Poucos filmes são tão originais e desafiadores como A
lenda de Ubirajara (1975), do bissexto André Luiz de Oliveira. É o seu segundo
longa, realizado seis anos após a revelação com Meteorango Kid, o herói
intergalático, clássico do "cinema marginal". A
lenda de Ubirajara é adaptação ousada de José de Alencar por um viés
que o transforma sem aviltá-lo. Surgiu em momento no qual a cinematografia
nacional entregou os mais inspirados produtos de temática indígena, aos
cuidados de Nelson Pereira dos Santos, Gustavo Dahl e Osvaldo Caldeira. Além de
significar o renascimento existencial do diretor, o filme se vale de processos
que potencializam as dimensões lendárias do romance. Contribui para isso o
vigor da encenação, que parece tributária exclusivamente da perspectiva
indígena, apartada de qualquer interferência exterior. Remete o espectador a
uma suposta "Idade do Ouro" das culturas nativas, anterior à chegada
dos portugueses. Além do mais, tem a ousadia de ser inteiramente dialogado em língua Macro-Gê
Karaja traduzida por legendas.
A lenda de Ubirajara
Direção:
André Luiz de Oliveira
Produção:
André Luiz de Oliveira, Jesus Chediak, Paulo Maurício
Oliveira
André Luiz Oliveira Produções Cinematográficas, Alo
Filmes, Makro Filmes, Thor Filmes, Grupo Filmes, Embrafilme
Brasil — 1975
Elenco:
Tarcísio "Tatau" José Alves, Ana Maria
Miranda, Zélia Moura Costa, Roberto Bonfim, Antônio Gonçalves do Nascimento,
Jesus Chediak, Jorge Anápolis, Antônio Carnera, Tep Kahok, Tatau Costa, Taíse
Costa, Povo de Goiânia.
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O diretor André Luiz de Oliveira (à esquerda) e o físico Amit Goswami |
O índio brasileiro nunca foi estranho
ao cinema do país, seja como protagonista ou de forma marginal e
instrumentalizada. Pelos registros, apresenta-se nos filmes de realizadores
nativos e estrangeiros desde 1914. É desse ano Nos sertões de Mato Grosso,
de Luís Thomas Reis. Daí para cá cerca de sessenta títulos das mais variadas
temáticas foram realizados. Destaco alguns, entre conhecidos ou não: No
país das amazonas (1921), de Silvino Santos; desse mesmo diretor, No
rastro do Eldorado (1924-1925); O caçador de diamantes (1932), de
Vittorio Capelaro; O descobrimento do Brasil (1937), de Humberto Mauro; Casei-me
com um xavante (1957), de Alfredo Palácios; Além do Rio das Mortes
(1958), de Duilio Mastroianni; Chão bruto (1958), de Dionísio Azevedo;
Macunaíma
(1969), de Joaquim Pedro de Andrade; Pindorama (1970), de Arnaldo Jabor; Iracema,
uma Transa Amazônica (1976), de Jorge Bodansky e Orlando Senna; O caçador
de esmeraldas (1979), de Oswaldo de Oliveira; Terra dos índios (1979),
de Zelito Viana; Mato eles? (1979), de Sérgio Bianchi; Índia, a filha do sol
(1982), de Fábio Barreto; Avaeté, a semente da vingança
(1985), de Zelito Viana; Yndio do Brasil (1985), de Sylvio
Back; A floresta das esmeraldas (1985), de John Boorman; Kuarup
(1989), de Ruy Guerra; Brincando nos campos do senhor
(1991), de Hector Babenco; Brava gente brasileira (2000), de
Lúcia Murat; Hans Stadden (2000), de Luiz Alberto Pereira; Tainá,
uma aventura na Amazônia (2001), de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch.
Merecem particular referência — não
exatamente pela qualidade mas expressividade literária e intenções
político-ideológicas do autor — as muitas adaptações das três obras do
"romântico indigenista" José de Alencar, dedicadas à edificação
simbólica da nacionalidade brasileira. Iracema, a virgem dos lábios de mel,
escrito em 1865, teve até o momento, pelo sabido, quatro transposições para o
cinema: Iracema (1919), de Vittorio Capelaro; Iracema (1931), de Jorge
S. Konchin; Iracema (1949), de Vittorio Cardinali e Gino Talamo; e Iracema,
a virgem dos lábios de mel (1979), de Carlos Coimbra. Já O
guarani, publicado em 1857, benefiou-se com seis adaptações — todas
preservando o título original do romance — pelas mãos de Vittorio Capelaro
(1916 e 1926), João de Deus (1920), Ricardo Freda (1950), Fauzi Mansur (1979) e
Norma Bengell (1996). Saído do prelo em 1874, Ubirajara foi duas vezes
levado à tela, por Luiz de Barros em 1919, preservando o título original, e por
André Luiz de Oliveira na realização em apreço.
