domingo, 1 de maio de 2016

JOHN WAYNE 'CORTEJA' CAPUCINE NO ENLAMEADO ALASKA DE HENRY HATHAWAY

Tive a sorte de ver Fúria no Alaska (North to Alaska, 1960) no cinema, numa época em que raras realizações do tipo ainda mereciam a honra do relançamento em tela grande. Apesar da boa reputação do diretor Henry Hathaway, não esperava grande coisa. Por outro lado, não poderia perder, nas condições que se apresentavam, um filme estrelado por John Wayne — meu reacionário preferido. Conhecia a história de muito ouvir falar e apreciava, desde garoto, a marota e engraçada canção-título interpretada por Johnny Horton. Na telona, a realização ganhava maior relevo devido à magnífica direção de fotografia do craque Leon Shamroy. Infelizmente, Fúria no Alaska fica mesmo a desejar. Nos dias que correm, condiz bem com uma digna atração a ser vista na TV naqueles dias inviabilizados pela chuva. A história, razoavelmente divertida, tem condução frouxa. John Wayne faz o mineiro Sam McCord. Enquanto tenta atingir o coração de Michelle “Angel” (Capucine), luta junto aos sócios George Pratt (Stewart Granger) e Billy (Fabian) para preservar a posse de promissor veio aurífero contra as investidas do especulador e trapaceiro Frankie Canon (Ernie Kovacs). Ao fim, uma burlesca e reparadora briga nas ruas enlameadas de Nome resolverá as pendências amorosas e legais. A apreciação a seguir, de 1983, foi revisada e ampliada em 1999. 






Fúria no alaska
North to Alaska

Direção:
Henry Hathaway
Produção:
Henry Hathaway, Charles K. Feldman (não creditado), John Lee Mahin (não creditado)
20th Century-Fox
EUA — 1960
Elenco:
John Wayne, Stewart Granger, Germaine “Capucine” Lefebvre, Fabian, Ernie Kovacs, Karl Swenson, Joe Sawyer, Kathleen Freeman, Mickey Shaughnessy, John Qualen, Stanley Adams e os não creditados Paul Maxey, Oscar Beregi Jr, Joey Faye, Johnny Lee, Kermit Maynard, Pamela Raymond, Maurice Dallimore, Patti Wharton, Frank Faylen, Tudor Owen, Stephen Courtleigh, Douglas Dick, Jerry O'Sullivan, Ollie O'Toole, Lilyan Chauvin, Marcel Hillaire, Richard Deacon, James Griffith, Max Mellinger, Richard Collier, Esther Dale, Fortune Gordien, Roy Jensen, Charles Seel, Rayford Barnes, Fred Graham, Alan Carney, Peter Bourne, Tom Dillon, Arlene Harris, Mark Bailey, Sol Gorss, Al Bain, Alice Allyn, Ann Duggan, Arline Hunter, Barbara Hines, Barbara Mansell, Bert Stevens, Boyd 'Red' Morgan, Cap Somers, Chet Brandenburg, Clancy Cavanaugh, Dale Van Sickel, Danny Borzage, Ethan Laidlaw, Franklyn Farnum, Fred Aldrich, Fred Rapport, George DeNormand, George Diestel, George Ford, Glen Walters, Hal Taggart, Harry Arnie, Harry Tenbrook, Herman Belmonte, Herman Hack, Hope Du Bois, Jack Gordon, Jack Jobson, Jack Kenny, Jack Orrison, Jack Perkins, Jack Tornek, James Dime, James Gonzalez, Jimmy Ames, Jimmy Noel, Jo Helton, John Roy, Kansas Moehring, Marilyn Lindsey, Michael Jeffers, Mike Lally, Milton Selzer, Monte Burkhart, Narda Onyx, Oscar Blank, Pat Hogan, Pat Lawler, Ray Spiker, Ray Weaver, Renny McEvoy, Robert Robinson, Rudy Bowman, Ruth Perrott, Sam Harris, Signe Hack, Stan Johnson, Tex Driscoll, Tex Holden, Tom Collins, Tom Hennesy, Vic Tayback, Victor Romito, Yvonne Peattie.



