domingo, 18 de maio de 2014

NO JAPÃO, SAMUEL FULLER DEVASSA A 'CASA DE BAMBU'

Jornalista, romancista, roteirista, combatente, cineasta e iconoclasta, Samuel Fuller nunca foi um privilegiado. Sempre à margem dos grandes esquemas de produção, manipulava orçamentos irrisórios que lhe permitiam arranhar o patamar do padrão "B". Em compensação, gozava de mais liberdade para se mover em terrenos problemáticos ao cinema dos Estados Unidos. Tinha Hollywood como centro de infantilização. Inovador, admirado por críticos franceses e vanguardas surgidas com a Nouvelle Vague, dirigiu 22 títulos, considerando-se apenas os destinados ao cinema. Casa de bambu (House of bamboo, 1955) não está entre suas realizações mais notáveis, provavelmente por causa da intromissão dos produtores no resultado final. Mas é um policial de ação rápida, precisa e consistente. Possibilita o conhecimento de uma narrativa econômica e dinâmica. A história é ambientada no Japão do pós guerra, ainda sob ocupação americana. Um dos seus principais intérpretes é o pouco valorizado e verdadeiro Robert Ryan, ator da predileção do cineasta, ainda que tenham trabalhado juntos apenas desta vez. A apreciação de 1983 foi revista e atualizada em 1991.






Casa de bambu

House of bamboo


Direção:
Samuel Fuller
Produção:
Buddy Adler
20th Century-Fox
EUA — 1955
Elenco:
Robert Ryan, Robert Stack, Cameron Mitchell, Shirley Yamaguchi, Brad Dexter, Biff Elliott, Sessue Hayakawa, Sandro Giglio, Elko Hanabusa e os não creditados Harry Carey Jr., Peter Gray, Robert Quarry, DeForest Kelley, John Doucette, Teru Shimada, Robert Hosai, Jack Maeshiro, May Takasugi, Robert Okazaki, Neyle Morrow, Barry Coe, Reiko Hayakawa, Sandy Azeka, Samuel Fuller, Troupe Shochiku do Teatro Kokusai, Clifford Arashiro, Fred Dale, Fuji, Kazue Ikeda, Kinuko Ann Ito, Frank Jumagai, Robert Kino, Frank Kwanaga, Harris Matsushige, Joanna Mitchell, Rollin Moriyama, Reiko Sato, Barbara Uchiyamada, Richard Loo.



O iconoclasta Samuel Fuller


Sabiamente, setores mais arejados da crítica consideram em alta conta o cinema de Samuel Fuller. Reconhecem-no como inovador de temas e, de longe, um dos mais talentosos diretores surgidos no cinema estadunidense do pós Segunda Guerra Mundial. Louvam-lhe especialmente a capacidade de se locomover com agilidade por universos complicados, estranhos, tortuosos, amorais e ambíguos, captados numa visão aguçada e nuançada de mundo. Em Fuller não há espaço às encenações glamourosas, muito menos ao maniqueísmo redutor e simplista tão caro ao cinema dos Estados Unidos em geral. Por esse motivo, provavelmente, ele nunca contou com a generosidade dos grandes orçamentos. Sua filmografia — excluindo os roteiros que escreveu para outros cineastas e trabalhos para a TV — soma 22 títulos, todos enquadrados no padrão “B” de produção.


Dentre as realizações que conheço de Samuel Fuller, tenho afeição especial pelo duro e seco drama bélico Mortos que caminham (Merrill’s marauders, 1961), que tanto me marcou na infância. Fortes impressões também foram deixadas por Eu matei Jesse James (I shot Jesse James, 1949), Baionetas caladas (Fixed bayonets!, 1951), A dama de preto (Park row, 1952), Anjo do mal (Pickup on South Street, 1953), Dragões da violência (Forty guns, 1957), Proibido! (Verboten!, 1959), Paixões que alucinam (Shock corridor, 1963), O beijo amargo (The naked kiss, 1964); mais recentemente, Agonia e glória (The Big Red One, 1980) e Cão branco (White dog, 1982). Casa de bambu não está entre os trabalhos mais festejados do cineasta. Mesmo assim, não deixa de ser atraente — ao menos segundo os meus critérios — pelo fato de ter Robert Ryan entre os intérpretes. Esse ator de semblante duro, expressão cética, cansada e amarga, nunca foi devidamente apreciado. No entanto, sempre me fascinou. Suas atuações despretensiosas emprestam credibilidade e sobriedade aos personagens. Dão a impressão de que habitam a humanidade real e podem ser encontrados e reconhecidos nas ruas de qualquer lugar.




Acima e abaixo: Robert Ryan interpreta Sandy Dawson em Casa de bambu


A vida de Samuel Fuller se desdobra nas atividades de jornalista, romancista, roteirista, soldado e realizador cinematográfico. A primeira experiência profissional acontece no New York Journal, onde entra em 1924 na função de boy. Quatro anos depois se especializa na crônica policial. Nesse campo desenvolve amplo contato com o submundo durante os anos da Grande Depressão. Adquire aí a base para se tornar autor de novelas e contos criminais a partir de 1931[1]. São trabalhos obscuros que, não obstante, fornecem inspiração a muitos roteiristas de Hollywood. Publica o primeiro romance, Burn, baby, burn, em 1935, logo seguido de Test tuby baby (1936), Make up and kiss (1936) e The dark page (1944) — premiado como Melhor Romance Psicológico pela crítica literária estadunidense[2]. The Big Red One — divisão de infantaria à qual esteve incorporado durante a Segunda Guerra Mundial — batiza o romance autobiográfico escrito no começo dos anos 60[3]. Com esse mesmo título é levado ao cinema, em 1980, pelo próprio autor. No Brasil, é conhecido como Agonia e glória.


Escorado na crônica e no romance passa a escrever roteiros. O primeiro, em parceria com Edmund Joseph, é filmado por Boris Petroff em 1936: Hats off. Outros, para citar apenas alguns, originam Bandos de Nova York (Gangs of the New York, 1938), de James Cruze; Confirme ou desminta (Confirm or deny, 1941), iniciado por Fritz Lang mas creditado a Archie Mayo que o terminou; Power of the press (1942), de Lew Landers; Apaixonados (Shockproof, 1949), de Douglas Sirk; e Escândalo (Scandal Sheet, 1952), de Phil Karlson. Segundo consta, não aprecia nenhuma dessas transposições[4], razão que o faz passar à direção.


