domingo, 17 de março de 2013

SAM PECKINPAH DESTROÇADO!

Juramento de vingança (Major Dundee) é o terceiro filme de Sam Peckinpah. Foi realizado dois anos após Pistoleiros do entardecer (Ride the high country, 1962), olhar nostálgico, melancólico e compassado sobre o ocaso do cowboy e o fechamento da fronteira. Agora, o ponto de vista é outro, marcadamente brutal e desesperançado. Juramento de vingança serve de prelúdio a Meu ódio será sua herança (The wild bunch, 1969), western-testamento do diretor. Infelizmente, por imposição dos produtores, terminou criminosamente desfigurado na montagem. Mesmo assim, é uma realização vigorosa, fascinante e hipnótica. Esta apreciação de 1975 foi revista e ampliada em 2010.







Juramento de vingança
Major Dundee

Direção:
Sam Peckinpah
Produção:
Jerry Bressler
Columbia Pictures Corporation, Jerry Bresler Productions
EUA — 1964
Elenco:
Charlton Heston, Richard Harris, James Coburn, Jim Hutton, Senta Berger, Slim Pickens, Michael Anderson Jr., James Colwin, Mario Adorf, Brock Peters, L. Q. Jones, Emilio Fernandez, Begonia Palacios, Michael Pate, Ben Johnson, Warren Oates, R. G. Armstrong, Karl Swenson, John Davis Chandler, Dub Taylor, Albert Carrier, José Carlos Ruiz, Aurora Clavell, Begonia Palacios, Enrique Lucero, Francisco Reyguera, os não creditados Whitey Hughes, Cliff Lyon, Jody McCrea, Marvin Miller, Dennis Patrick e Rockne Tarkington.




Sam Peckinpah


Em 1962 Sam Peckinpah realizou Pistoleiros do entardecer (Ride the high country). É uma das mais belas e nostálgicas evocações cinematográficas sobre o fim de uma era conformada aos feitos históricos e míticos dos cowboys que abriram a fronteira Oeste dos Estados Unidos às suas iniciativas expansionistas e colonizadoras. O filme testemunha o ostracismo a que foram relegados os exploradores pioneiros, após desbravar e conquistar, de modo nada pacífico, o território povoado por índios e bisões, integrando-o à marcha ocidental de civilização e progresso. Steve Judd (Joel McCrea) e Gil Westrum (Randolph Scott), sobreviventes dessas épocas heróicas, estão velhos e esquecidos. Assistem, entre a perplexidade e a resignação, ao encerramento de seu mundo. Resistem como incômodos anacronismos a perturbar o nascimento de um tempo novo, que desponta trocando o cavalo pelo automóvel; aposentando cinturões, revólveres, alforjes e chapéus, substituindo-os por livros, pastas, leis, ternos e cartolas.


Judd e Westrum são surpreendidos num ponto de inflexão da história, momento em que o velho e o novo, em nítida diferenciação, estranham-se mutuamente. Conscientes da nova situação, mas incapazes de readaptação, gostariam somente de uma honrosa saída de cena. Peckinpah os observa com o carinho revestido de reverência, lirismo e contemplação. Pistoleiros do entardecer nem parece um filme do diretor, principalmente se comparado aos brados desesperados, carregados de niilismo e desesperança dos westerns que lhe seguiram, pavorosamente intitulados, no Brasil, como Juramento de vingança e Meu ódio será sua herança (The wild bunch, 1969).


