Após quase três meses sem atualizações e cinco dias após
completar o sexto aniversário, Eugenio em Filmes retorna. Por muito
pouco não chegou ao fim em decorrência do desânimo e pessimismo do editor com o
processo político brasileiro. A eleição de um fascista para a Presidência da
República se concretizou em 28 de outubro. Os próximos anos anunciam o desmonte
do Estado, o aviltamento das instituições republicanas, a desvalorização da democracia,
o desvirtuamento da educação pública, a subtração dos direitos trabalhistas, o
sucateamento das universidades, a rendição da economia ao capital estrangeiro,
o frontal desrespeito aos direitos humanos e o estrangulamento das minorias —
principalmente das descendências dos povos originários, já submetidos ao
implacável e violento cerco de especuladores fundiários e do agronegócio.
Diante de sinais tão avassaladores de degradação política, social, cultural e
ambiental — inclusive com o emprego de métodos criminosos e do cerco ao
conhecimento formal e saber intelectual —, Eugenio em Filmes resolveu continuar.
Poderá ser uma trincheira de resistência, ainda que relativamente
insignificante. Hoje, 18 de dezembro, publica o texto que iria ao ar em 30 de
setembro. Esta data será mantida. Também há o compromisso de recuperar o tempo
perdido ao longo de quase 90 dias de inatividade. O reinício traz a apreciação
de A
última esperança da Terra (The Omega man, 1971). O roteiro é
livremente baseado no livro I am legend, de Richard Matheson. O
astro Charlton Heston não mediu esforços para viabilizar o projeto da melhor
maneira. Mais uma vez se associou ao confiável produtor Walter Seltzer e até
sondou Orson Welles para a direção. Infelizmente, o responsável por Cidadão
Kane (Citizen Kane, 1941) e A marca da maldade (Touch
of evil, 1958) — protagonizado por Heston — já estava envolvido com O
outro lado do vento (The other side of the wind), filmado
ao longo de lento e complicado processo entre 1970 a 1976 e com muitos
acidentes de percurso pela frente. Assim, o pouco criativo Boris Sagal, perito
em realizações para a TV, assumiu a batuta. O título tem qualidades, mas no
todo deixa a desejar. O início promete uma história repleta de atmosfera e
inquietação. Infelizmente, logo descamba para o convencional jogo de gato e
rato com muitas situações esticadas além da medida. A apreciação a seguir foi
originalmente escrita em 1984. Passou por revisão e atualização (mediante notas
de pé de página) em 2018.
A última esperança
da Terra
The omega man
Direção:
Boris Sagal
Produção:
Walter Seltzer
Walter Seltzer Productions,
Universal
EUA — 1971
Elenco:
Charlton Heston, Rosalind Cash,
Anthony Zerbe, Paul Koslo, Lincoln Kilpatrick, Eric Laneuville, Jill Geraldi,
Anna Áries, Brian Tochi, De Veren Bookwalter, John Dierkes, Monika Henreid,
Linda Redfearn, Forrest Wood e o não creditado Steve Goldstein.
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Boris Sagal, o diretor |
Esta segunda
adaptação cinematográfica do romance I am legend — escrito por Richard
Matheson em 1954 — se deve inicialmente ao interesse de Charlton Heston,
intérprete de Neville. À primeira vista é o único humano que resistiu incólume
aos efeitos colaterais da guerra entre China e URSS no começo dos anos 70.
