domingo, 11 de maio de 2014

WESTERN EXEMPLAR DE HENRY KING EXPÕE A ALMA TORTURADA DO MATADOR

Anticlimático, estruturado como o avesso do western que é, O matador (The gunfighter, 1950) é brilhante em sua composição enganadoramente simples. É um dos grandes momentos do diretor Henry King e de Gregory Peck. Magnificamente fotografado em preto-e-branco por Arthur C. Miller e com discreto mas eficaz acompanhamento musical de Alfred Newman e Dimitri Tiomkin, o filme une ao western a inevitabilidade grega da tragédia. Peck interpreta o amargurado Jimmy Ringo, pistoleiro de alma destruída e destituído de lugar no cenário dos últimos dias do velho Oeste. Por força das circunstâncias e das próprias escolhas perdeu o controle sobre os rumos de sua existência. Vive impulsionado pela intervenção de variáveis alheias, esculpidas pelo destino. Erroneamente classificado como o primeiro western psicológico, O matador é, entretanto, um dos expoentes dessa vertente inaugurada por John Ford com o clássico e modelar No tempo das diligências (Stagecoach, 1939). A apreciação a seguir é de 1986.






O matador
The gunfigther

Direção:
Henry King
Produção:
Nunnally Johnson
20th. Century-Fox
EUA — 1950
Elenco:
Gregory Peck, Helen Westcott, Jean Parker, Karl Malden, Richard Jaeckel, Skip Homeier, Millard Mitchell, Anthony Ross, Verna Felton, Ellen Corby e os não creditados Archie Twitchell, Larry Buchanan, Angela Clarke, Cliff Clarke, David Clarke, Eddie Ehrhart, Jack Elam, Alan Hale Jr., Jean Inness, Mae Marsh, Harry B. Mendoza, James Millican, Alberto Morin, Ed Mundy, B. G. Norman, Eddie Parks, Hank Patterson, John Pickard, Harry Shannon, Kim Spalding, Houseley Stevenson, Ferris Taylor, Kenneth Tobey, William Vedder, Anne Whitfield, Credda Zajac, Victor Adamson, Murray Alper, Chet Brandenburg, Edmund Cobb, Dick Curtis, Harry Harvey, Tommy Lee, Pierce Lyden, Warren Schannon, Jack Tornek, Dan White, Blackie Whiteford, Michael Branden.



O diretor Henry King - o segundo da esquerda para a direita - na companhia dos seus pares:
Frank Lloyd (primeiro à esquerda), John Ford e Frank Borzage (primeiro à direita)


Gregory Peck estrelou meia dúzia de filmes para Henry King. Desconheço o sexto, O ídolo de cristal (Beloved infidel, 1959), sobre o romance entre Francis Scott Fitzgerald e a colunista Sheilah Graham. Para Rubens Ewald Filho é realização infeliz e, segundo a própria Sheilah, “tão ruim e (...) mentiroso” que ela preferiu sair “da cidade (Hollywood) por uns tempos”[1]. O terceiro, David e Betsabá (David and Bathsheba, 1952), extraído da Bíblia, é insatisfatório, o mesmo valendo para o quarto, As neves do Kilimanjaro (The snows of Kilimanjaro, 1952), baseado em livro homônimo de Ernest Hemingway. O primeiro, o intimista drama de guerra Almas em chamas (Twelve O’clock high, 1949), indicou Peck ao Oscar de Melhor Ator[2] e concorreu na categoria de Melhor Filme. O quinto é o bom Estigma da crueldade (The bravados, 1958), western de narrativa rápida e segura, um dos mais eficientes sobre o batido tema da vingança. Mas nada se compara ao segundo filme da dupla, o discreto, despojado e enganadoramente simples O matador. Não ganhou prêmios, mas frequenta as listas dos melhores westerns de todos os tempos.


1880: o velho Oeste está próximo do fim. O “texano alto e magro” Jimmy Ringo (Peck) goza de muita notoriedade e nenhuma tranquilidade. Pistoleiro, matou 12 homens. O magnetismo da fama lhe credita mortes que não causou em cidades que sequer conhece. O personagem faz, entre amargo e irônico, o balanço de uma existência chegada aos 35 anos sem nada construir. Sequer possui a segurança de um lugar que possa reconhecer como seu. “É uma bela vida, não é? Procurando continuar vivo. Sem viver realmente. Sem apreciar nada. Só tentando evitar ser morto”. Onde quer que vá encontra alguém, geralmente um jovem em busca de afirmação, querendo lhe tomar o título de gatilho mais rápido que se conhece.



"O texano alto e magro" Jimmy Ringo (Gregory Peck)


As primeiras cenas de O matador exibem os créditos sobre o personagem cavalgando no deserto. É simbólica essa imagem. A amplidão do espaço vazio e árido, distante de tudo e todos, incapaz de sustentar a vida, traduz o mundo e a alma de Jimmy Ringo. Revela a nulidade de uma trajetória feita de destruição. Ele tem ciência do significado de seu papel. Sabe que seu tempo se aproxima do fim, como o selvagem Oeste dos pistoleiros no qual foi formado. As cidades crescem, impulsionadas pelos valores da civilização. Mas não abrem espaço para gente como Ringo. É no deserto  distante dos laços da sociabilidade e da ousadia dos fanfarrões que lhe pretendem o posto  que encontra paz e segurança não permitidas pela má fama. Na primeira localidade em que chega é obrigado a matar o arrogante Eddie (Jaeckel), rapazola que o desafiara. Perseguido pelos irmãos da vítima (Hale Jr., Cliff Clarke e Pickard), ruma para Cheyenne, Novo México, onde se haverá com Hunt Bromley (Homeier), outro jovem candidato à fama.


