Se fosse um purista e conhecesse o cinema, Edgar Allan Poe
morreria de desgosto somado aos efeitos do “mal do século” caso fosse
apresentado às mais notórias versões fílmicas do célebre e soturno poema O
corvo (The raven), peça maior do romantismo literário estadunidense.
Conheço dois filmes de mistério/terror que fizeram gato e sapato do trabalho do
autor. O corvo (The raven), de 1935, dirigido por
Lew Landers, apresenta Bela Lugosi na pele do maligno e louco Dr. Richard
Vollin, satisfeito em torturar o pobre evadido Edmond Bateman (Boris Karloff)
enquanto recita os versos de Poe. Já a realização de 1963, O corvo (The
raven), de Roger Corman, é o quinto dos oito títulos do cineasta
baseados na obra do escritor. É deslavada e divertidíssima comédia de terror
que utiliza marginalmente alguns versos do poema — apenas nos momentos iniciais
— e transforma a emblemática e falecida Lenore (Hazel Court) em interesseira francamente
despudorada, pivô da disputa de dois magos — o benigno Dr. Erasmus Craven
(Vincent Price) e o pérfido Dr. Scarabus (Boris Karloff) — que encaminham a
narrativa para um indescritível duelo de feiticeiros nos 20 minutos finais da
encenação. É inacreditável o que se vê, diversão à larga em todos os sentidos
garantida por atores à vontade para improvisar e dar curso à canastrice. O
roteiro de Richard Matheson, um achado, é livre o bastante para permitir todo
tipo de improvisações. Roger Corman costura muito bem todo o nonsense. O corvo honra a tradição
dos melhores trash movies. Ainda por
cima há a presença de Peter Lorre no papel de um desbocado mago menor, vez ou
outra transformado no agourento corvo ancestral das frias noites de dezembro.
A apreciação a seguir é de 1976.
O corvo
The raven
Direção:
Roger Corman
Produção:
Roger Corman
Alta Vista Productions, American
International Pictures
EUA — 1963
Elenco:
Vincent
Price, Boris Karloff, Peter Lorre, Jack Nicholson, Hazel Court, Olive Sturgess,
Connie Wallace, William Baskin, Aaron Saxon e os não creditados John Dierkes,
Dick Johnstone, Mark Sheeler.
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Bastidores da filmagem de O corvo O diretor Roger Corman e o ator Vincent Price, intérprete do Dr. Erasmus Craven |
Pelo que sei, há
dois filmes muito ligeiramente baseados no melancólico poema gótico O
corvo (The raven), de Edgar Allan Poe: O corvo (The
raven, 1935), de Lew Landers — creditado como Louis Friedlander — e a
presente realização de Roger Corman. Caso tomasse conhecimento de ambos, o poeta
— fundamental ao movimento literário romântico estadunidense — sofreria uma
síncope. Se sobrevivesse ao ataque, ingeriria, inconformado, todo o conteúdo de
O
barril de amontillado[1].
Sob efeito da bebedeira e do “mal do século”, seria encontrado cambaleando
pelos cantos mal iluminados, a gritar “NEVERMORE!”. Isto porque as duas
produções fizeram gato e sapato de O corvo, no mais, apenas como ponto
de partida. A peça foi retorcida, distorcida e recriada segundo os interesses mais
imediatos do cinema e dos cineastas envolvidos.
