É preciso muita imprudência ou gostar excessivamente do
cinema. Porém, ambas as características não são excludentes e se aplicam perfeitamente
ao cineasta Roberto Rossellini. A Segunda Guerra Mundial demoraria cerca de um
ano para terminar. Os aliados libertaram Roma, mas os combates prosseguiam na
Itália, rumo ao norte. A indústria cinematográfica do país estava em frangalhos;
a maior parte dos estúdios, destruída; a energia elétrica, fundamental à
iluminação dos interiores, racionada. Neste cenário de precariedade, Rossellini
planejou um curta metragem sobre o fuzilamento do padre Don Morosini pela
Gestapo. Como resultado das pesquisas efetuadas, o projeto evoluiu para um
filme longo, realizado com a cara e a coragem, sobre as agruras da população
romana durante o jugo nazista. Para viabilizar a produção, o cineasta empenhou
todas as posses e contraiu dívidas além da medida, principalmente para
conseguir filme virgem, então raro na Itália. Diante das circunstâncias, filmou
nas ruas, sob luz natural, e encenou os interiores onde pode. Contou apenas com
três atores profissionais. Os demais personagens foram interpretados por amigos
e gente de povo. Por causa da pressão dos credores, foi obrigado a vender o
filme, já concluído, a um abnegado soldado estadunidense prestes a voltar à
terra natal. Passados alguns meses, recebeu dos Estados Unidos um inesperado
telefonema do produtor e exibidor Joe Bernstein: queria resolver pendências e
combinar detalhes para o lançamento comercial de Roma, cidade aberta (Roma
città aperta, 1945). Os fatores que presidiram a encenação dessa
pungente e trágica crônica sobre a dignidade e a resistência inauguraram uma
das mais marcantes e influentes correntes humanistas do cinema: o Neorrealismo
Italiano. Ainda permitiu a Anna Magnani, no papel da inesquecível e veraz Pina,
encenar uma morte das mais tocantes, de dilacerar o coração. A apreciação a
seguir é de 1978.
Roma, cidade aberta
Roma città aperta
Direção:
Roberto Rossellini
Produção:
Giuseppe Amato (não creditado), Ferruccio De Martino (não creditado), Rod E. Geiger (não creditado), Roberto Rossellini (não creditado)
END, Excelsa Film, Minerva Film AB, Roma, città aperta
Itália — 1945
Elenco:
Aldo Fabrizi, Anna Magnani, Maria Michi, Giovanna Galletti, Marcello Pagliero, Henry Feist, Francesco Grandjacquet, Carla Rovere, Carlo Sindici, Joop van Hulzen, Nando Bruno, Ákos Tolnay, Vito Annichiarico, Eduardo Passarelli, Alberto Tavazzi, Amalia Pellegrini e os não creditados Caterina Di Furia, Laura Clara Giudice, Turi Pandolfini, Amalia Pellegrini, Spartaco Ricci, Doretta Sestan, Alberto Tavazzi.
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O diretor Roberto Rossellini com a atriz Ingrid Bergman |
Realizado quando
ainda se ouviam os estrondos da Segunda Guerra Mundial — as filmagens começaram
em agosto de 1944, dois meses após a libertação da Cidade Eterna e com a indústria
cinematográfica da Itália praticamente liquidada —, Roma, cidade aberta
inaugurou o Neorrealismo. Converteu-se, com o passar dos anos, em um dos ápices
do cinema de todos os tempos.
Tem antecedentes os mais conturbados. De início, o diretor Roberto Rossellini
pretendia um documentário curto a respeito do fuzilamento do padre Don Morosini
pelos nazistas, pouco antes da capitulação das forças alemãs aos aliados. Um
líder da resistência narrou o fato ao roteirista Sergio Amidei — amigo de
Rossellini —, que logo escreveu história a respeito. Quando se tomou a decisão
de fazer um filme longo, Amidei contou com a colaboração de Federico Fellini, Marcello
Pagliero, Alberto Consiglio e do próprio diretor para ampliar a ideia original.
