e adormecido na cripta do Conde. Horrorizado, resta-lhe apenas a brutal opção de libertar a alma do amigo pelo radical método da estaca de madeira fincada no coração.


No retorno à Alemanha (Inglaterra, no original de Stoker), notifica Arthur (Gough), irmão de Lucy, sobre o ocorrido, sem entrar em maiores considerações. Mas descobre a jovem em estado de profunda anemia, apesar de todos os cuidados médicos. Desconfiado, examina-a. No pescoço estão as fatais evidências. O sangue de Lucy vem sendo sugado lentamente. As instruções para salvá-la não são obedecidas. Ela logo “falece”. Destratado pelo desesperado Arthur, Van Helsing lhe revela o diário do cunhado.



A vampirizada Lucy (Carol Marsh)


Apesar de sepultada, Lucy é avistada perambulando pelas cercanias, à noite. O cético Arthur averigua. Encontra o túmulo vazio. Estava para ser atacado pela irmã vampirizada quando é salvo pela chegada de Van Helsing, com um crucifixo. A morta-viva busca proteção, mas tem o coração empalado pela estaca libertadora. Com a verdade confirmada da pior maneira, Drácula é caçado. Tem o esconderijo descoberto. Mas se apoderou de Mina (Stribling), esposa de Arthur. Ela logo revela sintomas de exaustão física. No entanto, cada vez mais acuado, o vampiro escapa para seus domínios com a refém. Na perseguição, Van Helsing e Arthur impedem que seja sepultada viva. O dia está por amanhecer. Drácula precisa se abrigar da fatal luz do sol, mas é alcançado pelo caçador. As cenas a seguir ainda preservam o impacto, apesar da passagem do tempo. Atingido pela luz solar e submetido ao poder de um crucifixo improvisado, o Conde se decompõe ao estado de pó, por fim carregado pelo vento.


O Conde Drácula (Christopher Lee).


Para muitos, O vampiro da noite é mais que um clássico do fantástico. É a culminância do horror gótico e a melhor adaptação cinematográfica da obra de Bram Stoker. Terence Fisher é elogiado pela mão de mestre na orquestração dos elementos sobrenaturais que animam a atmosfera soturna do mundo do Conde Drácula.


Não há como negar o sucesso alcançado pelo filme, a ponto de desencadear uma série de produções similares que consagraram o diretor e a companhia produtora, a Hammer Film, como especialistas do cinema de terror. Ganhou fama a “Coleção Maldita de Terence Fisher” — conjunto de realizações a explorar adaptações de temas ligados a vampiros, criaturas de Frankenstein, múmias, túmulos, bruxas, mortos-vivos, castelos mal assombrados etc.



Valerie Gaunt como uma das mulheres vampirizadas por Drácula


Infelizmente, O vampiro da noite não merece tantos elogios. No final dos anos 50 é provável que sim. Visto hoje, mostra-se envelhecido e destituído de força. Não possui clima de filme de terror; não convence como obra do gênero. As exceções se apresentam no começo, nas momentos finais e quando Mina recebe Drácula em casa. A cor é fator complicador. Explicitou em demasia os cenários, retirando-lhes a essencial aparência fake. O preto e branco, com certeza, surtiria melhores efeitos. Além do mais, O vampiro da noite padece de um mal de origem. É britânico. Isso significa que é excessivamente contido. Às vezes lembra mais um melodrama bem comportado que um filme de vampiro ousado e aterrador. Algumas passagens são terrivelmente ruins: a cena de Arthur no cemitério, sem o menor traço de assombro ao descobrir a irmã vampirizada, é um exemplo. Também causa constrangimento o instante em que o perseguido Drácula salta da carruagem nos arredores do castelo e tenta, com incontida fúria, sepultar Mina. Já encontra a cova aberta e a providencial pá.



Van Helsing (Peter Cushing) improvisa um crucifixo contra o Conde Drácula


Aos meus critérios, Drácula, Terence Fisher e Christopher Lee teriam melhor sorte em Drácula, o príncipe das trevas — espécie de prolongamento de O vampiro da noite — realizado sete anos depois.


Quando exibido na televisão, O vampiro da noite foi batizado como Horror de Drácula, tradução literal do título atribuído pela distribuição estadunidense.