Jimmy Ringo (Gregory Peck)


Jimmy Ringo lamenta a própria sorte ao manifestar pesar pela estúpida morte do amigo e pistoleiro Buck, encontrado num beco, estirado, com um tiro na nuca. Para a desamparada viúva Molly (Parker) deixou apenas dois revólveres, um cavalo, uma sela e 15 dólares. Silenciosamente, inveja o ordeiro e pacato Johnny (Twitchell), casado e dono de propriedade adquirida com o trabalho. Sente o mesmo por Mark Strett (Mitchell), atual delegado (marshal) de Cheyenne, outrora celerado como ele, mas que teve a sorte de saber o momento de parar e mudar de vida. Mark é o exemplo de homem que ele oferece a Jimmie (Norman) — o filho de 8 anos que teve com a professora Peggy Walsh (Westcott).


Gregory Peck é o torturado Jimmy Ringo.


São 7h50min quando Johnny Ringo chega ao Palace Bar, em Cheyenne. Daí em diante o filme conta as pouco mais de duas horas de vida que lhe restam. Não parece perigoso — notam alguns personagens. Na descrição do delegado está “um pouco mais velho, mais cansado, menos atrevido do que costumava ser”. Ou, segundo Molly, “Não está mais selvagem, apenas triste”. Na verdade, encontra-se esgotado. Veio a Cheyenne revirar o passado e arriscar a construção de um futuro alternativo, se possível em algum lugar distante (América do Sul, por exemplo) onde não o conheçam e possa ter paz. Deseja pendurar as pistolas e levar vida normal. Mas há muito perdeu o controle sobre a própria história. Vive impulsionado pela intervenção de variáveis alheias à própria vontade. Tem existência moldada pelo destino, como um personagem de tragédia. Mark sabe disso. Apesar da amizade a Ringo, pede-lhe para não se demorar em Cheyenne. Teme que sua presença traga consequências nefastas para a cidade.


Ringo deseja rever Peggy e conhecer o filho. Ela, em luta contra o passado, resiste à ideia. É professora em Cheyenne; uma agente da civilização, portanto. Faz parte de um mundo gregário e estável. Divulga ideias e valores diametralmente opostos aos representados pelo pistoleiro errante. Na cidade ninguém sabe de seu envolvimento com Jimmy Ringo, exceto o delegado. Jamais revelou a Jimmie que ele é filho do homem mais famoso daquelas bandas.



Gregory Peck no papel de Jimmy Ringo


Jimmy Ringo, por recomendação de Mark, passa quase todo o tempo acomodado no Palace Bar, esperando a oportunidade de se avistar com Peggy. Mesmo assim, praticamente oculto, tumultua Cheyenne. Não demora para toda a cidade saber de sua presença — principalmente os garotos, que montam plantão na porta do estabelecimento. Discutem quem, no Oeste, é mais rápido. Ringo se incomoda com a algazarra. Não pretendia servir de mau exemplo. Fica sabendo que Jimmie faz parte da turma. Pensa na própria infância, nas oportunidades que desperdiçou ou não teve. Questiona Mark: “Que bela maneira de educar um menino! Fazendo confusão na porta de um bar. Não há uma escola nessa cidade?” É informado que a meninada cabulou aula para vê-lo.


As representantes da liga da decência de Cheyenne  Mrs. Pennyfeather (Felton), Mrs. Devlin (Corby), a esposa (Angela Clarke) do barman (Malden) e Mrs. O'Brien (Marsh)  se mobilizam contra a presença do pistoleiro e pedem providências ao delegado. O idoso Sr. Jerry Marlow (David Clarke) se arma para emboscar Ringo, acreditando erroneamente que se trata do assassino de seu filho. O candidato a pistoleiro Hunt Bromley, enciumado com a repercussão da presença do personagem de Peck na cidade, resolve provocá-lo, na tentativa de provar que é o melhor. É regiamente escorraçado. Peggy afasta Jimmie da frente do bar. Tranca-o em casa. Mas o garoto foge pelo telhado e volta ao Palace. Os irmãos de Eddie chegam à cidade.



Molly (Jean Parker) e Jimmy Ringo (Gregory Peck)


Com a intervenção de Molly, Ringo encontra Peggy ao se esgotar o tempo de sua permanência em Cheyenne. Tenta convencê-la a participar de seu projeto de mudança de vida. Ela, a princípio, reluta, mas lhe dá uma chance. Porém, mais importante, apresenta-o a Jimmie. Ringo não revela ao garoto que é seu pai. Mesmo assim, conversam demoradamente sobre o futuro. Está pronto para partir. Charlie (Ross), auxiliar do delegado, aprisiona os irmãos de Eddie quando preparavam uma emboscada. O problema é o ressentido Hunt Bromley: atira pelas costas quando Ringo iniciava a cavalgada. Os ferimentos são mortais. Antes de expirar, Ringo convence Mark a não prender o assassino. Diz a ele: “Faria um favor se o deixasse ser enforcado e acabasse logo com isso. Mas quero que viva. Seja um matador durão. Mais tarde entenderá. Espere e verá”. Ringo lançou sobre Hunt a marca da maldição, que todos os pistoleiros carregam. “Há muitos esperando pela chance de matar o homem que matou Jimmy Ringo” — completa Mark, antes de expulsar de Cheyenne o novo matador.


Jimmy Ringo (Gregory Peck) e Peggy Walsh (Helen Westcott)

  
O matador é magnificamente fotografado em preto-e-branco por Arthur C. Miller e traz discreto mas eficiente acompanhamento musical de Alfred Newman e Dimitri Tiomkin. O sisudo Gregory Peck oferece como o lacônico e amargo personagem do título um dos melhores desempenhos de sua carreira. O papel se encaixa maravilhosamente ao fenótipo do ator, que teve a chance de repetir a proeza ao interpretar Jim Douglas, o vingador de poucas palavras de Estigma da crueldade.



