domingo, 8 de janeiro de 2017

QUANDO NICOLAS CAGE VESTIU O CASACO DE PELE DE COBRA USADO POR MARLON BRANDO

Nicolas Cage estava longe de se lançar fora com a água do banho quando interpretou o pequeno marginal Sailor Ripley para o terceiro longa assumidamente autoral de David Lynch: Coração selvagem (Wild at heart, 1990). Aficionado por canções de Elvis Presley e protegido por libertário casaco referencial confeccionado em pele de cobra, o personagem luta para cavar em meio ao mundo escuro e cruel um lugar de pertencimento junto ao grande amor, a sofrida Lula Pace Fortuna (Laura Dern). A realização é estruturada como fábula em movimento. Ambos ganham as estradas na vã tentativa de escapar às forças do mal, em princípio representadas pela contrariada e perigosa Marietta Fortuna (Diane Ladd), mãe da garota. A jornada os conduz ao encontro da face mais retrógrada e tacanha da América profunda: o sórdido lugarejo de Big Tuma, encravado nos cafundós do Texas. Aí o senso de humor é arma fundamental à sobrevivência e as cartas são dadas por um dos tipos mais asquerosos e imorais do cinema: o inesquecível Bobby Peru (Willem Dafoe). Coração selvagem é criativa farsa alimentada por influências de O mágico de Oz (The wizard of Oz, 1939), de Victor Fleming, O mensageiro do diabo (The night of the hunter, 1955), de Charles Laughton, Sem destino (Easy rider, 1969), de Dennis Hopper, e Yojimbo — o guarda-costas (Yôjinbô, 1961), de Akira Kurosawa. Infelizmente, perdeu cerca de 47% do tempo de exibição para se tornar palatável aos padrões do espectador médio, logo após ser apresentado com sucesso no Festival de Cannes em seus 270 minutos originais. Na ocasião, fez jus à Palma de Ouro e aos aplausos entusiasmados de Bernardo Bertolucci e Pedro Almodóvar. Segue apreciação escrita em 1990.







Coração selvagem
Wild at heart

Direção:
David Lynch
Produção:
Monty Montgomery, Sigurjon Sighvatsson, Steve Golin
PolyGram Filmed Entertainment, Propaganda Films, Samuel Goldwyn Company
EUA — 1990
Elenco:
Nicolas Cage, Laura Dern, Willem Dafoe, Harry Dean Stanton, Isabella Rossellini, Billy Swan, Blair Bruce Bever, Brent David Fraser, Cage S. Johnson, Calvin Lockhart, Charlie Spradling, Crispin Glover, Daniel Quinn, Darrell Zwerling, David Patrick Kelly, Diane Ladd, Ed Wright, Eddy Dixon, Frances Bay, Frank A. Caruso, Frank Collison, Freddie Jones, Glenn Walker Harris Jr., Grace Zabriskie, Gregg Dandridge, J. E. Freeman, Jack Nance, John Lurie, Koko Taylor, Lisa Ann Cabasa, Marvin Kaplan, Mia M. Ruiz, Nicholas Love, Peter Bromilow, Pruitt Taylor Vince, Sally Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, William Morgan Sheppard, Valli Leigh, os não creditados, com participação excluída no corte final, Zachery Berger, Scott Coffey, Jack Jozefson, Tommy G. Kendrick, Bellina Logan, Albert Popwell, Shawne Rowe, Michele Seipp, Bob Terhune, Tracey Walter e os não creditados Debra Lamb, Neil Summers, John Vaughn.



Bastidores de Coração selvagem
O diretor David Lynch com a atriz Laura Dern, intérprete de Lula Pace Fortuna



David Lynch, segundo palavras próprias, nasceu para a pintura. Lidou com pincéis e aquarelas na adolescência. Porém, diante da marcante instabilidade dessa fase intermediária, considerou a atividade como francamente pueril. Assim, abraçou a música e acolheu o trompete. Entrou para um conjunto limitado às pequenas audiências e logo desfeito. Repensou a vocação e voltou à pintura. Aos 18 anos frequentou a Escola de Belas Artes de Boston; mais tarde, a Academia de Artes da Pensilvânia, em Filadélfia. Entretanto, convenceu-se paulatinamente da limitada capacidade expressiva do meio: os quadros conseguem, no máximo, simular o movimento e são totalmente ineficazes com respeito ao som — conforme afirmou.