Após o sucesso de Pistoleiros do entardecer, Peckinpah permanece inexplicáveis dois anos afastado do cinema. Juramento de vingança deveria marcar, em grande estilo, seu retorno à realização. Sua ação se desenrola nos momentos finais da Guerra de Secessão (1861-1865), acontecimento que altera radicalmente os rumos da epopeia colonizadora da fronteira ocidental dos Estados Unidos. Findo o conflito, o Oeste deixa de ser, paulatinamente, território de celebração do culto ao individualismo pleno. O cowboy, qual cavaleiro livre e errante dos montes, vales e planícies, senhor inconteste de seu destino, torna-se resquício de um passado convertido em lembrança remota e romântica por força do rápido avanço do progresso. Instalam-se a lei e ordem para assegurar as necessárias e rotineiras tranquilidades às trilhas de interiorização do capital em busca de oportunidades e lucratividade. Apesar de tudo, o oficial nortista Major Amos Charles Dundee (Heston), individualista impulsivo e desgarrado, resistirá o quanto puder. Não se curvará pacificamente aos imperativos de um tempo que lhe exigirão conformação à estabilidade de uma existência medíocre.



Charlton Heston como o Major nortista Amos Charles Dundee

Peckinpah, em Juramento de vingança, percorre o mesmo tema de Pistoleiros do entardecer. Mas a percepção lírica e nostálgica de um Oeste “fim de linha” cede lugar a um ponto de vista marcado pela desesperança aguda. O filme assemelha-se a um brado rouco de protesto, ecoando dolorido em meio às tonalidades acinzentadas e crescentemente áridas de uma paisagem melancolicamente destroçada. Dundee, ao contrário dos personagens de Randolph Scott e Joel MacCrea no filme de 1962, agirá reativamente, à beira da irracionalidade, ao advento dos novos tempos. Tentará, louca e desesperadamente, opor-se às imposições que ameaçam varrê-lo de cena. Travará uma guerra muito particular. Contrariando ordens, lança-se pelo cenário fantasmagórico de um Oeste em decomposição, numa jornada revestida e guiada pela obsessão, à semelhança do Capitão Ahab do romance Moby Dick, de Herman Melville. Amos Charles Dundee se faz comandante de uma tropa sem meias medidas, marcadamente heterogênea, organizada de acordo com as conveniências das improvisações momentâneas. Sua pièce de résistence é um exército parecido à “Armata Brancaleone”. É composto de nortistas das forças regulares, soldados sulistas aprisionados, negros emancipados cumprindo serviço militar, ladrões de cavalo, pregadores religiosos e índios rastreadores.



O Major nortista Amos Charles Dundee (Charlton Heston) à frente de seu exército improvisado

Amos Charles Dundee (Charlton Heston)

O cineasta Samuel Fuller comparou o cinema a “um campo de batalha”. É nisso que Juramento de vingança se tornou para Sam Peckinpah. Por muito pouco não lhe desgraçou irremediavelmente a carreira. Teimoso, ingênuo e irascível, agindo como se houvesse incorporado traços de Dundee, Peckinpah tentou, de todas as formas, imprimir cunho marcadamente pessoal à realização. Pretendeu um épico de grandes proporções, à revelia dos interesses do produtor Jerry Bressler e da Columbia Pictures. As portas do inferno se abriram para ele.


A produção, tumultuada, estourou prazos e orçamentos. O gênio difícil do diretor entrou em atrito com atores[1]. Desavenças e insubordinações alijaram-no da montagem. Terminou como persona non grata à Columbia Pictures, a ponto de lhe ser negado acesso às dependências da empresa. Quanto a Juramento de vingança, passou a integrar a história dos filmes vilipendiados, arrancados das mãos dos seus diretores e massacrados na montagem. Mesmo assim, é fascinante. As imagens e o andamento são hipnóticos, à semelhança de outras obras mestras que ficaram à beira do caminho em suas intenções devido à insensibilidade tacanha dos produtores. A frustrada realização de Peckinpah goza da companhia dos injustiçados Ouro e maldição (Greed, 1923), de Eric Von Stroheim, e Soberba (The magnificent Ambersons, 1942), de Orson Welles.


