domingo, 5 de fevereiro de 2017

POBRES EDGAR ALLAN POE E LENORE DIANTE DO DIVERTIDO E GALHOFEIRO “O CORVO” DE ROGER CORMAN: “NEVERMORE!”

Se fosse um purista e conhecesse o cinema, Edgar Allan Poe morreria de desgosto somado aos efeitos do “mal do século” caso fosse apresentado às mais notórias versões fílmicas do célebre e soturno poema O corvo (The raven), peça maior do romantismo literário estadunidense. Conheço dois filmes de mistério/terror que fizeram gato e sapato do trabalho do autor. O corvo (The raven), de 1935, dirigido por Lew Landers, apresenta Bela Lugosi na pele do maligno e louco Dr. Richard Vollin, satisfeito em torturar o pobre evadido Edmond Bateman (Boris Karloff) enquanto recita os versos de Poe. Já a realização de 1963, O corvo (The raven), de Roger Corman, é o quinto dos oito títulos do cineasta baseados na obra do escritor. É deslavada e divertidíssima comédia de terror que utiliza marginalmente alguns versos do poema — apenas nos momentos iniciais — e transforma a emblemática e falecida Lenore (Hazel Court) em interesseira francamente despudorada, pivô da disputa de dois magos — o benigno Dr. Erasmus Craven (Vincent Price) e o pérfido Dr. Scarabus (Boris Karloff) — que encaminham a narrativa para um indescritível duelo de feiticeiros nos 20 minutos finais da encenação. É inacreditável o que se vê, diversão à larga em todos os sentidos garantida por atores à vontade para improvisar e dar curso à canastrice. O roteiro de Richard Matheson, um achado, é livre o bastante para permitir todo tipo de improvisações. Roger Corman costura muito bem todo o nonsense. O corvo honra a tradição dos melhores trash movies. Ainda por cima há a presença de Peter Lorre no papel de um desbocado mago menor, vez ou outra transformado no agourento corvo ancestral das frias noites de dezembro. A apreciação a seguir é de 1976. 







O corvo
The raven

Direção:
Roger Corman
Produção:
Roger Corman
Alta Vista Productions, American International Pictures
EUA — 1963
Elenco:
Vincent Price, Boris Karloff, Peter Lorre, Jack Nicholson, Hazel Court, Olive Sturgess, Connie Wallace, William Baskin, Aaron Saxon e os não creditados John Dierkes, Dick Johnstone, Mark Sheeler.



Bastidores da filmagem de O corvo
O diretor Roger Corman e o ator Vincent Price, intérprete do Dr. Erasmus Craven



Pelo que sei, há dois filmes muito ligeiramente baseados no melancólico poema gótico O corvo (The raven), de Edgar Allan Poe: O corvo (The raven, 1935), de Lew Landers — creditado como Louis Friedlander — e a presente realização de Roger Corman. Caso tomasse conhecimento de ambos, o poeta — fundamental ao movimento literário romântico estadunidense — sofreria uma síncope. Se sobrevivesse ao ataque, ingeriria, inconformado, todo o conteúdo de O barril de amontillado[1]. Sob efeito da bebedeira e do “mal do século”, seria encontrado cambaleando pelos cantos mal iluminados, a gritar “NEVERMORE!”. Isto porque as duas produções fizeram gato e sapato de O corvo, no mais, apenas como ponto de partida. A peça foi retorcida, distorcida e recriada segundo os interesses mais imediatos do cinema e dos cineastas envolvidos.