A produção de
1935, roteirizada por David Boehm, transformou o triste e mórbido poema em cruel
história de terror: Edmond Bateman (Boris Karloff) — prisioneiro evadido da
prisão de San Quentin — é atraído a uma armadilha preparada por uma espécie de
antecipação do Dr. Josef Mengele, o louco e sádico cirurgião Richard Vollin
(Bela Lugosi). Este, apaixonado pelos versos de Poe, vive a declamá-los
enquanto submete o infeliz foragido a toda sorte de dolorosas e inomináveis
experiências médicas. Bem diferente é a versão de Corman, roteirizada pelo expert Richard Matheson. Ambientada na
Inglaterra do século XV, é paródia deslavada. Usa e abusa dos elementos do
cinema de terror, burilados exaustivamente pelo próprio cineasta, para contar
uma trama pontuada por egos inflados, rancor, ciúme, honra ferida e vingança
entre magos poderosos. Tudo descamba para inenarrável duelo de feitiçaria até a
destruição total do oponente. O pivô de tudo é Lenore, a amada e saudosa esposa
falecida do poema de Poe, razão das lamentações e devaneios do solitário homem
que teve por marido. Durante as invernais noites de dezembro, o desolado viúvo vive
a questionar o imponderável sobre a possibilidade de tê-la de volta. A resposta
do silêncio é substituída pelo surgimento de um corvo que fica a repetir:
“nunca mais” (“nevermore”), confirmação da definitiva e triste desilusão da
perda. Ah! Se Edgar Allan Poe visse no que se transformaram o agourento e
“nobre corvo dos tempos ancestrais”, o sorumbático esposo e o espectro de
Lenore!
O corvo é a quinta das
oito realizações de mistério/terror inspiradas em obras de Edgar Allan Poe e dirigidas
por Roger Corman para a American International Pictures. A série, realizada nos
limites do padrão B, marcou época e impressionou pelo grau de criatividade. Os
orçamentos, como sempre — em se tratando do cineasta —, são irrisórios, e os
prazos de execução invariavelmente rápidos. Desse conjunto, O
corvo demandou 16 dias para ser concluído. Em comparação aos demais
títulos, destaca-se pelo maior esmero da elaboração. Alguns trabalhos do
diretor foram concebidos em tempo mais exíguo. Por exemplo, O
terror (The terror, 1963) feito em três dias em meio às reciclagens de
cenários e sobras da obra em apreciação.
O corvo sucede a O solar maldito (The fall of the House of Usher,
1960), A mansão do terror (The pit and the pendulum, 1961), Obsessão
macabra (The premature burial, 1962) e Muralhas do pavor (Tales
of terror, 1962). A seguir vieram O castelo assombrado (The
haunted palace, 1963), Orgia da morte (The masque of the red death,
1964) e O túmulo sinistro (The tomb of Ligeia, 1965).
O roteiro de
Richard Matheson tomou muitas liberdades e facilitou deixas para improvisações
decorrentes das propositadas e exageradas canastrices e vocação histriônica dos
atores principais, bem como aos cacos que inseriram nos diálogos. Vincent
Price, Boris Karloff e Peter Lorre aproveitaram o ensejo para se divertir à
larga, enfiados em trajes de magos mais parecidos com luxuosas fantasias
carnavalescas. O que se vê é algo no espírito da melhor comédia galhofeira em
cujo ápice se localiza um confronto entre as forças do BEM e do MAL.
O Dr. Erasmus
Craven (Price), poderoso e benigno mago, encontra-se recluso em seu castelo,
inconformado desde o falecimento da esposa, a amada Lenore (Court), há dois
anos. Para mitigar a tristeza manuseia instrumentos, diverte-se com a
telecinese e faz desenhos em pleno ar, dentre os quais o breve esboço de um
corvo. Vive com a filha, a doce e gentil Estelle (Sturgess), nascida do
primeiro casamento. Devido ao luto, cortou laços com a Irmandade dos Magos,
outrora presidida pelo pai, o supremo grão mestre Roderick Craven. Esse
afastamento permitiu ao pérfido Dr. Scarabus (Karloff) o controle da organização.
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Vincent Price é o mago do bem, o Dr. Erasmus Craven |
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Boris Karloff como o mago do mal, o Dr. Scarabus |
O início do filme
ainda permite algum contato com o poema de Poe. Craven declama para si mesmo os
primeiros versos: “Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and
weary/Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,/While I nodded,
nearly napping, suddenly there came a tapping,/As some one gently rapping at my
chamber door./‘Tis some visitor’, I muttered, ‘tapping at my chamber door —/Only
this, and nothing more.’/Ah, distinctly I remember it was in the bleak
December,/And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor./Eagerly
I wished the morrow; — vainly I had sought to borrow/From my books surcease of
sorrow — sorrow for the lost Lenore —/For the rare and radiant maiden whom the
angels name Lenore —/Nameless here for evermore…”[2].
