Desde menino de calças curtas, influenciado pelo Tesouro
da Juventude e aulas de geografia, tenho a Nova Zelândia como
representação do suposto paraíso perdido. Ainda mantenho essa imagem, agora reforçada
pelo cinema. A neozelandesa Jane Campion contribuiu para a construção com seu
poético e sublime O piano (The piano, 1993). Nele, a escocesa
muda Ada MacGrath (Holly Hunter) irrompe nas paragens ainda ermas daquele
recanto da Oceania. Por força das circunstâncias, e com a disposição de Eva ou
Pandora, abre o lugar à entrada das transgressões. Ao invés da maçã ou caixa,
traz o piano do qual libera inebriantes sonatas. É um filme que suscita paixões
e divide opiniões. Muitos amigos o execraram. Porém, considero-o exemplar decorrência
de roteiro preciso, traduzido por cineasta inspirada, apoiada em rara
capacidade de síntese. Fora o fato de parecer tributário do contido e austero
romantismo inglês do século 19. As interpretações, o comentário musical e a
direção de fotografia são outros pontos fortes. A apreciação, de 1993, foi
revista e ampliada em 1996.
O piano
The piano
Direção:
Jane
Campion
Produção:
Jan
Chapman
CIBY 2000,
The Australian Film Commission, Jan Chapman Productions, New South Wales Film & Television Office
Austrália, Nova Zelândia, França —
1993
Elenco:
Holly Hunter,
Harvey Keitel, Sam Neill, Anna Paquin, Geneviève Lemon, Kerry Walker, Tungia
Baker, Ian Mune, Peter Dennett, Te Whatanui Skipwith, Pete Smith, Bruce
Allpress, Cliff Curtis, Carla Rupuha, Mahina Tunui, Hori Ahipene, Gordon
Hatfield, Mere Boynton, Kirsten Batley, Tania Burney, Annie Edwards, Harina
Haare, Christina Harimate, Steve Kanuta, P. J. Karauria, Sonny Kirikiri, Alain
Makiha, Greg Mayor, Neil Mika Gudsell, Guy Moana, Joseph Otimi, Glynis Paraha,
Riki Pickering, Eru Potaka Dewes, Liane Rangi Henry, Huihana Rewa, Tamati Rice,
Paora Sharples, George Smallman, Kereama Teua, Poamo Tuialii, Susan Tuialii,
Kahumanu Waaka, Lawrence Wharerau, Eddie Campbell, Roger Goodburn, Stephen
Hall, Greg Johnson, Wayne McGoram, Jon Brazier, Stephen Papps, Nicola Baigent,
Ruby Codner, Karen Colston, Verity George, Julie Steele, Timothy Raby, Jon
Sperry, Isobel Dryburgh, Claire Lourie, Rose McIver, Amber Main, Rachael Main,
Sean Abraham, Tomas Dryburgh, Simon Knight-Jones, Julian Lee, Daniel Lunn, Barbara Grover, Arthur Ranford, Rob
Ellis, Terrence Garbolino, William Matthew, Nancy Flyger, George Boyle, Jason
Aranui, Thomas Crowe, Shane Howell, Sam Ingley, Lance Kahukiwa, Graham Kereama
Barrett, Wayne Kingi, Lucas Puhi Thompson, Peter Rangitaawa, Joseph Samuel,
Thomas Searancke, Philip Taiaho Heke, George Te Huia, Alfred Tiaki Hotu, o cão
Flynn.
Dialogado
em inglês, maori e linguagem britânica de sinais, O piano é embalado por
atmosfera romântica e mistificadora. O roteiro preciso de Jane Campion resulta
num filme estruturado musicalmente, como sonata carregada de paixão. O andamento
é pausado, reflexivo, encantador. As imagens extravasam emoção e erotismo de
influências nitidamente góticas. Tem-se a impressão de que se inspiram no contido
e austero romantismo inglês de meados do século 19 das irmãs Brontë, Emilly e Charlotte,
responsáveis, respectivamente, por O morro dos ventos uivantes e Jane
Eyre.
Porém,
em que pesem todas essas qualidades, questão não menos importante se levanta: que
seria de O piano sem Holly Hunter como Ada Wyston McGrath — escocesa de
meia idade, viúva e muda, mãe da perspicaz Flora (Paquin) — vendida pelo pai a
um homem que nunca viu — o pragmático puritano Alisdair Stewart (Neill), landlord na longínqua e novíssima Nova
Zelândia? Hunter está impecável. É a alma do filme, sua espinha dorsal. Sua personagem
é singular e paradoxal: é pura contenção e também etérea, forte e voluntariosa.
Qual espírito sem lugar, irrompe nas paragens redimensionadas por golpes de
arrojo e determinação masculinos como se tivesse a missão de assombrá-las e redimensioná-las.
Ada
sempre foi personalidade forte e decidida. Aos seis anos se recolheu ao mutismo,
terminantemente. A decisão, regiamente cumprida, atrofiou-lhe as cordas vocais.
