FUI INTIMADO A FAZER MINHA RELAÇÃO PESSOAL DE DEZ MELHORES FILMES

Admiro o cinéfilo com coragem, sangue frio e empáfia para afirmar, taxativo: determinado filme é o melhor de todos os tempos. Isso não consigo fazer, em absoluto. Entre tantas obras mestras, seria muito cruel preterir sabe-se lá quantas em nome de apenas uma. Se fosse me arriscar nessa seara, jamais conseguiria equacionar o dilema que normalmente me lança entre dois títulos de John Ford. Talvez eu consiga enumerar os 10 mais. Até os 100 melhores, por mais trabalho e dor que a tarefa custasse. Mas, certamente, não teria coragem de fixar uma hierarquia. Gostaria de compreender melhor a cabeça desses se que lançam em missão tão dolorosa quanto inglória. Prefiro acompanhar de longe, devidamente protegido entre as grades do meu alambrado emocional, as enquetes da Sight and Sound, dos Cahiers du Cinema e outras publicações dedicadas ao assunto.


Mesmo assim, apesar de todos os cuidados, houve ocasião na qual não pude escapar do desconforto. Em janeiro de 2013 fui praticamente intimado a apresentar meu particular rol de DEZ MELHORES. Depois de muito tempo de tensão e sofrimento, "passeando" aturdido por meus organizados arquivos fílmicos, abandonei qualquer pretensão de dar conta do recado de formas metódica, racional e objetiva. Fixei-me exclusivamente nos aspectos condizentes com a afetividade. Consegui extrair a relação a seguir, porém, sem estabelecer ordem de preferência. A disposição dos títulos é puramente aleatória. Perdoem-me os muitos cineastas preferenciais e seus títulos essenciais cruelmente deixados de fora.


Por ora, meus DEZ MELHORES são estes:



O homem que matou o facínora 
The man who shot Liberty Valance
1962
Direção:  John Ford


À esquerda, cartaz de The man who shot Liberty Valance e o diretor John Ford. À direita, James Stewart no papel Ramsom Stoddard


O leopardo 
Il gattopardo
1963
Direção de: Luchino Visconti


À direita, cartaz de Il gattopardo e o diretor Luchino Visconti. À esquerda, Burt Lancaster como o príncipe Don Fabrizio Salina e Claudia Cardinale no papel de Angelica Sedara


8 1/2
8 1/2
1963
Direção: Federico Fellini


À esquerda, cartaz de 8 1/2 e o diretor Federico Fellini. À direita, Marcello Mastroianni como Guido Anselmi


Rastros de ódio 
The searchers
1956
Direção: John Ford


À esquerda, Natalie Wood e John Wayne nos respectivos papéis de Debbie Edwards e Ethan Edwards. À direita, cartaz de The searchers e o diretor John Ford


Cidadão Kane
Citizen Kane
1941
Direção: Orson Welles


À esquerda, Orson Welles no papel de Charles Foster Kane. À direita, cartaz de Citizen Kane e o diretor Orson Welles.


A palavra
Ordet
1955
Direção: Carl Theodor Dreyer


À esquerda, cartaz de Ordet e o diretor Carl Theodor Dreyer. À direita, Preben Lerdorff Rye no papel de Johannes Borgen



Aurora
Sunrise
1927
Direção: F. W. Murnau


À esquerda, George O'Brien e Janet Gaynor vivem marido e mulher em Sunrise. À direita, cartaz do filme e o diretor Friedrich Wilhelm Murnau


Era uma vez em Tóquio
Tôkyô monogatari
1953
Direção: Yasujiro Ozu


À esquerda, Setsuko Hara e Chishû Ryû vivem, respectivamente, Noriko Hirayama e Shukichi Hirayama. À direita, cartaz de Tôkyô monogatari e o diretor Yasujiro Ozu


2001: Uma odisseia no espaço
2001: A space odyssey
1968
Direção: Stanley Kubrick


À esquerda, o monólito no prólogo The dawn of man de 2001: a space odyssey. À direita, cartaz do filme e o diretor Stanley Kubrick



A quermesse heroica
La kermesse héroique
1935
Direção: Jacques Feyder


À esquerda, cartaz de La kermesse héroique e o diretor Jacques Feyder. À direita, Françoise Rosay no papel de Cornelia de Witte



(José Eugenio Guimarães, 2015)

6 comentários:

  1. Essa lista equivale a uma faculdade de cinema. Me orgulho de ter visto todos.

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    1. Todos estes títulos fazem parte de um grupo seleto. A todos eles é obrigatória uma revisitação, quase sempre.

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    2. Com certeza, são obras para serem revisitas sempre. Lembrei-me até de um comentario do Kubrick - "A ideia de que um filme deve ser visto apenas uma vez é uma extensão de nossa concepção tradicional de cinema como entretenimento ao invés de arte." hehehe

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    3. Não sabia desta do Kubrick. Gostei muito de saber. Estou plenamente de acordo com ele. Afinal... Sabe quantas vezes já vi "Rastros de ódio" e "O homem que matou o facínora", Breno? Mais de 200 vezes cada qual. E a cada revisão sempre descubro coisas novas.

      Abraços.

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  2. ¡Excelente ranking Eugenio!
    Buen gusto y grandes films.
    Un abrazo y felicidades por tu magnífico blog.

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    1. Gracias, Miguel. Sin embargo, hacer listas de este tipo es siempre muy doloroso, principalmente a causa de las películas que acabán quedando de fuera.

      Abrazos.

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