A década de 50 é paradoxal para John Huston e John Wayne.
A partir de A glória de um covarde (The red badge of courage, 1951) a
carreira do cineasta oscila. Fez o bem considerado Uma aventura na África (The African
Queen, 1951), o equivocado O diabo riu por último (Beat
the devil, 1953) e os mal compreendidos, ao menos para a época, Moulin
Rouge (Moulin Rouge, 1952), Moby Dick (Moby Dick, 1956) e O céu
é testemunha (Heaven knows, Mr. Allison, 1957).
Muitos cronistas o consideravam acabado. Por sua vez, John Wayne aproveitou a
atmosfera política contaminada pelo macarthismo para se expor publicamente como
aguerrido falcão da ultradireita. No ápice da popularidade, descuidou da
carreira e emprestou a estampa a um conjunto de realizações de gosto duvidoso
que o lançaram no Império Mongol de Genghis Khan ou na seara do mais tosco
anticomunismo. Em compensação, estrelou, no período, alguns dos seus melhores
filmes: Depois do vendaval (The quiet man, 1952) e Rastros
de ódio (The searchers, 1956), dirigidos por John Ford; Um
fio de esperança (The high and the mighty, 1954), de
William A. Wellman; e Onde começa o inferno (Rio
Bravo, 1959), de Howard Hawks. Em meados do quarto final da década, o
imponderável uniu os caminhos desses homens de carreiras e posicionamentos
ideológicos tão díspares. Encontraram-se no Japão. Com a melhor das intenções,
Huston escalou Wayne para fazer Townsend Harris — primeiro diplomata
estadunidense no país do Extremo Oriente. O bárbaro e a geisha (The
barbarian and the geisha, 1958) trataria acima de tudo do choque
cultural. Apesar das filmagens tumultuadas e à beira do desastre, os resultados
finais foram satisfatórios na apreciação do diretor. Só não esperava que um
poder mais forte se levantasse e, à sua revelia, alterasse calamitosamente o
material. John Wayne praticamente tomou o filme para si. Apoiado por executivos
da 20th Century-Fox, alterou por completo a cronologia e o foco da história.
Por muito pouco Huston não renegou o trabalho. Não o fez em respeito ao
produtor e amigo Buddy Adler, incapacitado pelas agruras de um câncer cerebral.
Segue apreciação escrita em 1995.
O bárbaro e a geisha
The barbarian and the geisha
Direção:
John Huston
Produção:
Eugene Frenke
20th Century-Fox
EUA — 1958
Elenco:
John Wayne, Eiko Ando, Sam Jaffe, So Yamamura e os não creditados Ryuzo Demura, Kodaya Ichikawa, Tokujiro Iketaniuchi, Fuji Kasai, Takeshi Kumagai, Fuyukichi Maki, Pat Morita, James Robbins, Norman Earl Thomson, Hiroshi Yamato.
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John Huston e John Wayne no Japão, quando das filmagens de O bárbaro e a geisha |
No lançamento, O
bárbaro e geisha[1]
mereceu crítica de apenas uma linha da revista Time: “Puxa, três milhões
de dólares pelo cano!”[2].
Para John Wayne e John Huston, é o maior fracasso de suas carreiras. O diretor
esteve a um passo de renegar a realização reconhecida pelo ator como “Meu
grande desastre”[3].
A trajetória
cinematográfica de ambos, durante os anos 50, é paradoxal — para dizer o mínimo.
