domingo, 5 de junho de 2016

LUCKY LUKE E OS DALTON DESAFINAM NA BALADA

Segundo minhas fontes, a coprodução franco-belga Lucky Luke: a balada dos Dalton (La ballade des Dalton/The ballad of the Daltons, 1978) é a segunda aventura cinematográfica do cowboy desenhado por Morris (Maurice de Bévère) em 1946. Tornou-se, desde então, protagonista de célebres histórias em quadrinhos, as melhores com roteiro de René Goscinny — criador, com Albert Uderzo, em 1959, dos não menos famosos Asterix e Obelix. Infelizmente, as aventuras gráficas do personagem, tão cinematográficas em princípio, não tiveram sorte na transposição para as telas em formato de desenho animado. Lucky Luke apareceu pela primeira vez no cinema em 1971, no morno Lucky Luke, o destemido (Lucky Luke). Não experimentou melhor retorno à tela grande em Lucky Luke: a balada dos Dalton. Os personagens, tão personalíssimos e carismáticos nos quadrinhos, foram reduzidos ao unidimensional em aventura desprovida de dinamismo. Decepciona inclusive como filme infantil. Além do mais, o cowboy é coadjuvado pelo desinteressante, inútil e bobalhão cão policial Ran-Tam-Plan, o equivalente, no velho Oeste, ao Jar Jar Binks da saga Star wars. A apreciação a seguir, de 1998, foi escrita com preguiça e mau humor diante da frustração com o filme.







Lucky Luke: a balada dos Dalton
La ballade des Dalton/The ballad of the Daltons

Direção:
René Goscinny, Morris, Henri Gruel, Pierre Watrin
Produção:
Georges Dargaud
Dargaud Films, Les Productions René Goscinny, Studios Idefix
França, Bélgica — 1978
Elenco:
Vozes originais de Roger Carel, Georges Atlas, Daniel Ceccaldi, Jacques Balutin, Xavier Depraz, Jacques Deschamps, Gisèle Grimm, Michel Elias, Bernard Haller, Gérard Hernandez, Henri Labussière, Roger Lumont, Jacques Legras, Jacques Morel, Ada Lonati, Henri Poirier, Lawrence Riesner, Pierre Trabaud, Jean-Marc Thibault, Rosy Varte, Pierre Tornade, Henri Virlojeux, René Goscinny, Eric Kristy.


Os diretores René Goscinny e Morris


Ao que parece, conforme as fontes, este é o segundo desenho animado longo de Lucky Luke ― cowboy das histórias em quadrinhos francesas, criado em 1946 por René Goscinny e Morris, também diretores do filme. O anterior, realizado exclusivamente por Goscinny, é de 1971: Lucky Luke, o destemido (Lucky Luke).


Lucky Luke


Lucky Luke: a balada dos Dalton apresenta o herói e seu fiel cavalo Faísca — originalmente Jolly Jumper — novamente às voltas com o quarteto fora-da-lei formado pelos pouco inteligentes irmãos Dalton: Joe, Jack, William e Averall. Auxilia-os Ran-Tam-Plan, cão policial abobalhado.


O abobalhado cão Ran-Tam-Plan na pista dos irmãos Dalton: Averall, William, Jack e Joe

Os Dalton

Joe Dalton, o mais baixo, esperto i irritadiço dos irmãos


Na prisão, os Dalton recebem do advogado informações sobre a execução de um tio também meliante, que lhes deixou considerável fortuna em herança. Para recebê-la, devem eliminar jurados e juiz responsáveis pela condenação. Ou os beneficiados serão as obras de caridade. Mais: alguém de moral ilibada — certamente Lucky Luke, inimigo mortal da família — deve testemunhar os feitos. A simples alusão ao nome do cowboy faz o quarteto espumar de raiva, principalmente o baixinho Joe — o mais irascível e inteligente do grupo. Assim são os Dalton: quanto mais alto, mais calmo e estúpido.


Os Dalton

O Juiz, Lucky Luke e Joe Dalton

Os Dalton e Lucky Luke


Não há outro jeito. Dispostos a entrar na posse da riqueza, resolvem satisfazer a vontade do tio. Explodem a prisão e escapam por um túnel, acompanhados do cão Ran-Tam-Plan. O bicho os seguirá por toda parte, certo de que são perigosos. Os Dalton encontram Lucky Luke e o informam do plano. Receberá parte da herança caso testemunhe e confirme a eliminação dos responsáveis pela condenação do tio. O herói impoluto aceita, logicamente com segundas intenções. Não apenas salva o juiz e os jurados como prepara novo julgamento para a quadrilha, devolvida à prisão.


