Nicolas Cage estava longe de se lançar fora com a água do
banho quando interpretou o pequeno marginal Sailor Ripley para o terceiro longa
assumidamente autoral de David Lynch: Coração selvagem (Wild
at heart, 1990). Aficionado por canções de Elvis Presley e protegido
por libertário casaco referencial confeccionado em pele de cobra, o personagem
luta para cavar em meio ao mundo escuro e cruel um lugar de pertencimento junto
ao grande amor, a sofrida Lula Pace Fortuna (Laura Dern). A realização é
estruturada como fábula em
movimento. Ambos ganham as estradas na vã tentativa de
escapar às forças do mal, em princípio representadas pela contrariada e
perigosa Marietta Fortuna (Diane Ladd), mãe da garota. A jornada os conduz ao
encontro da face mais retrógrada e tacanha da América profunda: o sórdido lugarejo
de Big Tuma, encravado nos cafundós do Texas. Aí o senso de humor é arma
fundamental à sobrevivência e as cartas são dadas por um dos tipos mais
asquerosos e imorais do cinema: o inesquecível Bobby Peru (Willem Dafoe). Coração
selvagem é criativa farsa alimentada por influências de O
mágico de Oz (The wizard of Oz, 1939), de Victor
Fleming, O mensageiro do diabo (The night of the hunter, 1955), de
Charles Laughton, Sem destino (Easy rider, 1969), de Dennis Hopper,
e Yojimbo
— o guarda-costas (Yôjinbô, 1961), de Akira Kurosawa.
Infelizmente, perdeu cerca de 47% do tempo de exibição para se tornar palatável
aos padrões do espectador médio, logo após ser apresentado com sucesso no
Festival de Cannes em seus 270 minutos originais. Na ocasião, fez jus à Palma
de Ouro e aos aplausos entusiasmados de Bernardo Bertolucci e Pedro Almodóvar.
Segue apreciação escrita em 1990.
Coração selvagem
Wild at heart
Direção:
David Lynch
Produção:
Monty Montgomery, Sigurjon
Sighvatsson, Steve Golin
PolyGram Filmed Entertainment,
Propaganda Films, Samuel Goldwyn Company
EUA — 1990
Elenco:
Nicolas Cage, Laura Dern, Willem Dafoe, Harry Dean Stanton, Isabella Rossellini, Billy Swan, Blair Bruce Bever, Brent David Fraser, Cage S. Johnson, Calvin Lockhart, Charlie Spradling, Crispin Glover, Daniel Quinn, Darrell Zwerling, David Patrick Kelly, Diane Ladd, Ed Wright, Eddy Dixon, Frances Bay, Frank A. Caruso, Frank Collison, Freddie Jones, Glenn Walker Harris Jr., Grace Zabriskie, Gregg Dandridge, J. E. Freeman, Jack Nance, John Lurie, Koko Taylor, Lisa Ann Cabasa, Marvin Kaplan, Mia M. Ruiz, Nicholas Love, Peter Bromilow, Pruitt Taylor Vince, Sally Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, William Morgan Sheppard, Valli Leigh, os não creditados, com participação excluída no corte final, Zachery Berger, Scott Coffey, Jack Jozefson, Tommy G. Kendrick, Bellina Logan, Albert Popwell, Shawne Rowe, Michele Seipp, Bob Terhune, Tracey Walter e os não creditados Debra Lamb, Neil Summers, John Vaughn.
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Bastidores de Coração selvagem O diretor David Lynch com a atriz Laura Dern, intérprete de Lula Pace Fortuna |
David Lynch, segundo palavras próprias, nasceu para a
pintura. Lidou com pincéis e aquarelas na adolescência. Porém, diante da
marcante instabilidade dessa fase intermediária, considerou a atividade como
francamente pueril. Assim, abraçou a música e acolheu o trompete. Entrou para
um conjunto limitado às pequenas audiências e logo desfeito. Repensou a vocação
e voltou à pintura. Aos 18 anos frequentou a Escola de Belas Artes de Boston;
mais tarde, a Academia de Artes da Pensilvânia, em Filadélfia. Entretanto ,
convenceu-se paulatinamente da limitada capacidade expressiva do meio: os
quadros conseguem, no máximo, simular o movimento e são totalmente ineficazes
com respeito ao som — conforme afirmou.