Na arena política Wayne perdeu de fato a inocência. Passou a se expor como
aguerrido gavião da ultradireita. A vertente estava no apogeu desde a criação,
pelo senador Joseph McCarthy, do famigerado Comitê de Investigação de Atividades
Antiamericanas (HUAC - House Un-American Activities Committee). Apesar disso,
testemunhos unânimes — até de quem lhe era ideologicamente contrário —
garantem: o ferrenho anticomunista jamais delatou alguém. Na frente
cinematográfica Wayne vivia o auge da popularidade. Ocupou, por anos seguidos,
o topo da lista dos astros mais queridos do público. Este fato, aliado à
temperatura política, provocaram o descuido da carreira. Estrelou um punhado de
filmes de qualidade duvidosa. Em alguns irrompe como o defensor da América diante
da “ameaça vermelha”: Estradas do inferno (Jet pilot,
1950), de Josef von Sternberg; Aventura perigosa (Big
Jim McLain, 1952), de Edward Ludwig; e Rota sangrenta (Blood
alley, 1955), de William A. Wellman. São fiascos completos apesar dos
diretores tarimbados. Em outros, ofereceu-se como pau para toda obra: Águas
traiçoeiras (Operation Pacific, 1951), de George
Waggner; Atalhos do destino (Trouble along the way, 1953), de
Michael Curtiz; e A Vênus de carne (I married a woman, 1958), de Hal
Kanter, pelo qual teve pequena participação não creditada. O pior é Sangue
de bárbaros (The conqueror, 1956), de Dick Powell:
com um bigodinho para lá de ridículo, vive o guerreiro mongol Temujin ou
Genghis Khan. Parece incrível, pois na mesma década dessas nulidades Wayne
protagonizou alguns dos melhores títulos de sua filmografia: Depois
do vendaval (The quiet man, 1952), Rastros
de ódio (The searchers, 1956), Asas de águia (The wings of eagles,
1957) e Marcha de heróis (The horse soldiers, 1959), dirigidos
por John Ford; Caminhos ásperos (Hondo, 1953), de John Farrow; Um
fio de esperança (The high and the mighty, 1954), de
William A. Wellman; e Onde começa o inferno (Rio
Bravo, 1959), de Howard Hawks.
Na década de 50,
após dirigir o primoroso O segredo das jóias (The
asphalt jungle, 1950), a carreira de John Huston oscilou. A crítica
apressada chegou a considerá-lo acabado. Entretanto, faltou tato aos avaliadores
para melhor compreender e analisar Moulin Rouge (Moulin Rouge, 1952), Moby
Dick (Moby Dick, 1956) e O céu é testemunha (Heaven
knows, Mr. Allison, 1957). Certamente, pouco pode ser dito de O
diabo riu por último (Beat the devil, 1954) e Raízes
do céu (The roots of heaven, 1958) — lamentáveis equívocos somente
superados por O bárbaro e a geisha. Quanto a este, entretanto, Huston deve
ser desculpado. John Wayne é responsável direto pelo fracasso.
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John Wayne como o diplomata Townsend Harris |
O bárbaro e a
gueixa é o segundo filme de Huston para a 20th Century-Fox. Segue a O céu
é testemunha. Acompanha as peripécias do cônsul estadunidense Townsend
Harris, primeiro representante estrangeiro no Japão, em 1856. O país oriental,
três anos antes, viu-se forçado a romper séculos de isolamento pela esquadra do
Comodoro Matthew C. Perry. “Segundo a lenda, Harris se apaixonou pela geisha Okichi”,
que cometeu suicídio quando o viu partiu[4].
Charles Grayson —
autor da primeira versão do roteiro — e o produtor Eugene Frenke convenceram
Huston a embarcar no projeto. Diante da possibilidade de filmar no ainda
desconhecido Japão, o cineasta aceitou de pronto. Poderia estreitar relações
com cineastas da terra. Admirava Rashomon (Rashomon, 1950), de Akira
Kurosawa, e os resultados com a cor obtidos por Teinosuke Kinugasa[5]
em O
portal do inferno (Jigokumon, 1953). Kinugasa colaborou
na realização de O bárbaro e a geisha na função de continuista. As filmagens se
deram integralmente no Japão: Quioto, aldeia Kiwani e península de Izu. Huston
pretendia como resultado final algo parecido a uma crônica sobre o choque de
civilizações.
O bárbaro e a geisha entrou em
pré-produção com Huston e Grayson isolados no México para escrever a versão
definitiva do roteiro. Faltando três meses para o início das filmagens, com o
script por terminar, o diretor viajou ao Japão para conferir o trabalho de Jack
Martin Smith e Lyle R. Wheeler na direção de arte. Aproveitaram e pesquisaram
locações para as tomadas externas e escolheram a parte nativa do elenco,
inclusive a intérprete de Okichi. Huston, preocupado com o retorno nas
bilheterias, queria alguém atraente aos padrões ocidentais. Depois de muita
busca, inclusive visitas às casas de geishas, encontrou Eiko Ando[6].