Mobilizado em 1942, Fuller combate no Norte da Sicília, África, Normandia (desde o Dia D), Bélgica, Alemanha e Tchecoslováquia, sempre na infantaria e no The Big Red One. Recebe várias condecorações[5]. Três anos de intensa presença no front foram sintetizados num breve comentário: “O único heroísmo que existe na guerra é sobreviver”. Não só sobreviveu aos conflitos bélicos como ao próprio cinema, por ele definido como “Um campo de batalha”. Mesmo situado em posição marginal num sistema de produção que valoriza acima de tudo altos investimentos e grandes retornos, consegue firmar o nome. Torna-se referência obrigatória para cineastas de vanguarda como Jean-Luc Godard e Win Wenders. O primeiro o escalou para interpretar a si próprio numa sequência de O demônio das onze horas (Pierrot le fou, 1965). O outro lhe confiou um papel em O amigo americano (Der americanische freund, 1977). Todos louvam sua capacidade de consolidar carreira e filmografia a partir do nada, da quase total carência de recursos.



O sargento Kenner (Robert Stack) travestido de investigador Eddie Spainer em Casa de bambu


Na obra de Samuel Fuller não existem heróis à maneira das convenções hollywoodianas; a realidade não é enfeitada; a condição humana não é idealizada. Seus personagens são tipos duros, moldados no convívio com adversidades. Quase todos possuem pés na marginalidade. São, em geral, bandidos, prostitutas, soldados, policiais; sobreviventes. Não veem com muita clareza os códigos e valores que legitimam as sociedades. Exemplo disso é o Bob Ford (John Ireland) de Eu matei Jesse James James. Ele não encontra barreiras morais para assassinar o melhor amigo e embolsar a recompensa que possibilitará o seu casamento.



Shirley Yamaguchi  no papel de  Mariko Nygoia


Casa de bambu, filmado no Japão, conta uma história policial ambientada em Tóquio. Acompanha a missão de Kenner (Stack) — sargento do exército dos Estados Unidos escalado para desbaratar uma quadrilha formada exclusivamente por ex-combatentes patrícios. A ação é detonada quando o grupo ataca um comboio militar, guardado por força conjunta de soldados americanos e japoneses. Todos são mortos, estrangulados com correntes — marca registrada dos criminosos liderados por Sandy Dawson (Ryan), cuja norma é não socorrer colegas feridos mas eliminá-los. A organização se iguala à Máfia. Adiante, ataca um carro blindado. Webber (Elliot), gravemente ferido na operação e sem tempo para ser abatido pelos companheiros, cai prisioneiro. Falece no hospital, mas fornece informações à polícia. Com ele é encontrado o retrato da esposa japonesa, Mariko Nygoia (Yamaguchi). O passo seguinte é a chegada a Tóquio do Sargento Kenner. Sua identidade é camuflada sob o nome de Eddie Spainer — ex-combatente, atualmente preso nos Estados Unidos, e companheiro de farda de Weber. Dessa forma Kenner se apresenta a Mariko, em busca de informações.



Robert Stack no papel do Sargento Kenner ou Eddie Spainer


Os primeiros minutos de Casa de bambu encenam uma ação rápida, contada de forma concisa e consistente, exemplo da economia narrativa do diretor. Kenner não espera para agir. Põe-se em operação tão logo desembarca. As informações de Mariko não contêm novidades. Ela desconhecia as atividades do marido. Diante disso, o investigador, à sua maneira determinada, força o encontro com os bandidos. Conta com a ajuda inicialmente reticente da viúva. Ambos acabam apaixonados. Para a época — quando ainda se ouviam os ecos da Segunda Guerra — o relacionamento amoroso entre um americano e uma japonesa revela não só um tremendo avanço como assinala a visão não preconceituosa do diretor.



Mariko Nygoia (Shirley Yamaguchi)


Fosse Casa de bambu um filme comum, daria para dizer que Kenner é o herói da história. Mas a ação e a aparência de Robert Stack não dão razão a isso. Seu personagem é desprovido de brilho. Seu rosto é fosco, impenetrável. Sua caracterização inicial reforça essa impressão. Tem a barba por fazer, veste roupas sujas e amarrotadas, assemelha-se a um vagabundo maltrapilho. Tanto que a primeira reação de Sandy Dawson, tão logo Kenner se infiltra no bando, é lhe adiantar dinheiro para comprar roupas “decentes” e tomar banho. No fosse pelo perfil duro e impassível, o personagem poderia ser equiparado ao John Doo da comédia Adorável vagabundo (Meet John Doe, 1941), de Frank Capra.



Sandy Dawson (Robert Ryan), à direita, coordena as ações do grupo "mafioso" que comanda no Japão 


O roteiro de Harry Kleiner é calcado em Rua sem nome (Street with no mane, 1949) de William Keighley[6]. Neste filme, um investigador do FBI (Richard Widmark) se infiltra numa quadrilha com o objetivo de desbaratá-la.


Casa de Bambu tem narrativa seca, objetiva e direta. Fuller não perde tempo com firulas. Preocupa-se apenas em contar a história. O que se vê é parecido a um conto cinematográfico dotado da dinâmica de uma reportagem de jornal, igual a tantas que o diretor provavelmente escreveu em seus tempos de cronista policial. Infelizmente, o resultado final foi lapidado pela 20th. Century-Fox à revelia do diretor, de modo a abrandar a agressividade do estilo narrativo e, consequentemente, despindo o filme de toda a carga emocional que poderia conter. Tal deficiência resulta paradoxal à realização de um cineasta que também definiu o cinema como “Emoção”; o resto não passando de "Conversa”.


Sequências consideradas exemplares pela crítica, a francesa principalmente, tiveram impacto consideravelmente reduzido com a intervenção saneadora da 20th Century-Fox: o assassinato de Griff (Mitchell) no banheiro e os instantes finais, quando Sandy, perseguido no parque de diversões, é acuado numa variante de roda gigante e abatido por Kenner. O epílogo, da maneira como foi filmado é totalmente anticlimático. Alguns consideram-no digno de Hitchcock — cineasta da admiração de Fuller justamente pela capacidade de contar uma história a partir do nada. Porém, nesse caso a comparação não procede.


Em um ponto da história Fuller não teve como se aprofundar, devido aos limites impostos pela moral hollywoodiana. Trata-se da atração de Sandy Dawson por Kenner. Há aí nítida conotação homossexual. Ou será que dá para aceitar a explicação do personagem de Ryan, alegando não ter matado Kenner quando este foi ferido porque se tratava do seu primeiro trabalho?





Acima e abaixo: o clímax de Casa de bambu

  
Merece destaque a fotografia em tons pastéis de Joseph MacDonald, utilizando a cor pela primeira vez.


Fuller, praticamente irreconhecível, faz ponta como policial japonês.


Casa de bambu é o único trabalho de Robert Ryan sob as ordens do diretor. Não obstante é um dos atores preferidos de Fuller. O outro é Lee Marvin.







