Vi Waterloo
(Waterloo,
1970) em 1975. Nesse ano escrevi a apreciação da vez neste blog. Também havia
terminado de ler, por mera curiosidade, o livro fundador da moderna concepção
de política: O príncipe, de Nicolau Maquiavel, ao qual Napoleão Bonaparte dedicou
edição comentada. Aproveitei o ensejo para ilustrar o escrito com relações
decorrentes de um aprendizado ainda pífio das lições do autor florentino. Até o
momento não tive outra oportunidade para rever Waterloo. Gostaria
imensamente de fazê-lo. Por um motivo simples: o filme não me agradou
inteiramente. Hoje, passados 41 anos, penso que seria um ato de justiça
submetê-lo ao crivo de um olhar mais amadurecido. Trata-se de coprodução entre
Itália, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Inglaterra e Estados
Unidos, gerenciada por Dino de Laurentiis e dirigida pelo cineasta ucraniano Sergei
Bondartchuk ou Sergei Bondarchuk. É refilmagem de produção austríaca homônima
de 1928, de Karl Grune. Waterloo sucumbe sob o peso de um
tratamento muito solene e distanciado dos eventos que conduziram ao derradeiro
ato de Napoleão à frente da França. Os atores principais interpretam com
respeito muito reverencial pelos personagens, deixando-os pouco naturais, à
beira do caricato. As cenas de batalha, em planos quase sempre abertos,
resultam anticlimáticas. São estes os principais aspectos considerados nesta
apreciação escrita quando o autor estava com 19 anos.
Waterloo
Waterloo
Direção:
Sergei Bondartchuk
Produção:
Dino De Laurentiis
Paramount, Dino De Laurentiis
Cinematografica, Mosfilm
Itália, URSS, Inglaterra, EUA — 1970
Elenco:
Rod Steiger, Christopher Plummer, Orson Welles,
Jack Hawkins, Virginia McKenna, Dan O’Herlihy, Michael Wilding, Terence
Alexander, Charles Borromel, Andrea Checchi, Peter Davies, Rupert Davies,
Donald Donnelly, Philippe Forquet, Gianni Garko, Ivo Garrani, Willoughby Gray,
Roger Green, Richard Heffer, Charles Millot, Ian Ogilvy, Orazio Orlando, John
Savident, Oleg Vidov, Jeffry Wickham, Susan Wood, Serghej Zakhariadze, Eughenj
Samoilov, Orso Maria Guerrini, Ghennady Yudin, Veronica De Laurentiis, Vladimir
Drujnikov e os não creditados Adrian Brine, Aldo Cecconi, Aleksandr
Parkhomenko, Allan Elledge, Andrea Dosne, Andrea Esterhazy, Andrei Yurenyov,
Antonio Anelli, Armando Bottin, Attilio Severini, Boris Molchanov, Camillo
Angelini-Rota, Colin Watson, Domenico Ravenna, Félix Eynas, Filippo Perego,
Franco Fantasia, Fred Jackson, Georgi Rybakov, Giorgio Sciolette, Giuliano
Raffaelli, Guglielmo Ambrosi, Guidarino Guidi, Igor Yasulovich, Irina
Skobtseva, Isabella Albonico, Ivan Milanov, Jean Louis, Karl Lyepinsk, Kristian
Yanakiyev, Lev Polyakov, Massimo Della Torre, Oleg Mikhajlov, Omero Capanna,
Paul Butkevich, Pietro Ceccarelli, Rino Bellini, Robert Rietty, Rodolfo Lodi,
Rostislav Yankovskiy, Sergio Testori, Vaclovas Bledis, Valentin Koval,
Valentins Skulme, Valery Guryev, Vasili Plaksin, Vasiliy Livanov, Viktor
Murganov, Vladimir Levchenko, Vladimir Shakalo, Vladimir Udalov, William
Slater.
O diretor Sergei Bondartchuk - à esquerda - com Orson Welles, intérprete de Louis XVIII em Waterloo |
Sergei M.