Jimmy Ringo (Gregory Peck) com o filho Jimmie (B. G. Norman)


Pela forma da narração O matador se assemelha mais a um antiwestern. Isso quer dizer: Henry King construiu um drama intimista, sobre alguém que amarga uma vida dominada pela falta de sentido. Quase não há tomadas exteriores. O filme se passa praticamente em ambiente fechado. Os portentosos, expansivos e marcantes horizontes dos westerns são exibidos somente na abertura, durante a apresentação dos créditos, e na evocativa e crepuscular cena final. Cumprem função de reforçar os aspectos mítico e lendário da vida de Jimmy Ringo, que ele nunca controlou. Mas o principal bloco narrativo é todo anticlimático. Mostra um homem fechado em estoicismo, manifestando sincera vontade de romper com o próprio mito, desejando a prosaica tranquilidade do cidadão comum, ansioso para reordenar em sentido contrário a trajetória em que se firmou. Henry King carrega de austeridade e concisão essa antiepopeia crepuscular. O filme conduz a conclusões acres e melancólicas. Por um lado há o indivíduo Jimmy Ringo, impotente diante dos ordenamentos da vida. De outro há uma sociedade incapaz de reajustar os próprios valores ao pretender incorporar os mores do mundo civilizado; conservando atuantes os fatores que favorecem o surgimento dos pistoleiros. O cioso delegado Mark Strett, representante da lei e da ordem, não consegue evitar a tragédia final. Como mães, as moralistas senhoras de Cheyenne se revelam incompetentes para impedir o surgimento de negações sociais como Hunt Bromley. A escola é ineficaz para incutir novos valores nas crianças em formação.


Jimmy Ringo (Gregory Peck) com 0 delegado Mark Strett (Millard Mitchell) e sendo desafiado por Hunt Bromley (Skip Homeier)


Para muitos, O matador é o primeiro western psicológico. Ora, não é mesmo! Antes dele há Sangue na lua (Blood on the moon, 1948), de Robert Wise, e, principalmente, No tempo das diligências (Stagecoach, 1939), de John Ford, precursor de todos os westerns modernos, inclusive os psicológicos.







Roteiro: William Bowers, William Sellers (não creditado), Roger Corman (não creditado), André De Toth (não creditado), baseados em história de William Bowers e André de Toth. Música: Alfred Newman, Dimitri Tiomkin (não creditado). Direção de fotografia (preto-e-branco): Arthur C. Miller. Direção de arte: Lyle R. Wheeler, Richard Irvine. Decoração: Thomas Little, Walter M. Scott. Montagem: Barbara McLean. Direção de guarda-roupa: Charles Le Maire. Figurinos: Travilla. Orquestração: Edward B. Powell. Maquiagem: Ben Nye. Efeitos fotográficos especiais: Fred Sersen. Som: Alfred Bruzlin, Roger Herman. Penteados: Myrtle Ford (não creditada). Gerente de produção: Joseph C. Behm (não creditado). Assistente de diretor: F. E. 'Johnny' Johnston (não creditado). Dublês: Ted Mapes (não creditado), Duke York (não creditado). Operador de câmera: Paul Lockwood (não creditado). Fotografia de cena: Cliff Maupin (não creditado). Guarda-roupa: Sam Benson (não creditado), Ed Wynigear (não creditado). Direção musical: Alfred Newman (não creditado). Continuidade: Teresa Brachetto (não creditado). Edição do roteiro: Roger Corman (não creditado). Sistema de mixagem de som: Western Electric Recording. Tempo de exibição: 85 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1986)




[1] EWALD FILHO, Rubens. Os filmes de hoje na TV. São Paulo: Global, 1977. p. 101. Parênteses de José Eugenio Guimarães.
[2] Peck ganhou a estatueta de Melhor Ator por O sol é para todos (To kill a mockingbird, 1962), de Robert Mullingan. Além de Almas em chamas recebeu indicações por As chaves do reino (The keys of the kingdom, 1944), de John M. Stall; Virtude selvagem (The yearling, 1946), de Clarence Brown; e A luz é para todos (Gentleman’s agreement, 1947), de Elia Kazan.

19 comentários:

  1. Fantastica analise-critica..e quase "universal",qdo se "analisa matadores" seja no farste,na espionagem, nas guerras...Tenho este e inumeros outros filmes fora-de-catalogo em DVD
    MEMÓRIA DA T V E DO CINEMA-
    ONG - CULTURAL DE RESGATE E PRESERVAÇÃO DE IMAGENS DA TV E CINEMA NO BRASIL
    ACERVO DE COLEÇÃO, MUITOS TELECINADOS OU CONVERTIDOS DE VHS, OUTROS ADQUIRIDOS DE COLECIONADORES, COM BOA QUALIDADE DE
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    ireii divulgar esta tua critica e blog em meus catalgos,se me permitir.

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    1. Obrigado pela apreciação, magobardo. Permito, claro, a divulgação da apreciação e do blog em seus catálogos. Gostaria, sim, de conhecer o seu acervo. Enviarei e-mail assim que for possível. Um abraço.

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  2. Olá Eugenio, uma fascinante matéria que é digna de todos os cumprimentos, e a recordar um dos grandes faroestes do cinema, um dos primeiros a introduzir o chamado WESTERN PSICOLÓGICO (e cujo “Pai”, dizem alguns críticos, é Anthony Mann, e deve ser mesmo, tendo em vista que fez 5 westerns ao estilo com Jimmy Stewart).

    O que falar de Gregory Peck, um dos maiores astros do cinema do Século XX, que era basicamente o suporte de uma grande produção? Vimos o Peck galã, herói, o sonho de consumo de todas as mulheres nos anos de 1940, 50 e 60, agora a personificar um anti-herói amargurado e trágico, talvez humano demais.