Lynch encontrou no cinema o complemento necessário à pintura. Já no primeiro filme, Six men getting sick (1966), de curtíssimos 60 segundos[1], abriu caminho por uma faixa extremamente original e pessoal, povoada por elementos considerados grotescos e bizarros pelas convenções do "bom gosto". Esse primeiro trabalho mistura imagens de partes do corpo humano com excrementos, fumaça, fogo e uma trilha sonora recortada por apitos e sirenes. A seguir, no mesmo diapasão, fez o também curtíssimo Absurd encounter with fear, de 1967. Um ano depois realizou The alphabet, outro curta, três minutos mais longo que o primeiro, no qual interagiu desenho animado e ação viva; e The grandmother, média-metragem financiado por bolsa de estudos do American Film Institute (AFI) e protagonizado por uma criança que assiste ao nascimento da avó a partir da semente que cultivou[2]. De 1974 é o curta The amputee: mulher desprovida de braços e com número duplicado de pernas tenta escrever uma carta enquanto é atendida pela enfermeira.


Em 1971, aos 25 anos, reside com esposa e filho nos lúgubres e praticamente desérticos arredores de um abatedouro. Nesse tempo, afligia-o o temor de ter a casa invadida. A sensação o inspirou a escrever o roteiro do primeiro longa metragem: Eraserhead, produzido pelo Centre for Advanced Studies, de Los Angeles. Iniciada em 1972 e finalizada em cinco anos, a realização entrou de imediato para o seleto clube dos cult movies e o credenciou perante o mercado cinematográfico. Em 1980 aceitou o convite de Mel Brooks para dirigir O homem elefante (The elephant man), sucesso de crítica e público sobre o tema geral da sordidez: é a trágica transposição às telas da história verídica do horrivelmente deformado John Merrick (John Hurt), um Quasímodo da Inglaterra vitoriana, cruelmente submetido à zombaria da turba em circos e feiras até ser elevado à condição de curiosidade científica nos espaços mais restritos e civilizados das academias. O reconhecimento não desviou Lynch de seu universo estético, tanto que recusou o chamado de George Lucas para realizar O retorno de Jedi (The return of the Jedi, 1983)[3], fraquíssima última parte da “trilogia do meio” da série Guerra nas estrelas (Star wars).


O filme seguinte, Duna (Dune, 1984), ambiciosa ficção científica, resultou num retumbante fracasso de 140 minutos e 50 milhões de dólares que apressou a ruína do megaprodutor Dino De Laurentiis. A redenção aconteceu em dois anos com Veludo azul (Blue velvet, 1986), original e brilhante deformação dos contos de fadas, com história ambientada em Luberton, típica cidade do interior estadunidense. O lugar aparentemente calmo, habitado por gente cordata, esconde sob a capa do sonho que embala o imaginário coletivo dos Estados Unidos um sórdido universo de pesadelos, paranoias, violência e perversão.


Em Coração selvagem prossegue na trilha aberta por Veludo azul. Novamente é uma fábula sobre a alma putrefata da América. O roteiro, escrito pelo diretor com base em Wild at heartthe story of Lula and Sailor, novela de Barry Gifford, é enriquecido com referências extraídas de O mágico de Oz (The wizard of Oz, 1939), de Victor Fleming, O mensageiro do diabo (The night of the hunter, 1955), de Charles Laughton, Sem destino (Easy rider, 1969), de Dennis Hopper, e Yojimbo — o guarda-costas (Yôjinbô, 1961), de Akira Kurosawa. Estruturado como mistura de comédia, road movie, melodrama, horror e film noir, acompanha a trajetória de dois anjos caídos em fuga por um país feio, brutal e imoral, recriado em cores fortes e escuras, preenchido de formas grotescas, surrealistas e bizarras pela delirante imaginação do diretor. Em inserções feitas de angulações inusitadas, alternam-se imagens desconcertantes, em primeiro plano, que inquietam o espectador: fósforos acesos, pontas de cigarro em brasa, mãos trabalhadas por manicuros, sapatos recebendo graxa etc. São cenas geralmente realçadas pela tonalidade escura do amarelo. Outras se destacam pela presença de regurgitações e ainda há a pesada maquiagem de Willem Dafoe que compõe o asqueroso marginal Bobby Peru.