Não é japonesa, mas chinesa da Manchúria.
A pequena parte estadunidense
do elenco estava previamente garantida. Sam Jaffe — amigo pessoal de Huston, ator
em O
segredo das jóias — faria Henry Heusken, intérprete da língua japonesa
para Townsend Harris. Este ficou com John Wayne. Huston achava que “A (...)
estatura imponente” do ator, acrescida da aparência de “pseudo-ingenuidade e
arestas de resistência ofereciam um contraste interessante com os japoneses
baixinhos e extremamente civilizados; e que a comparação física ajudaria a
ressaltar as opiniões e culturas divergentes”[7].
A impressão era correta, até certo ponto.
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Eiko Ando, chinesa da Manchúria, faz a geisha Okichi |
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Okichi (Eiko Ando) e o intérprete Henry Heusken (Sam Jaffe) |
Resolvido o
problema da atriz, Huston partiu ao encontro de Grayson para concluir o difícil
roteiro. Nigel Balchin, James Edward Grant e Alfred Hayes prestaram colaboração
sem resultados. A peça estava incompleta quando começaram as filmagens.
Enquanto dirigia durante o dia, Huston escrevia à noite as cenas que faltavam[8].
O clima das
filmagens foi tenso. Huston e os técnicos japoneses nem sempre se entendiam[9].
John Wayne permaneceu mal-humorado todo o tempo, insatisfeito com as acomodações.
Por pouco, um incêndio não causou desastre de grandes proporções. Nas sequências
do combate à epidemia de cólera, o barco cenográfico em chamas escapou do
controle depois de lançado ao mar. Levado pelo vento, atingiu o ancoradouro onde
centenas de naus pesqueiras, algumas movidas à combustão, estavam atracadas. Sobreveio
o incêndio. Muitas embarcações se perderam e a aldeia de Ito ficou em risco. A tragédia maior
foi evitada. Huston e a equipe enfrentaram, durante bom tempo, a fúria popular.
“Houve quem levasse paulada a ponto de cair desacordado (...) — não sei como
ninguém morreu”[10].
Segundo declarou, esta foi uma das duas vezes em esteve perto do completo
desastre. A outra, motivada por explosivos, aconteceu durante a realização de O céu
é testemunha.[11]
Terminadas as
filmagens, Huston afirmou que os resultados ficaram bons em termos plástico e
dramático[12].
Era uma obra “sensível e equilibrada”[13].
Voltou para Hollywood e entregou à 20th Century-Fox a versão final,
praticamente concluída. Como não tinha poderes sobre o corte final, considerou
o trabalho encerrado e partiu para a África onde o esperavam para rodar Raízes
do céu.
Quando conferiu a
montagem definitiva de O bárbaro e a geisha, ficou
horrorizado[14]. John
Wayne — “homem que não estimo”[15]
—, bastante influente na 20th Century-Fox, obteve plenos poderes para uma
completa e radical alteração. Praticamente desconsiderou todo o esforço. Ordenou
a refilmagem de cenas e sequências inteiras, a inserção de novas falas e a
reelaboração completa de diálogos. Para piorar, acrescentou uma “narração
hedionda”[16] e
alterou a ordem cronológica dos eventos. A história passou a ser contada de
trás para frente[17].
Huston só pode desabafar: “...Ficou uma mixórdia completa. (...). Otto
Preminger, se estivesse no meu lugar, teria processado. Às vezes bem que
gostaria de ser Otto Preminger”[18].
O bárbaro e a geisha “Acabou não
prestando, mas não precisava ter ficando tão ruim”[19]
— julgou Huston. Buddy Adler — chefe de produção da 20th Century-Fox, amigo e
responsável pela ida do cineasta para a companhia — não pôde impedir a total
desfiguração do filme. Estava sofrendo com as agruras do câncer cerebral que o
mataria. Em respeito a Adler, Huston evitou resolver o problema à moda de
Preminger e não ordenou a retirada de seu nome dos créditos[20].