O diretor Henry Hathaway com os atores Diane Varsi e Don Murray nos bastidores das filmagens de Caçada humana (From hell to Texas)



John Wayne se lança como diretor em 1960 — para ele, um ano com significados de frustração e amargura. Em empreitada ambiciosa, arriscada e ousada pretendeu estabelecer o ponto de vista definitivo sobre o caráter estadunidense ao estampá-lo em seus elementos básicos em O Álamo (The Alamo), superprodução com o propósito de contar os primórdios da história do Texas. Doze milhões de dólares — um fortuna para a época — foram investidos para verter em imagens o roteiro de James Edward Grant. Parte do patrimônio do ator-diretor — fazendas, poços de petróleo e a produtora Batjac — foi oferecido em garantia aos credores. A realização recebeu 11 indicações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood e exagerado elogio de John Ford: “É o maior filme a que jamais assisti”. Entretanto, as críticas chegaram impiedosas na hora da verdade. Quando da entrega dos prêmios Oscar, O Álamo recebeu apenas o de Melhor Efeitos Sonoros. O grande público, que tinha Wayne na conta do mais querido entre os atores, não prestigiou a realização. Resultado: enorme prejuízo. As bilheterias não recuperaram sequer a quarta parte da quantia despendida.


O Álamo deixou Wayne próximo da desgraça artística e financeira. Mas 1960 não representa apenas maldição. Também significa o feliz reencontro com o diretor Henry Hathaway, para quem estrela o descompromissado, divertido e enlameado Fúria no Alaska, bálsamo para qualquer tipo de aborrecimento.


Wayne estava no segundo ano de uma fulminante ascensão ao estrelato, propiciada pelo papel de Ringo Kid em No tempo das diligências (Stagecoach, 1939), de John Ford, quando teve a primeira oportunidade de atuar em filme de Hathaway: O morro dos maus espíritos (The Shepherd of the hills, 1941). Passados 16 anos, ator e diretor renovaram a parceria: A Lenda dos desaparecidos (Legend of the lost, 1957). A convivência se fez mais constante na década de 60: O mundo do circo (Circus world, 1964), Os filhos de Katie Elder (The sons of Katie Elder, 1965) e Bravura indômita (True grit, 1969). Neste, Wayne interpretou o bêbado, caolho, implacável, desbocado e decadente delegado federal Rooster Cogborn que lhe permitiu ganhar o Oscar de Melhor Ator.


John Wayne como o mineiro Sam McCord 

  
Hathaway é discreto e eficaz. Se raras vezes atingiu o nível da excelência, jamais ofereceu produto que não fosse minimamente interessante. Infelizmente, esse pioneiro formado exclusivamente nas lides cinematográficas está esquecido pela nova geração “iletrada” de críticos e cinéfilos que só têm olhos para efêmeros fogos de artifício. Entre os cineastas da época áurea de Hollywood, Hathaway é o que levou mais longe a crença no velho e bom liberalismo das origens. Seus filmes celebram o indivíduo elevado ao estado de potência. Como bem observa Olivier-René Veillon, “Para o diretor, o homem (compreendido como ser social) está longe de ser bom, e somente uma virtude individual e armazenada pode introduzir numa sociedade sem lei uma aparência de ordem”[1]. Sublime devoção (Call Northside 777, 1948) exemplifica bem a assertiva: apoiado apenas em sua convicção e contra todas as evidências, o repórter P. J. McNeal (James Stewart) luta incansavelmente para provar a inocência de Frank Wiecek (Richard Conte), injustamente acusado de assassinato[2].