Willem Dafoe no papel do asqueroso e imoral Bobby Peru


É o tom da narrativa que faz Coração selvagem diferir de Veludo azul. Agora David Lynch transita livremente pelo terreno do farsesco, junto ao deboche e ao caricato. Recusa o clima de pesada e perversa seriedade que marcou o filme de 1986. A Luberton de antes é transformada na Big Tuna de agora, um buraco qualquer nos cafundós do Texas, que serve de interrupção à fuga empreendida pelos "heróis": Sailor Ripley (Cage) e Lula Pace Fortuna (Dern). É um lugar árido, quente, poeirento e habitado por broncos. Aí, segundo um personagem, o senso de humor é elemento fundamental à sobrevivência. Big Tuma é a América profunda, a alma do país.


Nicolas Cage como o "herói" Sailor Ripley

Sailor Ripley (Nicolas Cage) e a amada Lula Pace Fortuna (Laura Dern)


Coração selvagem custou nove milhões de dólares e provocou furor na mostra competitiva do Festival de Cannes de 1990. Impressionou plateia e júri devido à alta voltagem do humor e das cenas de sexo. Consta que foi aplaudido de pé pelos entusiasmados Bernardo Bertolucci e Pedro Almodóvar[4]. Apresentado na versão integral de 270 minutos, conquistou a Palma de Ouro. Infelizmente, foi submetido a uma remontagem saneadora que o abreviou em 143 minutos (47% do tempo de projeção original) no lançamento para o grande público. Tudo isso para torná-lo palatável ao gosto médio da puritana plateia estadunidense. Os brasileiros tiveram que se contentar com a versão reduzida. A drástica cirurgia extirpou da trama participações de vários atores como Albert Popwell, Belina Logan, Earl Kovich, Frank A. Caruso, Jack Jozefson, Michele Seipp, Shawne Rowe, Scott Coffey, Zachary Berger, Tommy G. Kendrick, Tracey Walter etc. Outros tiveram presença consideravelmente reduzida, como parecem ser os casos de Isabella Rossellini e Harry Dean Stanton. A filha de Ingrid Bergman e Roberto Rossellini, totalmente desglamourizada sob uma peruca loura, faz uma vigarista de fronteira gostosamente chamada de Perdita Durango, parceira de Bobby Peru. Quanto a Farragut, personagem de Stanton, ficou praticamente sem sentido. É o atual amante da venenosa e ressentida Marietta Fortuna (Ladd). Ajuda-a a encontrar Lula, a filha foragida. Antes de mostrar serviço é morto a mando do gângster Marcello Santos (Freeman), cúmplice de Marietta em variadas atividades do submundo. Também está desconectada a sequência em que Lula e Sailor encontram um carro acidentado com dois mortos e uma sobrevivente histérica. Outros personagens e passagens também não dizem ao que vieram.


Perdita Durango, personagem de Isabella Rossellini claramente prejudicada pela radical edição sofrida por Coração selvagem para exibição comercial


Sailor Ripley, 23 anos, marginal pé-de-chinelo, ex-motorista de Marcello Santos, parece produto do cruzamento de cowboys que pululavam nos westerns de baixo orçamento com a gaiatice dos pistoleiros dos bang-bang italianos. Fuma Marlboro e veste um inseparável paletó de pele de cobra, considerado símbolo da liberdade individual. A peça de vestuário é clara referência ao personagem Valentine 'Snakeskin' Xavier, interpretado por Marlon Brando em Vidas em fuga (The fugitive kind, 1960), de Sidney Lumet. Romântico, Sailor adora canções de Elvis Presley, particularmente Love me tender que interpretará apenas para a mulher que amar de verdade. Lula, 18 anos, é um poço de fragilidade. Vive constantemente atormentada por lembranças terríveis e pouco comuns: viu o pai morrer queimado (segundo a mãe, ensopou-se com gasolina e ateou fogo ao corpo); abortou aos 13 anos, depois de estuprada por Pooch (Kaplan), sócio paterno, mais tarde vítima de misterioso acidente no qual também pereceu carbonizado; e tem um tio esquisito, Dell (Glover), fascinado por festejos natalinos, aficionado por baratas costuradas vivas nas cuecas sem falar de outras que insere diretamente no ânus.