A produção de 1935, roteirizada por David Boehm, transformou o triste e mórbido poema em cruel história de terror: Edmond Bateman (Boris Karloff) — prisioneiro evadido da prisão de San Quentin — é atraído a uma armadilha preparada por uma espécie de antecipação do Dr. Josef Mengele, o louco e sádico cirurgião Richard Vollin (Bela Lugosi). Este, apaixonado pelos versos de Poe, vive a declamá-los enquanto submete o infeliz foragido a toda sorte de dolorosas e inomináveis experiências médicas. Bem diferente é a versão de Corman, roteirizada pelo expert Richard Matheson. Ambientada na Inglaterra do século XV, é paródia deslavada. Usa e abusa dos elementos do cinema de terror, burilados exaustivamente pelo próprio cineasta, para contar uma trama pontuada por egos inflados, rancor, ciúme, honra ferida e vingança entre magos poderosos. Tudo descamba para inenarrável duelo de feitiçaria até a destruição total do oponente. O pivô de tudo é Lenore, a amada e saudosa esposa falecida do poema de Poe, razão das lamentações e devaneios do solitário homem que teve por marido. Durante as invernais noites de dezembro, o desolado viúvo vive a questionar o imponderável sobre a possibilidade de tê-la de volta. A resposta do silêncio é substituída pelo surgimento de um corvo que fica a repetir: “nunca mais” (“nevermore”), confirmação da definitiva e triste desilusão da perda. Ah! Se Edgar Allan Poe visse no que se transformaram o agourento e “nobre corvo dos tempos ancestrais”, o sorumbático esposo e o espectro de Lenore!


O corvo é a quinta das oito realizações de mistério/terror inspiradas em obras de Edgar Allan Poe e dirigidas por Roger Corman para a American International Pictures. A série, realizada nos limites do padrão B, marcou época e impressionou pelo grau de criatividade. Os orçamentos, como sempre — em se tratando do cineasta —, são irrisórios, e os prazos de execução invariavelmente rápidos. Desse conjunto, O corvo demandou 16 dias para ser concluído. Em comparação aos demais títulos, destaca-se pelo maior esmero da elaboração. Alguns trabalhos do diretor foram concebidos em tempo mais exíguo. Por exemplo, O terror (The terror, 1963) feito em três dias em meio às reciclagens de cenários e sobras da obra em apreciação.


O corvo sucede a O solar maldito (The fall of the House of Usher, 1960), A mansão do terror (The pit and the pendulum, 1961), Obsessão macabra (The premature burial, 1962) e Muralhas do pavor (Tales of terror, 1962). A seguir vieram O castelo assombrado (The haunted palace, 1963), Orgia da morte (The masque of the red death, 1964) e O túmulo sinistro (The tomb of Ligeia, 1965).


O roteiro de Richard Matheson tomou muitas liberdades e facilitou deixas para improvisações decorrentes das propositadas e exageradas canastrices e vocação histriônica dos atores principais, bem como aos cacos que inseriram nos diálogos. Vincent Price, Boris Karloff e Peter Lorre aproveitaram o ensejo para se divertir à larga, enfiados em trajes de magos mais parecidos com luxuosas fantasias carnavalescas. O que se vê é algo no espírito da melhor comédia galhofeira em cujo ápice se localiza um confronto entre as forças do BEM e do MAL.


O Dr. Erasmus Craven (Price), poderoso e benigno mago, encontra-se recluso em seu castelo, inconformado desde o falecimento da esposa, a amada Lenore (Court), há dois anos. Para mitigar a tristeza manuseia instrumentos, diverte-se com a telecinese e faz desenhos em pleno ar, dentre os quais o breve esboço de um corvo. Vive com a filha, a doce e gentil Estelle (Sturgess), nascida do primeiro casamento. Devido ao luto, cortou laços com a Irmandade dos Magos, outrora presidida pelo pai, o supremo grão mestre Roderick Craven. Esse afastamento permitiu ao pérfido Dr. Scarabus (Karloff) o controle da organização.