    É sabido que Peck recusou o papel de Will Kane em MATAR OU MORRER por se tratar de outro faroeste psicológico e não queria repetir a similaridade de O MATADOR, mas ao contrário do personagem de Gary Cooper no clássico de Zinnemann, que era um homem da lei, Jimmy Ringo (Peck) é um pistoleiro que procura mudar de vida e tentar esquecer o passado, contudo ele não consegue viver em paz porque outros o procuram para desafia-lo, com intuito de descobrir quem saca mais rápido.

    Tudo foi dito com maestria e perfeição nesta matéria, Eugenio, pois o faroeste psicológico, em sua grande parte, tem como pano de fundo a redenção do protagonista, como vemos em tantos westerns, tais como em SHANE (de George Stevens) e na obra acurada de Anthony Mann, que viria exercer grande influencia tempos depois em outras obras ao estilo. Sem dúvida, merece estar entre os dez maiores westerns de todos os tempos, ao lado de MATAR OU MORRER e RASTROS DE ÓDIO. Obra Prima.

    Grande abraço

    PAULO TELLES – Blog Filmes Antigos Club
    http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Paulo! Grato por este comentário enriquecedor.

      Concordo com você, em parte, acerca da paternidade do western psicológico. De fato, Anthony Mann ampliou os limites do gênero. Ele humanizou seus personagens, ao revelar as suas idiossincrasias bem como seus demônios internos. Mas como tudo tem um começo e estes começos estão bem situados no tempo, ainda fico com John Ford na paternidade. "No tempo das diligências" é o marco inaugural do western psicológico, a partir dos conflitos - até então inéditos - entre os passageiros embarcados no veículo. Ali está um mundo em miniatura e as individualidades conflitantes, bem demarcadas, que nele habitam.

      Sobre Gregory Peck, talvez soe como heresia o que vou dizer. É um ator com limitações. Particularmente não gosto dele em "Moby Dick", por exemplo. Por pouco ele não estragou um grande filme. Ahab é um personagem chapado. Mas o Peck de "O matador" é sublime. A aparente dureza do ator se casou perfeitamente com o papel e não impediu que ele se revelasse tão doce como o liberal advogado Atticus Finch de "O sol é para todos".

      Quanto ao mais, sempre fico contrariado com o aparente menosprezo que é devotado ao western - não por nós, claro, que somos fãs empedernidos do gênero. Mas é sempre visto como cinema menor, como filme de ação, simplesmente. Na verdade, creio, é o gênero que permite o melhor conhecimento do que é o indivíduo estadunidense, aquele que está apoiado em si mesmo, nos seus valores e em suas convicções, para o bem e para o mal. Shane é uma face do western. Thomas Dunson (John Wayne) de "Rio Vermelho" é outra, provavelmente a mais despótica e assustadora, se deixarmos Ethan Edwards de fora. Como Bush me faz lembrar o Thomas Dunson, ainda mais nas palavras do personagem Simms Reeves (Hank Worden): "Mata e reza, mata e reza".

      Forte abraço.

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  3. Fala Eugenio!

    Com certeza Peck foi um dos maiores astros de Hollywood, mas não era um brilhante ator realmente. Ser astro de cinema e ser um ótimo ator são duas coisas bem diferentes. Ele era mesmo limitado, e o Ahab em Moby Dick chega de fato ser uma atuação exagerada e caricata.

    Quando ele fez o Capitão inglês em FALCÃO DOS MARES, tentaram ensina-lo um sotaque britânico, mas sem sucesso. Peck não era bom para sotaques.

    Muito bem abordado, o western NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, que é uma análise psicológica onde pessoas de diferentes status e personalidades estão dentro de uma diligência e terão que lidar com suas diferenças. Ford realizou não só um excelente trabalho, como fez com que o elenco se tornasse conhecido ao público, e claro, quem se deu melhor foi o DUKE WAYNE, não é mesmo?

    Perfeito! Perfeito!
    PAULO TELLES – Blog Filmes Antigos Club
    http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Paulo!

      "Nussa!". "O falcão dos mares" ("Captain Horatio Hornblower R.N.", 1951): vi no cinema, em matine. Raoul Walsh em grande forma. Adoro esse filme. Nunca mais o vi, mas tenho ótimas lembranças.

      No fundo, não importam as limitações do Peck ou de outros atores. O que fica, mesmo, são os instantes de felicidade que esse pessoal nos proporcionou e ainda proporciona. Eles podiam ser falhos algumas vezes, mas, mesmo assim, eram, aos nossos olhos, perfeitamente críveis. Estão nos melhores compartimentos de nossas memórias afetivas.


      "No tempo das diligências" é o meu exemplo de filme perfeito. Também é mítico. Foi meu primeiro contato com John Ford, por influência paterna, em 1964. A última vez que o vi no cinema foi em 1977, em Belo Horizonte. Entrei na sessão das 14 horas, a primeira. E saí ao término da última, perto da meia noite. Verei sempre "No tempo das diligências". E pensar que John Wayne chegou a vacilar quando Ford lhe ofereceu o papel. Sugeriu Lloyd Nolan ao diretor. Ford ficou p. da vida com isso.

      Estou para rever "Moby Dick". Gosto do filme, apesar do Peck não estar em seus melhores dias.

      Abraços.

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    2. Olá Eugenio!

      Sem dúvida é irrelevante as limitações dos astros e das estrelas que tanto apreciamos, eainda, quando ainda se aprecia um verdadeiro clássico, como FALCÃO DOS MARES. Ainda o filme é agraciado pela presença da bela Virginia Mayo, outra atriz limitadíssima, que ainda assim, fez sucesso nos anos de 1950. Por falar em Virginia, tenho um conhecido que tirou foto ao lado dela durante um evento de filmes de westerns na Califórnia, isto pelos idos de 1995 e 1998. Ainda era uma senhora de bom aspecto, de cabelos compridos, e muito simpática pelo que ouvi dizer.