Bastidores da filmagem: Carol Marsh, intérprete de Lucy, toma um cafezinho entre as tomadas



Nos Estados Unidos, a película é conhecida como Horror of  Dracula 



Roteiro: Jimmy Sangster, com base na novela de Bran Stoker. Música: James Bernard. Direção musical: John Hollingsworth. Direção de fotografia (Technicolor): Jack Asher. Desenho de produção: Bernard Robinson. Supervisão de montagem: James Needs. Produção executiva: Michael Carreras. Gravação de som: Jock May. Montagem: Bill Lenny. Gerente de produção: Dom Weeks. Assistente de direção: Bob Lynn. Operador de câmera: Len Harris. Maquiagem: Phil Leaky. Penteados: Henry Montsash. Continuidade: Doreen Dearnaley. Guarda-roupa: Molly Arbuthnot, Rosemary Burrows (não creditada). Efeitos especiais: Sidney Pearson, Les Bowie (não creditado). Produtor associado: Anthony Nelson-Keys. Direção de arte: Bernard Robinson (não creditado). Assistente de maquiagem: Roy Ashton (não creditado). Segundo assistente de direção: Tom Walls (não creditado). Estucador: Arthur Banks (não creditado). Carpintaria: Charles Davis (não creditado). Aquisições: Eric Hillier (não creditado). Gerente de construções: Mick Lyons (não creditado). Desenhos técnicos: Don Mingaye (não creditado). Contrarregra: Tom Money (não creditado). Pinturas: Lawrence Wren (não creditado). Operador de microfone: Claude Hitchcock (não creditado). Dublês (não creditados): Peter Diamond, Nosher Powell. Eletricista-chefe: Jack Curtis (não creditado). Fotografia de cena: Tom Edwards (não creditado). Controle de foco: Harry Oakes (não creditado). Tempo de exibição: 82 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1974)

6 comentários:

  1. Eugenio,

    Acabo de captar que o amigo com quem falo é um garoto diante de mim, já que vi O Vampiro da Noite em 1959, exatamente com 14 anos e no seu lançamento.

    Infelizmente não tenho a visão sobre a fita semelhante à do bom companheiro, pois tanto a Hammer, como Lee, assim como o Peter Cushing e mais o Fischer, ganharam vida e muito dinheiro a partir desta pelicula que, se em 1974 foi vista pelo amigo, não se pode esquecer que ela é uma fita de 1958, portanto um filme já feito há 16 anos e sem se abordar que em 1974 já se conhecia uma outra visão do cinema..

    Digo sempre que, antes de qualquer coisa, temos de avaliar épocas, que nos conduz a condições em que o filme foi feito, os efeitos que a fita precisou para ser criada, que eram desiguais aos de hoje e aos atores que acertaram o ponto correto na boa fita do Fisher e muito e muito mais.

    O Vampiro da Noite foi uma fita bem feita, que suscitou terriveis gritos de pavor dentro da sala de cinema onde eu estava, comentários mil, discussões a valer e isso tudo sem falar nas horas que passei na fila para conseguir ver o filme. Portanto, mais uma vez, tudo questão de época.

    De qualquer forma o amigo tem todo o direito à sua opinião e gosto, já que é um comentarista de qualidade invejável, mas que, infelizmente neste comentário, seu amigo aqui não segue o mesmo sentido no atinente a tudo sobre o bom filme do Terence.

    E para finalizar, assim como para findar por caracterizar a importancia deste filme na minha vida e na de muitos mais, eu jamais perdi qualquer outro filme do Fischer dentro do gênero a partir deste.

    Perfeito que nenhum deles jamais teve o mesmo impacto que o primeiro, mas eram todos filmes que, na época de seus lançamentos eram tão importantes e valorosos quanto se espera hoje para ver uma versão nova do excelente 'TERREMOTO, A FALHA DE SAN ANDREAS'.

    É isso, meu amigo, é isso. Não somos capazes de imaginar quantos quarteirões de filas se formaram para ver, por exemplo, em 1934, "Aconteceu Naquela Noite". Fita que vejo hoje e tenho uma visão semelhante à que tens de O Vampiro da Noite. Fazer o que? O progresso, caro e bom amigo, o tal progresso que a tudo modifica e reduz a quase nada o que já foi de suma qualidade e validade.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Caro Jurandir;

      Antes de mais nada, obrigado pelo "garoto". Vou tentando me manter desta forma com alimentação saudável e exercícios diários, sem esquecer as leituras continuadas, melhor ginástica para o cérebro.

      Sei, evidentemente: a fita é de 1958. Isto está bem claro e realçado ao longo de toda a postagem. Hoje, mais que nunca, também sei: o jeito correto e HONESTO de apreciar um filme como produto histórico é tentar, ao máximo, se reportar ao período da realização e lançamento. Se o amigo vem prestando a devida atenção às matérias aqui postadas, desde o início, é isto que procuro fazer e destacar, sempre. Mas, também, como sempre digo, não somos abstrações e de minha parte nunca fui muito fã de filmes de terror, por mais respeito que tenha pelos esforços de gente como Lee, Cushing e o diretor. Sei do valor de O VAMPIRO DA NOITE. Mas é um filme que envelheceu além da medida. Praticamente foi atropelado pelas circunstâncias temporais e ficou para lá de datado. Pelo menos foi isso que senti quando o vi, no já distante 1974.