Direção de fotografia (Cinemascope, Color DeLuxe): Joseph MacDonald. Direção de arte: Lyle R. Wheeler, Addison Hehr. Decoração: Walter M. Scott, Stuart A. Reiss. Efeitos fotográficos especiais: Ray Kellogg. Montagem: James B. Clark. Direção de guarda-roupa: Charles Le Maire. Roteiro: Harry Kleiner. Diálogos adicionais: Samuel Fuller. Música: Leigh Harline. Direção musical: Lionel Newman. Letra da canção título: Jack Brooks (não creditado). Orquestração: Edward B. Powell. Assistente de direção: David Silver. Maquiagem: Ben Nye. Penteados: Helen Turpin. Som: John D. Stack, Harry M. Leonard. Mixagem de som: Stereo. Consultor de cor: Leonard Doss. Gerente de unidade de produção (não creditado): Saul Wurtzel. Contrarregra (não creditado): Don B. Greenwood. Efeitos especiais (não creditados): Fred Etcheverry. Suporte à câmera (não creditado): Frank Cory. Assistente de câmera (não creditado): Hugh Crawford. Eletricista-chefe (não creditado): Les Everson. Operador de câmera (não creditado): Frank V. Phillips. Guarda-roupa (não creditado): Dick James. Supervisão de coral (não creditado): Ken Darby. Continuidade (não creditada): Teresa Brachetto. Publicidade (não creditada): John Campbell. Companhia de distribuição da trilha musical: Intrada. Serviços de mixagem de som: Western Electric Recording em quatro canais estereofônicos. Tempo de exibição: 102 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1983; revisto e atualizado em 1991)




[1] GUINLE, Pierre. Biofilmographie de Samuel Fuller. Présence du cinéma. Paris, n. 19, dez./1963-jan./1964. p. 20.
[2] Ibidem.
[3] Ibidem.
[4] Ibidem.
[5] Ibidem.
[6] EWALD FILHO, Rubens. Os filmes de hoje na TV. São Paulo: Global, 1975. p. 44.

28 comentários:

  1. Seu comentário me fez lembrar de "O Estado de Minas", quando o pessoal do CEC fazia "criticas" dos filmes na ultima pag. do caderno de Cultura. Na época , li sobre o " House of Bamboo ", tinha a foto do Robert Stack, o filme me chamou a atenção, mas acredito que na época era rigorosamente proibido para menores de 18 anos. Sei, que nunca vi o filme. Sua resenha, como sempre; muito boa me atiçou o antigo desejo de assistir ao filme.

    Ronaldo Ferreira da Silva

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    1. Caro Ronaldo;

      Não sei se esse filme está disponível em DBD, BR... Talvez possa fazer download em algum site de compartilhamento ou em torrent. Mas, no momento, o mais importante é a sua lembrança das boas críticas de cinema publicadas pelo Caderno de Cultura de o Estado de Minas. Honraram a crônica cinematográfica. Não tenho mais notícias a respeito. Será que ainda são publicadas? Ou perderam a razão de ser, como tem acontecido com os comentários de cultura de qualquer periódico da atualidade?

      Abraços.

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  2. Saudações Eugenio!

    Devo lhe dizer que fiquei aprendi um pouco mais sobre Samuel Fuller, pois vi pouquíssimos trabalhos deste cineasta. Só conheço os ótimos CASA DE BAMBU, que é o tópico presente, e AGONIA E GLÓRIA, estrelado pelo ótimo Lee Marvin, aliás, junto com Robert Ryan, um dos atores prediletos do diretor .

    Em uma entrevista concedida e que foi publicada na extinta revista CINEMIM, Fuller declarou que Ryan e Marvin eram os atores mais profissionais do cinema.

    Robert Ryan também é um dos meus atores prediletos e adoro todas as suas performances. O fato de hoje não ser relembrado por muitos críticos modernos, em meia parte, pode ter sido sua própria culpa, pois era um ator reservado cuja sua única preocupação fora do cinema era seu ativismo político, aliás, um excelente ativista em prol dos direitos humanos. Muito poucos conhecem este lado deste nobre ator, cuja suas interpretações vilânescas são contrastantes com sua real personalidade. Não era um ator de holofotes, e apreciava muito a simplicidade.

    Robert Ryan foi casado por mais de 40 anos com a pedagoga e escritora Jessica Cadwalader e tiveram três filhos. Um deles, chamado Cheyney , é hoje professor de Filosofia da conceituada Universidade de Oxford. A esposa Jessica faleceu em 1972, e Ryan morreu no ano seguinte, de câncer.

    Este incrível ator convencia as plateias em qualquer papel que fosse incorporar, fosse herói, vilão, anti-herói, homem amargurado – enfim. Não há nenhum papel que ele não tenha desempenhado com competência e dinamismo. Lamentavelmente, só foi indicado uma única vez ao Oscar, como ator coadjuvante, em 1947, por sua performance em RANCOR/CROSSFIRE, de Edward Dmitryk, como o soldado psicopata e anti-semita, mas perdeu para Edmund Gwenn em DE ILUSÃO TAMBÉM SE VIVE, um desempenho chato que não se compara ao trabalho do grande Ryan. Pena que este só teve uma única indicação ao prêmio em sua carreira.

    Ryan era capaz de diversificar seus vilões, e CASA DE BAMBU é uma prova cabal de seu enorme talento. Um diretor como Sam Fuller precisa de “Profissionais” em suas produções, e nota-se perfeitamente que nada é glamourizado, o mais longe possível de artíficios e fantasias. Mas a verdade, é que quando CASA DE BAMBU foi lançado, a II Guerra já havia acabado fazia dez anos, e a Guerra da Coréia havia terminado há três, e os americanos ainda vinham de outra fase nefasta em sua sociedade, o chamado “Caça as Bruxas”, a pior perseguição a liberdade de expressão na cultura e na sociedade americana, e logo, um tema como a que é abordado nesta obra de Fuller é bastante realista e imagino o impacto dos americanos ao assistirem a este filme de Fuller ao ser lançado. Tudo muito recente de acordo com os acontecimentos.

    Lee Marvin, que foi combatente na II Guerra Mundial, costumava dizer que uma de suas aventuras de guerra mais memoráveis no cinema, OS DOZE CONDENADOS, não era um de seus filmes favoritos, pois sequer refletia a realidade dos conflitos e dos dramas da II Guerra. Seu trabalho bélico favorito foi, justamente, AGONIA E GLÓRIA, de Sam, pois este sim abordava de maneira fidedigna os dramas e os conflitos dos soldados neste período, e o saudoso Marvin nos brinda com um desempenho fantástico, pois do indisciplinado e arrogante Major Reissman, de OS DOZE CONDENADOS (de Robert Aldrich), dá uma guinada de 180 graus para um sargento sem nome, mais humano e reflexivo que se preocupa com seus soldados, nada de “Super”, como que abordado constantemente em outras produções de Hollywood.

    Um forte abraço!

    PAULO TELLES
    Blog Filmes Antigos Club
    http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/


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    1. Olá, Paulo!

      Taí! Se um dia eu tiver como diversificar meu blog em outras seções - tenho pensado muito em fazer isso, apesar da falta de tempo que me limita - abrirei espaço às contribuições dos leitores que não seja esta aqui, de comentários. E o seu arrazoado sobre Fuller, Ryan e Marvin viria a calhar para inaugurá-lo. Merece, sim, ser publicado. Que tal trabalhá-lo e disponibilizá-lo no seu blog? Garanto que seria muito enriquecedor.