      Agora convenhamos!

      Lloyd Nolan para o papel de Ringo Kid?

      O que o DUKE tinha na cabeça no momento para sugerir Lloyd Nolan? além de correr o risco de perder a maior chance da sua vida com que fez que se consagrasse ainda sugerir um ator que não tenho a menor simpatia, que na minha opinião, só nasceu para ser coadjuvante? nem no filme em que ele antagonizou com Alan Ladd, SANTIAGO, onde tinha a presença da bela (e saudosa, faleceu no fim do ano passado) Rossana Podestá convenceu como rival do poderoso e pequeno Ladd. Acho que o baiano Ju entenderá do que estou falando!

      Abraços

      Paulo Telles
      www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br

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    3. Paulo,

      Virginia Mayo era mesmo belíssima. Quem deve ter fotos autografadas dela, com dedicatória e tudo, é o Edivaldo Martins. Ele, pelo visto, tem um acervo fantástico de fotos de atores e atrizes, todas autografadas e a ele dedicadas. Às vezes penso que o nosso amigo se parece com aqueles personagens de histórias em quadrinhos como o "Intrépido Caçador de Autógrafos" que costumava povoar antigas aventuras das revistas do Pato Donald e outros personagens da turma de Patópolis. Espero que ele não fique ressabiado se nos ler aqui. Mas acredito que não. Edivaldo é um cara agradável e muito bem humorado.

      Pois é, Paulo, Wayne indicou o Lloyd Nolan para o papel de Ringo Kid!!! Já pensou? Ainda bem que John Ford deveria estar bem humorado no dia em que isso aconteceu. Mas até compreendo o Wayne. Ele já estava com a autoestima e a confiança totalmente abaladas depois de anos a fio batalhando sem muito sucesso em incontáveis westerns "C". Logo ele, que teve um começo promissor em A GRANDE JORNADA, de Walsh, em 1930, quando passou a ostentar o nome de John Wayne. Se esse filme não tivesse fracassado por motivos alheios ao diretor e ao elenco... Wayne já estava pensando em abandonar a carreira quando Ford o chamou para tratar de NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS. E uma das grandes qualidades do Wayne era a humildade, além da fineza no trato com todos que a ele se dirigiam, não importando, inclusive, o posicionamento político. Na época o Nolan também estava em evidência (se é que se pode usar essa palavra), atuando em um monte de filmes obscuros, desde 1935, como Wayne vinha fazendo desde 1930. Ainda bem que Ford não desistiu de Wayne. Nem consigo imaginar Ringo Kid com a estampa de Lloyd Nolan.

      Abraços.

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  4. Caro Eugênio,

    Vou falar alguma coisa sobre O Matador sim.
    No entanto, primeiramente, e sem ler nada do que já está escrito no blog, gostaria de dar ligeira palha sobre Henry King.

    Além de todos sabermos que foi este magistral cineasta quem fez de Tyrone Power o que ele chegou a ser, este criador é o responsável por obras de tanta qualidade que chega ficar dificil escolher 5, 10 ou mesmo 20 peliculas suas para ilustrar sua qualidade.

    Andei seguindo seus passos desde o filme da J Jones, A Canção de Bernadete/43.
    Não que o visse no seu lançamento, já que ainda não era nascido por ali. Mas, memorizei seu nome e, viciado em cinema como fui por mais de 40 anos, fui marcando cada pelicula sua, do Henry King, como se um trofeu novo que ganhava.

    No dia em que vi Peck de arma apontada para a cabeça de Lee Van Cleef, acusando-o de ser um dos matadores de sua esposa, enquanto este negava desesperado ante da morte que ele, Cleef, percebia a caminho, apanhei ali uma das cenas mais fortes que o faroeste já nos mostrou.

    Não havia jeito do pobre inocente de tal acusação deixar de sucumbir. Seu algoz estava acima de determinado a arrancar a vida do homem.

    Desesperado pelo momento que chegaria a qualquer instante, o homem, como a cara enfiada no mato rasteiro entrelaçou seus dedos das mãos e, num rogo comovente citou; "Nossa Senhora, me ajude"

    Mas Ela não o ajudou, porque logo em seguida um disparo se ouviu e seu corpo tombou para o lado sem qualquer sinal de vida.

    Tenho comigo o hábito de apanhar estes tipos de detalhes, afinal sou uma pessoa que gosto de comentar sobre cinema e acho de valor tais observações.

    Além de outras cenas muito boas existentes dentro deste mesmo western, como a morte de S Boyd e a declaração da verdade descrita pelo quase morto Henry Silva. Assim como o desespero do matador Peck depois de tudo de errado que fez com os demais companheiros deste.

    Entretanto, temos que fazer uma outra coisa; enlevar com intenso bons olhos e grandeza pela arte ao homem que deixou aquela cena ser construida como ela o foi e a forma como administrou toda a fita até seu instante derradeiro.
    Ao mestre que nos deu aquele faroeste de tamanha importancia para nós que amamos o bom cinema, toda nossa admiração e respeito.