Em 1970 vi Juramento de vingança pela primeira vez. Atualmente, já perdi a conta das muitas vezes que me dispus a revê-lo. Sempre que posso, retorno às suas imagens, como que tentando recompor as peças de um quebra-cabeça irremediavelmente danificado. Quando lançada, com 122 minutos de exibição, a produção parecia retalhada pelas mãos de um açougueiro inábil. Perdia totalmente o sentido em muitos momentos. Diálogos e ações não se completavam. Personagens sumiam e apareciam do nada. O imberbe Major Dundee mostra-se incrivelmente barbudo de uma hora para outra. Foram eliminadas, no todo ou em parte, sequências essenciais à compreensão da história e ao delineamento do caráter dos personagens: a abertura, com o massacre perpetrado pelos apaches de Sierra Charriba (Pate) à família Rostes; Dundee, totalmente bêbado, silenciosamente ridicularizado pela tropa ao tentar movimentar uma mula empacada; diálogos esclarecedores entre o Major e seu oponente, o capitão sulista Benjamim Tyreen (Harris); a participação do personagem do desertor O. W. Haddley (Oates) — praticamente eliminado da história; a admoestação que Dundee recebe de Samuel Potts (Coburn) após a descoberta do corpo torturado de Riago (Ruiz); a perplexidade do corneteiro Tim Ryan (Anderson Jr.) ao perceber o excessivo volume de sangue na água retirada do rio; as mortes, ao fim do filme, no leito do Rio Bravo, durante a batalha das forças de Dundee com os soldados franceses que ocupavam o México por ordem de Napoleão III etc.[2] Entretanto, apesar das incoerências e lapsos narrativos, o poder de atração das imagens é imenso, não importando se o filme é visto na versão retalhada de 1965 ou na parcial restauração de 135 minutos, de 2005, comemorativa dos 40 anos da produção, erroneamente classificada como director’s cut. Denominação mais imprópria não poderia haver, pois muito pouco lhe foi acrescentado para corrigir as falhas estruturais. Sabe-se que Peckinpah rodou um filme com mais de quatro horas e pretendia uma exibição de 165 minutos antes de concordar com a edição final de 152, jamais distribuída. Provavelmente, a maior parte do material não aproveitado nas metragens consentidas de Juramento de vingança está irremediavelmente perdida.



Benjamin Tyreen (Richard Harris)


Se Juramento de vingança resultou frustrante para Sam Peckinpah, com Charlton Heston não foi diferente. O ator se entregou com gosto ao personagem de Dundee, dada a sua reconhecida vontade de atuar numa história relacionada à Guerra de Secessão e pela admiração devotada a Pistoleiros do entardecer. Inclusive calou sua contrariedade quando se viu diante de um roteiro ainda por terminar, a todo momento alterado pelos caprichos de Peckinpah. O certo é que lutou para o filme ser concluído segundo o ponto de vista do diretor. Ameaçou jamais voltar a trabalhar para a Columbia Pictures caso isso não acontecesse. Num gesto de altruísmo sem precedentes, abriu mão do salário de 300 mil dólares para custear tomadas complementares, que diminuíssem o impacto dos cortes impostos por Bressler[3]. Mas nada convencia o desmoralizado Peckinpah a retornar ao set. Diante disso, as lendas em torno da realização de Juramento de vingança contam que o próprio Heston se encarregou das filmagens adicionais. Infelizmente, nada poderia reparar o estrago. Os interesses em pugna se revelaram inconciliáveis. O épico momumental pretendido por Peckinpah correspondia às expectativas de Heston, mas se chocava frontalmente com as ambições em escala reduzida de Bressler e da Columbia. Estes almejavam um western semelhante aos filmes da “trilogia da cavalaria”[4], de John Ford.