Com isso, fechou-se em mundo próprio, movimentado e coberto de sentido pelo som de seu piano. Quando necessário, Flora faz a mediação da mãe com a
realidade envolvente, traduzindo-lhe desejos e necessidades pela linguagem de
sinais, ao menos quando ela não é compreendida nas sensações e sentimentos
extravasados pelas expressões faciais, assumidamente do olhar.
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Holly Hunter como Ada Wyston McGrath |
Holly
Hunter atua sem vaidade. A composição é minimalista. Ada materializa o despojamento
em vestes negras, pouco atrativas, os cabelos presos e cobertos. A falta de
palavras e o figurino são pretextos para elevar a verve de uma atriz brilhante
na plenitude dos 34 anos. Poucos desempenhos femininos no cinema dos últimos
anos são tão intensos e envolventes, ainda mais com a eliminação da expressão
verbal. Mas as aparências enganam. Apesar de envolta na capa da austeridade, a
personagem é impulsionada por paixões. Anseia pelo amor. É o que pede com a
música nem sempre compreendida e sentida de seu piano. Essa mulher muda, ao se expressar
musicalmente, revela impressionante poder de atração, capaz de manipular — inclusive
sexualmente — os que a ouvem. Nas paragens chuvosas, enlameadas e acidentadas
da cinzenta Nova Zelândia, um projeto civilizatório está em construção pelo
colonizador europeu. O paraíso será reordenado. A esse meio chega Ada, aparentemente
silenciosa, mas com a disposição da serpente tumultuadora. Seu piano é a maçã,
o fruto do bem e do mal, a caixa de Pandora. Quando executado, preenche a
paisagem com beleza e sensações que chamam as transgressões.
O
piano tem algo de realismo mágico. As imagens e ação pertencem
ao domínio das fábulas mais exemplares. Essas impressões são transmitidas pela
direção de fotografia de Stuart Dryburgh, feita de cores suaves, resultado da
combinação do cinza com o negro e o verde — que lançam a trama no patamar da
irrealidade. A onipresente, mas nunca exagerada e invasiva música de Michael
Nyman — com destaque para o suave tema The sacrifice — também dissolve e
subverte a realidade. Jane Campion situa o filme no terreno dos sonhos. O espectador,
querendo ou não, é convidado ao delírio. Os próprios personagens às vezes situam
a história no plano do imaginário mais elaborado. Possuem tanto poder de
convencimento a ponto de embaralhar as linhas da racionalidade seguidas pelo
público na atribuição de sentido à trama. É o que acontece quando Flora inventa
para as curiosas mulheres maoris as origens da mudez da mãe. Segundo a pequena,
seus pais, cantores alemães de ópera, foram surpreendidos na floresta por forte
tempestade. Um raio atingiu o pai, incinerando-o. A visão do fenômeno aterrorizou
Ada, deixando-a muda. Flora imprime tanta convicção e maravilhamento às
palavras a ponto de convencer o espectador descuidado.
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Flora (Anna Paquin) e Ada (Holly Hunter) desembarcadas na Nova Zelândia |
A
beleza de O piano é incomum. Poucos filmes são tão poéticos e líricos. O
conjunto assombra. A atuação de Holly Hunter e a direção de Jane Campion impregnam
as imagens de tocante atmosfera, declaradamente feminista. O tom é de meados do
século 19. Portanto, algo aparenta anacronismo, pois a força e capacidade
decisória reveladas pela protagonista são tão grandes que a equiparam às mulheres
contemporâneas, plenamente ciosas de seus direitos e capazes de reivindicá-los.
Mas o que historicamente poderia soar problemático só contribui na ampliação do
tom fabulatório da narrativa.
Os temas
da feminilidade, em particular das emoções femininas, constituem a principal
matéria prima da curta filmografia de Jane Campion. Antes de O
piano há Um anjo em minha mesa (An angel at my table, 1990) — sobre
os dolorosos dramas experimentados pela escritora neozelandesa Janet Frame (Kerry
Fox) em trajetória para a afirmação. Ela e Ada são mulheres assombradas pela
força dos próprios sentimentos. Impedidas de extravasá-los — por contenção
própria ou em decorrência da pressão objetiva emanada do contexto em que vivem
—, afundam-se no desespero ou — como ocorre em O piano — na melancolia. Apesar
disso, não agem como vítimas passivas das situações. Procuram compreendê-las e
reagir.
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Flora (Anna Paquin) e Ada (Holly Hunter) |
O
roteiro, simples, praticamente não se arrisca em ousadias. Porém ,
foi plenamente valorizado quando convertido em imagens, principalmente pelo
tratamento dispensado aos personagens. O que se vê são indivíduos isolados nas
prisões edificadas por suas existências. As primeiras cenas são embaçadas. Mas
logo permitem a distinção de algo semelhante a grades. São os dedos de Ada. Entre
eles, da escotilha do navio que a conduz à Nova Zelândia, observa o mar agitado,
limite avançado da nova morada. Está apreensiva. É acometida de desconforto
logo ampliado e materializado, quando é desembarcada com Flora nos ombros de
marinheiros pouco polidos que, certamente, afrontaram-nas nas intimidades. O
local é ermo. Ninguém as aguarda. Os pertences, espalhados na areia, são acossados
pelas ondas, inclusive o imenso, pesado e encaixotado piano. São regatadas na
manhã seguinte, por Alisdair acompanhado de George Baines e carregadores maoris.