Lynch encontrou
no cinema o complemento necessário à pintura. Já no primeiro filme, Six
men getting sick (1966), de curtíssimos 60 segundos[1],
abriu caminho por uma faixa extremamente original e pessoal, povoada por
elementos considerados grotescos e bizarros pelas convenções do "bom
gosto". Esse primeiro trabalho mistura imagens de partes do corpo humano
com excrementos, fumaça, fogo e uma trilha sonora recortada por apitos e
sirenes. A seguir, no mesmo diapasão, fez o também curtíssimo Absurd
encounter with fear, de 1967. Um ano depois realizou The
alphabet, outro curta, três minutos mais longo que o primeiro, no qual
interagiu desenho animado e ação viva; e The grandmother, média-metragem
financiado por bolsa de estudos do American Film Institute (AFI) e
protagonizado por uma criança que assiste ao nascimento da avó a partir da
semente que cultivou[2].
De 1974 é o curta The amputee: mulher desprovida de braços e com número duplicado
de pernas tenta escrever uma carta enquanto é atendida pela enfermeira.
Em 1971, aos 25
anos, reside com esposa e filho nos lúgubres e praticamente desérticos arredores
de um abatedouro. Nesse tempo, afligia-o o temor de ter a casa invadida. A
sensação o inspirou a escrever o roteiro do primeiro longa metragem: Eraserhead,
produzido pelo Centre for Advanced Studies, de Los Angeles. Iniciada em 1972 e
finalizada em cinco anos, a realização entrou de imediato para o seleto clube
dos cult movies e o credenciou
perante o mercado cinematográfico. Em 1980 aceitou o convite de Mel Brooks para
dirigir O homem elefante (The elephant man), sucesso de
crítica e público sobre o tema geral da sordidez: é a trágica transposição às
telas da história verídica do horrivelmente deformado John Merrick (John Hurt),
um Quasímodo da Inglaterra vitoriana, cruelmente submetido à zombaria da turba
em circos e feiras até ser elevado à condição de curiosidade científica nos
espaços mais restritos e civilizados das academias. O reconhecimento não desviou
Lynch de seu universo estético, tanto que recusou o chamado de George Lucas
para realizar O retorno de Jedi (The return of the Jedi, 1983)[3],
fraquíssima última parte da “trilogia do meio” da série Guerra nas estrelas (Star
wars).
O filme seguinte,
Duna
(Dune,
1984), ambiciosa ficção científica, resultou num retumbante fracasso de 140
minutos e 50 milhões de dólares que apressou a ruína do megaprodutor Dino De
Laurentiis. A redenção aconteceu em dois anos com Veludo azul (Blue
velvet, 1986), original e brilhante deformação dos contos de fadas, com
história ambientada em Luberton, típica cidade do interior estadunidense. O
lugar aparentemente calmo, habitado por gente cordata, esconde sob a capa do
sonho que embala o imaginário coletivo dos Estados Unidos um sórdido universo
de pesadelos, paranoias, violência e perversão.
Em Coração
selvagem prossegue na trilha aberta por Veludo azul. Novamente é
uma fábula sobre a alma putrefata da América. O roteiro, escrito pelo diretor
com base em Wild at heart ‑ the story of Lula and Sailor, novela
de Barry Gifford, é enriquecido com referências extraídas de O
mágico de Oz (The wizard of Oz, 1939), de Victor
Fleming, O mensageiro do diabo (The night of the hunter, 1955), de
Charles Laughton, Sem destino (Easy rider, 1969), de Dennis Hopper,
e Yojimbo
— o guarda-costas (Yôjinbô, 1961), de Akira Kurosawa. Estruturado
como mistura de comédia, road movie,
melodrama, horror e film noir, acompanha
a trajetória de dois anjos caídos em fuga por um país feio, brutal e imoral,
recriado em cores fortes e escuras, preenchido de formas grotescas,
surrealistas e bizarras pela delirante imaginação do diretor. Em inserções feitas
de angulações inusitadas, alternam-se imagens desconcertantes, em primeiro
plano, que inquietam o espectador: fósforos acesos, pontas de cigarro em brasa,
mãos trabalhadas por manicuros, sapatos recebendo graxa etc. São cenas geralmente
realçadas pela tonalidade escura do amarelo. Outras se destacam pela presença
de regurgitações e ainda há a pesada maquiagem de Willem Dafoe que compõe o
asqueroso marginal Bobby Peru.