Ben Johnson interpreta o Sargento Chillum


Aliás, Peckinpah nunca escondeu sua admiração por Ford. Inclusive, convidou-o para dirigir Juramento de vingança. Enferno, envolvido com a finalização de Crepúsculo de uma raça (Cheyenne autumn, 1964), preparando-se para iniciar O rebelde sonhador (Young Cassidy, 1965) — passado às mãos de Jack Cardiff devido ao agravamento da doença do diretor — e antecipando Sete mulheres (Seven women, 1966), Ford recusou. Diante disso, Peckinpah se viu livre para realizar Juramento de vingança da forma que pretendia. Mas preencheu a história com referências aos filmes de Ford. O massacre da família Rostes pelos apaches de Sierra Charriba, com a tomada de três crianças como reféns, encontra correspondência em Rastros de ódio (The searchers, 1956) e Rio Bravo (Rio Grande, 1950). O orgulho militar ferido de Dundee, seu banimento do front, sua transformação em responsável por um campo de prisioneiros e a vontade de fazer a guerra a qualquer preço lembram o arrogante Tenente-Coronel Owen Thursday (Henry Fonda) de Sangue de heróis (Fort Apache, 1948). A penetração não autorizada das forças de Dundee em território mexicano remete à idêntica opção do Tenente-Coronel Kirby Yorke (John Wayne) na busca às crianças raptadas por apaches em Rio Bravo (Rio Grande).


O andamento de Juramento de vingança, consideravelmente prejudicado, resultou no acréscimo de uma narração com função de tapa-buracos, mas insuficiente para equilibrar e atribuir coerência ao fluir da história. Essa improvisação permanece no suposto director’s cut de 2005 e continua pouco funcional. Desastrosa também foi a escolha do autor da trilha sonora. Jerry Bressler optou pela inadequada composição de Daniele Amfitheatrof — com letra de Ned Washington —, odiada por Peckinpah. O relançamento de 2005 ao menos reintegra o comentário musical original de Christopher Caliendo.


Solidárias às iniciativas de Jerry Bressler e da Columbia Pictures, as grandes companhias produtoras do cinema americano praticamente lançaram o nome de Sam Peckinpah numa espécie de lista negra. Ele correu o risco de jamais voltar à realização. O cerco começou com sua substituição por Norman Jewison em A mesa do diabo (The Cincinnati Kid, 1965). O alijamento, que parecia definitivo, durou cinco anos. O retorno de Peckinpah à direção foi bancado pelo produtor Phil Feldman e chancelado pela Warner Brothers. Seu próximo filme, o também mutilado Meu ódio será sua herança (The wild bunch, 1969)[5], recicla temas sobre o crepúsculo do cowboy — tão caros ao diretor —, desta vez mais agudamente explicitados. Como em Juramento de vingança, Peckinpah mantém a adesão afetiva às regeneradoras paragens mexicanas. Nesse filme há uma sequência com crianças brincando inocentemente, com pedrinhas, enquanto a tropa cansada de Dundee passa ao largo. Elas retornam, crudelíssimas, na emblemática abertura de Meu ódio será sua herança. Na brincadeira, paralela à entrada da quadrilha de Pike Bishop (William Holden) para o frustrado e sangrento assalto ao banco, as pedrinhas foram substituídas por formigas trucidando escorpiões. Os laivos de inocência que pareciam restar em Juramento de vingança deixam de fazer sentido em Meu ódio será sua herança.


Segundo a personagem Teresa Santiago (Berger) — praticamente irrelevante —, a guerra, para Dundee, duraria para sempre. Ele desconhece a estabilidade. Devido a um erro que cometeu na Batalha de Gettysburg, foi afastado das linhas de combate e lançado na mais desonrosa das retaguardas, em Forte Benlin, e convertido em carcereiro de prisioneiros de guerra. Sulista, aderiu ao Norte por pragmatismo, almejando prestígio e glória. Seu principal oponente, o ex amigo e prisioneiro Benjamin Tyreen, irlandês pobre, optou pela fidelidade aos valores aristocráticos sulistas. A contragosto, somam forças na perseguição que Dundee — em busca do prestígio perdido — mobiliza com seus próprios meios contra os apaches de Sierra Charriba. Mas essa campanha, com objetivo de resgatar crianças raptadas, não passa de pretexto para o Major exercitar o comando segundo seus próprios critérios. Por outro lado, para Peckinpah, é a oportunidade para montar um palco de movimentação constante, sobre o qual encena motivações individuais e conflitos entre personalidades díspares, obrigadas a se unir por força de circunstâncias sobre as quais exercem pouco ou nenhum controle.