A lenda de Ubirajara surge em período no qual o cinema
brasileiro realizou as mais frutíferas, bem acabadas e reflexivas incursões
pela temática indígena. Em 1970 Nelson Pereira dos Santos trouxe à luz o seu
manifesto alegórico-antropofágico marcado pela polarização "desenvolvimento-subdesenvolvimento"
em Como
era gostoso o meu francês. Gustavo Dahl leva à tela, em 1973, Uirá,
um índio em busca de Deus, sensível adaptação do ensaio etnológico de
Darcy Ribeiro, Uirá, um índio sai à procura de Deus, sobre a real peregrinação
messiânica de um índio Kaapor, acompanhado da família, rumo ao encontro da
Terra Sem Males de Maíra. Como protagonista político, deitando implicações que
se prolongam da época colonial ao presente, a figura do indígena simbolizando a
resistência à exploração é revisitada por Osvaldo Caldeira em Ajuricaba,
o rebelde da Amazônia (1977).
A carreira cinematográfica do baiano
radicado em
Brasília André Luiz de Oliveira é formada de poucos filmes. Desconheço
os curtas: Doce amargo (1969), A fonte (1972) e Ladeiras
de Salvador (1976). A estes se somam os no mínimo curiosos e
intrigantes longas: Meteorango Kid — O herói intergalático (1969), Louco
por cinema (1994), o para mim inédito Sagrado segredo (2009),
além de A lenda de Ubirajara.
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A lenda de Ubirajara é o segundo longa metragem de André Luiz de Oliveira |
Curtido no exercício da cinefilia ao
longo dos anos 60, quando assistiu filmes os mais diversos, André Luiz de
Oliveira, segundo alega, foi marcado acima de tudo por Terra em transe (1967),
de Glauber Rocha. Outras influências vieram do à época nascente "cinema
marginal" — principalmente de O Bandido da Luz Vermelha (1968), de
Rogério Sganzerla —, da experiência com alucinógenos, do Tropicalismo, Concretismo
e seus desdobramentos. Estudante da Universidade Federal da Bahia, abandonou a
graduação em Economia e se inscreveu no Curso Livre de Cinema da instituição,
sob responsabilidade dos críticos Guido de Araújo e Walter da Silveira. Não
demorou para se exercitar como roteirista e lançar o primeiro longa, o clássico
do "cinema marginal" Meteorango Kid, o herói intergalático,
basicamente um inventário de sua geração largada às drogas e falta de
alternativas. O assunto, apesar de ousado, mereceu o Prêmio do Público no
Festival de Brasília e a Margarida de Prata da Confederação Nacional dos Bispos
do Brasil. O progressismo católico iniciava seu momento de auge.
Passados seis anos, André Luiz de
Oliveira se entregou ao segundo longa: A lenda de Ubirajara. Aos que
estranharam a opção de um rebelde sem causa e lugar pela obra de José de
Alencar, as razões foram fornecidas ao entrevistador Gabriel Carneiro[1],
quando também explicou porque ficou tanto tempo sem filmar: sobrevivera
"ao apocalipse" das drogas e necessitava urgentemente de chão para
aterrissar e fincar raízes. O retorno à realidade se deu após reconciliação e
aproximação com o pai durante viagem ao Amazonas, em 1971. A exuberância
natural da região desconhecida estimulou-o à cura. "Foi um momento"
vital "de reencontro pai e filho, homem e natureza".
Diante disso, parece natural a opção
por José de Alencar, romântico que cantou a pujante natureza brasileira enquanto
recuperava e idealizava a imagem do Índio viril — resistente ao domínio
devastador do europeu — como inspirador da nacionalidade. Natureza e indígena conduziram
André Luiz de Oliveira ao reencontro consigo mesmo e à redescoberta de suas
possibilidades como criador. Daí, conclui-se que A lenda de Ubirajara, no
formato concebido, é realização de revelação e libertação. O próprio cineasta
se transporta ao lugar de José de Alencar. Certamente, identificou-se a ele,
percebido como marginal em seu tempo, um "Louco rejeitado pela elite
cultural brasileira". Ademais, "Gostei do seu texto, (...) vi nos
seus livros algo profundamente popular, (...) fala metaforicamente de
arquétipos coletivos relacionados à origem da raça brasileira (...)".