Lula é caso de Sailor. Ele a chama carinhosamente de Amendoim. A mãe da garota fez de tudo para impedir o romance. O filme começa numa festa: Marietta, bêbada, oferece-se no banheiro para o namorado da filha. Depois de recusada, encomenda o assassinato do rapaz a Bob Ray (Dandridge). Apesar de matá-lo em legítima defesa, Sailor é condenado a 22 meses e 18 dias de reclusão. Posto em liberdade condicional, foge com Lula. Partem de Cape Fear, costa meridional da Carolina do Norte, e tomam o caminho da Califórnia. Buscam a paz. Nessa aventura refazem, de certa forma, o trajeto invertido da dupla Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper), os desajustados de Sem destino que rumaram da Costa Oeste rumo ao carnaval de New Orleans — por onde passa o casal em fuga de Coração selvagem — em busca da imagem supostamente perdida da América. O tema da escapada também aproxima Sailor e Lula das crianças John Harper (Billy Chapin) e Pearl Harper (Sally Jane Bruce), aterrorizadas pelo pai adotivo, o Reverendo Harry Powell (Robert Mitchum) de O mensageiro do diabo, misto de assassino e fanático pregador religioso.


Lula Pace Fortuna (Laura Dern) e Sailor Ripley (Nicolas Cage) em fuga


Sailor e Lula interrompem várias vezes a jornada para paradas revigoradoras de sexo, ao som de Elvis, em todos os motéis baratos que encontram. Ela é acossada por fantasmas o tempo todo. Tem visões nas quais é perseguida por um duplo da mãe, entidade semelhante à Bruxa Má do Oeste que originalmente assustava a ingênua Dorothy (Judy Garland) em O mágico de Oz e vivida por Diane Ladd em Coração selvagem. Na estrada, à noite, desespera-se ao ligar o rádio do carro e ouvir apenas notícias ruins, desgraças como crimes e hecatombes ecológicas. Chora; clama contra a hostilidade de um mundo selvagem no coração; deseja pairar acima do arco-íris e ouvir Sailor cantando Love me tender, “mas está tudo uma merda”. Porém, as mãos encantadas do companheiro sintonizam uma estação na qual um rock romântico e bailável devolve um pouco de tranquilidade ao viver.


A desavença de Marietta Fortuna com Sailor tem explicação. Ele sabe que a morte do pai de Lula não foi acidental, mas encomendada, executado por Marcelo Santos a pedido da esposa da vítima. Marietta acredita que Lula conhecerá a verdade por intermédio do rapaz. Por isso, não mede esforços para afastá-lo e, no limite, eliminá-lo de vez.


A exemplo da dupla de Sem destino, a viagem dos anjos de Coração selvagem é também interrompida a meio caminho de lugar algum. Não encontram a estrada de tijolos amarelos que guiou Dorothy ao mundo do arco-íris em O mágico de Oz. Sem dinheiro e com dúvidas a sanar, Sailor para em Big Tuma. Visita a ex-sócia Perdita Durango e levanta informações sobre as pretensões de Marcelo Santos. Nada obtém de concreto. Consegue acomodações numa pensão ordinária onde descobre que Lula está para lhe gerar um filho. Diante dessa notícia e pensando em levantar dinheiro, aceita o convite de Bobby Peru para participar de assalto a banco com a condição de ninguém sair ferido. O trato não é cumprido. Bobby Peru arranca com um tiro a mão de um bancário. O membro, levado por um cachorro, faz referência à cena idêntica vista em Yojimbo — o guarda-costas. Sailor também escapa de ser morto pelo parceiro, a mando de Santos. A polícia intervém. Na fuga Bobby arranca a própria cabeça com um disparo acidental da própria arma.


Sailor é capturado e condenado. Entregue à custódia da mãe, Lula gera Pace (Harris Jr.). Passam-se seis anos. Libertado, o personagem interpretado por Cage parte ao encontro da amada e do filho. Porém, nada parece ser como antes. Sobrevêm a desilusão, a separação e a despedida. Mas como acontece nos contos do “Era uma vez...”, Sailor recebe a visão da fada boa (Lee) de O mágico de Oz. Volta correndo aos braços de Lula. Passa sobre os veículos retidos por um engarrafamento e, por fim, abraça a amada, emocionando-a com a prometida interpretação de Love me tender.