Vincent Price é o mago do bem, o Dr. Erasmus Craven

Boris Karloff como o mago do mal, o Dr. Scarabus


O início do filme ainda permite algum contato com o poema de Poe. Craven declama para si mesmo os primeiros versos: “Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary/Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,/While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,/As some one gently rapping at my chamber door./‘Tis some visitor’, I muttered, ‘tapping at my chamber door —/Only this, and nothing more.’/Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,/And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor./Eagerly I wished the morrow; — vainly I had sought to borrow/From my books surcease of sorrow — sorrow for the lost Lenore —/For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore —/Nameless here for evermore…”[2].


Erasmus, quase adormecido, tem a atenção voltada para bicadas na janela. É um corvo, com entrada admitida no aposento. Acredita que é sinal de bons presságios. Maravilhado, o anfitrião casualmente lança à emplumada visita alguns questionamentos: quem a enviou de modo tão imprevisto? Porventura alguém sabedor de Lenore, capaz de devolvê-la à existência? Para seu espanto, o corvo responde. Porém, ao contrário do que pensava o espectador tarimbado no poema de Poe, não se manifesta com “nevermore”. De forma um tanto desbocada e agressiva, adianta: “Como eu poderia saber? Sou por acaso algum adivinho?”. Pronto! É o bastante para introduzir o tom do humor que sustentará o filme, narrado de forma tão leve quanto despojada, mas sem perder contatos com os elementos do mistério e terror.


Erasmus Craven (Vincent Price) e o agourento corvo enfeitiçado que bate em seus umbrais

  
Na realidade o pobre corvo é produto de um feitiço, como comunica ao perplexo Craven. As negras formas avícolas ocultam outro mago, não tão poderoso mas suficientemente interesseiro, o Dr. Adolphus Bedlo (Lorre). Supostamente, por desrespeitar o Dr. Scarabus, recebeu uma maldição. Agora, procura o personagem interpretado por Vincent Price para reassumir o corpo de homem.


Disposto a quebrar o feitiço, Craven volta ao ateliê de magia do pai, trancafiado há 20 anos. Em meio aos ingredientes fartamente utilizados pelos feiticeiros, conforme as melhores revistas em quadrinhos, conjura uma mistura de sangue de morcego, penas de pássaros carniceiros, pelos de aranha e cabelos de um enforcado. A poção, de início, não é muito eficaz. Bedlo volta parcialmente à antiga forma. Ou tirante a cabeça, todo o resto do corpo continua na constituição do corvidae. Segue-se outra tentativa e a maldição é totalmente desfeita.


O Dr. Erasmus Craven (Vincent Price) busca um feitiço para devolver o corvo à forma humana

  
Aliviado com a retorno à antiga forma, Bedlo solicita inutilmente a ajuda de Craven para se vingar de Scarabus. Ao perceber um quadro com a imagem de Lenore, informa ao inconsolado viúvo que viu mulher parecida no castelo do inimigo. Desconfiado, o poderoso mago quer saber mais a respeito. Começa aí o ato mais sacrílego ao poema de Edgar Allan Poe e o filme adentra a trilha do mais divertido escracho.


Uma pequena comitiva formada por Erasmus Craven e Estelle, Bedlo e seu filho Rexford (Jack Nicholson) parte para se avistar com Scarabus. É recebida com todas as mesuras. Porém, tudo não passa de armadilha. As más intenções do anfitrião são expostas quando Lenore se apresenta, vivíssima! Havia simulado a morte. Um corpo idêntico foi velado e sepultado em seu lugar. Ela simplesmente traiu o marido para se unir a Scarabus, impondo derrota ainda maior, pelo lado da honra, à linhagem dos Craven.


O Dr. Adolphus Bedlo (Peter Lorre) e seu filho Rexford (Jack Nicholson)

O Dr. Erasmus Craven (Vincent Price) com a filha Estelle (Olive Sturgess)

A traidora e interesseira Lenore (Hazel Court) com o amante, Dr. Scarabus (Boris Karloff)


Maldita Lenore! Diante dessa revelação, pobres Erasmus Craven e Edgar Allan Poe! A razão de ser de todos os lamentos e decepções fúnebres do poema O corvo se revelou uma fútil e interesseira vigarista, atraída por Scarabus e em busca de fortuna e poder. Bedlo também traiu. Sua aparição sempre serviu às intenções do personagem interpretado por Boris Karloff: atrair o perplexo e decepcionado Erasmus Craven a uma armadilha e eliminá-lo de vez.