Okichi narra O
bárbaro e a geisha pelas memórias que guardou de Townsend Harris. Começa
com a chegada do diplomata ao Japão, acompanhado de Henry Heusken. Apesar de recebido
com hostilidade pela população de Shimoda e por Tamura (Yamamura), governador
da província, Harris se mantém determinado a estabelecer bases no lugar. Tem a
posição amparada por tratados. É temido pelos nativos.
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Townsend Harris (John Wayne) e o governador Tamura (So Yamamura) |
Tamura oferece péssimas
instalações. Proíbe o hasteamento da bandeira dos EUA e recusa imunidade
diplomática a Harris. Terá somente o status de “convidado” até o Shogum (Yamato/não
creditado) na distante Yedo (atual Tóquio) decidir o que fazer.
Após cinco meses
de espera e indiferença, um ato de boa vontade: Harris e Henry são recepcionados
pelo governador. Conhecem Okichi, sobrinha do anfitrião. O interesse do
diplomata pela jovem é logo percebido. Assim, ela é convencida pelo tio a
oferecer as habilidades aos estrangeiros. Na verdade, será espiã. De início, Harris
recusa. Muda de ideia ao perceber que a jovem poderá ter alguma utilidade. Estabelece-se
uma relação de respeito mútuo. O estadunidense recebe lições sobre atitudes,
costumes e da língua do Japão. A ela são ministradas aulas de inglês e hábitos
estadunidenses. Secretamente, a geisha se apaixona pelo bárbaro.
Incomodados com a
presença estrangeira, os nativos passam do temor à provocação explícita. Apesar
da postura do diplomata, Harris reage à moda cowboy quando Henry se torna
motivo de zombaria. Já as mulheres hostilizam Okichi, tomando-a por concubina.
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Henry Heusken (Sam Jaffe), Townsend Harris (John Wayne) e Okichi (Eiko Ando) |
As contradições
se acirram com a chegada de navio ocidental. Kimura tenta, à força de canhões,
impedir a aproximação da embarcação. Porém, Harris se adianta — como se fosse cônsul
reconhecido — para saudar os recém-chegados. Recebe do capitão Edmunds (Thomson/não
creditado) a notícia de cólera a bordo. É tarde. Marinheiros infectados escapam
à vigilância, lançam-se ao mar e chegam a terra. A doença é disseminada como
incontrolável epidemia. Japoneses falecem aos montes. Sentindo-se responsável, Harris
se entrega incansável ao combate da resistente moléstia. Toma a decisão radical
de incendiar habitações, utensílios e cadáveres — uma profanação aos olhos da
população. Diante dos fatos, é posto em prisão domiciliar por Kimura, até a
chegada de embarcação que o retirará definitivamente do Japão.
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Townsend Harris (John Wayne) |
Entretanto, os
métodos de Harris se revelaram mais eficazes que a mística profilaxia japonesa.
O surto de cólera é debelado. Estava pronto para retornar aos EUA quando recebe
inesperada homenagem da população agradecida. O próprio governador se apresenta
como devedor. Daí em diante tudo fica mais fácil. A viagem a Yedo é apressada. O
diplomata chega à capital escoltado por comitiva extensa e festiva, com a bandeira
dos EUA desfraldada e conduzida à frente por solícitos japoneses.
Recebido na
corte, é sabatinado sobre os reais interesses dos EUA. A decisão final depende
dos votos de ministros e conselheiros do Shogum. A facção contrária não titubeia
em apelar para a violência. Pretende impedir qualquer abertura da Terra do Sol
Nascente ao exterior. Um dos ministros (Kumegai/não creditado) favoráveis é morto.
Apesar disso, os esforços de Harris são reconhecidos. No entanto, por força da
tradição e de sua gente, Kimura — pessoalmente simpático às pretensões
estadunidenses — é forçado a eliminar o estrangeiro. Devido aos laços de
sangue, Okichi é obrigada a colaborar com o atentado. O próprio governador se
oferece para a missão fatal. Mas é confundido pela sobrinha e fracassa.