      Muito coisa que conheço de cinema devo ao meu pai, que me ministrou valiosos ensinamentos na área, quando eu ainda era garoto. Foi ele que me apresentou a John Ford. Como ele assisti NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, COMO ERA VERDE O MEU VALE, AS VINHAS DA IRA, CREPÚSCULO DE UMA RAÇA, SETE MULHERES, FORT APACHE, DEPOIS DO VENDAVAL, AUDAZES E MALDITOS... Papai sabia de cor e salteado diálogos completos de COMO ERA VERDE O MEU VALE. Volta e meia os rememorava, em voz alta, quando se barbeava ou sob o chuveiro. Sempre fazendo ênfases. Era o filme favorito dele. Sempre teve John Ford em alta conta. Samuel Fuller também era um dos preferidos dele. Ele dizia: "Este faz filmes de macho". Mas a palavra "macho" tinha, no caso, significado de realista. Foi com ele que vi o meu primeiro filme de Samuel Fuller: MORTOS QUE CAMINHAM, um doloroso e realista drama de guerra. Hoje, admiro muito esse título bem como BAIONETAS CALADAS, SHOCK CORRIDOR, CÃO BRANCO, ANJO DO MAL e AGONIA E GLÓRIA. Para melhorar, Fuller era um dos cineastas que Ford mais respeitava. Até hoje está em mim o impacto que sofri quando vi, ainda sem compreender muita coisa, EU MATEI JESSE JAMES. Era uma ficção, uma liberdade excessiva com o personagem de Bob Ford, mas, acima de tudo, havia o clima francamente seco e desmistificador. Demorei a me envolver com esse filme.

      Robert Ryan e Lee Marvin estão entre os meus atores prediletos. Há um pequeno filme dirigido pelo Anthony Mann, O PEQUENO RINCÃO DE DEUS - se não me engano disponível em DVD - que traz aquele que é, para mim, o melhor trabalho do ator.

      Abraços.

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  3. Eugênio

    Acho a ideia um tanto interessante, porém o que ando a notar é uma coisa muito triste em alguns blogs que falam de cinema antigo: a falta de interatividade de leitores e editor. Acredito que existam sim leitores que se interessem pelos filmes clássicos, mas talvez até mesmo por timidez ou “medo de errar” não arrisquem a comentar. Já tentei fazer algo similar no meu espaço e não deu certo. Mas ainda assim, alguns vêm a comentar no setor reservado aos comentários, e quem sabe para estes, possa fazer um convite para fazer um ou outro comentário sobre determinado filme, ator ou diretor?

    A ideia vai alinhavando!

    Quanto a seu pai, respeitosamente, devo dizer que foi um homem sábio, pois para ter JOHN FORD como um dos seus diretores favoritos (o meu também, acredite, amo Ford como também WILLIAM WYLER, CECIL B DEMILLE, NICHOLAS RAY E GEORGE STEVENS), ele tinha muito bom gosto, embora em Ford haja muita coisa glamourosa , mas havia mensagens edificantes em suas obras.

    Vc mencionou MORTOS QUE CAMINHAM, este bélico assisti e foi o último filme de Jeff Chandler, que ficou doente durante as filmagens, e foi um dos trabalhos mais realistas que só poderia ser concebido por Sam Fuller. O filme foi rodado nas Philipinas, em plena selva, e claro, teve que ser um trabalho angustiante para os atores e para toda equipe técnica, e de tão real as situações, sem nenhum artifício hollywoodiano, vê-se, de fato, um Chandler bastante cansado, afinal, pouco tempo depois, ele morreria após uma cirurgia de hérnia discal, e seu falecimento é muito discutido, pois se especula de erro médico, e ele só tinha 42 anos, mas já apartentava ter bem mais.

    Vc mencionou O PEQUENO RINCÃO DE DEUS, uma das atuações mais brilhantes e originais de Robert Ryan, um cara mais do que simplório, ingênuo, totalmente hilário e engraçado, mas ao longo de toda a trama, é impossível não ter pena deste velho caipira que acreditava que tinha um tesouro em suas terras. Este filme esta disponível em DVD, assim como outro trabalho em associação de Ryan também com Anthony Mann, o bélico OS QUE SABEM MORRER (1957), ao meu ver, também uma atuação marcante do ator, pois interpreta um tenente que luta na Guerra da Coréia a contra gosto, mas tem consciência de seu dever e tem um lado humanitário, onde bate de peito com seu sargento, Aldo Ray, uma verdadeira “máquina mortífera”, que gosta da guerra e mata com toda volúpia.

    Abraços

    PAULO TELLES
    Blog Filmes Antigos Club
    http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Paulo!

      Creio que divido essa sensação com você. Pelo que conversei e andei escutando, não se trata somente de medo ou receio. É falta de conhecimento, também. Você usou o termo "antigo", que, inclusive, está no título do seu blog. Para nós, o significado de "antigo" tem conotação histórica. Alude a um determinado contexto temporal. Mas já percebi, inclusive em grupos de discussão no Facebook e em outras redes sociais, que "antigo" também quer dizer, assumidamente - para o pessoal mais velho -, algo embolorado ou que pode ser simplesmente descartado. Infelizmente. Então, além do receio, há também o preconceito.

      O trabalho de realização de "Mortos que caminham" foi acima da conta, desmedido. Para dar mais realismo ao filme, Fuller pôs os atores para andar, mesmo. Também já li que a morte de Chandler poderia ter como causa o desgaste físico ao qual foi submetido durante as filmagens.

      Dois filmes protagonizados por Robert Ryan, apenas dois: um pode ser "O pequeno rincão de Deus", do Mann; o outro, "Homens em fúria", de Robert Wise. Apenas esses dois títulos, um tanto díspares, para podermos avaliar a capacidade incrível que tinha o Robert Ryan. Em um interpreta aquele capiau crédulo, a imagem da inocência, como se fosse uma força da natureza, ao qual os interditos morais - que modelam as sociedades - parecem fazer pouco ou nenhum sentido. No outro, o racista amargo, agressivo, lacônico, irracional, que por conta de seu preconceito turva os limites da racionalidade e põe a perder todo um golpe que passou por minucioso planejamento. Ryan tinha essa capacidade de passar da água ao vinho com a maior naturalidade. Mas foi em "Punhos de campeão" que vi nele, pela primeira vez, que estava diante de um homem com aparência verdadeira. Mesmo quando mais novo ele já tinha no rosto as marcas de quem havia passado pela vida de forma um tanto quanto dura. A garotada de hoje, de feições lisas, não consegue atribuir tanta veracidade aos seus personagens como Ryan e o lembrado Aldo Ray conseguiam. O mapa da história não estão estampado em seus semblantes.

      Abraços.