Completa dizendo: "Queria fazer algo diferente do que esperavam de mim,
(...) queria fazer algo diferente para mim mesmo"[2].
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Natureza e indígena conduziram André Luiz de Oliveira ao reencontro consigo mesmo e à redescoberta de suas possibilidades como criador |
O romance de nove capítulos é armado
como epopeia mítica, transcorrida linearmente. Localiza a ação em tempo anterior
à chegada dos portugueses e conta a formação da nação Ubirajara. O nome decorre
do fundador, o guerreiro da tribo Araguaia inicialmente conhecido como Jaguaré.
Jovem e forte, precisa demonstrar valor. Em jornada de iniciação, com duração
de muitos dias, busca oponente para se bater. Conhece a virgem Araci, da tribo
Tocantim. Apaixona-se. Ela logo desaparece, a tempo de comunicar que pertencerá
ao melhor dos pretendentes. Adiante Jaguaré encontra Pojucã, o mais valoroso guerreiro
Tocantim, afamado como "Matador de Homens" e considerado invencível.
O combate é inevitável. Os contendores medem forças durante muito tempo, até
Jaguaré vencer a peleja. Passa a ostentar o nome de Ubirajara, "Senhor da
Lança".
Pojucã, aprisionado, é levado à
aldeia Araguaia onde aguardará honrosa morte ritual. Este dia não chega. Ele implora
pela consumação do seu destino. Mas Ubirajara, arredio e triste, só pensa em Araci. Afasta-se
de Jandira, a quem está prometido. Entrega-a como "esposa de túmulo"
ao prisioneiro, com o fim de acalmá-lo. Parte rumo às terras Tocantins. Com o
nome de Jurandir é recebido com todas as honras pelo morubixaba Itaquê, pai não
apenas de Araci como de Pojucã. O forasteiro vence os combates pela mão da moça.
Impõe-se então a necessidade da correta identificação. Ubirajara fica em
situação delicada. Arma-se o conflito. A guerra é declarada. O guerreiro
retorna às terras araguaias e liberta Pojucã. Prepara-se junto aos seus para a
inevitável batalha contra a tribo de Itaquê e com a pretensão de se unir de vez
a Araci, sua por direito. Mas os tapuias, também levantados contra os tocantins,
tem primazia no confronto, no qual o vitorioso Itaquê perde a visão, ficando
incapacitado para a chefia. Um sucessor deve se apresentar. Será entronizado
aquele que dobrar o rígido Arco do Chefe. Ubirajara vence o feito. Instaura-se
a paz entre as tribos, doravante unidas por Ubirajara na nação que adotará o
seu nome. A saga chega ao fim com o herói unido a Jandira e Araci, cada qual lembrando
as origens tribais do novo grupo.
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Jaguaré (Tarcísio José Alves, à esquerda) se torna Ubirajara ao vencer Pojucã (Roberto Bonfim) |
Além da descrição dos indígenas, tão
dotados de determinação e virilidade, romance e filme abrem espaço a exaltação
da natureza exuberante na qual os personagens se encontram perfeitamente
integrados e em comunhão. A
moldura formada por matas, montes e rios é revestida de essencialidade. Texto e
imagens se armam epicamente na celebração de feitos heroicos e monumentais num
espaço que se assoma privilegiado e regenerador.
O filme não segue à risca as linhas
mestras do romance. É adaptação livre. Isso não significa traição às intenções
originais de Alencar. Logo que começa, letreiro informa a diferença entre filme
e livro, mas alerta que a realização "Contribui para a compreensão da
totalidade do autor". O importante, entretanto, é saber que A
lenda de Ubirajara é algo totalmente diferente no panorama geral do
cinema brasileiro. Esteticamente é belíssimo. O pano de fundo não é tão
majestoso segundo as idealizações do romance, mas a maneira de captá-lo é
hipnótica. O espaço da ação é plenamente valorizado. Há poesia nas imagens. As
cores dos resquícios naturais do Planalto Central goiano, contexto da encenação,
são esplendidamente captadas pela direção de fotografia de Mario Cravo Neto e
evidenciam a forma dos corpos em movimento e os motivos rituais que os recobrem.