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Willem Dafoe no papel do asqueroso e imoral Bobby Peru |
É o tom da
narrativa que faz Coração selvagem diferir de Veludo azul. Agora David
Lynch transita livremente pelo terreno do farsesco, junto ao deboche e ao caricato.
Recusa o clima de pesada e perversa seriedade que marcou o filme de 1986. A
Luberton de antes é transformada na Big Tuna de agora, um buraco qualquer nos
cafundós do Texas, que serve de interrupção à fuga empreendida pelos "heróis":
Sailor Ripley (Cage) e Lula Pace Fortuna (Dern). É um lugar árido, quente,
poeirento e habitado por broncos. Aí, segundo um personagem, o senso de humor é
elemento fundamental à sobrevivência. Big Tuma é a América profunda, a alma do
país.
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Nicolas Cage como o "herói" Sailor Ripley |
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Sailor Ripley (Nicolas Cage) e a amada Lula Pace Fortuna (Laura Dern) |
Coração selvagem custou nove
milhões de dólares e provocou furor na mostra competitiva do Festival de Cannes
de 1990. Impressionou plateia e júri devido à alta voltagem do humor e das cenas
de sexo. Consta que foi aplaudido de pé pelos entusiasmados Bernardo Bertolucci
e Pedro Almodóvar[4].
Apresentado na versão integral de 270 minutos, conquistou a Palma de Ouro.
Infelizmente, foi submetido a uma remontagem saneadora que o abreviou em 143
minutos (47% do tempo de projeção original) no lançamento para o grande público.
Tudo isso para torná-lo palatável ao gosto médio da puritana plateia estadunidense.
Os brasileiros tiveram que se contentar com a versão reduzida. A drástica
cirurgia extirpou da trama participações de vários atores como Albert Popwell,
Belina Logan, Earl Kovich, Frank A. Caruso, Jack Jozefson, Michele Seipp,
Shawne Rowe, Scott Coffey, Zachary Berger, Tommy G. Kendrick, Tracey Walter etc.
Outros tiveram presença consideravelmente reduzida, como parecem ser os casos
de Isabella Rossellini e Harry Dean Stanton. A filha de Ingrid Bergman e
Roberto Rossellini, totalmente desglamourizada sob uma peruca loura, faz uma
vigarista de fronteira gostosamente chamada de Perdita Durango, parceira de
Bobby Peru. Quanto a Farragut, personagem de Stanton, ficou praticamente sem
sentido. É o atual amante da venenosa e ressentida Marietta Fortuna (Ladd).
Ajuda-a a encontrar Lula, a filha foragida. Antes de mostrar serviço é morto a
mando do gângster Marcello Santos (Freeman), cúmplice de Marietta em variadas
atividades do submundo. Também está desconectada a sequência em que Lula e Sailor
encontram um carro acidentado com dois mortos e uma sobrevivente histérica.
Outros personagens e passagens também não dizem ao que vieram.
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Perdita Durango, personagem de Isabella Rossellini claramente prejudicada pela radical edição sofrida por Coração selvagem para exibição comercial |
Sailor Ripley, 23
anos, marginal pé-de-chinelo, ex-motorista de Marcello Santos, parece produto
do cruzamento de cowboys que pululavam nos westerns de baixo orçamento com a
gaiatice dos pistoleiros dos bang-bang italianos. Fuma Marlboro e veste um
inseparável paletó de pele de cobra, considerado símbolo da liberdade
individual. A peça de vestuário é clara referência ao personagem Valentine
'Snakeskin' Xavier, interpretado por Marlon Brando em Vidas em fuga (The
fugitive kind, 1960), de Sidney Lumet. Romântico, Sailor adora canções
de Elvis Presley, particularmente Love me tender que interpretará apenas
para a mulher que amar de verdade. Lula, 18 anos, é um poço de fragilidade.