Logo Sacarabus decide encarcerar os visitantes, permanentemente, a não ser que Erasmus revele a fonte de seus poderes mágicos. Ameaça torturar Estelle, já afeiçoada a Rexford e devidamente correspondida. É o bastante para Bedlo se rebelar. Em represália, é novamente transformado em corvo. Porém, nessa forma terá maior liberdade de movimentação. Assim, sem que o mago do MAL perceba, atua na libertação dos prisioneiros.


Solto, o mago do BEM desafia o oponente para um duelo de feitiçaria, para liquidar todas as pendências de uma vez por todas. O embate acontece em clima muito semelhante ao evento protagonizado pelo Mago Merlin e Madame Mim/Old Lady Squirrel no desenho animado longo A espada era a lei (The sword in the stone), de Wolfgang Reitherman, produzido pela Walt Disney Productions no mesmo 1963.


O corvo atinge o ápice nos 20 minutos finais. Um festival de sons e luzes de cores as mais berrantes orienta os passes que os magos executam para lançar feitiços um contra o outro, ambos acomodados em imponentes cadeiras cerimoniais. Todos os elementos naturais e do além são convocados e disparados num inusitado fogo cruzado. Em meio às levitações, cobras são transformadas em peças de vestuário, morcegos em leques, balas de canhão explodem em confetes, gárgulas ganham vida como filhotes de cães... Entre caretas e risos involuntários dos atores, a contenda caminha para o ponto de combustão. Só vendo para crer no vulto a que chega o processo, ilustrado por efeitos especiais pobres e convincentes. Após mais um tanto de abracadabras e hocus pocus, Craven vence a contenda. Chamas se apoderam do castelo, esfacelado por completo. Scarabus e Lenore são sepultados entre cinzas e ruínas. Antes de o sinistro terminar, ela se queixa do estado deplorável ao qual foi reduzido o elegante vestido que usava. Tudo é simplesmente inacreditável, de tão hilariante. O corvo chega ao fim. Estelle e Rexford trocam juras de amor enquanto o vitorioso Craven não demonstra pressa alguma para devolver Bedlo à forma humana. Enfim a ave agourenta passa a gritar “nevermore, nevermore...”.


Deliciosamente canastrão, Vicente Price manda brasa como o Dr. Erasmus Craven durante o duelo dos magos 


O festival de absurdos — mesmo para um filme envolvendo magia e maldições — é muito bem conduzido por Roger Corman, apoiado em afiado, preciso e espirituoso guião de Richard Matheson, nome marcante do cinema de terror e ficção científica. O corvo ocupa tranquilo lugar de honra entre os melhores trash movies com sua narrativa repleta de surpresas, trilha sonora e fotografia inventivas e até uma superficial pitada filosófica que questiona os significados da maldade, bondade, confiança, traição, morte e do amor. No fundo, a história conta muito pouco. O que faz a realização funcionar tão bem decorre das ausências de gravidade e seriedade. Tudo é tratado com certo desleixo, como se fosse uma brincadeira destituída de regras fixas, na maioria das vezes inventadas durante o processo. Nesse quesito, todos os louvores vão para os intérpretes. Aceitaram bem o espírito de gozação com suas expressões faciais indescritíveis e improvisações nos diálogos. Cada bola levantada é devidamente rebatida. Na verdade O corvo é uma festa na qual os convidados tiveram plena liberdade para beber e tocar a diversão.