      Voltando ao "avaliar as épocas"... Sim, está coberto de razão. Como assinalei, sei disso mais que ninguém. Esta tarefa faz parte de minha missão como profissional do ensino, ainda mais da Sociologia. Mas como o amigo também deve ter notado, este blog tem a função primordial, conforme o texto fundador - APRESENTAÇÃO - de dar vazão não somente às minhas apreciações bem como à minha formação cinéfila, ao que está sedimentado nas minhas memórias afetivas. E a apreciação de O VAMPIRO DA NOITE que você leu e julgou - tão apressadamente, parece - apesar de todos os sinais que expus na introdução, é de 1974. Talvez soasse diferente se fosse escrita nos dias que correm. Mas em 1974 eu ainda era um cinéfilo em formação e este é um ponto a ser valorizado. Nunca perca de vista quais são as intenções deste blog e do seu autor.

      Sim, a fita é bem feita. Não há dúvida. Mesmo assim, por mais perfeitos que possam ter sido em suas devidas épocas, filmes de terror nunca contaram muito com o meu apreço. Em 1974 até que sim, tanto que me mobilizei para ver O VAMPIRO DA NOITE devido à sua fama, que não era pouca. E, mesmo assim, já não fui muito simpático com o que vi. Hoje, só saberia dizer o que achei após uma revisão, algo que nunca fiz com relação a este filme de 1974 para cá. Destaco-lhe o valor histórico e o papel que tem no estabelecimento de um gênero tão caro aos seus apreciadores. Também valorizo atores e diretor. Mas não é uma temática que se encontra nos primeiros lugares de minhas preferências cinéfilas. Claro que, mesmo assim, tenho o meu rol de filmes de terror que primam pela excelência, como produtos de exceção.

      Já ACONTECEU NAQUELA NOITE, filme bem diferente, de outro contexto, de um diretor em tudo exemplar, muda totalmente o rumo da história e da prosa. Principalmente porque este filme se manteve praticamente incólume ao avanço temporal. Resistiu. É tão novo hoje como ontem. Nem todos os filmes gozam desta sorte e, infelizmente, aos meus critérios já explicitados em minha juventude gravada em 1974, O VAMPIRO DA NOITE não gozou de tanta sorte. Mesmo assim, não nego que é uma fita de valor, para um gênero, seus atores, seu diretor e seu tempo. E também, claro, para aqueles que puderam apreciá-la em seu devido tempo e continuam a fazê-lo.

      Abraços do "garoto". Rs! Apenas 59 aninhos. Quero ver se faço 55 no próximo ano. Mas os esforços para tanto são muito duros.

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  2. Ilustre amigo Eugenio,

    Se existe um seguidor do seu blog que o enleva demasiadamente, quer como feitor de uma boa leitura ou como de uma pessoa dotada de uma grande estética pessoal, este sou eu, este bahiano aqui.

    Preciso ter mais cuidado com o que escrevo, porque muitas coisa que ponho no "papel" para outros lerem, a escrita pode ser interpretada de uma forma errônea ao que eu realmente quis pontuar.

    Jamais, em tempo qualquer, eu citaria uma palavra ou frase que pudesse por em cheque qualquer coisa escrita pelo querido amigo. E observe, na mais santa paz e atenção; se cito que o ano do filme foi 1958, faço isso sempre que coloco o titulo de um filme e não para mostrar imponência de meu lado.
    Esta coisa não existe em mim

    Se faço um comentário dizendo isso ou aquilo é porque minha visão me puxa para aquilo e não para por remendos nos sempre muito perfeitos escritos vossos.

    Olha, caro amigo: não sabia que era Sociólogo. Mas isto vem bem a calhar, pois tenho um outro grande amigo Sociólogo com quem converso quase que diariamente. E ele o elogia por demais e não fazemos nada com direção a ti e seus trechos que não seja para analtecê-lo. Portanto tens todo o nosso respeito e admiração.

    No entanto, existe um ponto de vista que eu seguro e dialogo muito com ele e que devo até ter citado no meu comentário acima: nunca vejo ou comento um filme sem ponderar sua época de criação. Coisa que o outro amigo meu não faz, preferindo sempre falar de um filme citando-o ou comparando-o com a época atual. E acho que o amigo Eugenio fez o mesmo e, por isso, por esta minha mania, eu devo ter dito algo que o desagradou.

    Recordo que vi Terremoto/75 e o de agora, A Falha de San Andreas/15. Não dá para fazer comparações, uma vez que o avanço de 40 anos em tecnologia diz tudo, muito embora o de 1975 seja um bom filme, muito bem feito para a época.