Vive constantemente atormentada por lembranças terríveis e pouco comuns: viu o
pai morrer queimado (segundo a mãe, ensopou-se com gasolina e ateou fogo ao
corpo); abortou aos 13 anos, depois de estuprada por Pooch (Kaplan), sócio
paterno, mais tarde vítima de misterioso acidente no qual também pereceu
carbonizado; e tem um tio esquisito, Dell (Glover), fascinado por festejos
natalinos, aficionado por baratas costuradas vivas nas cuecas sem falar de
outras que insere diretamente no ânus.
Lula é caso de
Sailor. Ele a chama carinhosamente de Amendoim. A mãe da garota fez de tudo
para impedir o romance. O filme começa numa festa: Marietta, bêbada, oferece-se
no banheiro para o namorado da filha. Depois de recusada, encomenda o
assassinato do rapaz a Bob Ray (Dandridge). Apesar de matá-lo em legítima
defesa, Sailor é condenado a 22 meses e 18 dias de reclusão. Posto em liberdade
condicional, foge com Lula. Partem de Cape Fear, costa meridional da Carolina
do Norte, e tomam o caminho da Califórnia. Buscam a paz. Nessa aventura
refazem, de certa forma, o trajeto invertido da dupla Wyatt (Peter Fonda) e
Billy (Dennis Hopper), os desajustados de Sem destino que rumaram da Costa
Oeste rumo ao carnaval de New Orleans — por onde passa o casal em fuga de Coração
selvagem — em busca da imagem supostamente perdida da América. O tema
da escapada também aproxima Sailor e Lula das crianças John Harper (Billy
Chapin) e Pearl Harper (Sally Jane Bruce), aterrorizadas pelo pai adotivo, o
Reverendo Harry Powell (Robert Mitchum) de O mensageiro do diabo, misto de
assassino e fanático pregador religioso.
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Lula Pace Fortuna (Laura Dern) e Sailor Ripley (Nicolas Cage) em fuga |
Sailor e Lula interrompem
várias vezes a jornada para paradas revigoradoras de sexo, ao som de Elvis, em
todos os motéis baratos que encontram. Ela é acossada por fantasmas o tempo
todo. Tem visões nas quais é perseguida por um duplo da mãe, entidade
semelhante à Bruxa Má do Oeste que originalmente assustava a ingênua Dorothy
(Judy Garland) em O mágico de Oz e vivida por Diane Ladd em Coração selvagem. Na
estrada, à noite, desespera-se ao ligar o rádio do carro e ouvir apenas notícias
ruins, desgraças como crimes e hecatombes ecológicas. Chora; clama contra a hostilidade
de um mundo selvagem no coração; deseja pairar acima do arco-íris e ouvir
Sailor cantando Love me tender, “mas está tudo uma merda”. Porém, as mãos
encantadas do companheiro sintonizam uma estação na qual um rock romântico e bailável
devolve um pouco de tranquilidade ao viver.
A desavença de
Marietta Fortuna com Sailor tem explicação. Ele sabe que a morte do pai de Lula
não foi acidental, mas encomendada, executado por Marcelo Santos a pedido da esposa
da vítima. Marietta acredita que Lula conhecerá a verdade por intermédio do
rapaz. Por isso, não mede esforços para afastá-lo e, no limite, eliminá-lo de
vez.
A exemplo da
dupla de Sem destino, a viagem dos anjos de Coração selvagem é também
interrompida a meio caminho de lugar algum. Não encontram a estrada de tijolos
amarelos que guiou Dorothy ao mundo do arco-íris em O mágico de Oz. Sem
dinheiro e com dúvidas a sanar, Sailor para em Big Tuma. Visita
a ex-sócia Perdita Durango e levanta informações sobre as pretensões de Marcelo
Santos. Nada obtém de concreto. Consegue acomodações numa pensão ordinária onde
descobre que Lula está para lhe gerar um filho. Diante dessa notícia e pensando
em levantar dinheiro, aceita o convite de Bobby Peru para participar de assalto
a banco com a condição de ninguém sair ferido. O trato não é cumprido. Bobby Peru
arranca com um tiro a mão de um bancário. O membro, levado por um cachorro, faz
referência à cena idêntica vista em Yojimbo — o guarda-costas. Sailor
também escapa de ser morto pelo parceiro, a mando de Santos. A polícia
intervém. Na fuga Bobby arranca a própria cabeça com um disparo acidental da
própria arma.