Armas bacteriológicas utilizadas descontroladamente disseminaram germes mundo
afora. Populações foram infestadas e praticamente dizimadas. Os sobreviventes
evoluíram para mutações, algo como cruzamentos de zumbis com vampiros. São
albinos, fotofóbicos e perambulam em bandos às noites. Neville — oficial das
forças armadas estadunidenses e biólogo — preserva, ao menos aparentemente, as
características originais graças à vacina que tardiamente processou. Porém, a
imunização também lhe confere características de mutante. Afinal, teve a
constituição genética modificada. É elemento não desejável aos notívagos que o
caçam sem quartel. Protege-se em cobertura fortificada e, durante o dia, tenta
exterminar as ameaças recolhidas — ferozmente refratárias ao tratamento —
enquanto busca provisões e artigos necessários à sobrevivência nos vários
estabelecimentos comerciais abandonados e ainda repletos de estoques: roupas,
alimentos, automóveis, armas, peças de reposição etc. Los Angeles é o palco dos
acontecimentos.
A depender das
pistas discretamente oferecidas no decorrer da trama, a narrativa tem lugar em
1977 — aproximadamente três anos após a devastação da humanidade. Como último
homem vivo, Neville se vê na situação paradoxal de preservar as características
fundamentais de animal social: fala sozinho, dialoga com as coisas, ouve músicas
e gravações variadas, assiste aos filmes preservados. Às vezes, no desespero da
solidão, é acuado por sons imaginários. Em um dos melhores momentos, ainda no
início da história, é surpreendido no centro comercial da metrópole pelo
devaneio que o leva a ouvir simultâneas chamadas de vários telefones públicos.
Curiosa é a atividade reservada para todos os dias: comparecer ao cinema local
— perigoso ambiente escuro — para rever o lá abandonado Woodstock — 3 dias de paz, amor e
música (Woodstock, 1970). Por que logo esse documentário de Michael
Wadleigh, do qual memorizou diálogos e canções? Não haveria mais salas em Los Angeles , com
outros títulos disponíveis?
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Charlton Heston como o sobrevivente Neville |
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Neville (Charlton Heston) no vazio de Los Angeles |
Woodstock opera como
catarse. Apresenta a juventude em interação na celebração do prazer de viver,
confraternizando-se ao som das apresentações musicais e de um ideal de
liberdade. Porém, é com um misto de desconforto e desdém que Neville se entrega
às imagens dedicadas ao ainda recente evento da contracultura e que podem estar
associadas às ameaças noturnas. Os jovens presentes ao festival desfraldavam a
bandeira alternativa da vida comunitária em oposição ao individualismo urbano
do mundo capitalista e consumista. Opunham-se às guerras e todas as formas de
exploração. Os inimigos do protagonista se estruturam comunitariamente em torno
de princípios idênticos, valorizadores da simplicidade e do básico para sobreviver.
Reconhecem-se como Família — alusão aos assassinos de Sharon Tate, liderados
por Charles Manson?[1] —
e odeiam ciência, cultura, tecnologia e militarismo — considerados responsáveis
pela devastação do planeta. Não para menos o ilustrado Neville, militar e
cientista, deve ser eliminado. É a representação de um tempo, lugar e valores perdidos.
Lideram os mutantes o racional Matthias (Zerbe) e o mais aguerrido Zachary
(Kilpatrick). Defendem um coletivismo pré-capitalista. Todos os membros trajam
capuzes e hábitos negros. Assemelham-se aos monges medievais e creem piamente
no definitivo poder purificador do fogo, qual a Santa Inquisição.
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Acima: Matthias (Anthony Zerbe) ainda com as feições humanas normais Abaixo: Matthias transformado em mutante |
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O mutante Zachary (Lincoln Kilpatrick), lugar tenente de Matthias |
Neville — solitário
contra todos ou um pária entre os eleitos destinados a herdar um mundo
reordenado pela hecatombe que varreu qualquer vestígio de humanidade como era
conhecida — lembra, de certo modo, o astronauta George Taylor (Charlton Heston)
surpreendido na volta à Terra dominada pelos símios em O planeta dos macacos (Planet
of the apes, 1968), de Franklin J. Schaffner. Em ambos os títulos sobra
a memória incômoda de uma civilização decaída que não soube evitar a destruição
e, portanto, não merece deixar vestígios.