    São coisa assim que eu pondero, que cito sempre, nunca trazendo um filme antigo para fazer qualquer comparação com a atualidade. O filme antigo foi criado sob uma qualidade diferente de poderio cinematográfico, de normas, de visões e até de falta de alguma qualidade desejada, que é um fator que hoje não o temos.
    Deve ter sido por coisa deste patamar que pareceu-me por algum resíduo de mágoa no amigo.

    Por um outro lado, Eugenio, não me vejo na condição de deixar de apresentar um parecer pessoal, xclusivamente meu em qualquer comentário que faça. Afinal, como até citei para ti, cada um tem o seu direito de expressar sua visão sobre determinada coisa. Ou então tudo ficaria "num igual", já que todos teriam que concordar com todos sobre todos os pontos de vista, o que deixaria o valor do comentário ficar quase que anulado.
    Esquece, companheiro, esquece qualquer suposição de correção sobre ti ou algo assim. Nunca fiz ou farei algo deste tamanho em cima de quem sabe muito mais do que eu, que somente aprendo contigo e tento segui-lo em diversas tangentes que visiono em ti.

    Esperando ter sido compreensivo o bastante para que seja dirimida qualquer tipo de desassociação entre nossas partes que tanto respeito e admiração se interpõe entre elas, fico por aqui com mais um grande abraço deste apreciador de vossa visão sobre o que transcreves para este apreciado blog.

    jurandir_lima@bol.com.br.

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    1. Caro Jurandir;

      Grato pela exposição. Mais uma vez pude aferir que pensamos igual quanto ao que pode o cinema em suas devidas épocas. Quanto aos textos aqui apresentados, também há o que dizer sobre aquele que os escreve. O autor é um só: EU. Mas este EU é variável devido à maneira de apreciar e pensar ao longo dos anos. Algumas apreciações são dos meus 16-18 anos, outras são de períodos mais intermediários. E por aí vai. Alguns textos foram escritos no começo do século 21 e, uns poucos, em 2014-2015. Então, é alguém que exercita o poder de apreciação desde a adolescência até agora, quando já está quase ancião. Rs! Muita coisa foi pensada e repensada ao longo desta escala, pois o autor também se repensa com o passar dos anos. Os textos, em geral, refletem a quanto ia a cabeça do autor em períodos bem definidos de sua trajetória.

      Abraços.

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  3. Eugenio,

    OK, amigo, OK.

    O que mais me impressiona na vida nossa é que, quanto mais maduro ficamos mais sábios estamos.

    E é muito salutar ler coisas que escrevemos tempos atrás, muito bom e que nos clareia naquele instante de o quanto éramos um tanto quanto infantis, apesar de no momento daquela escrita não pensarmos nada assim. Não é isso mesmo?

    Veja; gosto de escrever. Tenho vários livros escritos, e todos de faroestes. São contos classicos, livros feitos até com mais de 600 páginas.

    Em 2003 eu criei uma historia, a desenvolvi e presenteei uma garota,que andava na minha mira, com esta obra.

    Ela deve ter adorado não apenas a ação de receber um presente daquele, pois na obra introduzi muito dela, inclusive seu nome, que era o nome da mocinha (Rssrsrsrsrs), como passagens de sua vida e algumas coisa que sabia dela.

    Olha então o que ocorreu. Como lhe dei a historia em folhas soltas, ela a xeroxou e a encadernou.
    E num encontro comigo ( jamais consegui conquista-la como mulher) ela me presenteou minha obra em feitio de livro.

    Bem; relendo-o, observei que cometi centenas de erros gráficos e de português. Porém, o conteudo do que conto é maravilhoso. Lindo mesmo, coisa que não captei na época que escrevi.

    E resolvi reescreve-lo. Mas foi aí que a coisa pegou, pois nunca se deve fazer isso, ou mesmo fazer uma nova historia, do que já foi escrito, porque, com a cabeça que tenho hoje, quase 15 anos depois, eu iria anular quase tudo que está escrito e colocar tudo com palavras e contextos novos, atuais.

    E resolvi deixa-la como está.

    Cito isso para que avaliemos como não deixávamos de ser sábios também nos anos idos. Talvez um pouco meio esverdeados se compararmos tudo à época atual. Mas a verdade é que sempre fomos o que somos, por menos que nos apercebamos disso.

    Enorme abraço do seu amigo da Bahia

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. História ótima, Jurandir. Muito bom ler essas confissões. Veja você de quantas camadas somos feitos, graças ao tempo que percorremos e também nos percorre. Não há nada que nos defina melhor que a escrita. Examinar o que escrevemos ao longos dos anos, desde que nos iniciamos neste mister, é uma das práticas mais divertidas e reveladoras que há.

      Houve um tempo em que lia muitos os livros (de bolso) aqui publicados com histórias de faroeste. Isto foi no começo dos anos 70. Mas não devo conhecer as suas publicações nesse campo. Escrevia com qual nome? Ou se valia de Jurandir?

      Abraços.

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