Sheryl Lee com a boa fada em aparição para Sailor Ripley (Nicolas Cage)

  
Lula e Sailor simbolizam a inocência numa terra onde ninguém, em sã consciência, pode alegar que a possui. Trafegam no inferno ardente em chamas. Não é para menos que há, ao longo da narrativa, tantos fósforos acesos, pontas em brasa de cigarros e fotografia estourada nas quentes cores do amarelo, muito próximas do vermelho. Lynch tenta afastar essa impressão fazendo de Coração selvagem uma quase comédia bufa, para não ser levada a sério. Outro não é o significado da exagerada interpretação de Nicolas Cage, tão excelente como caricata.


Um final feliz para Lula Pace Fortuna (Laura Dern) e Sailor Ripley (Nicolas Cage)

  
Não chega a ser um filme brilhante. Devido à radical montagem, tem desenvolvimento desigual e repleto de lacunas. Mesmo assim, possui momentos de brilho. Alguns são garantidos pelos intérpretes, principalmente Cage e Dafoe. Este, como Bobby Peru, pratica uma das maiores patifarias do cinema: acerca-se de Lula e, contra a vontade da garota, acaricia-a de todas as formas enquanto sussurra palavras libidinosas. A assustada namorada de Sailor fica em estado misto de apreensão e excitação. Mas Bobby não leva a investida adiante, deixando-a em deplorável situação de desejo frustrado.


Lula Pace Fortuna (Laura Dern) acuada pelo marginal Bobby Peru (Willem Dafoe)


Merecem destaque os trabalhos de costumeiros colaboradores de David Lynch: Frederick Elmes na direção de fotografia, Patricia Norris no desenho de produção e Angelo Badalamenti na música. Este compôs acordes tão discretos quanto instigantes, que viabilizam climas, sensações e situações criadas pelo inusitado da história.


Laura Dern, filha de Diana Ladd e Bruce Dern, apresenta limitações como atriz. No entanto, é ótima para sustos, decepções, choros e caretas, características tão exigidas pelo roteiro para a personagem. É desinibida como poucas. Provavelmente, não foi fácil protagonizar tantas cenas safadas em filme que conta com a participação da mãe.