Eisenstein tentou. Infelizmente, suas pretensões de trabalhar além das
fronteiras da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foram
totalmente frustradas. Após realizar A linha geral ou O
velho e o novo (Generalnaya linnia/Staroye i novoye,
1929), recebeu convite da Metro-Goldwyn-Mayer para passar uma temporada em Hollywood. Para lá
partiu tão logo conseguiu o consentimento de Stálin, com a vontade de adaptar os
romances O ouro, de Blaise Cendrars, e, principalmente, Uma
tragédia americana, de Theodore Dreiser. Nenhum desses projetos se
concretizou. Que viva México! (Que viva México!, 1931) foi
interrompido pelo produtor Upton Sinclair perto de ser concluído. Eisenstein,
no mínimo, pecou por inocência se acreditou na preservação do seu estilo
autoral num sistema de produção centrado na padronização exigida pela linha de
montagem industrial do cinema estadunidense.
1970: Sergei
Bondartchuk é o segundo cineasta soviético a tentar a sorte no estrangeiro. As
credenciais vieram do sucesso de crítica de Guerra e paz (Voina
i mir, 1964-1967) — gigantesca adaptação em quatro partes, premiada com
o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, do romance épico de mesmo nome de Leon
Tolstoy. Mais maleável que Eisenstein, Bondartchuk se saiu melhor — em termos,
pelo menos. Patrocinado pelo mega produtor Dino De Laurentiis, realiza Waterloo
em regime de coprodução entre Itália, URSS, Estados Unidos e Inglaterra.
Trata-se de refilmagem de produção austríaca de idêntico título, de 1928, a
cargo do diretor Karl Grune. Infelizmente, o resultado passou ao largo do
grande cinema.
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Rod Steiger no papel de Napoleão Bonaparte |
Waterloo enfoca a
derrocada definitiva de Napoleão Bonaparte (Steiger). O Imperador francês não é
estranho ao diretor. Marca presença em Guerra e paz, na desastrosa
tentativa de submeter a Rússia, em 1812. As forças francesas foram vencidas
pelos rigores do inverno e pelas lonjuras das estepes. A fatídica Batalha de Waterloo
praticamente prolonga as consequências dessa derrota. Napoleão jamais se
recuperou dos efeitos da malfada aventura através das geladas extensões
territoriais no extremo leste da Europa.
Waterloo começa em 1814.
As forças napoleônicas foram batidas na alemã região da Saxônia, em Leipzig. Exércitos
ingleses, austríacos, russos e prussianos cercam Paris e exigem a deposição do
Imperador. A abdicação ocorre após muita relutância, por pressão de ministros e
comandantes de tropas. Apesar de tudo, Bonaparte preserva mil homens da Guarda
Imperial, que o acompanham ao exílio, na ilha de Elba, em pleno Mediterrâneo. O
fantoche Louis XVIII (Welles), manobrado pelas potências vitoriosas, assume o
trono. Nos planos interno e externo a França é lançada num período de
instabilidade, para incômodo do exilado.
Dez meses depois,
Napoleão escapa de Elba com a proteção da Guarda Imperial. Ruma para Paris, em
progressão vitoriosa diante da Europa impotente e estupefata. As tropas enviadas
por Louis XVIII para barrá-lo às portas da capital francesa, capitulam ao irresistível
carisma do homem que recebeu da imprensa, desde a fuga e pela ordem, as designações
de Monstro, Papão, Tigre, Vagabundo das Montanhas, Tirano, Terror, Usurpador,
Imperador — quando estava em Fontainebleau — e, por fim, Sua Majestade — já na
segurança do Palácio das Tulherias. Cercado e aclamado pelos soldados desde a
entrada em Paris, Napoleão justifica o retorno como necessário à recomposição
do orgulho nacional. Apeia Louis XVIII — “o rei gordo que desonrou os
franceses” — e retoma o poder. Conseguirá mantê-lo por breves cem dias.