O contato, frio, não poderia ser pior: o marido alega impossibilidade para
transportar o instrumento. A caminho de casa, do alto do penhasco, Ada volta os
olhos ao seu meio de comunicação largado na areia. A imagem é poderosa e
devastadora. Amplia a mudez da personagem e o caráter inóspito do lugar e das pessoas.
Estas revelam incapacidade de compreendê-la no que há de mais necessário e
profundo.
A
instalação de Ada é incompleta. Alisdair não demonstra intenção em buscar o piano.
Fechado num pragmatismo cego, considera-o inútil. Também é alheio aos desejos e
individualidades da esposa. O casamento não se consuma. Ele, aparentemente, não
se importa com isso. Preocupa-se somente com os cuidados dispensados aos
domínios territoriais. Estranho relacionamento! Pelo visto, Alisdair pretendia
apenas uma esposa europeia para cultivar aparência de homem civilizado no
novíssimo mundo, segundo o ponto de vista europeu, fortemente etnocêntrico. As
mulheres maoris, sempre próximas e presentes, podem servir ao rústico George
Baines, não a ele. Ada, portanto, está reduzida à condição de coisa, muda semovente, utensílio de luxo.
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George Baines (Harvey Keitel) |
Decidida
e inconformada, ela apela ao lacônico George Baines. De certa forma percebeu a
possibilidade de firmar cumplicidade com o vizinho. Ele também parece
descentrado e pouco à vontade. É um europeu rude, analfabeto, quase aculturado.
Está a meio caminho entre os costumes maoris e suas origens escocesas. De certo
modo, é um pária. Qual Ada, não encontrou lugar. Por isso, é capaz de
compreendê-la. Após alguma relutância, conduz mãe e filha ao piano abandonado. O
momento é propício, pois o ausente Alisdair percorre as propriedades. O silencioso
Baines é atingido em cheio pelos acordes liberados por Ada no reencontro com o teclado.
Enquanto Flora evolui em brincadeiras e bailados ao compasso da música, a serpente
invade o paraíso, metaforicamente. Uma tomada aérea — praticamente o único
arroubo formal do filme — revela na praia algo parecido a um réptil negro,
estranhamente estilizado, esculpido em conchas e areia. Em tomada do alto, Ada,
Baines e Flora contornam a misteriosa figura no caminho de volta. Nada será
como antes.
Baines
está apaixonado, envolvido na musicalidade e ciente da importância capital do piano
na vida de mulher. Propõe irrecusável transação ao irredutível Alisdair: a
troca do "inútil" instrumento por significativa porção de terras. O
acordo, revestido de imoralidade, é, ainda por cima, feito à revelia de Ada. Uma
cláusula indispensável agrava o negócio: ela deverá ministrar aulas de música ao
novo proprietário do piano. Indignada, tenta resistir. Mas o ambicioso Alisdair
se justifica afirmando: “Somos uma família e todos têm que fazer sacrifícios”. O
jeito é capitular, ainda mais com a promessa de que terá o instrumento de volta
ao fim do processo.
As
aulas serão ministradas na casa de Baines. O piano é limpo e afinado. A temperatura
erótica do filme, mantida em latência, vem à tona. De início, o discípulo tenta
se comportar como tal. Mas sabe, pelo observado na praia, da suave destreza dos
dedos de Ada no contato com o teclado. Parecem acariciar o corpo de um amante.
O ambiente é preenchido de sexo e desejo reprimidos. A mestra sente a música fluir
de seus dedos, perdidamente, com os olhos fechados. Tem-se a impressão de que
os acordes a conduzem ao encontro da própria alma. É impossível a Baines manter
a disciplina. Aliás, a polidez não está em seu jeito objetivo de ser. Deseja tomar
o lugar do piano. Inveja o instrumento. As aulas, pretexto para aproximá-lo de Ada,
perdem sentido. Poderosas sensações o invadem. Logo a abordagem se faz direta. O
espectador está diante de dois simbolismos: da serpente — estilizada na areia
da praia — e das mãos. George desliza os dedos nas zonas descobertas do pescoço
da absorta Ada, imersa no contato com as teclas. Logo, deita-se no chão, sob as
saias da pianista. Orienta o indicador para a nesga de pele revelada por furo
da meia. Ada, surpresa, tenta resistir, inutilmente. Também revela forte senso
pragmático: deseja o piano e, apesar dos riscos, completar-se como mulher.
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Ada (Holly Hunter) experimenta o piano e o contato das mãos de George Baines (Harvey Keitel) |
Os
próximos movimentos musicais e eróticos conduzem Baines ao jogo indecoroso da chantagem.