    Não fosse a opaca atuação da Collins, cuja beleza não transcendeu ao papel que lhe doaram, eu poderia dizer que Estigma da Crueldade foi um dos maiores faroestes que os americanos já criaram.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir,

      A trajetória de Henry King na direção é longa, com muitos títulos. Ele começou em 1915, segundo o IMDB. Encerrou a carreira em 1962, com SUAVE É A NOITE. O primeiro título que lhe é creditado é WHO PAYS? São filmes a perder de vista. Meus preferidos são: UP ROMANCE ROAD (1918), A SPORTING CHANCE (1919), o antológico DAVID, O CAÇULA (1921), ROMOLA (1924), IRMÃ BRANCA (1923), STELLA DALLAS (1925), refilmado por King Vidor em 1939, O MÉDICO DA ALDEIA (1936), NO VELHO CHICAGO (1937), A EPOPEIA DO JAZZ (1938), JESSE JAMES (1939), O CISNE NEGRO (1942), A CANÇÃO DE BERNADETTE (1943), CAPITÃO DE CASTELA (1947), ALMAS EM CHAMAS (1949), O MATADOR (1950), REBELIÃO NA ÍNDIA (1953), SUPLÍCIO DE UMA SAUDADE (1955) e O ESTIGMA DA CRUELDADE (1957). Não sou muito chegado aos seus trabalhos finais, principalmente SUAVE É A NOITE e CARROSSEL (1956). Ele é um pioneiro de quatro costados. Daqueles que chegaram primeiro e abriram os caminhos. Respeito-o muito, apesar de todas as irregularidades percebidas em sua filmografia, o que é perfeitamente normal para alguém que filmou tanto, arriscando-se, portanto a atingir os altos e os baixos. Tive a sorte de ver alguns de seus trabalhos da primeira fase, graças a um colecionador amigo que mora por aqui, perto de mim, em Niterói. Ele foi, como bem apontou, o melhor guia de Tyrone Power, ator que conseguia dar o melhor a depender dos diretores, como Ford, Mamoulian e o nosso King. Um filme dele com Power que conta com o meu melhor apreço é CAPITÃO DE CASTELA. É uma realização que soube, dado os padrões da época, lidar com o espinhoso tema da conquista da América pelos espanhóis. O processo foi sangrento e Henry King soube onde terminar a história. Evitou chegar aos "finalmente" e, assim, não glorificou o conquistador, como poderia acontecer, após a perpetuação do massacre.

      Sobre ESTIGMA DA CRUELDADE - caso em que o título em português surte melhor efeito que o original THE BRAVADOS - é tudo isso que você tão bem apontou recorrendo à lembrança de alguns momentos chaves. É um filme no qual o Gregory Peck está perfeito. A exemplo de O MATADOR, também é alimentado pelo espírito de tragédia, principalmente no final, quando o protagonista deixa a igreja e se depara com a multidão que compareceu para saudar aquele que havia dado cabo dos fugitivos (exceto um), que apesar de tudo, não eram os homens que ele tanto procurava. Se posso fazer um reparo a essa sequência final, concentro-o neste momento em que o personagem de Peck está diante da comunidade. Seu porte parece muito altivo depois do remorso e da confissão que havia feito.

      Jurandir, por causa dessa sua apreciação corri em busca dos meus escritos sobre ESTIGMA DA CRUELDADE. Deu até vontade de publicá-lo o quanto antes. Mas como sou todo certinho com as regras que eu mesmo me impus, terei que esperar o momento em que será sorteado. Muitas vezes tenho vontade de quebrar minhas próprias regras, como agora. Mas se eu fizer isso, no blog entrarão apenas comentários dos filmes que mais aprecio e tocam o fundo da minha alma, como os de John Ford. Deste, apenas um título foi sorteado, até o momento. Fico esperando que os dados do acaso abram uma brecha para ESTIGMA DA CRUELDADE o quanto antes.

      Grande abraço.

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  5. Caro Eugenio,

    Fiz um comentário minutos atras sobre o Henry King. E, logo após enviá-la, subi mais um pouco e li seu comentário/resposta ao meu amigo Paulo Telles.

    E confesso que, por mais que tenha procurado achar algo, ao menos com a semelhança do trecho que descreves para ele, jamais o encontrei.
    E o felicito pelo achado deste tópico fiel a tudo que nossos astros e estrelas nos deram, mesmo com seus defeitos, seus erros, suas lá sei mais o que.
    Por isso copiei e transcrevi para este pequeno comentário as palavras que citaste e que me encantaram.
    Veja;

    No fundo, não importam as limitações do Peck ou de outros atores. O que fica, mesmo, são os instantes de felicidade que esse pessoal nos proporcionou e ainda proporciona. Eles podiam ser falhos algumas vezes, mas, mesmo assim, eram, aos nossos olhos, perfeitamente críveis. Estão nos melhores compartimentos de nossas memórias afetivas.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Olá, Jurandir (Faroeste).

      Estou muito feliz por recebê-lo neste meu despojado espaço. Estava lendo as suas contribuições, a começar das três que enviou durante a madrugada, quando chegaram mais duas neste post de "O matador". Há pouco, no blog do Paulo Telles, respondi a uma apreciação sua acerca de meu comentário a "No mundo de 2020".

      Jurandir, por ora gostaria de lhe informar que nem sempre consigo responder de pronto aos comentários que me chegam. Mas pode estar certo de que comentário algum ficou sem resposta. Posso tardar, mas não falhar. Disso é sabedor o Paulo Telles. Gostaria de ter mais disponibilidade para responder de pronto. Então, saiba que dentro em breve estaremos proseando tendo por fundo as mensagens que me enviou ou outras oportunidades abertas pelas circunstâncias.

      Sobre as minhas palavras pertinentes ao Peck, utilizadas em diálogo que travei com o Telles: Creio que não se aplicam somente ao ator ou aos atores. Mas a todo o cinema, o bom e o ruim. Ao cinéfilo, o cinema é isso. Proporciona momentos de felicidades. Enriquece nossas memórias afetivas.

      Um abraço, meu caro. Dentro em breve estarei de volta, repercutindo com mais vagar os seus comentários. Espero vê-lo por aqui mais vezes.

      Gostaria de esclarecer que o meu blog é alimentado por uma lógica meio ilógica, explicitada no post de abertura sob o título de APRESENTAÇÃO.

      Um grande abraço e até breve.