A última
esperança da Terra tem começo envolvente, marcado pela inquietação.
Pela manhã, Neville dirige pela Los Angeles deserta. A produção não usou
maquetes ou efeitos de estúdios. Construções inviabilizariam o empreendimento
pela elevação exorbitante dos custos. A solução foi a utilização, ao alvorecer,
de setores ainda desertos e silenciosos da megalópole durante os fins de semana,
o que exigiu inegável esforço da equipe responsável pela pesquisa de locações. Infelizmente,
um filme não é feito apenas de atmosferas — logo tornadas rarefeitas. O romance
de Richard Matheson, transformado pelo roteiro de John William Corrington e
Joyce Hooper Corrington — segundo sugestões de Heston — evolui rapidamente para
um pouco interessante jogo de gato e rato carregado de repetições e situações prolongadas
além da medida. O original foi de tal modo descaracterizado para atender às
exigências do protagonista a ponto de o autor sequer reconhecer a própria obra
como fonte inspiradora. A entrada em cena de uma comunidade de sobreviventes
liderada pelos aguerridos Lisa (Cash) e Dutch (Koslo) provoca um reaquecimento
dos mais convencionais. Exclui-se, logicamente, a deixa para a introdução de
uma ainda ousada relação interracial de Neville com a negra Lisa, numa época em
que os conservadores EUA conheceram inúmeras mudanças comportamentais. No final
das contas, as cenas de intimidade entre ambos não provocaram grandes controvérsias.
Inseriam-se numa produção de ficção científica ambientada em época na qual a
humanidade estava reduzida a quase nada.
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Lisa (Rosalind Cash) |
O final é dos
mais conservadores. Resgata uma mensagem de redenção cristã. Neville se
apresenta como cordeiro imolado em prol da existência dos demais. Encarna a
própria imagem do crucificado lancetado e exanguinado. Os notívagos atingiram o
objetivo tão perseguido. O personagem é sacrificado para prover vida e
esperança. Antes do trágico ato final — encenado de forma um tanto exagerada,
até grotesca — Neville finalizou, valendo-se do próprio sangue imunizado, a
produção de vacinas para garantir a preservação dos atributos humanos aos
amigos que lhe deram nova razão para viver. O último homem é também o ponto de partida
ao recomeço da humanidade, cujos representantes partem da devastada Los Angeles
ao encontro de paragens mais acolhedoras ao renascimento social.
Em 1964, I am legend
foi filmado em esforço conjunto de produtores italianos e estadunidenses, com o
protagonismo de Vincent Price no papel do sobrevivente Robert Morgan. A
realização Mortos que matam (The last man on Earth) teve a
direção de Sidney Salkow (EUA) e Ubaldo Ragona (Itália). O próprio Richard
Matheson escreveu o roteiro original sob o pseudônimo de Logan Swanson. A peça
recebeu contribuições de William F. Leicester para a parte estadunidense e de Furio
M. Monetti e Ubaldo Ragona no que concerne ao setor italiano. De um lado e de
outro, Matheson ficou insatisfeito — inclusive com a escolha que julgou
equivocada de Price para o papel principal. Comparado ao sorumbático e enlutado
Robert Morgan, o Neville de Charlton Heston é muito expansivo e disposto aos
monólogos que nem sempre cumprem função adequada. Na maioria das vezes provocam
estranhamento, até fastio[2].
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Neville (Charlton Heston) e Lisa (Rosalind Cash) |
Provavelmente, A
última esperança da Terra teria melhor desenvolvimento se Heston tivesse
Orson Welles na direção — conforme o inicialmente pretendido. Porém, o pai de Cidadão
Kane (Citizen Kane, 1941) — que dirigiu o ator em A
marca da maldade (Touch of evil, 1958) — já estava
envolvido com a complicada realização de The other side of the wind, filmado
com muita dificuldade entre 1970 e 1976 e ainda não concluído por uma série de
problemas financeiros e judiciais[3].