O conjunto, realçado pela preciosa captação sonora de Jom Tob Azulay com
direção de Roberto Melo Leite e José Tavares, também sabe destacar os silêncios
do ambiente.
Pode-se dizer que André Luiz de
Oliveira deixou de lado as intenções de Alencar. O filme não romantiza os
indígenas. Adota tratamento, digamos, mais realista. Mesmo assim, os aspectos
míticos, tão caros ao romantismo, estão presentes. Evitá-los completamente
seria inevitável, pelo visto e sabido. O que se apresenta, de todo modo, é uma
idealização. Afinal, não se dispõe de informações objetivas, inteiramente
confiáveis segundo rigores científicos, sobre a vida que levavam aqui os
indígenas em tempos muito anteriores à chegada dos colonizadores. Assim, ganha
pleno sentido a palavra "lenda" do título. André Luiz de Oliveira foi
feliz em carregar a realização de motivos que aludem aos aspectos lendários. Até
a elogiável opção de dialogar o filme integralmente em língua Macro-Gê Karajá ,
com legendas em português — sugestão do cineasta Lionel Luccini imediatamente
encampada pelo diretor — amplia a dimensão de lenda, pois não é sempre que se
ouve alguém fazendo uso desse idioma.
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Aparentemente, André Luiz de Oliveira deixou de lado as intenções de José de Alencar. Mesmo assim, os aspectos místicos, tão caros ao romantismo e ao autor, não deixam de marcar presença |
Não foi fácil conduzir a realização. A
busca por autenticidade antropológica na reconstituição de gestos e costumes,
língua e adereços — disponíveis em lojas da Fundação Nacional do Índio (FUNAI)
— resultou em operação complicada mas, ao final das contas, benéfica. A
lenda de Ubirajara põe em relevo um retrato absolutamente crível da
encenação o que, paradoxalmente, só amplia o seu lado mágico na pretensão de
revelar o que teria sido a Idade de Ouro das populações pré colombianas no
planalto central do Brasil. Os atores Tarcísio José Alves, Ana Maria Miranda,
Zélia Moura Costa, Roberto Bonfim e Antônio Gonçalves do Nascimento,
devidamente caracterizados e praticamente irreconhecíveis, defendem com
obstinada e natural convicção — seja lá o que isso significa, pois não é comum
ver índios de verdade atuando para a câmera — os seus personagens,
respectivamente Ubirajara, Jandira, Araci, Pojucã e Itaquê.
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Ubirajara (Tarcísio José Alves) e Araci (Zélia Moura Costa) |
Em Como era gostoso o meu francês,
Nelson Pereira dos Santos optou pela leitura antropofágica aos mirar os
complicados relacionamentos entre índios e europeus no Brasil quinhentista[3].
Esse caminho foi evitado por André Luiz de Oliveira, como é lógico e evidente. Mesmo
assim, a antropofagia não deixa de marcar presença. Apresenta-se não da forma
pretendida pelos modernistas e adotada por Nelson Pereira dos Santos, mas no
sentido mais físico do termo, pois A lenda de Ubirajara, com sua
narrativa localizada num tempo mítico, não deixa de se comunicar com o presente
real preenchido por imagens de submissão e degradação física e cultural dos
indígenas. Os momentos iniciais e finais comunicam a Idade de Ouro retratada ao
atual período de decadência, ao mostrar o que sobrou dos povos altaneiros
idealizados e romanceados por Alencar: largados qual mendigos famintos e
dependentes da tutela estatal, perdidos nos cenários erguidos pelo artifício
humano no que é hoje Brasília, a Capital Federal. Aí, outrora, provavelmente, houve
um espaço dominado pela mata virgem na qual os índios se apresentavam como
senhores. Compreende-se, a partir dessa comparação, que foram canibalizados por
atos e valores da civilização erguida sobre seus despojos. Nos últimos créditos
do epílogo, um aviso comunica as intenções de réquiem do filme, realizado
"Em honra de todas as nações indígenas do passado e do presente e aos
futuros habitantes do Planalto Central".