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  6. Caro Eugênio,

    Fizeste uma formidável dissertação do excelente O Matador, quase não deixando nada mais para ser dito sobre a grande peíicula do King.

    Porém, está havendo pequenas brechas onde posso intercalar algumas opiniões pessoais e, talvez, em um ponto ou outro, ir de encontro à opinião do companheiro.

    Por exemplo: apesar de até achar que Gary Cooper também faria muito bem o papel do Peck na pelicula em pauta, mas que no entanto o Peck a desenrolou com maxima perfeição, não sou de acordo que estamos falando da melhor interpretação deste ator em toda sua carreira.

    Falam muito de O Sol é Para Todos e até de Virtude Selvagem/46, (mesmo ano de Duelo ao Sol) onde ele está sob a direção do muito bom C Brown.

    Entretanto, jamais vi o Peck tão bem num papel como em O Ídolo de Cristal ( um momento muito ruim do Ewald Filho, comentarista que, na minha visão, não é merecedor assim de tanto jubilo).

    Ali, em mais um filme do King, ele parece ir buscar talento até onde não mais existia dentro de si, afim de mostrar um Scott Fitzgerald como conseguimos ver nesta pelicula.
    Seria apenas uma questão de se observar com mais detalhes para se confirmar o que mostro.

    Até mesmo em Da Terra Nascem os Homens e em Céu Amarelo, o vejo, ao menos, em igualdade de condições com sua interpretação em O Matador.

    O que ocorreu ali, no meu ver, foi que ele pegou o papel para interpretar um personagem magnifico, um ser muito bem delineado e com tudo de perfeito que um bom astro pudesse desenvolve-lo muito bem.

    A isto se juntando seu talento ( pois não concordo com o amigo e nem com o Paulo sobre isso de Peck ser um ator limitado, haja visto que este fez os mais diversos tipos de interpretação da historia do cinema. E assim, claro, uma pequena queda aqui ou ali não lhe arranca a portentosa qualidade que tinha).

    Mas, como falava, o tipo de Jimmy Ringo esquadrinhado para ele interpretar foi tão meticulosamente desenhado que o resultado de tudo aquilo não poderia render menos do que rendeu.

    Mais ainda; ele encontrava-se nas mãos do grande mestre Henry King.
    E mais: todo o elenco que o apoiou lhe deu status na sua posição de astro principal. Se fosse mal assessorado nas interpretações coadjuvantes, jamais o resultado final seria o que foi.

    Perdoe o amigo e os leitores, que podem não estar em concordância comigo ou mesmo me citando como exigente demais ou de detalhista ao extremo.

    No entanto, é como falei anteriormente; eu gosto de fazer comentários sobre cinema e isso me leva a ser muito atencioso, a pescar situações que um cinéfilo mais comum não o conseguiria.
    E assim eu, por sempre fazer uso de minha realidade ou sinceridade, me vejo na obrigação de não esconder minha visão das coisas.

    O Matador é um faroeste fantástico, muito bem feito, com uma magnifica fotografia em P&B e com uma formidável interpretação de todo o elenco selecionado para sua confecção. Não há como negar a qualidade da fita de King, nem a boa interpretação do Peck e nem o resultado final do trabalho.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Meu querido amigo Ju desculpe me meter, e já saindo do eu “habitat” para vir no do amigo Eugenio, gostaria de esclarecer uns pontos sobre o nobre e galante artista que foi GREGORY PECK!

      Eu não disse propriamente que ele era um ator limitado, mas muitos críticos o consideram (inclusive o Rubinho, que nem tudo se escreve, se copia) e só repeti. Eu adoro Peck, mas se dissermos que ele é um “Lawrence Olivier”, seria uma mentira. Mas você bem que falou uma coisa importantíssima sobre a interpretação do cinema: o cinema não é como no teatro, onde a interpretação sempre é seguida de praticamente um único estilo de interpretação – mas o cinema, tem vários estilos.

      Isso me fez lembrar o nosso amigo Edivaldo Martins, ao falar da forma de interpretar de Gary Cooper, ao passo que agora me foge o nome do estilo que fez com que Gary se declarasse. Cooper era natural, sem ser teatral, e o próprio Charles Laughton, que era um soberbo ator de teatro que foi parar em Hollywood, considerou Gary um dos melhores atores do mundo, pois ele “não fazia o diabo” para extrair uma boa interpretação, ou seja, o grande mérito de Gary Cooper como ator foi sua naturalidade, e ele simplesmente era Gary Cooper.

      Acho que Peck tinha o mesmo estilo de Gary Cooper, contudo, acho que Peck superava o astro de “Sargento York” e “Matar ou Morrer”. Aprecio ver Peck como o padre de AS CHAVES DO REINO, como também o amante vilanesco de Jennifer Jones de DUELO AO SOL, e o pai jovem de Claude Jarman Jr de meu filme de “Sessão da Tarde” da TV, VIRTUDE SELVAGEM.

      E por que não mencionarmos, Jurandir e Eugenio, o “MAN OF THE WEST” que foi Gregory Peck? começando com CÉU AMARELO, em que ele não era um mocinho, mas um anti herói que se regenerou quando devolveu toda quantia do banco que roubara com sua extinta quadrilha (que fazia parte Richard Widmark, este sim o vilão da fita), rendido pelo amor que tinha por Anne Baxter - e vindo O MATADOR, aqui tratado neste brilhante tópico, seguido por DA TERRA NASCEM OS HOMENS, na minha opinião, uma das melhores atuações de Peck (cujo personagem propaga uma mensagem de paz, raro no estilo western) junto a ESTIGMA DA CRUELDADE, outro brilhante trabalho no gênero western.