Quanto ao elenco, a realização oferece instantes de pura felicidade, graças aos atores principais, três ícones do cinema fantástico em estado de graça. Na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de interpretar. Agem como eles mesmos, apoiados exclusivamente na notoriedade garantida pelas alcunhas míticas. O melhor é perceber que Vincent Price, Boris Karloff e Peter Lorre não fazem questão de brilhar isoladamente. Cada qual oferece deixas preciosas para os demais. Lorre destila agressividade e mau humor como Bedlo. Com isso, rouba involuntariamente muitas cenas. E os impagáveis Price e Karloff transformam o filme numa experiência única, principalmente no clímax armado pelo duelo de magia. Hazel Court está muito bem como a venenosa, sexy e interesseira Lenore. Jack Nicholson, aos 26 anos e distante da fama, faz um seguro e bem humorado Rexford — perplexo no mais das vezes, como se estranhasse a inusitada evolução dos acontecimentos.


Boris Karloff interpreta o Dr. Scarabus

  
A direção de fotografia de Floyd Crosby, em Panavision e Pathecolor, tira partido, respectivamente, de todas as vantagens permitidas pela tela larga e do efeito produzido pelas cores berrantes. Ao setor se somam os esforços da cenografia carregada de elementos góticos de Daniel Haller e a pontuação musical que se passa por assustadora de Les Baxter. Por fim, contribuições fundamentais ao clima de galhofa partem do guarda-roupa do não creditado Thomas Welsh. Os trajes usados por Price e Karloff são um achado, mesmo para a mais brega das festas camp. No entanto, tudo é perdoável quando os personagens estão relacionados à anormal esfera do sobrenatural.





Roteiro: Richard Matheson, inspirado no poema The raven, de Edgar Allan Poe. Direção de fotografia (Panavision, Pathecolor): Floyd Crosby. Música: Les Baxter. Desenho de produção e direção de arte: Daniel Haller. Montagem: Ronald Sinclair. Produção executiva: Samuel Z. Arkoff, James H. Nicholson. Gerente de unidade de produção: Robert Agnew. Assistente de direção: Jack Bohrer. Contrarregra: Karl Brainard. Som: John Bury Jr. Supervisão de produção: Bartlett A. Carre. Assistente de produção e continuidade: Jack W. Cash. Maquiagem: Ted Coodley. Edição de som: Gene Corso. Supervisão de costumes: Marjorie Corso. Treinador do corvo: Moe Di Sesso. Efeitos especiais: Pat Dinga. Coordenador de construções: Ross Hahn. Edição musical: Eve Newman. Penteados: Betty Pedretti. Decoração: Harry Reif. Coordenação musical: Al Simms. Títulos: National Screen Service. Efeitos fotográficos: Butler-Glouner Inc. Mixagem da regravação de som: Aldo Ferri (não creditado). Fotografia de cena: Bill Creamer (não creditado). Operador de som: Harry L. Underwood (não creditado). Guarda-roupa: Thomas Welsh (não creditado). Colorização: Chris Lamie (não creditado). Orquestração e música adicional: Albert Harris. Concepção do poster: Reynold Brown (não creditado). Comentários: Erik Karsen Puhm (não creditado). Tempo de exibição: 86 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1976)



[1] Originalmente, The cask of amontillado, de 1846.
[2] “Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,/Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,/E já quase adormecia, ouvi o que parecia/O som de alguém que batia levemente a meus umbrais./‘Uma visita’, eu me disse, ‘está batendo a meus umbrais.’/‘É só isto, e nada mais.’/Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,/E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais./Como eu queria a madrugada, toda a noite aos livros dada/Para esquecer (em vão!) a amada Lenore, hoje entre hostes celestiais –/Essa cujo nome — Lenore — sabem as hostes celestiais,/Mas sem nome aqui jamais!...”.

4 comentários:

  1. Hola Eugenio, había oído hablar de esta película pero no tuve oportunidad de visionarla nunca.
    Su evaluación completa y llena de jugosos detalles.
    Me llama mucho la atención que se rodara en tan solo 16 días si la traducción es correcta, algo bastante poco común en las películas.
    Llama la atención ver a un Jack Nicholson tan joven.