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O que resta da idealização de Alencar? |
Como esforço regenerador levado a termo
em benefício do próprio André Luiz de Oliveira e dos povos ancestrais do
Brasil, A lenda de Ubirajara é realização que cumpriu inteiramente com
o seu papel. Hoje, parece relegado ao esquecimento. Apesar de disponível em DVD,
é pouco comentado. É exemplo dentre as muitas injustiças que rondam a produção
e exibição de filmes no Brasil.
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Cena do cotidiano tribal |
Ao menos acumulou significativo
número de láureas e fez relativa boa carreira nos festivais de cinema do país.
Mereceu do finado Instituto Nacional do Cinema (INC), em 1975, os prêmios pela
Melhor Fotografia (Mário Cravo Neto) e Melhor Cenografia (Régis Monteiro).
Nesse mesmo ano foi agraciado pela Melhor Trilha Sonora (Tuzé de Abreu) no Festival
de Lajes, Santa Catarina, e fez jus ao Candango por Melhor Roteiro (André Luiz
de Oliveira) no Festival de Brasília, quando foi indicado a Melhor Filme.
Recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1977, o troféu
pela Melhor Montagem (Amaury Alves).
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A glória de Ubirajara (Tarcísio José Alves) |
Depois de A lenda de Ubirajara
André Luiz de Oliveira ficou praticamente 20 anos afastado do cinema, isso não
considerando o pouco conhecido curta Ladeiras de Salvador, de 1976. O
próximo longa surgiu em 1994, o desconcertante e irônico Louco por cinema: Lula,
vivido por um estupendo Nuno Leal Maia, é cineasta enlouquecido pela própria
impossibilidade de filmar. Internado em hospício nos anos do Regime Militar,
conforma-se a esta realidade e enlouquece de vez ao resolver retomar a
atividade. Toma como refém um grupo de ativistas dos direitos humanos em visita
ao manicômio e exige uma câmera em resgate. Pouco vista, a realização acumulou cinco
prêmios Candango no Festival de Brasília por Melhor Direção, Filme, Trilha
Sonora, Ator, Ator Coadjuvante, além do Prêmio da Crítica para o diretor,
empatado com Helena Solberg por seu Carmen Miranda: bananas is my business
(1994). A seguir, André Luiz de Oliveira dispersou a carreira por diversas
atividades culturais. Retornou à condição de cineasta bissexto oficialmente em
2008, com Sagrado segredo, a respeito das celebrações da Semana Santa
pelo grupo Via Sacra, em Planaltina, Distrito Federal, realização em processo
desde 1999.
Direção de fotografia (Eastmancolor): Mário Cravo Neto. Direção de produção: Roberto Duarte. Produção executiva: Paulo Mauricio C.
de Oliveira, José Petrilho. Produtores
associados: K. M. Eckstein, Paulo Maurício C. Oliveira, Régis Monteiro,
Arnaldo Silveira. Assistência de
produção: José Emidio, Celso Peçanha, Gino Myrtes. Coordenação de produção: Jesus Chediak. Roteiro: André Luiz de Oliveira, com base em adaptação livre do
romance Ubirajara, o senhor da lança, de José de Alencar, por André
Luiz de Oliveira e Antônio Castor. Diálogos,
narração e intertítulos em língua Macro-Gê Karajá : Mário Arumani. Assistência de direção: Manoel Costa. Continuidade: Ana Ladeira. Assistência de fotografia: Cleber. Fotografia de cena: Jessel Buss dos
Santos. Direção de som: Roberto Melo
Leite, José Tavares. Som guia: Jom
Tob Azulay. Montagem: Amaury Alves. Assistente de montagem: Lúcia Maria L.
C. Soares. Cenografia: Régis Monteiro.
Assistência de cenografia:
Adomervil, Marcha Lenta, Papa-Terra, Antônio da Bahia, Jorge Anápolis. Contrarregra: Aragão Lima. Música: Tuzé de Abreu. Tempo de exibição: 102 minutos.
(José Eugenio
Guimarães, 2014)
[1]
GABRIEL Carneiro entrevista André Luiz de Oliveira. Caderno de cinema. <http://cadernodecinema.com.br/blog/andre-luiz-oliveira/>
Acessado em 13 ago. 2014.
[2]
Ibidem.
[3] Cf
neste blog: GUIMARÃES, José Eugenio. Abordagem alegórica da dominação cultural
e sua superação no tempo da França Antártica. <http://cineugenio.blogspot.com/2013/09/abordagem-alegorica-da-dominacao.html>.