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    2. Errata na minha resposta para Paulo Telles: no primeiro parágrafo, onde se lê "para o pessoal mais velho", o correto é "para o pessoal mais novo".

      Abraços.

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    3. Nobre Eugênio!

      Realmente, o pessoal “mais novo” desconhece ou quer mesmo desconhecer a história, isto é, o “antigo” e o cultural cinema, pelo simples fato de ser “velho” e “descartável”. Isto é muito triste vista a ignorância que impregna para muitos destes mancebos, por não saberem da importância do passado e de sua formação e influência para o presente.

      Mas falando de Bob Ryan!

      Bob fez vários trabalhos antes de ingressar no cinema americano: foi vaqueiro, cobrador de dívidas, estivador, e modelo. Aliás, foi nesta última profissão que um fotógrafo sugeriu que ele tentasse o cinema por acha-lo fotogênico. Ryan, que fazia faculdade de jornalismo, ingressou num curso de teatro, e aí se apaixonou pela arte da interpretação.

      Na vida pessoal, enfrentou dramas familiares antes de se tornar ator: Ryan perdeu um irmão caçula com este tinha 11 anos. Sua mãe não queria que ele fosse ator, e contrariou a vontade materna, tanto que Ryan anos depois fez o seguinte comentário: “Minha mãe não gostou de minha opção em me tornar ator, mas também não fez objeção ao dinheiro que ganhei”. Boa, Bob, rsrsrs!!!!

      Robert Ryan, era sem dúvida, o ator da veracidade dramática, seguido de um semblante sofrido e abatido pelo mundo, que já conheceu o amor e a dor, atribuindo com perfeição a seus inúmeros personagens, fossem estes heróis ou vilões, na Sétima Arte.

      Paulo Telles
      www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br

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    4. Pois é, Paulo Telles;

      O que falta, acima de tudo, ao pessoal mais novo é uma boa dose de generosidade aliada à velha curiosidade. Mas até que não estranho o comportamento desses meninos. Eles nasceram num mundo onde tudo aparenta estar pronto e acabado, onde tudo é encontrado ao alcance de um clique. O próprio cinema de hoje, principalmente os filmes de consumo fácil e imediato, dão essa impressão. As coisas surgem na mesma hora em que parecem acontecer. Tudo se processa muito rápido, as cores e o som sempre existiram como muitos pensam. Infelizmente, então, sobram motivos para desprezar o tempo onde tudo acontecia com mais vagar e os pioneiros suavam a camisa, literalmente, para dar vazão às suas idéias e descobertas. A ninguém mais interessa saber como as coisas foram feitas. Por esses motivos também valorizamos o verdadeiro Robert Ryan. Veja como ele começou! Dado murro em ponta de faca, procurando, desafiando, experimentando, enfrentando a vontade materna que o queria vocacionado a outras atividades. De certa forma, ela teve um começo de carreira comum aos grandes pioneiros do cinema, que antes de se tornarem cineastas eram, como Raoul Walsh - a quem sempre gosto de apontar como exemplo -, aventureiros acima de tudo, e foram aos poucos abrindo os caminhos e escrevendo os cânones de uma nova arte e um meio diferente de interpretar sonhos e contar histórias.

      Abraços.

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  4. Caro Eugenio,

    Comento no blog do Paulo Telles e ele me recomendou uma visita por aqui. E confesso: me surpreendi com tamanha dissertação, não apenas sobre o Fuller, mas pela fita Casa de Bambu, onde a descreve breve, mas com conteudo bastante para se tomar total conhecimento do teor de mais este trabalho do Fuller..

    Sou fã do dificil Samuel, se é que podemos dizer assim do mesmo, e vi Casa de Bambu quando de seu lançamento, lá pelas plagas de 1956/57. Portanto de muito pouco me lembro para falar do mesmo.
    Não vi Mortos que Caminham, fita que definiu o viver do Chandler, e nem Dragões da Violencia, este por falta mesmo de oportunidade, mas que espero ve-lo o mais rápido possivel.
    Porém, acompanhei alguns outros agradáveis trabalhos deste diretor. que, como observaste, não lhe concederam escapar dos trabalhos "B", mas que deu muitas honras a estes.

    Entretanto, sua deliciosa e bem consistente matéria me leva ao desejo de rever o filme em pauta.

    Se é algo feito com o Ryan, então ele possui mesmo muito conteudo sim. Não podemos nem devemos jamais esquecer, ou deixar de lado, qualquer trabalho onde este maravilhoso ator ofereceu sua interpretação.

    E o Stack, que foi um galã da época, não era um mau ator, haja visto seus trabalho com o Sirk em Palavras ao Vento/56 e Almas Maculadas/57, onde o bom diretor aproveitou, praticamente, todo o elenco em ambos os filmes.

    Foram dois grandes sucessos deste muito regular ator, onde ainda incluo o bonito A Ultima Viagem/60, do Stone.

    Do Ryan muito pouco existe ainda para falar, ele que foi um ator de pouco reconhecimento por tudo de maravilhoso que fez em sua até breve carreira.
    Um astro inteiro (pode-se ver isso e muito mais em Quando a Mulher Peca) onde entregava seus papeis à sua alma de ator, realizando o que lhes punham nas mãos com a mais intensa serierade e naturalidade e dignidade.
    Perfeito o Ryan, ótimo o Stack e sincero e sempre podado no seu afazer, o Fuller.

    O que poderia então resultar de um trabalho feito a estas tres mãos? Um Casa de Bambu como descreves e que as pinceladas inseridas por seus produtores arrebentaram-lhe as verdadeiras entranhas. Fato que desgostas e desmerece grandes trabalhos e que arruinam o ego de grandes diretores.

    E trabalhar sem liberdade para expor sua criação é como podar um homem, o mesmo que lhe extirpar um membro, deixando-o inutil.

    Um lindo e de muito agrado de ler este vosso trabalho, caro Eugenio.
    E sempre que puder voltarei ao largo deste blog para deixar mais algumas poucas (ou muitas, já que não sei escrever diminutamente) palavras, mas que serão soltas do âmago de meus sentimentos.

    Forte abraço e enorme prazer em passar a conhece-lo, embora virtualmente.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Olá, Jurandir!

      Boa tarde!

      Obrigado pelas palavras elogiosas. É sempre bom e incentivador lê-las.

      Não faz muito tempo, revi os dois filmes que menciona do Douglas Sirk, nos quais Robert Stack é um dos principais: ALMAS MACULADAS e PALAVRAS AO VENTO. Aprecio muito esses trabalhos. Mas, creio, é em ALMAS MACULADAS que Stack brilha mais. Fiquei surpreendido pela capacidade do ator nesse filme. Externa convicção; um personagem de alma destruída num desempenho crível e contido. Sirk sabia como valorizar seus atores.