Ao núcleo dramático incorporaram-se novos fatos e personagens, resultados das
observações e pesquisas de Rossellini em andanças pela capital italiana, quando
ouviu, de populares pobres, relatos duros e carregados de sofrimento. O projeto
encenaria trágica crônica sobre a resistência da população romana ao nazifascismo
e a perda prematura da inocência face às agruras da guerra. Entretanto, o ponto
de partida foi mantido: no epílogo ocorre o fuzilamento do padre Don Pietro Pellegrini
(Fabrizi) pela Gestapo.
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Os instantes finais do padre Don Pietro Pellegrini (Aldo Fabrizi) |
Faltava filme
virgem na Itália. Rossellini recorreu ao câmbio negro para adquirir pontas e
pedaços de negativo de diversos tipos e procedências a peso de ouro.
Endividou-se além da medida. Teve que vender os móveis e, por fim, a própria
casa. Com os estúdios cinematográficos praticamente destruídos, utilizou
cenários reais, principalmente as ruas, e iluminação a mais natural. Para os
personagens, lançou mão da gente simples do povo — com as exceções de Fabrizi, Anna
Magnani e Maria Micchi, os únicos profissionais do elenco. O amigo Marcello
Pagliero interpretou o líder da Resistência engenheiro Giorgio Manfredi, também
conhecido por Luigi Ferraris. Trabalharam de graça, por amizade ao diretor.
Somente as cenas com a reconstituição do quartel general da Gestapo foram
rodadas nas dependências ainda aproveitáveis de Cinecittá. Face a tais antecedentes,
percebe-se: o Neorrealismo não resulta de decisão consciente, tomada por gosto
ou opção estética, mas de imposição da necessidade. Na frágil situação da
produção cinematográfica na Itália está a origem do movimento. Quanto a isto, Roma,
cidade aberta é também uma das mais precárias realizações da história
do cinema.
Com o filme
montado vieram novos dissabores. Parte da quantia prometida não foi liberada
para cobrir as despesas finais e de lançamento. Como a realização fugia
totalmente aos cânones que legitimavam o padrão cinematográfico vigente, um dos
financiadores alegou que Rossellini descumpriu com o combinado. Assim, não se comprometeria
com outros dispêndios, pois a realização, certamente, estava fadada ao fracasso
comercial. Diante disso, para honrar compromissos com credores, o cineasta se viu
na triste obrigação de vender o filme para quitar as dívidas mais urgentes.
Começa aí uma das mais incríveis histórias do cinema.
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Anna Magnani no papel de Pina e Aldo Fabrizi como Don Pietro Pellegrini |
Um soldado das
forças estadunidenses de libertação demonstrou interesse e adquiriu a película pela
irrisória quantia de 28 mil dólares. Acreditava, vagamente, que se converteria
em fenômeno de bilheteria. As razões para tanto: a força e autenticidade dos
personagens e a seca história contada, tingida pelo "real" colorido
da vida — semelhante a um documentário —, destituída do falso glamour
característico das produções comerciais. A esta altura Roma, cidade aberta estava
nas mãos de um agiota. O desejo de vê-lo exibido era tanto a ponto de Rossellini
se endividar ainda mais para resgatá-lo pela exagerada soma de 5 milhões de liras
tomada de empréstimo a um amigo. Assim que entregou o filme ao militar, este
embarcou para os Estados Unidos e não deu notícias. Muito tempo depois, o
cineasta recebeu carta do produtor e exibidor estadunidense Joe Bernstein: demonstrava
interesse no lançamento comercial de Roma, cidade aberta e pretendia,
para tanto, resolver pendências e detalhes.
A previsão do
militar se mostrou correta. A realização foi sucesso de crítica e público nos
Estados Unidos. Na Itália não foi diferente. Apenas os críticos habituados às
produções pejorativamente classificadas como telefones brancos, típicas do período fascista, torceram o nariz. Apresentada
no Festival de Cannes, em 1946, recebeu o Grande Prêmio junto com dez outras
produções[1].