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Christopher Plummer como Arthur Wellesley, Duque de Wellington, e Virginia McKenna no papel da Duquesa de Richmond |
Leitor atento de
Maquiavel, Napoleão reorganiza o governo sob a alegação de que “Quem salva uma
nação não viola lei alguma” — alusão direta ao autor florentino de O
príncipe. Por outro lado, além das fronteiras francesas, é declarado
inimigo da humanidade. A Europa se mobiliza para a resistência. Em junho de
1815, 72 mil franceses arregimentados às pressas invadem a Bélgica. Em 17 desse
mês Napoleão está nos campos da aldeia de Waterloo, às portas de Bruxelas.
Pretendia atacar imediatamente os 68 mil soldados da força multinacional
comandada pelo britânico Arthur Wellesley, Duque de Wellington (Plummer). Os
planos foram prejudicados por forte tempestade. Imobilizado pelo aguaceiro e
sentindo os efeitos da enfermidade — provavelmente uma crise renal aguda — que
o atormentava há tempos, a virtu
política de Napoleão praticamente antecipou a perda de controle sobre a
caprichosa deusa Fortuna. Temeroso, rememora
o fiasco da campanha russa e afirma: “A única coisa que temo é a natureza”.
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Napoleão Bonaparte (Rod Steiger) |
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Acompanhando o calor da batalha: Napoleão Bonaparte (Rod Steiger), ao centro |
O tempo amanhece
firme. Porém, as forças francesas não podem progredir de imediato. Devem
aguardar o providencial auxílio do sol para enxugar o terreno encharcado e enlameado,
empecilho ao avanço das pesadas peças de artilharia. A movimentação só começa após
o meio-dia. Daí a duas horas, o até então ausente exército prussiano, comandado
pelo Marechal de Campo Blucher (Zakhariadze), lança parte da força de 45 mil
homens contra o flanco direito francês. Pelo centro, Wellington fustiga o
inimigo com cautela. Às 18 horas a vitória parece sorrir a Napoleão: num
rompante ousado, o Marechal Michel Ney (O'Herlily), à frente da cavalaria e sem
apoio da artilharia, carrega sobre a coalizão comandada por Wellington,
acantonada no terreno de fazenda em La Haye Sainte. Toma a posição e hasteia o
pavilhão tricolor. Confiante, Napoleão dita carta a Paris na qual anuncia a
vitória. Logo ordena carga da Guarda Imperial contra as desordenadas tropas inglesas.
Nesse momento, reaparecem Blucher e o exército prussiano. Atacam sem clemência
o desguarnecido flanco francês. Em meio à confusão, Wellington reagrupa as
forças e determina o avanço geral. Napoleão cai sob dois fogos. Por segurança,
é retirado às pressas do teatro de operações. A debandada toma conta dos
franceses, à exceção da Guarda Imperial. Fiel ao Imperador, não aceita a
exortação à rendição da parte de Wellington. É fulminada pelo fogo dos canhões.
A noite cai em Waterloo. Os
espoliadores de cadáveres começam a agir. A cavalo, Wellington passa pesaroso
entre os corpos. Seus pensamentos se fazem audíveis: “Pior que perder uma
batalha é ganhá-la”. Waterloo chega ao fim. Quatro dias
após a derrota Napoleão assina a segunda e definitiva capitulação que o
condenará ao exílio perpétuo na distante Ilha de Santa Helena, possessão
britânica no Atlântico Sul. Falece aos 51 anos, em 5 de maio de 1821.
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Dan O'Herlihy como o Marechal Michel Ney, das forças napoleônicas |
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A derrota parece iminente: sob proteção da guarda imperial e por segurança, Napoleão (Rod Steiger) é retirado do campo de batalha |
A direção de
Bondartchuk praticamente inexiste. Parece que se inibiu diante da trágica e
solene grandiosidade do tema. A coerência narrativa, em alguns momentos, dá a
impressão de avançar ao léu, sob a batuta de um amador, principalmente nas
cenas de batalha. Há graves problemas de desajuste sonoro. O volume se eleva assustadoramente
nos momentos de tensão e cai na mesma proporção nos trechos mais amenos. A
interpretação de Rod Steiger é problemática. Movimenta-se teatral e solene, com
gestos minuciosamente delineados, longe do natural. Quando fala, exagera na inflexão.