A relação é situada entre a violência sexual consentida e a prostituição: Ada terá
acesso a determinadas teclas se abrir mão, paulatinamente, de peças do
vestuário. Apesar do caráter cruel e indigno da troca, ela consente. Prisioneira
de desejos recolhidos, passa a se expressar de forma mais corpórea. A narrativa
ganha em musicalidade e sensualidade. As lições, abrigadas na furtividade, tornam-se
mais frequentes. Comentários maliciosos das ciumentas mulheres maoris começam a
circular. Flora — apoiada em suas fontes de moralidade puritana — sente o
afastamento da mãe e os efeitos do falatório. Curiosa e furtiva, descobre a mãe
e Baines, nus, em carícias desinibidas. Confusa e enciumada, relata a visão ao
alienado e ingênuo Alisdair.
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Alisdair (Sam Neill) exibe a esposa Ada (Holly Hunter) durante os festejos natalinos |
Seguem-se
momentos patéticos. Esgueirando-se pelas paredes e sob o piso da residência do
vizinho, Alisdair testemunha o jogo de sedução. O roteiro ainda lhe reserva momento
de cruel comicidade. Diante do calor liberado da relação dos amantes, o
aturdido personagem recebe a afetuosa lambida de um cachorro.
De certa
forma, causa estranhamento o comportamento de Alisdair ao descobrir a
inconfidência de Ada. Passa a impressão de que o fato não constitui traição. A
surpresa ganha ares de algo novo, do qual nunca ouvirá falar. Em casa tenta, sem
jeito e inutilmente, ser o Baines de Ada. Recusado, apela à violência. Nada
consegue. Frustrado, possuído por furor incontrolável, vinga-se fortificando a
casa, transformando-a em
prisão. Trancafiada com Flora em seus exíguos aposentos, Ada
entra em
excitação. Impedida de extravasar o desejo, agarra-se à filha
durante o sono. Desperta horrorizada. Tenta o apaziguamento, distraindo-se com
Flora em corpóreos e inocentes folguedos infantis. Ao seu modo, vinga-se de
Alisdair, perversamente. Ele deverá, em passividade, mostrar-se disponível aos
toques e carícias. Chega a ser desesperador ver o impotente personagem de Sam
Neill acuado como uma criança assustada, sem nada poder fazer, enquanto Ada
desliza as mãos sobre ele. A vítima se torna vitimizadora, de forma racional,
calculada, controlada. Incapaz de resistir, Alisdair liberta a mulher.
Evidentemente,
ela corre para George. Porém, tudo mudou. Ele também se faz prisioneiro de
frustrações e da consciência que aparentava não ter. Continua apaixonado, mas ciente
do jogo sujo que fizera. Não mais deseja Ada à base de chantagens, mas por
amor, numa entrega incondicional, sem barreiras. Ato contínuo, devolve o piano.
O gesto não é compreendido por Alisdair. O obtuso marido acredita que deverá,
em correspondência, abrir mão das terras negociadas e pede explicações. Por sua
vez, Baines está disposto a partir. A decisão enlouquece a personagem de Hunter.
De repente, o piano passa a ser pouco importante. Ada libera uma tecla na qual
grava: "Meu coração pertence a você". Torna Flora emissária do
presente, entregue a Alisdair pela menina contrariada.
A
reação do marido é violenta, acima da medida. Até então, a violência física
mais inaudita se manteve em
latência. Entra em cena brutal e dolorosamente. Frustrado e
enlouquecido pelo ciúme, Alisdair intercepta Ada a caminho do encontro com Baines.
Decepa-lhe o indicador a golpe de machado. O piano perdeu uma tecla; a mão que
o tocava, um dedo. A extirpação não é vista. Mas é plenamente comunicada e agudamente
sentida. O alívio poderia decorrer de um grito de dor. Mas Ada é muda. Fala com
as mãos, pelas quais extravasa emoções e sensualidade. Agora, foram laceradas. Paradoxalmente,
a cena terrível se desdobra em tomadas belíssimas e poéticas. A personagem de
Holly Hunter cambaleia para desabar no centro do cálice aberto de seu próprio
vestido negro, como uma flor que desabrocha para o interior de si mesma. Flora,
sentindo os efeitos de seu ato impensado, invade a cena com um grito de dor e
horror. Apesar desse consolo, o doloroso silêncio de Ada é mais
significativamente eloquente.
Simbolicamente,
o sangue vertido por Ada profanou a ilusão de paraíso virginal da paisagem neozelandesa.
Os acontecimentos se precipitam. A vida com Alisdair se revela inviável. Mãe e
filha partem com Baines. Junto segue o piano com todos os seus significados. Ao
olhar eurocêntrico da época, o instrumento seria o único elemento da cultura
refinada em meio ao estado de natureza daquele recanto da Oceania. Apesar
disso, provocou males e incompreensões. Tumultuou as relações. Cobrou preço
alto de Ada, mesmo reforçando-a na vontade de ser aceita em seus próprios
termos num mundo de feições masculinas. De certo modo, teve utilidade, cumpriu
seu papel. Agora, é página virada — aquele piano, especificamente. Não é mais
desejado. No barco que a conduz ao navio, Ada pede que o lancem ao mar. Mas não
é fácil se livrar de objeto tão significativo, ao qual esteve presa por toda
uma existência. É embaraçada na corda atada ao piano e arrastada para o oceano.
