O que seria do Cinema sem os seus maiores artistas, os diretores?
Ainda que seja esta uma arte indiscutivelmente coletiva, é o diretor quem
imprime a sua marca pessoal de ver a vida, levando toda a sua equipe, bem como
milhões de espectadores no mundo inteiro, a vivenciar a magia que é a Sétima
Arte... Por isso é que, para hoje, reuni três trechos de algumas de minhas
crônicas sobre alguns dos maiores artistas deste mágico ofício: Federico
Fellini, Stanley Kubrick e Martin Scorcese,
gênios que, dentre vários outros (Billy Wilder, Nelson Pereira dos Santos,
Gláuber Rocha, Akira Kurosawa, David Lean, Mario Moniccelli, Lars Von Trier,
Woody Allen, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman, François Truffaut...),
imprimiram seus diferentes estilos nas retinas de ardorosos fãs ao longo deste
pouco mais de um século de arte cinematográfica – grupo no qual me incluo, de
carteirinha nas mãos...
Parabéns a Martin Scorcese, o
grande cineasta nova-iorquino, o esteta da violência e dos tipos perdido e sem
esperança, no crime ou na vida, que hoje completa 62 anos. Infelizmente, o
grande e inovador artista "faleceu" no filme Os Bons
Companheiros, de 1990, último trabalho que realmente merece a assinatura do
mestre de obras-primas como Taxi Driver (76), Alice
não mora mais aqui (75) e Touro Indomável (80), além
de filmes "menores", porém sempre marcantes graças ao seu estilo
autoral de Mestre, como Depois de Horas (85), A Cor do
Dinheiro (86) e A Última Tentação de Cristo (88).
Entretanto, mesmo sem nenhum grande feito desde 90 (a não ser os interessantes A
Época da Inocência e O Aviador),
prestemos sempre nossas homenagens a este diretor que, ao lado de Spielberg,
Brian DePalma e Coppola (e... George Lucas?), formou a última grande geração de
inventividade do Cinema norte-americano, na década de 70.
(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Homenagem a um diretor
violento, de 11 de novembro de 2004)
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Martin Scorsese |
Falo com a saudade de
ter visto uma verdadeira obra-prima do Cinema aos quatorze anos, quando eu
ainda saía da poderosa e alienante influência 'hollywoodiana', que até então me
dominava: era Amarcord, o meu filme predileto até hoje, a que
assisti, pela televisão, com um estranho e inexplicável encantamento que poucas
vezes se repetiu desde então, a não ser que estivesse diante de outras
maravilhas da Sétima Arte, como A Doce Vida, Oito e Meio, Ensaio
de Orquestra e E La Nave Va.. ., todos verdadeiros espetáculos de
uma visão única do Cinema, todos trabalhos de Federico Fellini, este bonachão
amante das mulheres, da vida, da arte e dos sonhos - sonhos que nos levam a
Rimini, cidade natal do cineasta italiano, por vezes mostrada numa forma
sonhada (como em Amarcord), por vezes realista (como em Os
Boas Vidas, ainda de influência neo-realista), ou a Roma (no romântico,
belo e puro Noites de Cabíria) ou nos levando ainda à própria
Cineccitá, verdadeira Cidade do Cinema dentro de Roma, em seus gigantescos
estúdios (como podemos ver, pelos seus bastidores, no interessante e também
metalingüístico Entrevista) ou à própria fronteira entre o mar
aberto e um mar de mentirinha em estúdio na espécie de Torre de Babel vista
em E La Nave Va.. . Assim
era Fellini: gênio da ilusão dos mares e dos navios de plástico de Amarcord,
das emoções, como em La
Strada , e de seu vigoroso "machismo-feminista"
em Cidade das Mulheres... Graças a ele pude compreender, depois de
“velho”, já na minha adolescência, mais do intangível no Cinema e sobre como
esta arte realmente não tem limites, apesar de ele, que é um dos maiores nome
dessa dimensão única entre a realidade e a forma de a vermos através da
correspondente "mentira" das artes e dos sonhos, ter-se despedido do
"mundo real" há tristes dez anos, deixando a Sétima Arte, sem dúvida,
menos fantástica e onírica...
(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Vertebral: Dez Edições
Depois - Saudosas Homenagens, de outubro de 2004)
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Federico Fellini |
Cada vez com um maior período de tempo entre um filme e outro, Stanley Kubrick ficou mais de dez anos sem
filmar entre Nascido para Matar e o seu derradeiro
trabalho, De Olhos Bem Fechados (99, com o ex-casal Tom Cruise
e Nicole Kidman), tamanho o seu preciosismo e suas cada vez mais exigentes
manias de perfeccionismo, que acabaram lhe custando o fato de ter morrido, em
99, sem ver o seu último filme nos cinemas... Tanta genialidade foi acumulada
durante uma das mais perfeitas, consistentes e coerentes carreiras
cinematográficas de todos os tempos, capaz de ter experimentado e se saído com
sucesso nos mais variados gêneros e formas de narrativa (ainda que sempre
embasado no seu costumeiro "estilo épico" de três atos para contar
uma estória) – qualidades reservadas para muito poucos neste mundo de arte cada
vez mais sem poesia... Kubrick (que ora jaz em algum lugar entre a “aurora do
homem”, o espaço e o eterno recomeço que se espera do Criador): obrigatoriedade
para todos os que querem crescer no entender, ver e sentir a verdadeira Arte do
Cinema!
(Dilberto Lima Rosa, trecho da crônica Minhas Memórias
Kubrickianas, de janeiro de 2005)
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Stanley Kubrbrick |
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