Nesse mesmo ano foi agraciada como Melhor Filme Estrangeiro pelo Círculo de
Críticos de Nova York e mereceu igual honraria da National Board of Review —
que também elegeu Anna Magnani como Melhor Atriz. Do Sindicato Nacional dos
Jornalistas de Cinema da Itália, ainda em 1946, fez jus ao Nastro D'argento de
Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante para Magnani. Ainda teve indicação ao Oscar
de Melhor Roteiro em 1947. O mundo começava a tomar conhecimento da força do
novo cinema italiano. A estética Neorrealista correu o mundo e ganhou foro de
escola cinematográfica. Deitou influências em várias cinematografias, dos mais
diversos países, inclusive no Cinema Novo brasileiro: Nelson Pereira dos Santos
em início de carreira e Glauber Rocha estão entre os mais notáveis admiradores
e seguidores de Roberto Rossellini.
A precariedade de
Roma,
cidade aberta só acentua a força do seu realismo denso de emoções e
rico de sugestões. Poucos filmes conseguem atingir tão elevado grau de pungente
sinceridade, graças à "verdade" transmitida pelas imagens. A câmera
pouco "profissional", sem os vícios dos enquadramentos estilizados,
capta com fidelidade até então nunca vista toda uma teia de sentimentos
revelados por inteiro, sem cair nas armadilhas do pieguismo que, na maioria dos
casos, impregnam os retratos carregados de sofrimento e desesperança. A
objetividade é mantida, mesmo nas cenas e sequências mais dramáticas: a tortura
e morte do Engenheiro, o fuzilamento de Don Pietro e, principalmente, a morte
de Pina (Magnani), momento da mais pungente dramaticidade: ao correr, aflita,
rumo ao caminhão da Gestapo que conduz preso o amado Francesco (Grandjacquet),
é colhida por fatal rajada da metralhadora diante do filho, o pequeno Marcello
(Annichiarico), de Don Pietro e da multidão acuada pela repressão nazista. O
espectador sente a tensão, o nervosismo, a impotência, o medo e o pesar reunidos
no contexto do brutal assassinato da personagem. E se condói com o desespero de
Marcello diante do cadáver da mãe.
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Engenheiro Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), líder da Resistência, torturado pela Gestapo |
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Um dos grandes momentos do cinema Desesperada, Pina (Anna Magnani) corre para a morte; logo atrás, o filho Marcello (Vito Annichiarico) |
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Pina (Anna Magnani) e o pequeno Marcello (Vito Annichiarico) |
O ritmo tenso e
nervoso se faz presente em várias outras situações. Os fatos se sucedem com
rapidez inusitada. A fotografia é perpassada por atmosfera de tragédia. O preto
assume tonalidades que elevam a intensidade do drama. Fica-se sem saber se essa
foi uma intenção de Rossellini e do diretor de fotografia Ubaldo Urata ou
resultado das circunstâncias que cercaram as filmagens. Seja como for, o cinema
saiu engrandecido. Hoje, passados tantos anos do lançamento e com parte do seu
impacto estético diluído pelo tempo, a força e o pioneirismo de Roma,
cidade aberta continuam vivos, ainda mais quando são lembradas a época
e as condições em que foi feito.
O núcleo da
história é simples e gira basicamente em torno da caçada implacável movida pela
Gestapo ao líder partisan Giorgio
Manfredi e as consequências daí decorrentes, principalmente de sua captura. São
fatos que afetam a vida de outros: o combatente da resistência Francesco, a viúva
Pina, o pequeno Marcello e, próximo a todos, o sempre ativo e solidário Don
Pietro. Além de se dedicar às atividades puramente religiosas, o padre ajuda
diretamente a quem precisa. Graças à sua posição "insuspeita" de
clérigo, oculta perseguidos, auxilia a Resistência com o repasse de informações
e providencia documentos falsos que facilitam a fuga e a segurança dos mais
visados. Devido à traição da amante de Manfredi, Marina Mari (Michi) — que mantém
relações com a oficialidade alemã —, o líder é capturado juntamente com o
padre. Aquele sucumbe sob efeito de violentas torturas; já o sacerdote é fuzilado
ao final da história.
Estão estampadas
nos rostos dos personagens italianos as consequências do duro convívio com o
despotismo fascista, a experiência bélica que resultou em capitulação e
ocupação por nazistas e aliados, as humilhações cotidianas, as batalhas e
expedientes aos quais todos se obrigavam em prol da sobrevivência e prolongamento
da esperança por dias melhores. Estas circunstâncias penosas ainda marcavam
presença nos últimos dias dos combates, quando aconteceram as filmagens. Reflexos
desses momentos estão nas ruas obstruídas por entulhos e material bélico, edificações
destruídas, na falta de trabalho e ausência de direcionamento para a população.