Liberta-se com muito esforço. Simbolicamente morreu para renascer. Ganham
sentido os versos iniciais do poema Silence, de Thomas Hood,
apresentados no início do filme e repetidos ao final, enquanto a personagem se
debatia: "Há um silêncio no qual som algum pode ser ouvido/Há um silêncio
onde som algum pode ser sentido/No frio túmulo das profundezas do mar". Ada
escapa ao duplo silêncio: da morte e da mudez. Em seu novo paradeiro, com o
dedo amputado substituído por uma prótese, refaz a existência como professora
de piano.
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Flora (Anna Paquin) e Ada (Holly Hunter) |
O
piano é uma bela história, poética, sensual, intensa; perfeita
em termos visuais e sonoros. A sutileza é companheira da realização. A direção
de fotografia de Stuart Dryburgh preenche de vida a tranquila mas inquietante
paisagem neozelandesa. A melodia minimalista de Michael Nyman recupera o romantismo
da época e contribui na impressão de sentido à trama. Imagens e melodia firmam
fina parceria com as intenções artísticas de Jane Campion. Em alguns momentos
as opções narrativas optam pela frieza. Mas a compensação é intercalada pela quente
intensidade de outras passagens. Esse alternância entre tons baixos e elevados
prende a atenção do espectador, tornando-o cúmplice no processo de armação da
história. Ainda com respeito à música, os únicos acordes ouvidos se devem
praticamente ao piano de Ada. Quase não há melodia de fundo, fator que eleva o
valor das composições na atribuição de ressonância emocional ao andamento
narrativo. Não é uma música que simplesmente ilustra e comenta. É também o
filme. Os acordes somados ao rico e austero visual da fotografia transformam as
cenas de amor entre Ada e George em conjuntos carregados de sentimento,
delicadeza e arte.
Campion
opta por condução firmada na precisão e síntese. Todas as premissas narrativas são
rapidamente estabelecidas. Praticamente não há tempos mortos em O
piano. Mesmo as cenas visuais mais impressionantes não se perdem na
exaltação ao exotismo e à beleza da paisagem, motivos que há de sobra na
geografia da Nova Zelândia. No tocante ao tratamento da questão sexual, a
diretora foi de uma felicidade a toda prova. Com o apoio da fotografia de
Stuart Dryburgh e da discreta câmera de Alun Bollinger, mostrou-se direta e
emancipadora, sem necessidade de ser invasiva, ao expor os personagens na
intimidade das cenas amorosas. Por O piano, Jane Campion se tornou a
primeira diretora a levantar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
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Ada (Holly Hunter), radiante de paixão, e Flora (Anna Paquin) |
No
elenco, nome algum destoa. Os quatro atores principais demonstram o valor de
suas individualidades, mas se completam num trabalho de conjunto. Anna Paquin,
com apenas 10 anos, é notável na segura composição de Flora, dividida entre a
fidelidade à mãe e às obrigações que — acredita — devem ser devotadas ao
padrasto que as acolheu, tendo ainda o fardo de ser criança numa comunidade de
difícil integração, com poucos indivíduos alinhados a ela em idade. Sam Neill surpreende
como marido ingênuo, mesquinho, incapaz de entender a condição da mulher. O
próprio semblante do ator muito contribui ao patético perfil de homem sério e
perplexo, sempre pronto a se surpreender.
Harvey
Keitel está intenso e perfeito na sólida estampa de seu semblante sisudo. Tem
desempenho arrebatador e contido. O mesmo acontece a Holly Hunter. Ainda bem
que Jane Campion convenceu a produtora Jan Chapman — de início interessada em
atriz de estatura mais elevada e vistosa — a aceitar a baixinha e discreta intérprete
de Ada, com seu incrível poder de convencimento posto à prova apenas com o
olhar. Hunter tem em O piano o melhor e mais sólido
desempenho de uma expressiva carreira. Além do mais, orientou a atuação de Anna
Paquin, inclusive na complicada linguagem de sinais.
O
piano conquistou diversos prêmios e recebeu indicações a outros
tantos nas mais diversas categorias.
Jane
Campion, por Melhor Roteiro Original, foi, em 1993, premiada pela Associação do
Filme Australiano e Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles; em 1994,
com o Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, pela
Associação dos Roteiristas de Cinema dos Estados Unidos, pelo Círculo de
Críticos de Cinema de New York e pela Sociedade Nacional de Críticos de Cinema
dos Estados Unidos. Por Melhor Direção recebeu, em 1993, prêmios da Associação
do Filme Australiano, do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, da
Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles e a Palma de Ouro no Festival
de Cannes; em 1994, os prêmios do Southeastern Film Critics Association; em
1995, o prêmio da Kinema Jumpo por Direção em Melhor Filme em
Língua Estrangeira. Também foi, em 1994, indicada por Melhor Roteiro Original
ao Globo de Ouro e ao BAFTA (Bristish Academy of Film and Television Arts) Award;
e, por Melhor Direção, ao Oscar, Globo de Ouro, David Lean Award pela BAFTA e aos
prêmios da Associação dos Críticos de Cinema de Chicago, do Directors Guild of
America e ao Silver Ribbon por Melhor Direção Estrangeira em Cinema do
Sindicato Nacional de Jornalistas de Cinema da Itália. Pelo Directors Guild of
America, Campion foi indicada por Superioridade em Acabamento em Realização
Cinematográfica ; com a produtora Jan Chapman, ao BAFTA Award
de Melhor Filme, também em 1994.