Sentindo-se desonrado, pune-se com o harakiri. Okichi, atingida pela vergonha e
culpa, desaparece. O filme termina com a glorificação pública do cônsul enfim
legitimado, observado de longe pela geisha.
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Townsend Harris (John Wayne), Okichi (Eiko Ando) e Henry Heusken (Sam Jaffe) chegam à corte em Yedo |
Quanto à narração
de Okichi, qualquer versão de O bárbaro e a geisha — dublada ou
legendada — deixa Huston coberto de razão: é falsa. O texto é pronunciado com
um distanciamento que denota impessoalidade, desinteresse e falta de
consistência. As alterações ordenadas por Wayne comprometem a unidade da obra.
Algumas passagens estão claramente desconectadas. A montagem une, no mesmo
bloco narrativo, tomadas ordenadas por Huston com partes refeitas à sua revelia
— o que transforma o conjunto em estranha miscelânea. Por isso, a estrutura de O
bárbaro e a geisha é primária. Atinge nível próximo do amadorístico. O
encadeamento de planos, cenas e sequências é mal amarrado. O melhor exemplo
disso envolve a tentativa de assassinato de Harris. John Wayne, na pele do
diplomata, é ótimo cowboy formalmente trajado. Percebe-se que seu personagem
sofreu com as alterações radicais por ele mesmo exigidas. Da parte do cético
Huston — também um pouco cínico e niilista — jamais brotaria personagem tão
presunçoso como o Townsend Harris dado ao conhecimento do espectador. Assim, soa
infantil o esforço estadunidense, comunicado pelo personagem, de “Conduzir o
Japão ao lugar que lhe é de justo direito na comunidade das nações”. É tão
ingênuo que desmorona por si. Ou Townsend Harris acredita de fato que sua
missão é tão somente um justo e necessário ato de boa vontade — sem outros
interesses mais pragmáticos envolvidos — em prol da aproximação de povos tão
diferentes? Chega a ser risivelmente patético o discurso que endereça ao Imperador
e nobres sobre os mais elevados valores estadunidenses: liberdade,
individualismo e progresso. Isto apesar da escravidão ainda presente na terra
do Tio Sam — como é obrigado a reconhecer com o semblante grave, carregado e
pouco sincero.
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Okichi (Eiko Ando) e Townsend Harris (John Wayne) |
E que tal esta?
Harris ensina a Okichi truques mágicos com a moeda de um dólar, inclusive a
pronúncia correta do nome da unidade monetária estadunidense. Fascinada, repete
“dólar” sem dificuldade. Harris acrescenta: “Parece que essa é uma palavra que
todos entendem fácil”. Está certo! Porém, não naquela época — com os EUA ainda distantes
da condição de potência mundial.
A pretensão inicial
de fazer do choque cultural o centro da história não se perdeu. No entanto,
ficou diluída. Assim, quando vem à baila, o tema assume ares ocasionais ou é
reduzido ao dado meramente instrumental. Desse modo, quando o individualismo e
a convicção de Harris se confrontam com a estrutura comunal e hierárquica dos
japoneses, a coisa fica mal parada, reduzida à simples abstração. Por causa da
sabotagem sofrida pelo filme, fala essencial de Kimura se torna apenas trecho
de diálogo, desprovido de maior importância, quando tinha, originalmente,
maiores significados: “No Japão, Senhor Harris, não pertencemos a nós mesmos,
mas às nossas famílias”.
Roteiro: Charles Grayson, Nigel Balchin (não creditado)
James Edward Grant (não creditado), Alfred Hayes (não creditado), com base em
história de Ellis Saint Joseph. Direção
de fotografia (Cinemascope, Color DeLuxe): Charles G. Clarke. Decoração: Walter M. Scott, Don B.
Greenwood. Música: Hugo Friedhofer. Direção de arte: Lyle R. Wheeler, Jack
Martin Smith. Planejamento executivo do
guarda-roupa: Charles LeMaire. Maquiagem:
Webb Overlander, Bem Nye (não creditado), Haruhiko Yamada (não creditado). Assistentes de direção: Joseph E.