Tanta força na caracterização resvala na caricatura. Christopher Plummer — pelo
visto, nunca deixou de ser o Barão von Trapp de A noviça rebelde (The
sound of a music, 1965), de Robert Wise — também compromete a
composição do arrogante e prepotente Wellington. Sobre o cavalo, na
contemplação da batalha, as sobrancelhas exageradamente retocadas pela
maquiagem o equiparam a alguma entidade sobrenatural.
As cenas da
contenda que batiza o filme são, em geral, chochas, revestidas de uma
grandiosidade que se perde no vazio. Foram obtidas à base de planos gerais, mal
aproveitados na montagem, pois se diluem no calor dos combates. Bom mesmo é o
destaque às diferenças das cores dos uniformes da forças em luta: o chamativo
vermelho dos soldados de Wellington e o assustador negro dos prussianos contra
o destacado azul do traje tricolor francês. Felizmente, da amorfa e pouco
eficiente reconstituição da batalha Bondartchuk extrai sequência de grande
impacto, quando a câmera, em tomada aérea, acompanha a carga da cavalaria
francesa sobre os ingleses. Também revela uma visão de conjunto das táticas e
estratégias de combate, desenhadas em meio às chamas, explosões, fumaça e
confusão.
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Os ingleses General Sir Thomas Picton (Jack Hawkins) e o Duque de Wellington (Christopher Plummer) |
Apesar de
Steiger, Napoleão tem boas falas. Revelam um personagem de Maquiavel. No
começo, quando Ney adianta que a renúncia preservará o trono, o Imperador
responde irônico: “O trono é apenas um pedaço de decoração. O que conta é o que
há por trás dele: meu cérebro, ambição, desejo, esperança, imaginação e,
sobretudo, minha vontade”. Quando cruza o rio na fronteira entre França e
Bélgica, Napoleão diz às tropas: “Secaremos nossas botas em Bruxelas”. “Se Deus
quiser” — deixa escapar um comandado. Com realismo o Imperador revida: “Deus?
Ele não tem nada a ver com isso”.
Uma das melhores
sequências está aproximadamente aos nove minutos do começo, pouco antes da
apresentação dos créditos: forçado a abdicar, Napoleão se despede das tropas,
pronto a partir para Elba. O caráter despótico do Imperador — no adeus aos
soldados chamados de crianças, como se fosse ele um pai se dirigindo aos filhos
— é de pronto revelado. O homem em lágrimas, com a voz embargada, apeado da
direção do Estado e inclinado para beijar o pavilhão tricolor, lamenta apenas uma
coisa: a perda do poder.
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Napoleão Bonaparte (Rod Steiger) na perplexidade da derrota |
A utilização de
trechos de A marselhesa como música incidental — fazendo a marcação de
cenas, pontuando momentos de introspecção e carregando os planos com uma
dramaticidade específica, firmada na História — está entre os pontos positivos
de Waterloo.
Argumento e roteiro: H. A.