Infelizmente, a
direção ficou com o rotineiro Boris Sagal — mais habituado aos filmes e séries
para a televisão. No cinema, fez muito pouco: onze títulos. Os melhores são o
policial As duas faces de Caim (The crimebusters, 1962), a comédia A
moeda da sorte (Dime with a halo, 1963) e A
última esperança da Terra. Os demais são os pouco interessantes As
armas do diabo (Guns of diablo, 1965), Loucos
por garotas (Girl happy, 1965), Feita
em Paris (Made in Paris, 1966), Os espiões do helicóptero (The
helicopter spies, 1968), O ataque dos mil aviões (The
thousand plane raid, 1969), Esquadrão Mosquito (Mosquito
Squadron, 1969) e Ângela (Angela, 1977).
A última
esperança da Terra é a quarta das sete associações de Charlton Heston
com o produtor Walter Seltzer. Reuniram-se pela primeira vez em 1965 com O
senhor da guerra (The war lord), de Franklin J.
Schaffner. Na sequência vieram ...E o bravo ficou só (Will
Penny, 1967), de Tom Gries; Number one (1968), de Tom Gries; Voo
502: em perigo (Skyjacked, 1972), de John
Guillermin; No mundo de 2020 (Soylent green, 1973), de Richard
Fleischer; e Os últimos machões (The last hard men, 1976), de Andrew
V. McLaglen.
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Charlton Heston no papel de Neville |
Dentre os valores
da produção, merecem destaque as atuações de Rosalind Cash e Anthony Zerbe. A
intérprete de Lisa é dinâmica. Faz valer o pouco tempo em cena com uma
personagem forte e cínica que esbanja esperança e, ao mesmo tempo, desconfiança
com as novidades reveladas pelo conhecimento de Neville. Lisa é cheia de si.
Ocupa a cena com orgulho, como se estivesse louvando os esforços dos negros
estadunidenses em busca de afirmação durante os anos anteriores à produção —
dedicados à causa dos direitos civis. Já a composição de Zerbe para Mathias é
um achado. Apesar de irreconhecível sob a pesada caracterização do mutante, o
ator soube se impor com discrição e veraz intensidade, como se fosse um racional
e cioso dirigente de um tribunal do Santo Ofício.
A primorosa direção
de fotografia de Russell Metty responde pelas principais qualidades da
história. É atmosférica e vibrante. Transforma as tomadas obtidas da real Los
Angeles em algo fantasmagórico, inclusive apocalíptico. Afinal, veem-se criações
humanas por todos os lados, porém os criadores não se fazem presentes — a não
ser o solitário e vigilante Neville, mais parecido com uma assombração a velar
pelo sono da metrópole deserta. A trilha musical de Ron Grainer é funcional e
perfeitamente adequada aos cenários. Estes dão a impressão de ocultar um perigo
sempre pronto a emergir, inclusive quando exercem o burocrático papel de
ilustração incidental.
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Neville (Charlton Heston), a última esperança da Terra |
Acerca de guerra entre
China e URSS, de consequências funestas para a humanidade, cabe lembrar que a
ficção de A última esperança da Terra não estava tão distante do factual.
Em 1969 e pelos anos seguintes a temperatura decorrente do tenso relacionamento
entre os dois países esteve elevada e pronta a explodir, principalmente nas
áreas fronteiriças. Houve mesmo o temor real de uma séria e fatal conflagração
entre as duas potências nucleares.