Nascido em 1898, Hathaway começa no cinema ainda menino. Aos 10 anos, empregado da American Film Company, é ator em filmes do lendário Allan Dwan e mensageiro[3]. Passa pela Universal de 1914 a 1917[4]. Mais tarde, faz assistência de direção em filmes de Paul Bern, Josef von Sternberg, Frank Lloyd e Victor Fleming[5]. Estreia como diretor na Fox Film[6], em 1932, à frente de westerns obscuros e baratos, quase todos extraídos de novelas de Zane Grey e geralmente estrelados por Randolph Scott: Wild horse mesa (1932), Heritage of the desert (1933), Sunset pass (1933), O homem da floresta (Man of the forest, 1933), To the last man (1933), Maldade (The thundering herd, 1934), The last round-up (1934) e Amores de uma vida (Go West, young man, 1936). Em 1935 chama a atenção com Lanceiros da Índia (The lives of a Bengal Lancer), sucesso de bilheteria e, hoje, um clássico sobre as peripécias do colonialismo britânico. É o primeiro filme dos vários que fez com Gary Cooper: Agora e sempre (Now and forever, 1934), Amor sem fim (Peter Ibbetson, 1935) — ponto alto do melodrama hollywoodiano —, Almas ao mar (Souls at sea, 1937), A verdadeira glória (The real glory, 1939), Agora estamos na marinha (You’re in the Navy now, 1951) e Jardim do pecado (Garden of evil, 1954). Em 1936 Hathaway tem o privilégio de dirigir Henry Fonda e Sylvia Sidney na primeira produção em Technicolor rodada em locações: o western Amor e ódio na Floresta (The trail of the lonesome pine).


Nos anos 40, Hathaway ajuda a consolidar o estilo do film noir com Beijo da morte (Kiss of death, 1947) — estreia de Richard Widmark em papel forte e marcante: o sinistro e sádico assassino de riso zombeteiro Tommy Udo. A parceria Hathaway-Widmark é prolongada em Capitães do mar (Down to the sea in ships, 1949), The Clarion Call — episódio de Páginas da vida (O. Henry’s full house, 1952), realização coletiva de Hathaway, Howard Hawks, Henry King, Henry Koster e Jean Negulesco —, e Jardim do pecado.


Além de Wayne, Scott, Cooper e Widmark, a vasta filmografia de Hathaway inclui participações de muitos outros astros e estrelas da época de ouro do cinema estadunidense: Tyrone Power — Johnny Apolo (Johnny Apolo, 1940), O filho dos deuses (Brigham Young, 1940), Correio do inferno (Rawhide, 1950), A rosa negra (The black rose, 1950) e Missão perigosa em Trieste (Diplomatic courier, 1952); Gene Tierney — Quando o dia morre[7] (Sundown, 1941) e Paixão oriental (China girl, 1942); George Raft  Almas ao mar e Beijos roubados (Nob hill, 1945); Susan Hayward  Correio do inferno, Feitiço branco (White whitch doctor, 1954), Jardim do pecado e Meu coração tem dois amores (Woman obsessed, 1959).


Hathaway abre Fúria no Alaska — raro northwestern — com a magnífica e divertida canção-título marotamente interpretada por John Horton. Ela fornece o tom da história e antecipa os elementos essenciais da aventura que, em 1900, une os aventureiros Sam McCord (Wayne), George Pratt (Granger), o irmão mais novo deste, Billy (Fabian) e a bela Michelle “Angel” (Capucine) na corrida do ouro do Alaska. A ação tem lugar na tumultuada e enlameada Nome e nas montanhas auríferas da região. Sam, George e Billy comemoram o achado e registro de uma mina. A seguir, Sam viaja a Seattle em busca de equipamentos de mineração. De quebra, recebe a incumbência de trazer Jenny Lamont (Chauvin), noiva há muito prometida de George. A acidental e providencial inversão de papéis — o amigo buscar a noiva do outro — gera zombaria entre os mineiros e, consequentemente, brigas homéricas e reparadoras de tensões. O recém-chegado vigarista Frankie Canon (Kovacs) tenta tirar proveito das confusões e surrupiar a maleta recheada de dólares que Sam levará na viagem. Mas o cão dos mineiros é mais esperto. Logo mais, o salafrário será atingido pelo personagem de Wayne com um soco direto no olho. Dará muito trabalho o sujeito.


Stewart Granger como o mineiro George Pratt


Em Seattle, a surpresa: cansada de esperar pelo sinal de George, Jenny contraiu casamento com o mordomo (Hillaire) da casa em que trabalha. Desmaia ao saber que perdeu a oportunidade de se tornar consorte de uma mina avaliada em um milhão de dólares. Resoluto, Sam não perde tempo. Dá meia volta com os presentes de casamento. Preocupado com a provável melancolia de George, o prático, direto, grosso e pouco ético sócio busca no bordel alguém para preencher o coração partido do amigo. Angel topa a parada. Mas acontece o inesperado: apaixonam-se após o mineiro se lançar em convicta defesa da moça contra os preconceitos da moral puritana.