Quando optou pela única alternativa possível, de filmar em externas, toda a
atmosfera de ruína, privação e ausência de alternativas estava dada. Acerca disso,
Rossellini nada teve que criar. Apenas orientou os atores. Estes, basicamente,
sabiam o que fazer: interpretar suas próprias vivências transcorridas sob os
anos de fogo e aniquilamento. Coube ao cineasta instalar a câmera em meio ao cenário
da vida real. Por isso, apesar da encenação, Roma, cidade aberta tem o
duro aspecto de um documentário, como um cinejornal rodado durante o pleno
calor dos acontecimentos.
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Pina (Anna Magnani) jaz nos braços do sempre solidário Don Pietro Pellegrini (Aldro Fabrizi) |
Mesmo em seu
momento mais marcantemente dramático, da morte de Pina, o realismo característico
da cobertura jornalística está presente. Por isso, o assassinato da personagem
é tão vivo, marcante e comovente. Tais sensações resultam de uma câmera bem
posicionada, acionada para captar um evento particular e transcendê-lo em seus
mais óbvios significados. Estes decorrem da imprudente e desesperada ação de
Pina em seus exasperantes momentos finais: a tentativa de se livrar do assédio
do guarda alemão seguida da carreira em direção ao veículo dos algozes até ser
interrompida por mortal rajada. O realismo da tomada é ampliado pelo rosto e
gestual verazes de Anna Magnani, uma das atrizes mais naturais, moldáveis,
fortes e determinadas já vistas numa tela de cinema. O agir mal calculado de
Pina é decisão de quem ousou permanecer viva, a duras penas, e que, ainda assim,
não admite perder os frágeis fios de esperança que a reconectam à vontade de
prosseguir com dignidade. Morreu em nome da vontade de viver.
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Pina (Anna Magnani) em seus últimos momentos, assediada pelo soldado alemão |
Roma, cidade
aberta radiografa a coragem e determinação quando todas as possibilidades de
continuar existindo pareciam esmagadoramente adversas. Tem-se a impressão de
que a vida era impossível naquele cenário tingido de branco e negro, impresso
por Ubaldo Arata em negativos de todas as procedências, nem sempre passíveis de
padronização. Diante da câmera parece passar a vida como de fato era. Mas Rossellini
vai além. Enquanto captava o dado presente, a objetiva mirava o futuro. Por
isso, Roma, cidade aberta não se contenta em ser o mero apanhado da
realidade retratada, como se houvesse da parte do diretor a plena rendição aos
fatores palpáveis e objetivos. Por baixo de tanto lixo material, sob as
expressões e ações de pessoas reduzidas à condição de entulho, pulsa magnífica
história de resistência e promessas de que é possível viver em outras
condições. Mesmo que para isso seja imprescindível morrer, como acontece com
Giorgio Manfredi, Pina e Don Pietro. A esperança jorra das mortes dignas que
tiveram em nome da continuidade dos que ficaram resistindo, sobrevivendo,
sonhando e se esquivando ao desatino da máquina de matar nazista.
Aos que resistem
de uma ou outra forma, mesmo pagando com a vida — comunistas como Giorgio
Manfredi ou fervorosos católicos como Don Pietro, gente prática como Pina ou
crianças de futuro incerto da cena final —, Rossellini louva um tipo de
desapego capaz de brotar somente quando há muito pouco ao que se agarrar material
e espiritualmente falando. Nestas circunstâncias abundam a fé e a dignidade que
elevam todos às alturas supremas, capacitando-os a toda sorte de entrega e
sacrifício, inclusive à morte honrosa quando viver em plenitude se torna
praticamente impossível. É a isto que se refere Francesco em raro momento de
idílio com Pina, quando renova compromisso de fé com a Resistência: "Temos
que acreditar. Não devemos ter medo porque nosso caminho é o justo e certo.