Lucky Luke em seu fiel Faísca (Jolly Jumper) e os subjugados irmãos Dalton

  
Lucky Luke: a balada dos Dalton padece do mesmo mal que acometeu o antecessor Lucky Luke, o destemido: ausência de dinamismo. Há mais movimento, ritmo e animação num único quadrinho das espertas e interessantes historietas do cowboy que em todos os fotogramas de suas aventuras cinematográficas. No todo, é um filme morto. Desperta entusiamo em alguns breves momentos, insuficientes para sustentar a atenção ao longo de toda a projeção. O argumento tolo abusa da inteligência do espectador. Bandido de desenho animado tem o hábito de ser pouco esperto, mas os Dalton exageram. Filme para crianças não precisa ser infantil, muito menos infantiloide. Também não havia a menor necessidade de gastar acetato, lápis e tinta com o inútil e tão pouco interessante Ran-Tam-Plan, bobalhão além da medida.





Fotografia em Eastmancolor. Argumento e roteiro: René Goscinny, Morris, com a colaboração de Pierre Tchernia. Música e direção musical: Claude Bolling. Direção de produção: Henri Gruel, Pierre Watrin. Efeitos sonoros: Henri Gruel. Assistente de gerência de animação: Georges Grammat. Animadores: B. Roso, Patrick Cohen, Nic Broca, B. Maxfield, J. Galan, J. P. Tardivel, J. Potier, F. Milia, P. Jodon, V. Miessen, G. Faisien, D. Gourdin, Y. Fercoq, Marcel Colbrant, Florence Cuvelier, Lieve De Valck, Patrick Deniau, Chris Evans, Bernard Fiévé, Maurice Giacomini, Jean Gillet, Philippe Grimond, Marie-Luce Image, Victor Lagoutte, Claude Monfort, R. Borge, Jean-Pierre Tardivel, José Xavier. Produção executiva: Henri Gruel, Pierre Watrin. Montagem: Pierre Chabal, René Chaussy, Henri Gruel, Francis Nielsen. Gerente de produção: Serge Caillet. Assistência de direção de animação: Georges Grammat. Som: C. Hermelin, René Hanotel. Gravação de som: Pierre Biecher (não creditado). Operadores de câmera: Jacques Capo, Michel Gantier, Claude Pointis. Assistentes de câmera: P. Meslet, Luc Moreux, Philippe Normand. Pintura em celuloide: Odile Besson, P. Bonnaire, Sylvie Bouche, Lysiane Jollivet, G. Paturel. Assistentes de animação: Ivan Kassabov, A. Laurence, X. Levan, Patrick Schwerdtle, Dominique Tardivel, Françoise Vannereau, Jean-Pierre Watrin, Coraline Yordamlis-Bourgeois, Mária Zsebényi. Desenhos de fundo: Pierre Leroy. Assistentes de montagem: Denis Gruel, Luc Moreux, Annie Yonnet. Colaboração musical: Matheus Grand. Administração: Régis Algoed, Dominique Frangoulis, Marie-Claude Martin, Maurice Salmon. Assessor de imprensa: Françoise Beverini. Assistência técnica: Pierre Gherardini, N. Grammat, Raymonde Roso, Gérard Soirant, B. Winter. Supervisão técnica: Jacques Leroux. Companhia de efeitos óticos e títulos: Les Films Michel François. Serviços de auditório: S.I.M.O. Tempo de exibição: 82 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1998)

6 comentários:

  1. Eugenio,

    Lamento não poder citar qualquer palavra atinente ao texto por desconhecer completamente o filme em pauta.

    Abraço

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Não precisa lamentar, Jurandir. Não é filme que valha a pena. Melhor ler as histórias em quadrinhos. São excelentes.

      Abraços.

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  2. É unha mágoa como esnaquizan unha historia tan boa.!! Boa tarde!!

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    1. Buena tarde, mi caro "El Baile de Norte". Sí, de hecho es una pena. La historia original ya era cinematográfica. Infelizmente, no supieron tratar el material en el formato de las imágenes en movimiento. Una lástima.

      Abrazos y saludos

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  3. Es un apena que la producción no supo enfocar todos los recursos creativos de que se disponía...Oye cielo,hacemos un corto de las aventuras de J.E y María? No estaría nada mal...Estupenda reseña,me gusta tu profesionalismo y la veracidad de tu critica que no se deja cegar por la diversión de una cara animada sino que va hasta el fondo del proceso y resultado fílmico...Gracias por tan fabulosa y detallada entrada...Te quiero,aunque eso ya lo sabes :)

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    1. Hola, querida Maria del Socorro. Bueno verla! Por el visto está, ya, más animada. ¿Quién sabe no podremos hacer, un día, esta película corta sobre las aventuras de J.E. y Maria? Por ora, vamos a imaginar como sería esa historia, que uniría lo Brasil a México. A pesar de su elogio, es una resenha simple, que escribí con poca gana, pues la película poca me agradó. Lucky Luke es uno personaje tallado para el cine, pero que aún aguarda una buena oportunidad. Espero que los directores, animadores y guionistas no hayan se olvidado de él. También quiero muy a a ti, que es una personaje que me fascina. Para ti, todo mi amor y carinho.

      Besos.

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