Major Amos Charles Dundee (Charlton Heston)

Benjamin Tyreen (Richard Harris)


Juramento de vingança é um western sobre o imponderável. Buscando o heroísmo permitido pelas batalhas, Dundee conduz seu trôpego exército ao encontro da desesperança e da frustração, individual ou coletiva. Apesar da interferência dos produtores, o filme avança razoavelmente bem em sua primeira parte, até Dundee ser gravemente ferido e internado no México para tratamento. É quando o personagem confronta os próprios fantasmas e entra em depressão. A partir daí, a coerência narrativa é perdida pela violência da montagem e em meio às bebedeiras, alucinações e crises de autocomiseração do Major. Reduzido ao pouco heróico estado de fragilidade, ele é obrigado a se recompor por provocação de Tyree, que o alerta para a missão a cumprir. Mas ela é apenas um detalhe que o move ao longo da jornada. Afinal, as crianças foram salvas muito antes, fator que não impede o Major de continuar guerreando, contra si, seus homens ou o que mais lhe cruzar o caminho, inclusive os apaches de Sierra Charriba, as forças francesas que ocupam o México e a paisagem em mutação tingida pelo sangue explicitamente derramado de tantos mortos e feridos.


O realismo da violência encenada por Peckinpah é um dado novo ao então asséptico cinema americano. O improvisado hospital a céu aberto, atulhado de mortos e feridos com chagas visceralmente expostas, certamente chocou os produtores. Provavelmente, anteciparam-se a uma resposta negativa do público, o que também pode explicar a severidade dos cortes. Com Juramento de vingança, Peckinpah, certamente, desvirginou o cinema americano. Mas suas exposições violentas, contrariando as impressões apressadas de muitos críticos, não se resumem a meros e gratuitos exercícios de estilo. Traduzem a fúria das mudanças temporais que obrigava os homens a reagir desesperadamente na tentativa de continuar sobrevivendo. De outra maneira, ao tingir de vermelho as telas do cinema, Peckinpah contribuiu na preparação dos espíritos americanos às cenas de violência da guerra do Vietnã, transmitidas pela televisão com a exposição de soldados mortos, levemente feridos e gravemente mutilados.


Heston, ator de recursos limitados, está soberbo como Dundee. Este seria o papel de sua vida, não fossem os fatores que tanto prejudicaram o filme. Seu personagem é um tipo talhado pela tragédia, moldado por elementos que combinam irracionalidade, adesão incondicional às próprias convicções e um toque de sinceridade em seus dizeres e ações. Está sempre pronto a reagir de forma a mais instintiva, parecendo dominado pela mais pura propulsão à violência e destruição.




Acima e abaixo: Samuel Potts (James Coburn) e  Dundee (Charlton Heston)

De resto, todo o elenco rende maravilhosamente bem, inclusive os atores que tiveram a participação enormemente abreviada pela imposição dos cortes. Richard Harris confere elegância e racionalidade ao inimigo cordial de Dundee. James Coburn está praticamente irreconhecível na caracterização do enérgico Samuel Potts. Jim Hutton transmite sinceridade ao atrapalhado e solícito tenente Graham. O mesmo é percebido em Michael Anderson Jr. Seu personagem, o corneteiro Tim Ryan, praticamente um garoto, torna-se adulto à medida que a jornada avança e é registrada em seu diário. Além do mais, é o responsável pela morte praticamente acidental e pouco apoteótica de Sierra Charriba.


Por fim, cabe destacar a direção de fotografia de Sam Leavitt. Graças a ela as paragens do Oeste, em sua porção americana, aparentam traços de terra sem esperança, ao passo que revelam um mundo de possibilidades a descortinar na parte mexicana.