  
Roteiro: David Lynch, com base em Wild at heartthe story of Lula and Sailor, novela de Barry Gifford e em O mágico de Oz, novela de L. Frank Baum (não creditado). Direção de fotografia (Panavision, cores): Frederick Elmes. Música: Angelo Badalamenti. Música adicional: Vier letzte lieder, de Richard Strauss, David Lynch. Desenho de produção: Patricia Norris. Figurinos: Amy Stofsky. Montagem: Duwayne Dunham. Produção executiva: Michael Kuhn. Assistente de montagem: Mary Sweeney, Brian Berdan. Coordenador de dublês: Jeff Smolek. Camareiro no set: Daniel Kuttner. Assistentes de câmera: John F. Carney, Irv Katz, Stuart Abramson, Steve Alessi, Kurek Ashley, Corwin A. Bibb, Curtis Bradford, Katherine M. Butler, Malcolm Doran II, Paul Enger, Cobie Fair, John Gutierrez, Charles Hardesty, George A. Hock, Chris Kiperman, Renton-Paul Medcalf, Randy Ratliff, Michael Shore, Ken Wheeland, Edward A. Gutentag (não creditado). Contrarregra: Frank Silva, Rob Sweeney. Assistente de contrarregra: David A. Carpenter. Contabilidade: Kimberly Edwards. Coordenação de transportes: John "J. D." Yarborough. Coordenação do departamento de arte: Nancy Martinelli. Coordenação de construções: Charles Armstrong. Carpintaria: Paul Burge, J. K. Nageldinger. Chefe de arte cênica: Gretchen Adele Armstrong. Arte cênica: Leslie Weimer, Marion Weimer. Consultor de vozes: James Intveld. Coreografia: Kimberly Vashiell. Assistente de efeitos especiais de maquiagem: Bryan Blair. Assistente de maquiagem e penteados: Denise Dellavalle. Assistente de decoração: Deborah Winship. Coordenação da produção: Marjorie Webster. Assistente de coordenação da produção: Cheryl A. Kurk. Dublês: Michael Adams, Mike Ceballos, Roydon Clark, Gregg Dandridge, Ousaun Elam, Donna Evans, Ralph Garrett, Orwin C. Harvey, Loren James, Mike Johnson, Steve Kelso, Hannah Kozak, Bernie Pock, Wally Rose, Joseph Michael Roth, Neil Summers, Bob Terhune, Eddie Wong, Joseph Michael Roth. Efeitos especiais de maquiagem: Louis Lazzara, David B. Miller. Efeitos especiais: Don Power. Efeitos especiais mecânicos: Eddie Paul. Efeitos especiais pirotécnicos: David Domeyer. Eletricista-chefe: Patrick Reddish. Eletricistas: Jules Labarthe, John Vecchio, Paul Hauser, Kim K. Koko. Fotografia fixa: Kimberly Wright. Fotografia especial: Elliott Marks. Confecção de costumes: Cheri Reed. Gerente de produção: Kool Marder. Maquiagem: Michelle Bühler. Médico da produção: Bundy Chanock. Mixagem da regravação: David Parker, Randy Thom. Mixagem de som: Jon Huck. Operador de microfone: Robert A. Scott. Operador de steadicam: Dan Kneece. Penteados: Frida Aradottir. Planejamento de som: Randy Thom. Primeiro assistente de direção: Margaux Mackay, CharlesMyers. Produção de elenco: Johanna Ray. Assistente de produção de elenco: Eric DaRe. Produção de elenco extra: Dean Anthony, Creative Casting. Publicidade: Mira S. Tweti. Segundos assistentes de direção: Steven Hirsch, W. Thomas Snyder, Deepak Nayar. Títulos e materiais óticos: Pacific Title. Supervisão de script: Mary Sweeney. Concepção de efeitos: Dreamstate Effects. Assistentes de edição de som: Frank E. Eulner, Ken Fischer, Donna Jaffe, Jenny Oznowicz, Susan Sanford, Kim Cascone, Kristen Gerstner, J. R. Grubbs, Scott Guitteau, Gwendolyn Yates Whittle. Assistentes do departamento de arte: Leonardo, Adam Morris, Christopher Stone, Roger L. C. Williams. Capataz de construções: Kenneth J. Berg. Concepção do poster: Renato Casaro (não creditado). Edição de diálogos: Robert Fruchtman, John Nutt, Michael Silvers, John Verbeck. Edição de diálogos: Sara Bolder. Edição de efeitos sonoros: Luis Colina. Engenheiro de som: Dennis Leonard (não creditado). Gravação de efeitos sonoros: John Wentworth. Gravação de ruídos de sala: Scott Chandler. Maquiagem adicional: Joni Powell (não creditada). Mixagem da regravação adicional: Dennis Leonard (não creditado). Mixagem da regravação: Tom Myers (não creditado). Operador da sala de máquinas: David E. Turner (não creditado). Regravação: Tom Myers, James Allen (não creditado). Ruídos de sala: Gary A. Hecker, Catherine Rowe. Som: Stacy Baird (não creditado). Supervisão de edição de som: Richard Hymns. Adestrador: Brian McMillan (não creditado). Alimentação: Luis Lara. Assistente de contabilidade: Bob Shapiro. Assistente de David Lynch: Debby Trutnik. Assistentes de eletricidade em New Orleans: Bill McCord, Dana McCormick, Michael L. Smith, Jimmy Trotter, Nicholas Woodring. Assistentes de produção no set: Arthur Girard (New Orleans), Mara J. Lee, Alessandro Rossellini, Ruth Turman (New Orleans). Assistentes de produção: Brian Steward, Christy Susskind, Richard Murken, Robert A. Neft. Assistente de relações públicas: Ivan E. Schwarz. Assistentes do escritório de produção: Beth Denton (New Orleans), Darren Leno (New Orleans), Jon Juhlin, Maurice Lospinoso, Janet McMinn (El Paso). Assistentes para os produtores: Heidrun Reshöft, Susan Carney. Cabos elétricos: David W. Dubois, R. Bruce McCleery. Capitães de transportes: Dan Brizendine, David Milchen. Consultor de fogos: Mike Johnson. Consultoria musical: Peter Afterman, Jon Huck, Shara Churchill (não creditada), Kevin Laffey (não creditado). Contabilidade da pós-produção: Robin Ginsberg. Coordenação da pós produção: Ute Leonhardt, Danielle Liekefet. Coordenação da produção: Patricia Serafina Madiedo (New Orleans), Kathryn Powell (El Paso). Corte do negativo: Vivian Hengsteler. Desenhos técnicos: Eric L. Roberts, Steve Ligorio, Wayne Softley (New Orleans). Edição musical: David Slusser. Enfermaria: Mildred Schluter (New Orleans). Financiamento bancário: Michael Mendelsohn (não creditado). Gerentes de locações: Kelly Hauser (El Paso), Tara Martin (New Orleans), Lenny Neimark (não creditado). Médico: Steven Wood. Motoristas: Carol Autenrieth, Elven Barrow, T. Bone, Charles Burdette, Chris Clark, Mike Clark, Thomas P. Donovan, Charles Franklin, David Harrison, Allan W. Herendeen, Earl R. Hurst Sr., Darwin Joston, Steve Mann, Shawn Solomon, Allan Tietjen, Russell Tolliver. Primeiros socorros: Mildred Schluter (New Orleans), Rusty Wheaton (El Paso). Relações com a polícia: John Schluter (New Orleans). Relações públicas em geral: Julie D. Duvic. Segundos assistentes de montagem: Deborah Gavlak, Jenny Hicks. Segurança no set: Bruce Loeb. Seguros para complementação: Aron Warner. Supervisão musical: G. Marq Roswell. Uniformização da cor: Dan Muscarella. Agradecimentos especiais da produção a: Prefeito Sidney J. Barthelemy (New Orleans), City of New Orleans Film Committee, Povo de New Orleans, Kimberly M. Carbo, Rick Dinome, Will Evans, Tom McDermott, Sheila Metzner, Wingols Mielke, Malcolm Ritchie, Nigel Sinclair, John Turtle, Kurt Woolner, Texas Film Commission, Working Title Films. Companhia de efeitos visuais: Visual Concept Engineering (VCE). Processamento do filme: Consolidated Film Industries (CFI). Companhia de produção de elenco: Creative Casting. Companhia de seguro da produção: Film Finances. Estúdios de gravação de som: Mercury Records. Serviços de alimentação: Michelson Food Services. Serviços médicos no set: Rescues Unlimited. Serviços de pós-produção: Sapex Scripts. Consultoria legal à produção: Sinclair, Tenenbaum & Co. Inc. Serviços de som: Skywalker Sound, THX Sound System Theatre. Carros de filmagem: Unique Movie Cars. Sistema de mixagem de som: Dolby SR. Tempo de exibição: 127 minutos (270 minutos no original).