      Mas você também trouxe às minhas lembranças um filme que vi na infância, também com Stack: A ÚLTIMA VIAGEM. Nunca mais ouvi falar dele. Direção de Andrew L. Stone. A realização é uma espécie de antecessor precoce dos filmes de desastre como O DESTINO DO POSEIDON. Quando o vi, estava em relançamento por ocasião da estreia desse filme do Ronald Neame. Vou ver se o encontro para rever. Ultimamente tenho feito muito isso: revendo filmes da minha fase de menino, há 50 anos.

      Mas, Jurandir, procure ver MORTOS QUE CAMINHAM. É um dos mais críveis dramas de guerra. Aventura muito seca, sem lugar para mistificação. Não sei, mas talvez esteja disponível no Youtube.

      Com relação ao Ryan, apenas uma dúvida. Você se refere a QUANDO A MULHER PECA. Mas pelo que sei - e posso estar errado - o título é SÓ A MULHER PECA, acredito. Uma realização de Fritz Lang, de 1952, originalmente intitulada como "Clash by Night". Na qual participam, também, Barbara Stanwyck e Paul Douglas. Bom... Mas de uns tempos para cá, por descuido e desconhecimento de distribuidores e críticos, os filmes, muitos, ressurgem com os títulos alterados.

      DRAGÕES DA VIOLÊNCIA, do Fuller, é um western que preciso rever. Também pretendo fazer isso com EU MATEI JESSE JAMES, outro do Fuller, provavelmente, o mais estranho e desmistificador dos westerns que assisti. É de 1949.

      Grande abraço.

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  5. Amigo Telles,

    Sem me alongar demais, disseste tudo sobre o Ryan que eu não achei palavras para dizer.

    Um excelente comentário, dotado de importantes posições sobre o grande ator, onde dizes que ele não se ressaiu melhor na midia cinematográfica, assim como não é hoje muito lembrado, de um modo geral, por própria culpa sua, tendo sido ele um ativista atuante e relevando, possivelmente, muito mais valor a este seu lado humano.

    Porém, o que não podemos deixar de por é que ele foi de fato um astro MAIOR de Hollywood, um ator centrado nos seus papéis e que de mim, assim como de tu e de outros mais, ele recebe sim os méritos que se fez merecer por sua qualidade como o grande astro que foi.

    Um grande abraço e me espelho muito em suas palavras para por complementos nas minhas.
    Parabens pelo texto.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Paulo e Jurandir,

      Há dois filmes protagonizados pelo Robert Ryan que ando atrás para rever. A memória já começa a pregar peças mas, acho, ambos se valem da mesma temática. O primeiro está situado há uns 15 anos de distância do segundo. Não são grandes realizações, mas eram filmes que agradavam aos garotos, como eu, que os viam. Não sei se vocês os conhecem. Se souberem da existência deles em DVD ou algo parecido, por favor, informem-me. Um é CAPITÃO NEMO E A CIDADE FLUTUANTE ("Captain Nemo and the Underwater City", 1969), de James Hill. O outro é CIDADE SUBMERSA ("City Beneath the Sea", 1953), de Budd Boetticher.

      Abraços aos dois.

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    2. Eugenio!

      Eu tenho CAPITÃO NEMO E A CIDADE FLUTUANTE (dublado) e CIDADE SUBMERSA (Original sem legendas). Posso mandar para vc cópia de ambos. Nos falaremos pelo face, certo? abraços nobres!

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    3. Caro Paulo,

      Obrigado por me providenciar essas relíquias! Certamente, não se tratam de grandes filmes, mas possuem valor afetivo enorme, como havia dito ao Jurandir neste mesmo espaço dos comentários.

      Nobres abraços.

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  6. Telles/Eugenio,

    Estou aqui sentado lendo suas falas e totalmente sobrevoando as linhas veridicas e profissionais que utilizam para trocar seus tiroteios culturais.

    Uma verdadeira aula de como se falar sobre cinema e atores. As buscas que trazem à tona conseguem me enlevar em termos de conhecimento e aperfeiçoamento nesta arte.

    Quando vejo ambos dialogando sobre o Ryan, falo para mim mesmo que tudo o que imaginava saber deste magnifico ator, se derrete como uma pedra de gelo ao sol.

    Um toma lá dá cá de conhecimento, de palavras corretissimas, de lembranças muito belas e de um saber sem par.

    Como disse no meu primeiro comentário, não vi Mortos que Caminham, porém, como todo bom cinéfilo, leio tudo que me surge à frente a respeito desta arte. E assim conheci o fato tétrico ocorrido com o Chandler durante as filmagens.

    No entanto, o que li foi que um jipe capotou sobre ele deixando-o muito mal. E dali por diante, mesmo com muito esforço, ele conseguiu terminar a pelicula e falecendo pouco tempo depois e sem mais detalhes.

    Na verdade eu acredito que, tal qual o assassinato de John Kennedy, prosseguem escondendo muitas coisas do povo. E a morte de Chandler aos 42 anos deve ser mais um destes casos. Um homem nesta idade está muito dotado de energia, com seu organismo disposto a reverter com facilidades males que um mais idoso não consiga. E o homem sucumbe assim, simples, de uma pequena e tratável molestia ou mal.

    Outro ponto que gostaria de tocar é sobre o dito do Nery a respeito da colaboração nos blogs.
    E posso ser a testemunha chave do que ele fala sobre o "temor do erro", pois é o meu caso de me esquivar de participar mais ativamente das palestras de pessoas como vocês.

    Não que me sinta assim tão inferiorizado, mas o receio de não impor uma data correta, de não dizer algo muito condizente com a realidade, de trocar nomes e etc, atemoriza sim.

    Essa fala do Talles é uma verdade acima de verdadeira.

    No entanto, erros assim podem muito bem serem melhor pesquisados para evitar traumas pessoais. A Internet exibe o que precisamos e até muito mais para que se dissipe duvidas e nos tire de apertos.

    Olha um exemplo de como não somos somente nós quem erramos: vejo constantemente filmes nacionais. Sou aficcionado pelas comedias dos anos 40, 50 e 60. E vejo erros grassos sendo impressos em folhetos sobre estes filmes que já senti até vontade de observar para o site ou blog.

    Por exemplo; o filme É de Chuá, uma das mais agradáveis comédias do nosso morto cinema nesta área, é com Ankito e Grande Otelo. E podem observar que somente escrevem Oscarito e G Otelo.

    E ficamos nós, pobres amantes do cinema, receosos de errar, de informar incorretamente.
    Enorme abraço para esta dupla que, se amontoassem os blogs iriam passar a imbatíveis.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. De fato, Paulo e Jurandir,

      O pavor de errar existe, ainda mais para aquele que publica. Eu cometo erros, todos nós cometemos. Mas não devemos nos apavorar com isso, senão, ficaremos travados. Hoje, pelo menos com relação às informações cinematográficas, dispomos de fontes de bastante confiabilidade como o Imdb. Sempre vou a ele em busca de informações complementares ou para esclarecer dúvidas. Mesmo assim, continuaremos errando aqui e ali, às vezes por alguma distração. Por isso, nos blogs, os comentadores são sempre bem vindos, são, sempre, parceiros de grande valia. O certo é que não podemos permitir que se acumulem erros como esse citado por Jurandir em É DE CHUÁ. Trocar Ankito por Oscarito é inadmissível, principalmente para o grande Oscarito. No entanto, trata-se de descuido imperdoável, pois bastaria procurar a ficha do filme em sites confiáveis como o da CINEMATECA BRASILEIRA para a informação incorreta não ser veiculada.