    Un abrazo Eugenio.

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    1. Hola, Miguel Pina.

      Es una película muy divertida, aún más para una visión sin mayores compromisos. Siempre me divierto mucho con ella. En cuanto a los 16 días de producción... En el caso de Roger Corman, es un tiempo largo, un lujo. Usted debe haber leído en la apreciación que él rodó THE TERROR", de 1963, en sólo 3 días. No es increíble?

      Jack Nicholson comenzó a actuar en 1956, para la TELE. Nací en ese año. El primer trabajo de él fue para la serie "Matinee Theatre". Nicholson estrenó en el cine en 1958, en la película "The Cry Baby Killer", de Jus Addis, director del cual desconozco cualquier trabajo. Él nació en 1937. Estaba con 19 años cuando estrenó en las pantallas.

      Abrazos, saludos y gracias, Miguel.

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  2. Eugenio,

    Consegui assistir quase tudo que o Price fez na linha de terror nos anos 1960, além de muitos em sua boa fase.

    Na fase onde se adaptou bem ao terror, alguns filmes feitos como Corman, estes com algo mais positivo, mas a maior parte fitas bem fraquinhas. Fato que não ocorreu com o mesmo ator no final dos anos 1930 e em toda década de 1940, onde fez filmes com papeis extraordinários, como Amar Foi Minha Ruina, Os Dez Mandamentos, Meu Reino por Um Amor, Laura, A Canção de Bernadete, dentre muitos mais. Era até um ator de qualidade distanciada de muitos outros de nomes mais evidenciados.

    Não entendo porque o filme Poço do Pendulo recebeu no Brasil o titulo de A mansão do Terror. E o mais incrível é que nos meus Alfarrábios eu tenho os dois titulos anotados. Não dá para entender.

    Mas é normal que os atores ao penderem para o envelhecendo irem perdendo os bons papeis de antes da chegada dos anos se apresentarem. Podemos observar isto não somente em Price, como em muitos e muitos que conhecemos e que ainda estão em vida, mas sem chances ou então em pontas vergonhosas, normalmente em fitas onde eles foram os atores principais e estão fazendo um remake. Esmola, nada mais que isso. Quando vi o Geny Barry, que foi um ator ativissimo em seu tempo fazer aquela aparição no filme so Spielberg, nem sei como me sentira sendo usado daquela forma deprimente.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Desde que os filmes passaram a ser distribuídos para o âmbito doméstico, em VHS e em DVD, os distribuidores dessas mídias, em geral, pouco respeito tem para os títulos com os quais se tornaram conhecidos no país, Jurandir. Ainda mais quando se trata de distribuidoras especializadas em pirataria. Aí, o título é mesmo alterado, até mesmo com o objetivo de disfarçar. "A mansão do terror" é um caso desses.

      Gosto muito do Vincent Price, principalmente quando ele não se leva a sério. Quanto aos filmes nos quais atuou no começo de carreira, ao final dos anos 30, são, se não engano, oito: SERVIÇO DE LUXO ("Service de Luxe", 1938), de Rowland V. Lee; THE SHOEMAKER'S HOLIDAY (1938), de Nancy Price - incrivelmente, uma das primeiras produções, ainda em caráter experimental, para a TV -; MEU REINO POR UM AMOR ("The Private Lives of Elizabeth and Essex", 1939), de Michael Curtiz; A TORRE DE LONDRES ("Tower of London", 1939), de Rowland V. Lee; A VOLTA DO HOMEM INVISÍVEL ("The Invisible Man Returns", 1940), de Joe May; INFERNO VERDE ("Green Hell", 1940), de James Whale; A CASA DAS SETE TORRES ("The House of the Seven Gables", 1940), de Joe May; e O FILHO DOS DEUSES ("Brigham Young", 1940), de Henry Hathaway.

      Abraços.

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