Roteiro: Harry Julian Fink, Oscar Saul, Sam Pekinpah, com base em história de Harry Julian Fink. Direção de Fotografia (Panavision, Eastmancolor pela Pathé): Sam Leavitt. Música: Daniele Amfitheatrof. Canções: Major Dundee March, música de Daniele Amfitheatrof, letra de Ned Washington, interpretada por Mitch Miller’s Sing Along Gang; Laura Lee, interpretada por Liam Sullivan e Forrest Wood. Música da restauração de 2005: Christopher Caliendo. Direção de arte: Alfred Ybarra. Montagem: William A. Lyon, Howard Kunin, Donald W. Starling. Figurinos: Tom Dawson. Efeitos especiais: August Lohman. Contra-regra: Joe La Bella. Gerente de produção: Francisco Day. Assistentes de direção: John Veitch, Floyd Jover. Maquiagem: Ben Jane, Larry Butterworth. Supervisão de som: Charles J. Rice. Som: James Z. Flaster, Rafael Ruiz Esparza (não creditado). Direção de segunda unidade: Cliff Lyons. Assistente para o produtor: Rick Rosemberg. Coordenação de dublês: Archie Butler (não creditado). Dubles: Jerry Brown (não creditado), Joe Canutt (não creditado), Bill Catching (não creditado), Philip Crawford (não creditado), Richard Farnsworth (não creditado), Jerry Gatlin (não creditado), Chuck Hayward (não creditado), Robert 'Buzz' Henry (não creditado), Bob Herron (não creditado), Whitey Hughes (não creditado), Leroy Johnson (não creditado), Roy N. Sickner (não creditado), Buddy Van Horn (não creditado), Jack Williams (não creditado), Henry Wills (não creditado). Confecção de costumes no set: Gordon T. Dawson (não creditado). Orquestração: Leonid Raab (não creditado). Instrutor de lutas no México: 'Chema' Hernandez (não creditado). Tempo de exibição: 123 minutos (lançamento em 1965), 135 minutos (restauração de 2005), 152 minutos (corte do diretor, não distribuído), 165 minutos (primeiro corte).


(José Eugenio Guimarães, 1975; revisto e ampliado em 2010)





[1] Jim Hutton, com dificuldades para dominar a montaria, deixou-a se aproximar de Peckinpah, diretor de westerns que temia cavalos. Ele quase foi pisoteado pelo animal. Reagiu gritando imprecações e com disparos de festim. O cavalo, assustado, provocou a queda e ferimentos nas costas do ator. Charlton Heston, famoso por sua calma e educação, perdeu a paciência após ser destratado pelo diretor. Comandou, sabre em punho e aos gritos de “Isto é para você, Sam!”, uma carga de cavalaria sobre ele. Peckinpah recuou assustado, sem esquecer de pedir ao câmera que filmasse toda a ação. Cf. REVIEWS & ratings for Major Dundee. Disponível em http://www.imdb.com/title/tt0059418/reviews. Acessado em 16 ago. 2010.
[2] Cf. CAPRARA, Valerio. Sam Peckinpah. Il castoro cinema, Florença: La Nuova Itália, n. 22, p. 52-53, set.1998.
[3] Testemunho de Sam Peckinpah sobre o Charlton Heston: “É de um grande caráter. Tem coragem, dignidade e uma extraordinária firmeza”. In: CAPRARA, Valerio. Op. cit. p. 14-15.
[4] Sangue de heróis (Fort Apache, 1948), Legião invencível (She wore a yellow ribbon, 1949) e Rio Bravo (Rio Grande, 1950).
[5] Por conta de Phil Feldman, o filme perdeu 12 minutos do tempo original de 144 quando estreou nos cinemas. Em 1995, por pressão de diretores como George Lucas, John Milius e Martin Scorsese, Meu ódio será sua herança renasceu em sua metragem original, como um autêntico director’s cut.