Estamos lutando por algo que virá. A luta pode ser longa, inglória, extenuante,
pode até parecer impossível. Mas ao fim haverá um mundo melhor". É a
esperança que ameaça germinar da exiguidade, inclusive das precárias condições
materiais que presidiram a realização de Roma, cidade aberta, que tornam este
filme um dos mais poderosos manifestos humanistas de todos os tempos.
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Anna Magnani tem interpretação marcante como Pina |
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Acompanharam Don Pellegrini (Aldo Fabrizi) em seus últimos momentos Após testemunharem o fuzilamento do padre que os amparava, as crianças voltam para Roma na tomada final de Roma, cidade aberta |
Cabe assinalar
que a realização trouxe consequências para a vida pessoal e afetiva do diretor.
Ingrid Bergman, impressionada com o realismo das imagens, escreveu emocionada
carta a Rossellini e se ofereceu para trabalhar com ele, inclusive de graça.
Foi o prenúncio de um longo imbróglio amoroso que abalou a autoestima da
opinião pública estadunidense. Esta, durante muitos anos, renegou uma das atrizes
preferidas, atacada pela imprensa como abjeta e imoral. Logo ela, a intérprete
da abnegada Ilsa Lundi de Casablanca (Casablanca, 1942), de
Michael Curtiz, e da casta Joana D'Arc em Joana D'Arc (Joan
of Arc, 1948), de Victor Fleming, trocava o marido Petter Aron
Lindstrom e a filha Friedel Pia Lindström para se aventurar no estrangeiro com
um homem também casado[2].
Foi um golpe extremamente duro para Hollywood e as puritanas plateias
estadunidenses.
História: Sergio Amidei. Roteiro:
Sergio Amidei, com a colaboração de Federico Fellini, Marcello Pagliero, Roberto
Rosselini e cenas adicionais de Alberto Consiglio e Roberto Rossellini. Direção de fotografia (preto e branco):
Ubaldo Arata. Cenografia: Rosario
Megna. Música: Renzo Rossellini. Montagem: Eraldo Da Roma, Jolanda
Benvenuti (não creditado). Gerentes de
produção: Ferruccio De Martino, Mario Del Papa. Assistentes de direção: Sergio Amidei, Federico Fellini (não creditado).
Som: Raffaele Del Monte. Efeitos visuais: Stefanacci (não
creditado). Operador de câmera:
Vincenzo Seratrice. Direção musical: Luigi
Ricci. Gerente de laboratório:
Vincenzo Genesi. Continuidade: J.
Tuzzi. Dubladores (não creditados):
Ferruccio Amendola (Vito Annichiarico), Rosetta Calavetta (Carla Rovere),
Gualtiero De Angelis (Francesco Grandjacquet), Lauro Gazzolo (Marcello
Pagliero), Giulio Panicali (Harry Feist), Roswita Schmidt (Giovanna Galletti). Estúdio de gravação de som: Fono Roma. Tempo de exibição: 105 minutos.
(José Eugenio Guimarães, 1978)
[1] Desencanto (Brief encounter, 1945), de David Lean; Iris och löjtnantshjärta
(1946), de Alf Sjöberg; A última porta (The last chance, 1945),
de Leopold Lindtberg; Farrapo humano (The lost weekend, 1945),
de Billy Wilder; Maria Candelária (María Candelaria (Xochimilco),
1944), de Emilio Fernández; Muzi bez krídel (1946), de Frantisek
Cáp; Neecha
Nagar (1946), de Chetan Anand; De røde enge (1945), de Bodil Ipsen
e Lau Lauritzen Jr.; A sinfonia pastoral (La
symphonie pastorale, 1946), de Jean Delannoy; e Velikiy perelom (1945), de Fridrikh Ermler.
[2] Na época, o cineasta era legalmente casado, desde
1936, com a figurinista e cenógrafa Marcella de Marchis. Com ela teve os filhos
Romano, falecido aos nove anos, em 1946, e Renzo, nascido em 1941 e futuro
roteirista, diretor e produtor de cinema. Roberto Rosselini e Marcella estavam
de fato separados desde 1942. Divorciaram-se em 1950, quando o diretor vivia
com Anna Magnani, de quem traumaticamente se afastou para viver com Ingrid
Bergman.