Holly
Hunter, na categoria de Melhor Atriz, levou, em 1993, a Palma de Ouro no
Festival de Cannes e os prêmios da Associação do Filme Australiano e do Círculo
de Críticos de Cinema de New York; em 1994, o Oscar, Globo de Ouro (atuação em
drama), BAFTA Award, e os prêmios da Sociedade de Críticos de Bostom, do
National Board of Review (EUA), da Associação de Críticos de Cinema de Los
Angeles, do Southeastern Film Critics Association, da Sociedade Nacional de
Críticos de Cinema (EUA) e Associação de Críticos de Cinema de Chicago. Ainda
em 1994 foi eleita a Atriz do Ano pelo Círculo de Críticos de Cinema de Londres
e recebeu indicação ao italiano David di Donatello como Melhor Atriz Estrangeira.
Harvey
Keitel, em 1993, foi considerado o Melhor Ator pela Associação do Filme
Australiano.
Anna
Paquin, como Melhor Atriz Coadjuvante, foi agraciada em 1993 com o prêmio da
Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles; em 1994, com o Oscar e prêmio
do Círculo de Críticos de Cinema da Austrália. Também foi indicada, em 1993, ao
Globo de Ouro e, em 1994, ao prêmio da Associação de Críticos de Cinema de
Chicago.
Stuart
Dryburgh, em 1993, foi laureado à Melhor Direção de Fotografia pela Associação
do Filme Australiano, Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles e
recebeu o troféu Golden Frog do Camerimage. Foi indicado, no mesmo ano, ao
prêmio da Sociedade Britânica dos Diretores de Fotografia e, em 1994, ao Oscar,
BAFTA Award e nominado pelo Acabamento Superior em Fotografia para Cinema pela
Sociedade Americana de Diretores de Fotografia.
O
compositor Michael Nyman recebeu, em 1994, o prêmio na categoria de Melhor Trilha
Musical Original pela Associação do Filme Australiano e Associação dos Críticos
de Cinema de Chicago. Nesse mesmo ano recebeu indicações ao Globo de Ouro e
BAFTA Award.
Em
1993, Janet Petterson, pelo Melhor Figurino, recebeu o prêmio da Associação do
Filme Australiano e, em 1994, o BAFTA Award.
Andrew
McAlpine, pelo Melhor Desenho de Produção, levou, em 1993, o prêmio da
Associação do Filme Australiano e, em 1994, o BAFTA Award.
Veronika
Jenet, pela Melhor Montagem, foi indicada em 1993 ao prêmio da Associação do
Filme Australiano; em 1994, ao BAFTA Award e prêmio do American Cinema Editors.
Lee
Smith, Tony Johnson, Gethin Creagh, Peter Townend e Annabelle Sheehan foram, em
1993, na categoria de Melhor Som, premiados pela Associação do Filme
Australiano; em 1994 receberam o Golden Reel de Melhor Edição de Som em Realização Estrangeira
da Motion Picture Sound Editors (EUA). Nesse ano, Lee Smith, Tony Johnson e Gethin
Creagh foram nominados ao BAFTA Award por Melhor Som.
Já O
piano foi, em 1993, apontado como Melhor Realização pelo Instituto do
Filme Australiano e, em 1994, pelo Southeastern Film Critics Association. Como
Melhor Produção Estrangeira recebeu, nesse mesmo ano, o Bodil Award, o prêmio do
Independent Spirit Award, da Associação de Críticos de Cinema de Chicago, do
Robert Festival, o Guldbagge Award, o francês César e o Condor de Prata da
Associação de Críticos Argentinos. Nesse ano foi eleito o Filme Mais Popular no
Vancouver International Film Festival, Filme do Ano pelo Círculo de Críticos de
Cinema de Londres e levantou o prêmio, endereçado à produtora Jan Chapman, de
Produção mais Promissora para Cinema do Parental Guidance of America. Ainda foi
indicado ao Oscar de Melhor Filme, Globo de Ouro na categoria drama, e aos
prêmios da Associação de Críticos de Cinema de Chicago e da Academia Japonesa
de Cinema (1995) como Melhor Realização Estrangeira. Em 1994 foi nominado ao
prêmio Democracia pela Sociedade do Filme Político dos Estados Unidos.
Kerry
Walker — a Tia Morag (uma da mulheres maoris) — e Sam Neil foram indicados como
coadjuvantes aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator, respectivamente, pelo Instituto
Australiano de Cinema em 1993.