Erasmus, quase
adormecido, tem a atenção voltada para bicadas na janela. É um corvo, com entrada
admitida no aposento. Acredita que é sinal de bons presságios. Maravilhado, o
anfitrião casualmente lança à emplumada visita alguns questionamentos: quem a enviou
de modo tão imprevisto? Porventura alguém sabedor de Lenore, capaz de
devolvê-la à existência? Para seu espanto, o corvo responde. Porém, ao
contrário do que pensava o espectador tarimbado no poema de Poe, não se
manifesta com “nevermore”. De forma um tanto desbocada e agressiva, adianta:
“Como eu poderia saber? Sou por acaso algum adivinho?”. Pronto! É o bastante
para introduzir o tom do humor que sustentará o filme, narrado de forma tão
leve quanto despojada, mas sem perder contatos com os elementos do mistério e
terror.
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Erasmus Craven (Vincent Price) e o agourento corvo enfeitiçado que bate em seus umbrais |
Na realidade o
pobre corvo é produto de um feitiço, como comunica ao perplexo Craven. As negras
formas avícolas ocultam outro mago, não tão poderoso mas suficientemente
interesseiro, o Dr. Adolphus Bedlo (Lorre). Supostamente, por desrespeitar o
Dr. Scarabus, recebeu uma maldição. Agora, procura o personagem interpretado
por Vincent Price para reassumir o corpo de homem.
Disposto a quebrar
o feitiço, Craven volta ao ateliê de magia do pai, trancafiado há 20 anos. Em
meio aos ingredientes fartamente utilizados pelos feiticeiros, conforme as
melhores revistas em quadrinhos, conjura uma mistura de sangue de morcego,
penas de pássaros carniceiros, pelos de aranha e cabelos de um enforcado. A
poção, de início, não é muito eficaz. Bedlo volta parcialmente à antiga forma.
Ou tirante a cabeça, todo o resto do corpo continua na constituição do corvidae. Segue-se outra tentativa e a
maldição é totalmente desfeita.
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O Dr. Erasmus Craven (Vincent Price) busca um feitiço para devolver o corvo à forma humana |
Aliviado com a retorno
à antiga forma, Bedlo solicita inutilmente a ajuda de Craven para se vingar de
Scarabus. Ao perceber um quadro com a imagem de Lenore, informa ao inconsolado viúvo
que viu mulher parecida no castelo do inimigo. Desconfiado, o poderoso mago
quer saber mais a respeito. Começa aí o ato mais sacrílego ao poema de Edgar
Allan Poe e o filme adentra a trilha do mais divertido escracho.
Uma pequena
comitiva formada por Erasmus Craven e Estelle, Bedlo e seu filho Rexford (Jack
Nicholson) parte para se avistar com Scarabus. É recebida com todas as mesuras.
Porém, tudo não passa de armadilha. As más intenções do anfitrião são expostas quando
Lenore se apresenta, vivíssima! Havia simulado a morte. Um corpo idêntico foi
velado e sepultado em seu lugar. Ela simplesmente traiu o marido para se unir a
Scarabus, impondo derrota ainda maior, pelo lado da honra, à linhagem dos
Craven.
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O Dr. Adolphus Bedlo (Peter Lorre) e seu filho Rexford (Jack Nicholson) |
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O Dr. Erasmus Craven (Vincent Price) com a filha Estelle (Olive Sturgess) |
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A traidora e interesseira Lenore (Hazel Court) com o amante, Dr. Scarabus (Boris Karloff) |
Maldita Lenore!