Sailor é capturado
e condenado. Entregue à custódia da mãe, Lula gera Pace (Harris Jr.). Passam-se
seis anos. Libertado, o personagem interpretado por Cage parte ao encontro da amada
e do filho. Porém, nada parece ser como antes. Sobrevêm a desilusão, a
separação e a despedida. Mas como acontece nos contos do “Era uma vez...”, Sailor
recebe a visão da fada boa (Lee) de O mágico de Oz. Volta correndo aos
braços de Lula. Passa sobre os veículos retidos por um engarrafamento e, por
fim, abraça a amada, emocionando-a com a prometida interpretação de Love
me tender.
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Sheryl Lee com a boa fada em aparição para Sailor Ripley (Nicolas Cage) |
Lula e Sailor
simbolizam a inocência numa terra onde ninguém, em sã consciência, pode alegar que
a possui. Trafegam no inferno ardente em chamas. Não é para menos que há, ao longo da
narrativa, tantos fósforos acesos, pontas em brasa de cigarros e fotografia
estourada nas quentes cores do amarelo, muito próximas do vermelho. Lynch tenta
afastar essa impressão fazendo de Coração selvagem uma quase comédia
bufa, para não ser levada a sério. Outro não é o significado da exagerada
interpretação de Nicolas Cage, tão excelente como caricata.
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Um final feliz para Lula Pace Fortuna (Laura Dern) e Sailor Ripley (Nicolas Cage) |
Não chega a ser
um filme brilhante. Devido à radical montagem, tem desenvolvimento desigual e
repleto de lacunas. Mesmo assim, possui momentos de brilho. Alguns são
garantidos pelos intérpretes, principalmente Cage e Dafoe. Este, como Bobby
Peru, pratica uma das maiores patifarias do cinema: acerca-se de Lula e, contra
a vontade da garota, acaricia-a de todas as formas enquanto sussurra palavras
libidinosas. A assustada namorada de Sailor fica em estado misto de apreensão e
excitação. Mas Bobby não leva a investida adiante, deixando-a em deplorável
situação de desejo frustrado.
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Lula Pace Fortuna (Laura Dern) acuada pelo marginal Bobby Peru (Willem Dafoe) |
Merecem destaque
os trabalhos de costumeiros colaboradores de David Lynch: Frederick Elmes na direção
de fotografia, Patricia Norris no desenho de produção e Angelo Badalamenti na
música. Este compôs acordes tão discretos quanto instigantes, que viabilizam
climas, sensações e situações criadas pelo inusitado da história.
Laura Dern, filha
de Diana Ladd e Bruce Dern, apresenta limitações como atriz. No entanto, é
ótima para sustos, decepções, choros e caretas, características tão exigidas
pelo roteiro para a personagem. É desinibida como poucas. Provavelmente, não
foi fácil protagonizar tantas cenas safadas em filme que conta com a
participação da mãe.
Roteiro: David Lynch, com base em Wild at heart ‑ the
story of Lula and Sailor, novela de Barry Gifford e em O
mágico de Oz, novela de L. Frank Baum (não creditado). Direção de fotografia (Panavision, cores):
Frederick Elmes. Música: Angelo
Badalamenti. Música adicional: Vier