      Mas, agora, estou mais curioso acerca das reais circunstâncias da morte do Chandler. Jurandir aguçou mais ainda a minha vontade de saber o que de fato houve. Sequer sabia que ele havia falecido tão novo.

      Grande abraço aos parceiros.

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    2. Meus amigos!

      Errar faz parte, pois errando que se acerta. O que não podemos é deixar que o erro nos domine, pois é aí que não acertamos! Pesquisar sempre quando possível. Na nossa época de estudante, não tínhamos internet e íamos as bibliotecas fazer pesquisa, hehe.

      Existe uma página dedicada a Chandler no face, Eugenio. Copie e cole este endereço:

      https://www.facebook.com/pages/Jeff-Chandler/133359913394133?fref=ts

      Lá as vezes podemos achar algumas curiosidades acerca de Jeff. E no Brasil, existe este blog dedicado ao ator, dê uma olhada lá vc e o Ju:

      http://jeffchandlerforever.blogspot.com.br/2011/03/morre-nos-eua-aos-89-anos-atriz-jane.html

      Abraços aos dois!

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    3. Pois é...

      É errando, descobrindo que errou e tendo consciência do erro que se chega ao acerto. O errar não deve ser motivo de mal estar. É, acima de tudo, um recurso pedagógico, ainda mais quando aprendemos com ele. O que seria da Ciência se não houvesse os erros, não?

      Obrigado por esses links acerca do Chandler, Paulo. Vou copiá-los e lançá-los entre os favoritos.

      Abraços.

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  7. Eugenio,

    Veja só como é nossa cabeça.
    Eu passei anos e anos com o titulo na cabeça; "Quando Só A Mulher Peca". Vivia ansiando para ver este filme e, não sei porque, para mim o nome do filme era este.

    Certo dia vejo na TV, acho que no Cult, passar: "So a Mulher Peca". Era o mesmo filme, pois sou fã do Ryan e a Barbara é única, mas com o titulo truncado.

    Não conhecia muito o Douglas, mas o tinha visto em Como Fisgar Um Marido/59, do G Marshal, onde está também o Tony Randall e a Debbie Reynolds. E adorei a comédia, com o Paul muito bem.

    Então não havia duvidas que este filme era mesmo o que eu imaginava "Quando Só a Mulher Peca".

    Mas aí na TV passou com o titulo de "Só a Mulher Peca". E eu fiquei indignado por haverem trocado mais uma vez, ou alterado, o titulo de um filme.

    Saí à procura do titulo correto e me cientifiquei que é mesmo "Só a Mulher Peca".

    Porém, ficou a resina mental do nome que eu achava que faltava que era " o Quando". E, desta forma, como sabemos como é nossa mente, sempre o cito como "Quando a Mulher Peca", o que não é nada mais nada menos que o mesmo filme.

    E fita onde a sempre magnifica Stanwick está perfeitissima. E tem ainda a MM no elenco. Otima fita.

    Peço desculpas ao amigo pela inversão, ou troca, do titulo, mas o filme é o próprio.

    Olha Eugenio; vou procurar Mortos que Caminham na Internet. Mas o pior de tudo é que mesmo que eu o encontre vou ter muita sorte ele estar legendado. Mas, quero ve-lo sim.
    Preciso também encontrar Dragões da Violencia e Eu Matei Jesse James, fita que nem conhecia.

    Sobre o Stack, concordo contigo, pois em Almas Maculadas ele está perfeito. Papel que nem sei se o Hudson, que sempre considerei um grande ator, o faria com tamanha veracidade e densidade.

    No filme A Última Viagem, que vi no lançamento em Scope e tudo, tem a cena em que o mar vai invadindo aos poucos todo o navio, e é uma cena que nunca me saiu da cabeça. Linda e muito bem feita, apesar do Stack não estar muito bem na fita. Mas vale por toda inovação do genero. Passou há uns quarto ou cinco anos atrás na TV.

    Tenho falado com um amigo, com quem me correspondo quase que diariamente e falamos tudo sobre cinema, que estou fazendo exatamente isto que tu disseste fazer: - rever os filmes vistos há anos atrás.
    É que hoje, com a mente mais madura e, claro, de melhor aproveitamento, pois tenho 69, os vemos melhor do que os vimos da primeira vez, captando situações que as deixamos passar.
    Já revi uns trinta a quarenta da época, principalmente as chanchadas nacionais, que sou aficcionado nelas. Ontem mesmo revi Formosa Bandida/41, com o Scott e a lindissima Tierney. Mas é fraquinho.

    Vou mandar um email para ti informando numa lista os filmes que tenho em casa. Podes selecionar e escolher o que desejar. Depois me manda seu endereço e os remeto para ti. Pode escolher sem receios. Não tem o menor problema e sinto prazer em fazer esta movimentação com os amigos.

    Fico por aqui. Grato pelas palavras atenciosas e um grande abraço.

    jurandir_lima@bol.com.br






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    1. Jurandir,

      Não há nada para desculpar. Estamos cada vez mais correndo o risco de fazer confusões com os títulos dos filmes, ainda mais aqui, onde nos cercamos de distribuidores e criadores de títulos que desconhecem totalmente o passado dos filmes quando estiveram em exibição entre nós, pela primeira vez. Só fazem nos confundir. Mas SÓ A MULHER PECA deve ser, ainda, um filme genial, povoado por aquelas sombras e aparência dúbia como só o Fritz Lang seria capaz de fazer. Marilyn Monroe também atua, no papel de Peggy.

      Acredito que você não terá dificuldades para encontrar também as legendas de MORTOS QUE CAMINHAM, perfeitamente ajustáveis à copia que a Internet lhe disponibilizará, caro Jurandir. Mas espero que o encontre com as legendas já embutidas. Às vezes temos essa sorte. O mesmo pode acontecer com DRAGÕES DA VIOLÊNCIA e EU MATEI JESSE JAMES.

      Não faz muito tempo revi FORMOSA BANDIDA na TV. De fato, não é lá essas coisas. Mas é do tempo em que o TECHNICOLOR ainda se apresentava vibrantemente colorido. As cores do filme são magníficas e a Gene Tierney está belíssima. Aliás, eu a tenho na conta da mais bela das atrizes.

      Ontem enviei ao Paulo alguns endereços de e-mail. Ele já deve tê-los passado a você. Em todo caso, lançarei hoje, daqui a pouco, o seu endereço de e-mail em minha agenda de endereços eletrônicos e lhe rabiscarei também uma mensagem. Somente agora vejo que me pediu o endereço de e-mail.