Rickards, Joseph E. Markarof (não creditado). Som: W. D. Flick, Warren B. Delaplain. Lentes de Cinemascope: Bausch & Lomb. Supervisão de script: Teinosuke Kinugasa, Angela Allen (não
creditada). Consultor de diálogos:
Minoru Inuzuka. Supervisão técnica:
Mitsuo Hirotsu. Consultor técnico de
arte: Kisaku Itoh. Consultoria
técnica japonesa: Kampo Yoshikawa. Assistente
para o produtor: Paul Nakaoka. Montagem:
Stuart Gilmore. Dublê: Chuck
Roberson (não creditado). Produção
executiva: Darryl F. Zanuck (não creditado). Consultor de cor: Leonard Doss (não creditado). Penteados: Helen Turpin (não
creditada). Gerente de unidade: William
Eckhardt (não creditado). Segundos
assistentes de direção (não creditado): Joseph Lenzi, Mike Salamunovich. Contrarregra: Don B. Greenwood (não
creditado). Assistente do departamento
de arte: Tatsumi Toda (não creditado). Gravação
de som: William Buffinger (não creditado). Supervisão de som: Carlton W. Faulkner (não creditado). Edição de som: Walter Rossi (não
creditado). Assistentes de câmera (não
creditados): Walter Fitchman, Arthur Gerstle, Scotty McEwin. Operadores de câmera (não creditados): Til
Gabani, Paul Vogel. Eletricista-chefe:
William Huffman (não creditado). Fotografia
especial: Bob Landry (não creditado). Fotografia
de cena: Hiroshi Mori (não creditado). Eletricista:
Charles Wise (não creditado). Direção de
guarda-roupa: Ed Wynigear (não creditado). Supervisão da edição musical: George Adams (não creditado). Direção musical: Lionel Newman (não
creditado). Publicidade: John
Campbell (não creditado). Consultor
técnico: Ken Ishii (não creditado). Intérpretes
(não creditados): Tony Kuroda, Joe Shinomiya. Direção de diálogos: Burt Steiner (não creditado/refilmagens). Laboratório de cor: DeLuxe
Laboratories. Sistema de mixagem de som:
Stereo em 4 pistas pela Westrex Recording System. Tempo de exibição: 105 minutos.
(José Eugenio Guimarães, 1995)
[1] Originalmente, teria por título The
Townsend Harris story. A 20th. Century-Fox preferiu renomeá-lo para The
barbarian and the geisha com as filmagens em andamento. Huston ,
informado da mudança pelos jornais, não gostou. Cf. HUSTON, John. Um
livro aberto. Porto Alegre: L&PM, 1987. p. 300.
[2] Cf. BARBOUR, Alan G. John Wayne, Suplemento de
Fatos
e Fotos Gente. p. 10. Sem informações sobre as restantes informações
bibliográficas.
[3] PEREIRA, Edmar. John Wayne: seus trinta maiores
filmes. Jornal da Tarde. São Paulo, 16 jun. 1979. p. 7.
[4] HUSTON, John. Op. cit. p. 298.
[5] Ibidem.
[6] Ibidem. p. 200 e 300.
[7] Ibidem. p. 300.
[8] Ibidem.
[9] Apesar disso, Huston se tornou
amigo do compositor japonês Toshiro Mayuzumi. Compôs as trilhas musicais de A
Bíblia ... no princípio (The Bible: in the beginning...,
1966) e Os pecados de todos nós (Reflections on a golden eye, 1968),
realizações do diretor.
[10] HUSTON, John. Op. cit. p. p. 301.
[11] Ibidem. p. 294.
[12] BENAYOUN, Robert. John Huston. In Lherminier,
Pierre (dir.). Cinéma d’aujord’hui. Paris: Seghers, n. 44, p. 87, 1966.
[13] HUSTON, John. Op. cit. p. 301.
[14] Ibidem. p. 302.
[15] “Un homme que je n’estime pas”. Cf. BENAYOUN,
Robert. Op. cit. p. 87.
[16] HUSTON, John. Op. cit. p. 302.
[17] Ibidem.
[18] Ibidem. p. 302 e 380.
[19] Ibidem. p. 301.
[20] Ibidem. p. 302.