letzte lieder, de Richard Strauss, David Lynch. Desenho de produção: Patricia Norris. Figurinos: Amy Stofsky. Montagem:
Duwayne Dunham. Produção executiva:
Michael Kuhn. Assistente de montagem:
Mary Sweeney, Brian Berdan. Coordenador
de dublês: Jeff Smolek. Camareiro no
set: Daniel Kuttner. Assistentes de
câmera: John F. Carney, Irv Katz, Stuart Abramson, Steve Alessi, Kurek
Ashley, Corwin A. Bibb, Curtis Bradford, Katherine M. Butler, Malcolm Doran II,
Paul Enger, Cobie Fair, John Gutierrez, Charles Hardesty, George A. Hock, Chris
Kiperman, Renton-Paul Medcalf, Randy Ratliff, Michael Shore, Ken Wheeland, Edward
A. Gutentag (não creditado). Contrarregra:
Frank Silva, Rob Sweeney. Assistente de
contrarregra: David A. Carpenter. Contabilidade:
Kimberly Edwards. Coordenação de
transportes: John "J. D." Yarborough. Coordenação do departamento de arte: Nancy Martinelli. Coordenação de construções: Charles
Armstrong. Carpintaria: Paul Burge,
J. K. Nageldinger. Chefe de arte cênica:
Gretchen Adele Armstrong. Arte cênica:
Leslie Weimer, Marion Weimer. Consultor
de vozes: James Intveld. Coreografia:
Kimberly Vashiell. Assistente de efeitos
especiais de maquiagem: Bryan Blair. Assistente
de maquiagem e penteados: Denise Dellavalle. Assistente de decoração: Deborah Winship. Coordenação da produção: Marjorie Webster. Assistente de coordenação da produção: Cheryl A. Kurk. Dublês: Michael Adams, Mike Ceballos,
Roydon Clark, Gregg Dandridge, Ousaun Elam, Donna Evans, Ralph Garrett, Orwin
C. Harvey, Loren James, Mike Johnson, Steve Kelso, Hannah Kozak, Bernie Pock,
Wally Rose, Joseph Michael Roth, Neil Summers, Bob Terhune, Eddie Wong, Joseph
Michael Roth. Efeitos especiais de
maquiagem: Louis Lazzara, David B. Miller. Efeitos especiais: Don Power. Efeitos
especiais mecânicos: Eddie Paul. Efeitos
especiais pirotécnicos: David Domeyer. Eletricista-chefe:
Patrick Reddish. Eletricistas: Jules
Labarthe, John Vecchio, Paul Hauser, Kim K. Koko. Fotografia fixa: Kimberly Wright. Fotografia especial: Elliott Marks. Confecção de costumes: Cheri Reed. Gerente de produção: Kool Marder. Maquiagem: Michelle Bühler. Médico
da produção: Bundy Chanock. Mixagem
da regravação: David Parker, Randy Thom. Mixagem de som: Jon Huck. Operador
de microfone: Robert A. Scott. Operador
de steadicam: Dan Kneece. Penteados:
Frida Aradottir. Planejamento de som:
Randy Thom. Primeiro assistente de
direção: Margaux Mackay, CharlesMyers. Produção
de elenco: Johanna Ray. Assistente
de produção de elenco: Eric DaRe. Produção
de elenco extra: Dean Anthony, Creative Casting. Publicidade: Mira S. Tweti. Segundos
assistentes de direção: Steven Hirsch, W. Thomas Snyder, Deepak Nayar. Títulos e materiais óticos: Pacific
Title. Supervisão de script: Mary
Sweeney. Concepção de efeitos:
Dreamstate Effects. Assistentes de
edição de som: Frank E. Eulner, Ken Fischer, Donna Jaffe, Jenny Oznowicz,
Susan Sanford, Kim Cascone, Kristen Gerstner, J. R. Grubbs, Scott Guitteau,
Gwendolyn Yates Whittle. Assistentes do
departamento de arte: Leonardo, Adam Morris, Christopher Stone, Roger L. C.