      Peck atuou ainda em outros três bons westerns. A NOITE DA EMBOSCADA (1967), que foi um exercício de suspense psicológico, quase que hitchconiano, em que ele caça e é caçado por um índio que nunca se vê seu rosto, além de O PARCEIRO DO DIABO (1971) em que Peck parece ser um misto do personagem feito por O MATADOR e O ESTIGMA DA CRUELDADE, e MATANDO SEM COMPAIXÃO (1974). Sem dúvida, Peck foi um astro de primeira grandeza que não precisou provar seu talento, ainda que de forma “ilimitada” (entre aspas), para as plateias do mundo inteiro!

      Abraços para os dois

      Paulo Telles
      www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br

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    2. Eu lhe dou total razão em sua exposição acerca do Gregory Peck, Paulo!!! Eu mesmo disse que ele era um ator limitado. Mas, francamente, talvez estivesse sendo por demais injusto em minha apreciação. Às vezes deixo a irritante interpretação de Peck em MOBYDICK interferir em todo o resto. Neste filme de John Huston, sim, ele está terrível. Mas quanto ao mais - e esses mais são outros tantos - ele está ótimo. Talvez o que atrapalhasse por demais o Peck fosse um excesso de contenção. Mas, sim, ele está ótimo em AS CHAVES DO REINO e em muitos que você listou.

      Bom saber que você é um apreciador de VIRTUDE SELVAGEM, Paulo. É um dos meus filmes do coração. Tive a felicidade de encontrá-lo em DVD, em março, num posto de gasolina de beira de estrada, ao voltar de uma viagem. Também tive o privilégio de exibir esse filme quando fui responsável pela projeção do finado Cine Odeon, em Viçosa/MG, nos idos de 1975. Belíssimo filme, daqueles que não se fazem mais, com sua temática pastoral hoje totalmente derrotada pelos modernos tempos cínicos e niilistas.

      Faz pouco tempo que revi O PARCEIRO DO DIABO no Telecine Cult. Bom western, do sempre confiável Henry Hathaway. Tenho uma matéria prontinha sobre ele. Pena que tudo aqui dependa de sorteio. Hehehe!

      Abraços.

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  7. Telles, amigo,

    Acho simplesmente magnifico estes tiroteios democráticos e cheios de respeito e amor pela 7a. arte.

    Não fossem estas trocas de prioridades, preferencias e visões, não haveria um local onde pudessemos nos distrair, soltar nossas manifestaçãoes, dizer nossas palavras e, ao mesmo tempo, sermos fieis, amigos, respeitadores e cordiais.

    Quando eu peguei o trecho belamente redigido pelo Eugenio e o transportei para um comentário meu, o enaltecendo pela beleza de suas palavras e conclusões, eu concordava em todos os angulos com ele ali.

    Eu apanhava ali a sintese do que todos estes grandes atores foram para nossas vidas, de como nós muitas vezes os imitamos em instantes marcantes de nossa juventude, de como eles ajudaram a formar nossas mentes, a nos forjar como os homens decentes que eles se mostravam para nós e, por fim, nos fazer os homens que somos hoje.

    Sabe o amigo Telles que de tudo isso que acabei de citar acima não existe a menor duvida, não?

    Bem: perfeito que nem todos poderiam ser um Olivier, um Tracy, um F March, um R Harrison, dentre muitos e muitos outros homens que nasceram para interpretar, como ainda o R Burton, ator muito pouco citado, mas para quem reputo um dos grandes interpretes do cinema.

    Entretanto, nasceram também um Cooper, um Peck, um Heston, um Murphy e outros mais que podemos enquadrar dentro de um quilate com um passo menor, e onde não podemos enquadrar o Lancaster e o Douglas, que foram uma safra de atores de mais refino, de maior qualidade e coisas assim.

    Desta forma, mesmo todos eles sendo grandes, médios ou pequenos atores, convivemos com eles todas nossas vidas e os amamos sem distinção.
    E, como citei, uma quebra de interpretação em um ou outro trabalho não lhe partem o ritimo geral por tudo o que fizeram de agradável e útil para nós todos que os tem nos corações.

    Aqui mesmo no nosso cinema nem todos os comicos foram um Oscarito da vida. No entanto, amamos todos eles, de Ankito, passando por Otelo, mais o Costinha, ao Z´Trindade. Eles nos moldaram as infancias e nos fizeram acostumar a estar com eles.

    E pergunto? Algum destes chegaram perto do magnifico Oscarito? Claro que não. E nem por isso deixamos de ver todos os mais em seus filmes agradáveis, em telas reluzentes e todos eles brilhando como a luz do sol em seus filmes em P & B.

    É isso, amigo. Não tem nem Peck, nem Oscarito, nem mesmo o Costinha ou o Tracy. Eram todos nossos amados ídolos, todos nossos herois queridos e, como podes captar, mesmo depois de até mais de meio século de suas existencias, ainda estamos falando deles.

    Fantasticos, não?

    Enorme abraço, caro carioca

    jurandir_lima@bol.com.br


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    1. Jurandir,

      Já li e reli muitas vezes esse seu texto. Mais que isso, é um manifesto. Não sei o que dizer, não tenho reparos ou complementações a fazer. Talvez só me reste o prazer de lê-lo não sei quantas vezes. Acredito que você expôs de modo muito sincero e emocionado a matéria-prima que molda o cinéfilo. Parabéns!!!!!

      Um grande abraço.

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  8. eu tenho esse filme dublado O MATADOR 1950
    rxsvmares@gmail.com

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    1. Que ótimo, Philips. Você tem uma excelente realização do western, em seu momento de esplendor. Se possível, tente conhecê-lo no som original, com legendas. As dublagens, por melhores que sejam, provocam a perda de muita coisa. Parte do desempenho dos atores depende, e muito, de suas entonações e inflexões de voz, coisas que a dublagem nem sempre respeita.Em todo caso, dublado é melhor que nada. Um abraço.

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