L. Craig. Colaboração no roteiro:
Sergei Bondarchuk, Vittorio Bonicelli. Música:
Nino Rota. Consultoria musical:
Wilfred Josephs. Figurinos civis:
Maria De Matteis. Figurinos militares:
Ugo Pericolo. Executivo associado e
montagem: Richard C. Mayer. Desenho
de produção: Mario Garbuglia. Efeitos
especiais: Valdimir Likhachov, Giulio Molinari. Direção de fotografia (Panavision, Technicolor): Armando Nannuzzi. Decoração: Emilio D'Andria, Kenneth
Mugglestone. Supervisão de maquiagem:
Alberto De Rossi. Direção de arte:
Ferdinando Giovannoni, A. Menialshikov, S. Valiushek. Consultoria
militar: Willoughby Gray, General M. Kozakov, General
A. Lushinsky, General N. Oslikovsky. Continuidade: Elvira D’Amico. Guarda-roupa feminino: Nadejda Bussina. Som: Gordon Everett, Juri Mikhailov, Kevin Gurry. Supervisão da edição de som: Les
Wiggins. Regravação de som e mixagem:
Gordon K. McCallum. Pós-produção da
regravação: Pinewwod Studios. Coreografia:
Gino Landi. Supervisão da produção:
Guy Luongo, Piotr M. Sviridov. Associados
à montagem: Jean Oser, E. V. Mikhailova. Primeiro assistente de montagem: Vanio Amici. Produção associada: Tom Carlile. Direção de diálogos: William Slater. Primeiro assistente de direção: Vladimir Dostal. Gerente de produção: Guglielmo Ambrosi,
Mario Abussi (não creditado). Direção de
segunda unidade: A. Chemadurov. Produção
executiva: Dino De Laurentiis. Penteados:
Paolo Borselli. Maquiagem: Mikhail
Chikiryov, Giannetto De Rossi. Supervisão
de produção: Alfredo De Laurentiis (não creditado). Gerente de unidade de produção: Erik Waisberg (não creditado). Assistentes de direção: Allan Elledge,
Tomaso Sherman, Tommaso Sherman. Som:
Renato De Santis, John S. Dennis, Primiano Muratori (não creditado). Edição de som: Christopher Lancaster,
Alban Streeter, Alan Streeter. Mixagem
da regravação de som: John Hayward (não creditado). Coordenação de dublês: Franco Fantasia. Dublê: Nosher Powell. Fotografia
de cena: Alfonso Avincola, Paul Ronald. Operadores de câmera: Giuseppe Bernardini, J.N. Carpuchin. Operador de câmera da segunda unidade:
Nino Cristiani. Assistente de
guarda-roupa: Maria Fanetti. Assistente
de figurinos: Alberto Verso (não creditado). Assistente de montagem: Edoardo Romani (não creditado). Música adicional: Wilfred Josephs (não
acreditado). Música incidental:
techos de A marselhesa, hino nacional da França, composto por Claude Joseph
Rouget de Lisle. Direção musical:
Bruno Nicolai (não creditado). Apresentação:
Dino De Laurentiis. Técnico de
Panavision: Heinz Feldhaus. Produção
de ligação: Anna Popova. Direção de
adr: Robert Rietty (não creditado). Publicação
da música: Dino Edizioni Musicali. Empresa
de fabricação de costumes: Monty Berman (Londres), L. Cantini &
C.S.N.C. Perucas: G. Rocchetti. Joalheria: Nino Lembo, Nino Lembo. Fabricação de armamentos: L. Daffini. Empresas de contrarregra: Ditta
Rancati, Props-Atrezzi Speciali per Cinema, Props-Atrezzi Speciali per Cinema. Agradecimentos especiais da produção a:
Exército Soviético, The First Battalion The Gordon Highlanders. Confecção de trajes: Costumi d'Arte
(não creditado), L. Cantini & C.S.N.C., Monty Berman. Calçados: Ditta Pompei. Sistema
de mixagem de som: Westrex Recording System. Tempo de exibição: 134 minutos.
(José
Eugenio Guimarães, 1975)
Excelente reseña Eugenio, un gusto y un verdadero placer aprender de cine clásico con tu blog.
ResponderExcluirCine y historia, gran lección.
Un gran abrazo desde España.
Gracias Miguel, por su apreciación. También por la visita y por estar siguiendo el blog. Sí, algunos película aquí apreciados son clásicos. Pero hay películas de todos los tipos.
ExcluirEugenio,
ResponderExcluirAcabei de ler um acontecimento que tinha tudo para gerar um filme inesquecível se não estivesse sua direção em mãos despreparadas para a grandiosidade do que iria contar.