(José Eugenio Guimarães, 1990)



[1] Duzentos e quarenta segundos conforme o Internet Movie Database (IMDb).
[2] Informações extraídas de: LARGMAN, Ricardo. Sem destino ‑ a paixão segundo David Lynch em Coração selvagem. Isto É Senhor. Rio de Janeiro, n. 1106, 28/nov./1990. p. 86.
[3] Richard Marquand assumiu a direção.
[4] PALMA de Ouro é disputada por gente famosa. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 12/maio/1990. Caderno B. p. 3.

2 comentários:

  1. Excelente disección la que prácticas sobre un film que sobre todo destaca por no dejar indeferente al espectador.

    Realmente el cine de David Lynch se podría caracterizar por este elemento, y es que provoca amor y odios pero rara vez causa indeferencia.

    Terciopelo Azul y Una historia verdadera son mis filmes favoritos de este cineasta, en cuanto a Corazón Salvaje me ha llamado la atención que tuviera una versión extendida de más de 200 minutos, desconocia ese dato. Con su aire de road-movie, esta película retrato de una manera sórdida y radical a parte de la sociedad americana y sus contradicciones.

    Un gran abrazo Eugenio.

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    1. Correcto, Miguel Pina, estoy de pleno acuerdo. ES por encima de todo una película sobre la marginalidade, pero estructurada como cuento de fadas, que devassa el corazón sucio de América. De hecho, esa devassa es lo que acostumbra hacer el siempre original y creativo David Lynch en sus películas. Como usted bien resaltó, ninguno de ellos nos dejan indiferentes.espero que, un día, podamos ver la versión original, con 270 minutos de WILD AT HEART. Ni sé se fue lanzada en DVD o en BR una edición así, completa. Creo que fue vista en su integridad sólo en el Festival de Cannes.

      Saludos, Miguel! Abrazos.

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