Roteiro: John William Corrington, Joyce Hooper Corrington,
com base na novela I am legend, de Richard Matheson. Música: Ron Grainer. Direção
de fotografia (Technicolor, Panavision): Russell Metty. Montagem: William H. Ziegler. Assistente de montagem: Ralph H. Martin
(não creditado). Produção de elenco:
Jack Roberts (não creditado). Direção de
arte: Arthur Loel, Walter M. Simonds. Decoração:
William L. Kuehl. Supervisão de
maquiagem: Gordon Bau. Supervisão de
penteados: Jean Burt Reilly. Maquiagem:
Michael Hancock (não creditado). Penteados:
Sherry Wilson (não creditada). Gerente
de unidade de produção: Frank Baur. Supervisão
de produção: Hal Klein (não creditado). Assistentes da supervisão de produção (não creditados): Don Roberts,
Ted Swanson. Assistente da direção: Donald
Roberts. Aprendiz de assistente de
direção: Barry Steinberg (não creditado). Segundo assistente da direção: Ted Swanson (não creditado). Camareiro: Frank L. Brown (não
creditado). Assistente da contrarregra:
Robert Lamb (não creditado). Contrarregra:
Red Turner (não creditado). Liderança no
departamento de arte: Ken Walker (não creditado). Som: Robert Martin. Cabos de
som: Gene Lloyd (não creditado). Operador
de boom: Norman Webster (não creditado). Efeitos especiais: A. Paul Pollard (não creditado). Coordenação de ação/dublês: Joe Canutt.
Dublês (não creditados): Denny
Arnold, Fred Brookfield, Joe Canutt, Tap Canutt, Chuck Courtney, Larry Duran, Bud
Ekins, Gary Epper, Tony Epper, Richard Farnsworth, Buddy Joe Hooker, Whitey
Hughes, Harold Jones, Kim Kahana, Wayne King Sr., Henry Kingi, Glenn Randall
Jr., Roy N. Sickner, Jack Williams, Wanda Ann Yates. Fotografia de cena (não creditada): Bernie Abramson, Lydia Clarke. Assistência de câmera: Warren E. Boes
(não creditado), William Classen (não creditado), Jack Morrow (não creditado),
Gregory Nowak (não creditado), Henry Polito (não creditado). Operador de câmera: Alfred Cline (não
creditado). Eletricista-chefe: Lee
Wilson (não creditado). Confecção de
costumes: Margo Baxley, Bucky Rous. Músicos
(não creditados): Robert Bain (violão), George 'Red' Callender (baixo), Victor
Feldman (vibrações), Clare Fischer (órgão), Milt Holland (Saxofone), Milton
Kestenbaum (baixo), Virginia Majewski (viola), Raymond Turner (piano), Plas
Johnson (percussão). Direção musical e
orquestração: Ron Grainer (não creditado). Mixagem da trilha musical: Dan Wallin (não creditado). Capitão de transportes: Ed Dutton (não
creditado). Assistente de produção: Shirley
Cohen. Assistente para o produtor: Michael
Rachmil (não creditado). Publicidade:
Bill Stern (não creditado). Equipamentos
especiais: Ray Tostado (não creditado). Continuidade: Marshall J. Wolins (não creditado). Créditos: Pacific Title. Tempo de exibição: 98 minutos.
(José Eugenio Guimarães, 1984; revisto e atualizado
em 2018)
[1] O crime perpetrado pela Família Mason teve lugar em Los Angeles aos 9 de
agosto de 1969.
[2] Em 2007,
a novela de Richard Matheson deu origem ao filme Eu
sou a lenda (I am legend), de Francis Lawrence.
Will Smith vive o protagonista Robert Neville. A denominação rende homenagens
aos personagens interpretados por Vincent Price e Charlton Heston.
[3] Orson Welles faleceu em 1985, aos 70 anos. Não
pode concluir The other side of the wind. Tentou de todas as maneiras liberar
os negativos apreendidos por ordem judicial e depositados em Paris em virtude
de uma ação demandada pelos produtores. Em 2018, graças aos esforços dos
diretores Wes Anderson e Noah Baumbach, o filme foi editado a partir de cópias
guardadas pelo diretor de fotografia Gary Graver. Nesse mesmo ano The
other side of the wind entrou em cartaz na rede de streaming Netflix.