Isto ocorre com muita frequencia, assim como ocorreu o encenar sem qualidade de Steiger, que parece mais desejar mostrar a caracterização de seu personagem, Napoleão, do que fazer o que precisa ser feito.
Vi isso em um filme nacional. Muitos me criticaram em doses exageradas, me taxando de metido demais, de exigente, de isso e mais aquilo.
Tudo isso por eu falar sobre o assunto, achando apenas que pelo nome do ator tudo é beleza, tudo é maravilha, tudo o que ele fizer o fez bem feito.
Não, não é assim. Não é mesmo.
Em Getulio/14, do joão Jardim. o Tony Ramos caracteriza por demais o Getulio Vargas, exibindo às largas gestos do mesmo, movendo-se como o outro fazia e, de um modo geral, preocupou-se muito mais em parecer o personagem em todos os sentidos do que interpretar seu papel encarnado no ex-presidente.
Uma falha que poderia causar a derrocada de um trabalho até que muito sensível e bem planejado, como foi o filme do João. O filme tem conteudo, seus cenários satisfazem, a tonalidade utilizada na pelicula é de acordo com o que se está contando, as locações não rezam desordem ou desqualificação e, enfim, tudo ali me pareceu bem preparado para se criar uma boa historia numa pelicula nacional.
Porém, note-se, e note-se com atenção e sem me por como demagogo:
ele, o Jardim, com o elenco de apoio que teve, e que foi excelente, principalmente por parte da Drica de Moraes, esta no papel da filha de Getulio, terminou fazendo o Ramos não parecer exagerado na carga de sua caracterização, terminando por despistar toda sua carga exibicional e dar alguma parte de seu recado.
Porque, apesar de tudo, o Ramos não é nenhum Steiger. Ele tem suas formas de consertar alguma coisa e no final, o resultado do trabalho saiu com alguma satisfação.
Porém, é necessário que se pegue sempre os jeitos dos personagens a interpretar. Entretanto, não é tão necessário tanta perfeição na composição a ponto de mutilar, ou quase, um bom trabalho.
Não conheço Waterloo, mas acho o conteúdo da narrativa muito boa para se fazer um filme altamente perfeito e muito bom. Gostaria de ve-lo. Mas acho que não acontecerá nem comigo nem com o Editor.
Com certeza que sua critica procede.
Ao ver o filme aos 19 anos, cheguei a imaginar que a sua idade poderia ter prejudicado sua conclusão. No entanto, lendo o desenrolar de seu projeto percebi que não foi o que imaginei e sim uma desastrada falta de profissionalismo em sua criação, ou seja, um pecado geral de toda a equipe de produção.
jurandir_lima@bol.com.br
Não conheço o "Getúlio" do João Jardim, Jurandir. Pelo menos, ainda não.
ExcluirQuanto a WATERLOO propriamente, apenas lamento não ter revisto o filme, AINDA!! Mas sei que está à disposição minha e sua no Youtube, portanto, ao alcance da mão para ser visto e revisto.
O filme não foi prejudicado por falta de profissionalismo, ao menos da parte do diretor. Sergei Bondartchuk é excelente, mas, certamente, não estava preparado para dirigir uma produção ocidental de encomenda, para a qual ele foi contratado. Ele fez filmes grandiosos na URSS. É um profissional ou um artista do mais alto gabarito, tanto como roteirista e como diretor. "Waterloo" foi apenas um tropeço. Dentre as obras-primas que dirigiu estão O DESTINO DE UM HOMEM ("Sudba cheloveka", 1959), a obra primíssima GUERRA E PAZ, dividida em três partes, originalmente intitulada VOYNA I MIR" e realizada de 1965 a 1967. Ainda há BORIS GODUNOV, de 1986, e mais uns três ou quatro filmes que ainda irei conhecer, nem que seja por intermédio de download ou da cinemateca da Embaixada Russa.
Abraços.