      Bom saber que você é também generoso com o nosso cinema, ainda mais com os clássicos que ficaram esquecidos. Dia deses estava imerso no Canal Brasil, redescobrindo QUEM ROUBOU MEU SAMBA?. Não é dos melhores. Mas é sempre bom rever os tipos, as modas, a geografia de um tempo no qual se respirava uma atmosfera mais otimista. Pelo menos era essa a impressão que o filmes passavam.

      Abraços.

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  8. Eugenio,

    Assisti ao filme Capitão Nemo e a Cidade Submersa na TV. Faz poucos anos, acho que uns tres.
    E não sei onde possa encontra-lo. É bem fraquinho o filme. Mas vale pela presença do Ryan.

    Quanto a Cidade Submersa, mesmo sendo do Boetticher, desconhecia a pelicula.

    No entanto, quando tiver informações sobre qualquer dos dois, contato contigo.

    Pois eu tenho aqui um dele, R Ryan, com R Hudson, do mesmo Boetticher, Imperio do Pavor, acho que de 1953.
    Um faroeste bem regular e muito bem feito. Mas ocorre que jamais consegui copiá-lo. Me parece que ele é à prova de cópias.

    Porém, por outro lado, tem uma fita dele que eu anseio em ver e não acho, que é A Borda da Morte.

    Jurandir_lima@bol.com.br

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    1. A BORDA MORTE, muito bom! Também Jeffrey Hunter e Virginia Mayo!

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    2. Olá, Jurandir e Paulo;

      O Paulo me fará cópias de "Capitão Nemo e a Cidade Flutuante", bem como de "Cidade submersa". Sei que são filmes fracos, mas gostaria de tê-los pois representam muito em termos afetivos. Alguns filmes, mesmo não sendo satisfatórios, expandem a nossa respiração por motivos que somente as ligações da memória com outros dados da vida são capazes de explicar. E, por outro lado, os dois títulos nos apresentam o R. Ryan.

      IMPÉRIO DO PAVOR... Faz anos que o vi, na TV, época anterior à transmissão em cores. O título original é HORIZONS WEST. É, sim, do Boetticher. Além de Robert Ryan e Rock Hudson (ator que se saia bem em comédias, dramas carregados e westerns), também traz a Julie Adams, uma espécie de atriz fetiche de um amigo meu e do Paulo (talvez também seu, Jurandir), o Edivaldo Martins, que tem um Cine Clube dedicado ao Western, em São Paulo.

      Falando em Boetticher, que fim de carreira melancólico o dele, não? Experimentou até uma prisão, no México.

      Não conheço A BORDA DA MORTE (THE PROUD ONES). É dirigido pelo Robert D. Webb.

      Abraços.

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  9. Excelente artigo, Eugenio! Através dele entramos em contato com o porquê do Fuller ser um cineasta magistral.

    Gostei demais de "Casa de Bambu", vi uns quinze filmes do Samuel. Aprecio Tormenta Sob os Mares(fantástica!), Renegando Meu Sangue, Barão Aventureiro(nada deve a Hollywood como super-produção), A Lei dos Marginais(um noir de 1íssimª, impactante...) e diversos outros.

    Em Casa de Bambu as diversas plongées em DeLuxe nos sugerem uma trama altamente bem engendrada. É gostoso brincar nos pachinkos. No entanto, o submundo mostrado na sessão é medonho.
    Pra quem é mais fã mais ardoroso de "Jornada nas Estrelas", o McCoy tá aqui, vivendo o capanga Charlie.

    Bem lembrado, o Robert Ryan é um ator singular! 1ª vez que o vi acho que foi quando ele fazia dupla com o Duke num do Nicholas Ray em Horizonte de Glórias(1951).

    []s

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    1. Olá, Hilton!

      Estou com vários filmes de Fuller para rever, inclusive "Mortos que caminham", um dos que mais aprecio. Aguardo a chegada, de Pernambuco, de DVDs de "Capacetes de aço" e "O ladrão aventureiro". É um dos diretores que mais aprecio. Aprendi a gostar dele por causa de meu pai, que me levava ao cinema, inclusive para ver os filmes que o diretor fazia. "Mortos que caminham" foi um filme que vi quando estava com menos de dez anos e muitas cenas nunca saíram de minha memória, de tão impactantes eram e, certamente, ainda são.

      Não foi fácil a convivência de Robert Ryan com John Wayne nas filmagens de "Horizontes de glória", de Nicholas Ray. Politicamente, os dois atores se estranharam bastante. Wayne era um falcão de direita e Ray, um discreto ator, mas combativo lutador das boas causas que sempre preferiu Nova York ao mundo das intrigas hollywoodianas. Era um liberal, diametralmente oposto a John Wayne. Ser chamado de liberal nos EUA é quase ser equiparado a socialista.

      Abraços.

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  10. Muito bom lembrar e revisitar em 2015 este “CASA DE BAMBU”, produção em CinemaScope, a novidade em entretenimento do Cinema de 1955, exatamente quando o segundo pós-guerra mundial apenas fazia 10 anos. Causou espécie quando assistimos pela primeira vez em seu lançamento e constatamos o dizer de nosso poeta que ‘a mão que afaga é a mesma que apedreja’ ou que ‘a boca que escarra e a mesma que beija’. Ou seja, por mais que na pós-produção o filme tenha sido alterado, o toque pessoal do diretor Samuel Fuller permaneceu implícito – os senhores da guerra que lucram em armamento e provocam a destruição são os mesmos a lucrar com o que se denomina depois ‘reconstrução’ de uma região ou país. Assim sucedeu com a Itália e o Japão, antes durante e depois da IIª Grande Guerra Mundial; e, em nosso novo milênio com Bagdad e todo o Iraque ainda a fumegar e com a fascinante narrativa também ainda em curso.

    Como se não bastasse para validar sua revisita traz o filme uma cena antológica: o fenômeno da aculturação quando as gueixas vestidas a carater executam os lentos e suaves movimentos ao som lânguido da melodia ancestral e de repente despem as vestes e a cultura da tradição oriental e se lançam frenética ao ‘rock’ nascente disseminado antes pelos filmes “Sementes da Violência” e “Ao Balanço das Horas”. Também tivemos em nossas plagas a versão parodística da nova dança executada pela maravilhosa dupla Oscarito e Sonia Mamede, também uma cena antológica do nosso CB como se pode ver em “Assim era a Atlântida” também parodiando, por sua vez, o estadunidense “Assim era Hollywood”.

    Paulo Braz Clemencio Schettino

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    1. Caro Paulo Braz;

      Nem sei como agradecer pelo enriquecimento que deu à matéria com as suas informações. Mesmo assim, só cabem os agradecimento de praxe. Então, muitíssimo grato.

      Grande abraço.

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