Diante dessa revelação, pobres Erasmus Craven e Edgar Allan Poe! A razão de ser
de todos os lamentos e decepções fúnebres do poema O corvo se revelou uma
fútil e interesseira vigarista, atraída por Scarabus e em busca de fortuna e
poder. Bedlo também traiu. Sua aparição sempre serviu às intenções do
personagem interpretado por Boris Karloff: atrair o perplexo e decepcionado Erasmus
Craven a uma armadilha e eliminá-lo de vez.
Logo Sacarabus
decide encarcerar os visitantes, permanentemente, a não ser que Erasmus revele
a fonte de seus poderes mágicos. Ameaça torturar Estelle, já afeiçoada a Rexford
e devidamente correspondida. É o bastante para Bedlo se rebelar. Em represália,
é novamente transformado em
corvo. Porém , nessa forma terá maior liberdade de
movimentação. Assim, sem que o mago do MAL perceba, atua na libertação dos
prisioneiros.
Solto, o mago do
BEM desafia o oponente para um duelo de feitiçaria, para liquidar todas as
pendências de uma vez por todas. O embate acontece em clima muito semelhante ao
evento protagonizado pelo Mago Merlin e Madame Mim/Old Lady Squirrel no desenho
animado longo A espada era a lei (The sword in the stone), de Wolfgang
Reitherman, produzido pela Walt Disney Productions no mesmo 1963.
O corvo atinge o ápice
nos 20 minutos finais. Um festival de sons e luzes de cores as mais berrantes
orienta os passes que os magos executam para lançar feitiços um contra o outro,
ambos acomodados em imponentes cadeiras cerimoniais. Todos os elementos
naturais e do além são convocados e disparados num inusitado fogo cruzado. Em
meio às levitações, cobras são transformadas em peças de vestuário, morcegos em
leques, balas de canhão explodem em confetes, gárgulas ganham vida como
filhotes de cães... Entre caretas e risos involuntários dos atores, a contenda
caminha para o ponto de combustão. Só vendo para crer no vulto a que chega o
processo, ilustrado por efeitos especiais pobres e convincentes. Após mais um
tanto de abracadabras e hocus pocus, Craven vence a contenda.
Chamas se apoderam do castelo, esfacelado por completo. Scarabus e Lenore são
sepultados entre cinzas e ruínas. Antes de o sinistro terminar, ela se queixa
do estado deplorável ao qual foi reduzido o elegante vestido que usava. Tudo é
simplesmente inacreditável, de tão hilariante. O corvo chega ao fim.
Estelle e Rexford trocam juras de amor enquanto o vitorioso Craven não demonstra
pressa alguma para devolver Bedlo à forma humana. Enfim a ave agourenta passa a
gritar “nevermore, nevermore...”.
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Deliciosamente canastrão, Vicente Price manda brasa como o Dr. Erasmus Craven durante o duelo dos magos |
O festival de
absurdos — mesmo para um filme envolvendo magia e maldições — é muito bem
conduzido por Roger Corman, apoiado em afiado, preciso e espirituoso guião de
Richard Matheson, nome marcante do cinema de terror e ficção científica. O
corvo ocupa tranquilo lugar de honra entre os melhores trash movies com sua narrativa repleta
de surpresas, trilha sonora e fotografia inventivas e até uma superficial
pitada filosófica que questiona os significados da maldade, bondade, confiança,
traição, morte e do amor. No fundo, a história conta muito pouco. O que faz a
realização funcionar tão bem decorre das ausências de gravidade e seriedade.
Tudo é tratado com certo desleixo, como se fosse uma brincadeira destituída de
regras fixas, na maioria das vezes inventadas durante o processo. Nesse quesito,
todos os louvores vão para os intérpretes. Aceitaram bem o espírito de gozação com
suas expressões faciais indescritíveis e improvisações nos diálogos. Cada bola
levantada é devidamente rebatida. Na verdade O corvo é uma festa na
qual os convidados tiveram plena liberdade para beber e tocar a diversão.