Roteiro: Jane Campion. Música e direção musical: Michael Nyman. Montagem:
Veronica Jenet. Figurinos: Janet
Petterson. Desenho de produção:
Andrew McAlpine. Produtor executivo:
Alain Depardieu. Produtor associado:
Mark Turnbull. Direção de fotografia (Eastmancolor):
Stuart Dryburgh. Supervisão da direção
de arte: Gregory P. Keen. Decoração:
Meryl Cronin. Assistentes de próteses: Stuart Conran,
Clifford Hughes. Assistentes de
penteados: Eithne Curran, Deirdre Haworth, Michelle Page. Maquiagem e próteses: Marjory Hamlin. Maquiagem de Holly Hunter: Katherine
James. Supervisão de próteses:
Bob McCarron. Consultor de penteados:
Stephen Price. Penteados e maquiagem:
Francia Smeets. Supervisão de penteados,
de maquiagem e penteados de Holly Hunter: Noriko Watanabe. Supervisão da pós-produção: Stephen
O'Rourke. Gerente de produção: Chloe
Smith. Gerente de unidade: John
Wilson. Direção de segunda unidade:
Colin Englert. Segundos assistentes de
direção: Victoria Hardy, Charlie Haskell. Terceiros assistentes de direção: Therese Mangos, Simon Millar. Primeiros assistentes de direção: Chris
Short (segunda unidade), Mark Turnbull. Carpintaria: Graham Aston,
Peter Brown, Neil Cromie, Matthew Gordon, Mike Maxwell, Russell Munro, Nik
Novis, Bob Schmidt, Willy Schmidt, Iain 'Horace' Newton, Georg Stumpf, Michael
Sudholter, Trevor Tutte, Alan Wilson. Camareiros: Graham Aston, Phred Palmer, Manu Sinclair. Operário de construções: Ian Chisnall. Contrarregras: Mark Daniell, Lyndsay
Meager, Piripi Taratoa, John Williams, Paul Worley. Arte cênica: Barry Eller, Trevor Lithgow. Contínuo do departamento de arte: Rees Fox. Assistente da direção de arte: Jackie Gilmore. Aquisições para o departamento de arte: Mark Grenfell. Desenhista: Neil Henson. Gerente de construções: John Miles. Responsável por áreas verdes: Amanda
Molloy. Contato do departamenteo de arte
em Sidney: Ken Muggleston. Chefe de
arte cênica: Tim Murton. Pinturas:
Scott Russell, Inia Taylor. Coordenação
do departamento de arte: Kirsten Shouler. Ruídos de sala: Steve Burgess, Gerry Long. Edição de diálogos: Jeanine Chiavlo, Gary O'Grady. Mixagem de som: Gethin Creagh. Regravação de diálogos: Robert
Deschaine, Simon Hewitt, Richard Jenkins, David Jobe. Gravação de som: Tony Johnson. Assistente
de engenheiro de som: Jamie Luker. Operador
de microfones: Axel Paton. Supervisão
da edição de regravação de som: Annabelle Sheehan. Planejamento de som: Lee Smith. Edição de efeitos sonoros: Peter Townend. Assistentes da edição de som: Libby Villa, Kimberly Walls. Assistentes de efeitos especiais: Jason
Docherty, Jason Durey. Coordenação de
efeitos especiais: Ken Durey, Waynne Rugg. Assistente de efeitos especiais submarinos: Kent Miklenda, Arthur
Spink Jr. Efeitos óticos: Roger
Cowland. Coordenação de lutas e dublês:
Robert Bruce. Dublês para Holly Hunter: Sue Easdon,
Georgina Gilbert. Dublês para Anna
Paquin: Zo Hartley, Shelley Simpson. Dublês: Steve Griffin (não creditado), Tanya Burroughs,
Nik Beachman, Eddie Campbell, Nina Powierza. Eletricista de iluminação: Mark Archibald. Operador de câmera: Alun Bollinger. Assistente de câmera submarina: David Dunkley. Operadores de máquinas e ferramentas: Annie Frear, Geoff Jamieson, Bruce
Williamson. Assistente de câmera da
segunda unidade: Josie Harbutt. Segundos
assistentes de câmera: Josie Harbutt, Rob Marsh. Operador de câmera da segunda unidade: Rewa Harre. Fotografia submarina: Rob Hunter. Operador de steadicam em locações: Ian
Jones. Eletricista-chefe: Don
Jowsey. Operador de steadicam em
estúdio: John Mahaffie. Fotografia
de cena: Grant Matthews, Polly Walker. Primeiro
assistente de câmera: Cameron McLean. Assistentes
de operador de máquinas e ferramentas: Erin O'Leary, Sean O'Neill. Assistente de iluminação em estúdio:
Sean O'Neill. Coordenação de cabos:
Tad Pride. Eletricista-chefe da segunda
unidade: Kevin Riley. Operador
geral: Ed Sims. Terceiro assistente
de câmera: Phillip Skelton. Produção
de elenco na Austrália: Alison Barrett. Assistente da produção de elenco na Nova Zelândia: Robyn Cammell. Produção de elenco na Inglaterra: Susie
Figgis. Produção de elenco na Nova
Zelândia: Diana Rowan. Produção de
elenco nos Estados Unidos: Victoria Thomas. Modista: Rosy Boylan. Corte
e costura: Wendy Chuck, Maria Inglis, Perrin McLeod, Marian Olsen. Coordenação de guarda-roupa: Barbara
Darragh. Guarda-roupa: Chris
Elliott, Jane Holland. Assistentes de
guarda-roupa: Sue Gandy Marian Hera, Liz McGregor. Maquinista do departamento de figurinos: Rosemary Gough. Calçados: Jodie Morrison. Artes manuais: Jaindra Watson. Joias: Joaquin Zepeda. Graduação de cor: Arthur Cambridge, Rob
Sciarratta. Segundos assistentes de
montagem: Claire Corbett, Nicola Smith. Primeiro assistente de montagem: Heidi Kenessey. Estagiário-assistente de montagem:
Tamsin O'Rourke. Ajuste de negativos:
Karen Psaltis. Engenheiro de gravação
musical: Michael J. Dutton. Músicos:
Andrew Findon (saxofone), John Harle (saxofone), Holly Hunter (solos de piano).