Williams. Capataz de construções:
Kenneth J. Berg. Concepção do poster:
Renato Casaro (não creditado). Edição de diálogos: Robert Fruchtman, John Nutt,
Michael Silvers, John Verbeck. Edição de
diálogos: Sara Bolder. Edição de
efeitos sonoros: Luis Colina. Engenheiro
de som: Dennis Leonard (não creditado). Gravação de efeitos sonoros: John Wentworth. Gravação de ruídos de sala: Scott Chandler. Maquiagem adicional: Joni Powell (não creditada). Mixagem da regravação adicional: Dennis
Leonard (não creditado). Mixagem da
regravação: Tom Myers (não creditado). Operador
da sala de máquinas: David E. Turner (não creditado). Regravação: Tom Myers, James Allen (não creditado). Ruídos de sala: Gary A. Hecker,
Catherine Rowe. Som: Stacy Baird
(não creditado). Supervisão de edição de
som: Richard Hymns. Adestrador:
Brian McMillan (não creditado). Alimentação:
Luis Lara. Assistente de contabilidade:
Bob Shapiro. Assistente de David Lynch:
Debby Trutnik. Assistentes de
eletricidade em New
Orleans : Bill McCord, Dana McCormick, Michael L. Smith,
Jimmy Trotter, Nicholas Woodring. Assistentes de
produção no set: Arthur Girard (New Orleans ),
Mara J. Lee, Alessandro Rossellini, Ruth Turman (New Orleans ). Assistentes de produção: Brian Steward, Christy Susskind, Richard
Murken, Robert A. Neft. Assistente de relações públicas: Ivan E. Schwarz. Assistentes do escritório de produção: Beth Denton (New Orleans),
Darren Leno (New Orleans), Jon Juhlin, Maurice Lospinoso, Janet McMinn (El
Paso). Assistentes para os produtores:
Heidrun Reshöft, Susan Carney. Cabos
elétricos: David W. Dubois, R. Bruce McCleery. Capitães de transportes: Dan Brizendine, David Milchen. Consultor de fogos: Mike Johnson. Consultoria musical: Peter Afterman,
Jon Huck, Shara Churchill (não creditada), Kevin Laffey (não creditado). Contabilidade da pós-produção: Robin
Ginsberg. Coordenação da pós produção:
Ute Leonhardt, Danielle Liekefet. Coordenação
da produção: Patricia Serafina Madiedo (New Orleans), Kathryn Powell (El
Paso). Corte do negativo: Vivian
Hengsteler. Desenhos técnicos: Eric
L. Roberts, Steve Ligorio, Wayne Softley (New Orleans). Edição musical: David Slusser. Enfermaria:
Mildred Schluter (New Orleans). Financiamento
bancário: Michael Mendelsohn (não creditado). Gerentes
de locações: Kelly Hauser (El Paso ), Tara Martin (New Orleans ), Lenny
Neimark (não creditado). Médico:
Steven Wood. Motoristas: Carol
Autenrieth, Elven Barrow, T. Bone, Charles Burdette, Chris Clark, Mike Clark,
Thomas P. Donovan, Charles Franklin, David Harrison, Allan W. Herendeen, Earl
R. Hurst Sr., Darwin Joston, Steve Mann, Shawn Solomon, Allan Tietjen, Russell
Tolliver. Primeiros socorros:
Mildred Schluter (New Orleans ), Rusty Wheaton (El Paso ). Relações
com a polícia: John Schluter (New
Orleans). Relações públicas em geral:
Julie D. Duvic. Segundos assistentes de
montagem: Deborah Gavlak, Jenny Hicks. Segurança
no set: Bruce Loeb. Seguros para
complementação: Aron Warner. Supervisão
musical: G. Marq Roswell. Uniformização da
cor: Dan Muscarella. Agradecimentos
especiais da produção a: Prefeito Sidney J. Barthelemy (New Orleans), City
of New Orleans Film Committee, Povo de New Orleans, Kimberly M. Carbo, Rick
Dinome, Will Evans, Tom McDermott, Sheila Metzner, Wingols Mielke, Malcolm
Ritchie, Nigel Sinclair, John Turtle, Kurt Woolner, Texas Film Commission,
Working Title Films. Companhia de efeitos visuais: Visual Concept Engineering (VCE). Processamento do filme: Consolidated
Film Industries (CFI). Companhia de
produção de elenco: Creative Casting. Companhia
de seguro da produção: Film Finances. Estúdios
de gravação de som: Mercury Records. Serviços
de alimentação: Michelson Food Services. Serviços médicos no set: Rescues Unlimited. Serviços de pós-produção: Sapex Scripts. Consultoria legal à produção: Sinclair, Tenenbaum & Co. Inc. Serviços de som: Skywalker Sound, THX
Sound System Theatre. Carros de
filmagem: Unique Movie Cars. Sistema
de mixagem de som: Dolby SR. Tempo
de exibição: 127 minutos (270 minutos no original).
(José Eugenio Guimarães, 1990)
[1] Duzentos e quarenta segundos
conforme o Internet Movie Database (IMDb).
[2] Informações extraídas de:
LARGMAN, Ricardo. Sem destino ‑ a paixão segundo David Lynch em Coração
selvagem. Isto É Senhor. Rio de Janeiro, n. 1106, 28/nov./1990. p. 86.
[3] Richard Marquand assumiu a
direção.
[4] PALMA de Ouro é disputada por
gente famosa. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 12/maio/1990.
Caderno B. p. 3.