Acima e abaixo: Capucine como Michelle "Angel"


De volta ao Alaska, Sam pensa em desistir do plano, mas não é claro na exposição dos motivos. Não tem coragem de se declarar apaixonado. A teimosa Angel resolve ir até o fim. Enquanto isso, muita coisa mudou em Nome. Frankie Canon obteve sucesso com seus golpes e se tornou proprietário do hotel. Também tira partido do conflito armado instalado na região das minas. Convence o bêbado e analfabeto Peter Boggs (Shaughnessy) a reivindicar na justiça a posse da propriedade de Sam, George e Billy.


Sam McCord (John Wayne) no bordel de Seattle, em busca de "alternativas" para o amigo e sócio George Pratt (Stewart Granger) 


Furioso com o casamento de Jenny, George recusa Angel e briga com Sam. Entretanto, percebe que o amigo está secretamente apaixonado pela recém-chegada e sem coragem de se revelar. O jeito é forçá-lo a tanto. Bola um plano em conluio com a garota: um falso idílio entre ambos, que deixa o personagem de Wayne totalmente desorientado, mas ainda sem coragem de entregar os pontos. Ademais, surgem outros problemas. A justiça, controlada por Frankie Canon, suspende as atividades auríferas e põe a região sob intervenção militar. Sam, George e Billy descobrem a falcatrua na qual está envolvido Peter Boggs. Este, pressionado, revela o que sabe. O trio terá que se haver com Frankie, encontrado na principal e mais enlameada rua de Nome. Segue-se impagável briga a socos em meio ao barro, à qual se juntam todos os moradores da cidade, tão carentes de diversão e loucos para acertar contas com quem quer que seja. Finalmente a demanda é resolvida. Faltam somente Sam e Angel acertarem os ponteiros. Magoada, ela está prestes a voltar para Seattle. Para impedi-la, o emporcalhado pretendente pronunciará as difíceis palavras mágicas: “Eu te amo!”



Acima e abaixo: Sam McCord (John Wayne) atrapalhado com Angel (Capucine)
  

No fundo, Fúria no Alaska é uma bobagem, com um diferencial. Na direção há alguém que entende do riscado, capaz de transformar qualquer tolice em boa diversão. Isto é o filme: misto de comédia e aventura que dosa equilibradamente bebedeiras, socos, equívocos e lama, muita lama. Possui sequências muito divertidas: Angel enganando Sam para sair do hotel e segui-lo até a mina; a corte que o carente, fascinado e inexperiente Billy faz a Angel; Sam e Billy em vigília durante a falsa lua de mel de George; e a briga na lama.


Billy (Fabian), Sam McCord (John Wayne), George Pratt (Stewart Granger) e Angel (Capucine)


Dentro de sete anos Stewart Granger filmará com Hathaway O último safari (The last safari). Quanto a Capucine, deu fim à vida em 1990, aos 57 anos, ao saltar do oitavo andar do prédio no qual morava, em Paris. Modelo de elegância e manequim que tentou sem muito sucesso a carreira de atriz — suas qualidades na interpretação eram limitadas —, emprestou charme e beleza a filmes que marcaram época: A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther, 1963), de Blake Edwards — no qual fazia a esposa do atrapalhado Inspetor Clouseau (Peter Sellers) —, Charada em Veneza (The honey pot, 1967), de Joseph L. Mankiewicz, O que é que há gatinha? (What’s new pussycat?, 1965), de Clive Donner, e Satyricon (Satyricon, 1969), de Federico Fellini.