Supervisão de produção musical:
Daniel Brock (não creditado). Mixagem da
orquestração da trilha musical: Malcolm Luker (não creditado). Acompanhamento e tutoria de Anna Paquin:
Patricia Quirke, Amanda Rees. Afinador
de pianos: David Jenkin. Alimentação:
Colin Sutherland. Amestrador de cães:
Mark Vette. Anotador da produção:
Miro Bilbrough. Assessoria de imprensa:
Colin Englert. Assistentes da
contabilidade: Anna McMurtry, Helen De Groot. Assistentes de alimentação: Ken Robertson, Mark Askew, Sue-Ellen
Boag. Assistente de produção: Karen
Gleave. Assistentes de unidade:
Peter Ward, Simon Millar. Assistentes
para a direção na pós-produção: Anne Berriman, Lynn-Maree Danzey. Assistente para a direção: Christina
Andreef. Assistente para a produção:
Lee-Anne Higgins. Assistente para Harvey
Keitel em Nova York :
Ante Novakovic (não creditado). Assistente para
Harvey Keitel: Kenneth McGregor. Assistente para Jan Chapman: Sue Smith. Boys: Sigi Spath Jr., Belinda Crayford. Consultoria de linguagem para o cast
maori: Temuera Morrison. Consultoria em diálogos na lingua maori:
Selwyn Muru, Waihoroi Shortland. Contabilidade
da pós-produção: Cynthia Kelly, Stephen O'Rourke. Contabilidade: Keith MacKenzie. Continuidade: Lynn-Maree Danzey. Contínuos: Justin Huege de Serville, Cushla Foley, Alan Lio. Coordenação da produção: Moira Grant. Coordenação de barcos: Ken Durey. Coordenação de mergulhadores: Tony Thew.
Coreografia: Mary-Anne Schultz. Edição do roteiro: Billy MacKinnon. Efeitos especiais submarinos: Tad
Pride. Enfermaria: Wendy MacKereth,
Barbara Sims. Escritório de segurança:
Robert Bruce. Fabricação de cordas:
Charles Neho. Gerente de locações:
Sally Sherratt. Instrução de linguagem
de sinais para Anna Paquin: Holly Hunter. Instrutor de dialetos para Harvey Keitel: Jon Sperry. Instrutor de dialetos para Anna Paquin:
Eddie Campbell. Instrutor de dialetos
para As Tias: Gena Pioro. Instrutor
de dialetos para Holly Hunter: Carla Meyer. Instrutor de piano para Anna Paquin: Judy Jones. Instrutor de piano para Holly Hunter:
Margie Balter. Intérprete: Nathalie
Celie. Intrutora de linguagem de sinais:
Darlene Allen. Leitura labial na Nova
Zelândia: David Donaldson, Bruce McArthur. Linguagem de sinais na Austrália: Denise Wolfson. Lutas: Iain 'Horace' Newton. Maquinista: Christine Bainbridge. Médico em tomadas submarinas: Andrew
Veale. Mergulhadores: Mark Asaia,
Leonard Fischer, Richard Moore. Personal
trainer para Harvey Keitel: Stephen Wernick. Pesquisa: Colin Englert, Peter Long. Piloto de helicóptero: Tony Monk. Planejamento de créditos: Peter Long. Publicidade: Rachel Stace. Relações
nas locações em Matakana: Garth Hodgetts. Réplica de piano: Alan Whear. Representantes
legais: Joanne Court, Peter Thompson. Secretaria
da produção: Susie Gibbs. Segurança
em locações: Mark Askew. Técnico de
engenharia: Malcolm Luker. Agradecimentos
a: Pierre Rissient. Estúdio de
gravação musical: Arco Studios. Fornecimento
de alimentação: Flying Trestles. Serviços
de promoção e marketing: Murray Weissman and Associates. Serviços gráficos: Optical &
Graphics. Facilidades de pós-produção:
Spectrum Films International. Licenciamento
e exclusividade de clip e fotos de cena: Visual Icon. Sistema de mixagem de som: Dolby. Tempo de exibição: 121 minutos.
(José Eugenio Guimarães, 1993; revisto e ampliado
em 1996)