Quanto ao elenco,
a realização oferece instantes de pura felicidade, graças aos atores
principais, três ícones do cinema fantástico em estado de graça. Na maioria das
vezes, nem se dão ao trabalho de interpretar. Agem como eles mesmos, apoiados
exclusivamente na notoriedade garantida pelas alcunhas míticas. O melhor é
perceber que Vincent Price, Boris Karloff e Peter Lorre não fazem questão de
brilhar isoladamente. Cada qual oferece deixas preciosas para os demais. Lorre
destila agressividade e mau humor como Bedlo. Com isso, rouba involuntariamente
muitas cenas. E os impagáveis Price e Karloff transformam o filme numa
experiência única, principalmente no clímax armado pelo duelo de magia. Hazel
Court está muito bem como a venenosa, sexy e interesseira Lenore. Jack
Nicholson, aos 26 anos e distante da fama, faz um seguro e bem humorado Rexford
— perplexo no mais das vezes, como se estranhasse a inusitada evolução dos
acontecimentos.
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Boris Karloff interpreta o Dr. Scarabus |
A direção de
fotografia de Floyd Crosby, em Panavision e Pathecolor, tira partido,
respectivamente, de todas as vantagens permitidas pela tela larga e do efeito
produzido pelas cores berrantes. Ao setor se somam os esforços da cenografia
carregada de elementos góticos de Daniel Haller e a pontuação musical que se
passa por assustadora de Les Baxter. Por fim, contribuições fundamentais ao
clima de galhofa partem do guarda-roupa do não creditado Thomas Welsh. Os
trajes usados por Price e Karloff são um achado, mesmo para a mais brega das
festas camp. No entanto, tudo é
perdoável quando os personagens estão relacionados à anormal esfera do
sobrenatural.
Roteiro: Richard
Matheson, inspirado no poema The raven, de Edgar Allan Poe. Direção
de fotografia (Panavision, Pathecolor): Floyd Crosby. Música: Les
Baxter. Desenho de produção e direção de
arte: Daniel Haller. Montagem:
Ronald Sinclair. Produção executiva:
Samuel Z. Arkoff, James H. Nicholson. Gerente
de unidade de produção: Robert Agnew. Assistente
de direção: Jack Bohrer. Contrarregra:
Karl Brainard. Som: John Bury Jr. Supervisão de produção: Bartlett A.
Carre. Assistente de produção e
continuidade: Jack W. Cash. Maquiagem:
Ted Coodley. Edição de som: Gene
Corso. Supervisão de costumes:
Marjorie Corso. Treinador do corvo:
Moe Di Sesso. Efeitos especiais: Pat
Dinga. Coordenador de construções:
Ross Hahn. Edição musical: Eve
Newman. Penteados: Betty Pedretti. Decoração: Harry Reif. Coordenação musical: Al Simms. Títulos: National Screen Service. Efeitos fotográficos: Butler-Glouner
Inc. Mixagem da regravação de som:
Aldo Ferri (não creditado). Fotografia
de cena: Bill Creamer (não creditado). Operador
de som: Harry L. Underwood (não creditado). Guarda-roupa: Thomas Welsh (não creditado). Colorização: Chris Lamie (não creditado). Orquestração e música adicional: Albert Harris. Concepção do poster: Reynold Brown (não
creditado). Comentários: Erik Karsen
Puhm (não creditado). Tempo de exibição:
86 minutos.
(José Eugenio Guimarães, 1976)
[1] Originalmente, The cask of amontillado, de 1846.
[2] “Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e
triste,/Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,/E já quase adormecia,
ouvi o que parecia/O som de alguém que batia levemente a meus umbrais./‘Uma
visita’, eu me disse, ‘está batendo a meus umbrais.’/‘É só isto, e nada mais.’/Ah,
que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,/E o fogo, morrendo negro, urdia
sombras desiguais./Como eu queria a madrugada, toda a noite aos livros
dada/Para esquecer (em vão!) a amada Lenore, hoje entre hostes celestiais
–/Essa cujo nome — Lenore — sabem as hostes celestiais,/Mas sem nome aqui
jamais!...”.