Roteiro: Claude Binyon, John Lee Mahin, Ben Hecht (não creditado), Wendell Mayes (não creditado), Martin Rackin, com base na peça Birthday gift, de Ladislas "Laszlo" Fodor, e em idéia de John H. Kafka. Direção de fotografia (Cinemascope, Color DeLuxe): Leon Shamroy. Música: Lionel Newman, Cyril J. Mockridge (não creditado). Canções: If you knew, música de Russel Faith letra de Robert P. Marcucci e Peter De Angelis, interpretada por Fabián; North to Alaska, interpretada por Johnny Horton. Orquestração: Urban Thielmann, Bernard Mayers. Direção de arte: Duncan Cramer, Jack Martin Smith. Figurinos: Bill Thomas. Montagem: Dorothy Spencer. Efeitos fotográficos especiais: L. B. Abbott, Emil Kosa Jr. Assistente de direção: Stanley Hough. Maquiagem: Ben Nye, Web Overlander (não creditado), Monty Westmore (não creditado). Penteados: Helen Trupin. Decoração: Stuart A. Reiss, Walter M. Scott. Direção de segunda unidade: Richard Talmadge. Som: Alfred Bruzlin, Warren B. Delaplain. Coreografia: Josephine Earl. Sistema de mixagem de som: Westrex Recording System. Dublê de John Wayne: Fred Graham (não creditado). Dublês (não creditado): Tom Hennesy, Loren Janes, Roy Jenson, Harvey Parry, George Robotham, Kermit Maynard, John Epper, Sol Gorss, Bob Morgan, Boyd 'Red' Morgan, Jack Perkins, Richard Talmadge, Dale Van Sickel. Contrarregra: Don B. Greenwood (não creditado). Efeitos especiais: Barney Wolff (não creditado). Assistentes de câmera (não creditados): Lee Crawford, Henry Gerzen, Leo McCreary. Eletricista-chefe (não creditados): Fred Hall, Clyde Taylor. Guarda-roupa: Ed Wynigear (não creditado). Música adicional: Irving Gertz (não creditado). Orquestração (não creditada): Arthur Morton, Edward B. Powell. Continuidade: Teresa Brachetto (não creditada). Marcação de cena: Martha Manor (não creditada). Sistema de mixagem de som: Stereo em quatro canais pela Westrex Recording System. Tempo de exibição: 122 minutos.


(1983, revisto e ampliado em 1999)


[1] VEILLON, Olivier-René. O cinema americano dos anos cinquenta. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 84. Parênteses de José Eugenio Guimarães.
[2] Clint Eastwood revisitou o tema em Crime verdadeiro (True crime, 1999).
[3] TULARD, Jean. Dicionário de cinema: os diretores. Porto Alegre: L&PM, 1996. p. 290.
[4] EWALD FILHO, Rubens. Dicionário de cineastas. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 1988. p. 238.
[5] Ibidem.
[6] A empresa ainda não estava unida à 20th Century.
[7] Atualmente, no Brasil, leva o nome de O entardecer, tanto no lançamento em vídeo como nas exibições na TV. 

2 comentários:

  1. Eugenio,

    Tenho um amigo, aliás, um grande amigo, que anda dando umas porradas em muitos dos trabalhos do Hathaway. Muitas vezes concordo com ele, em outras não, porque o Hathaway, como outros diretores, tem também o direito de dar um passo em falso.

    Gosto, como nosso editor, do diretor. Fez muitas coisas boas e eu sou testemunha disso, porque, na década de 1950, época prolifera dos westerns, vi muita coisa do Hathaway. Assim como muitas outras dedécada adiantada, que eram reprisados e que eram fitas batutas como o citado O Beijo da Morte/47.

    E era aquilo de ir ao cinema para se divertir, para ver pancadaria, tiros, duelos e tudo o mais dentro deste meandro.

    E tem mais, muito mais: muito além de 50% dos filmes daquela década eram filmes sem o titulo de Classe A. De uma maneira geral, eram westerns B ou C, mas que nos divertiam a valer.

    Hoje, conforme citas, um nome como o do Hathaway padece no esquecimento. Entretanto, para quem conhece muito de sua obra como nós, ele segue vivo, com trabalhos que merecem nossos elogios e de muitos criticos que conhecem a raiz do cineasta. Isto além de em cada obra sua sempre se encontra alguma coisa que tenha significado.

    Furia no Alasca/60 e A Lenda dos Desaparecidos/57, eram filmes dentro deste meandro que apreciávamos. Eram fitas agradáveis de ver, filmes sem compromissos, fitas simples, mas que nos alegravam e preenchiam nossas tardes nos empoeirados.

    Vi Furia no Alasca e A Lenda dos Desaparecidos inumeras vezes, e no cinema. Eles passavam e voltavam. E lá estávamos nós os prestigiando.

    Agora, querer fazer análises destas películas depois de mais de 50 anos de feitas, fica dificil. Mesmo porque o gênero tão em voga na época, já não mais existe. Também, além da geração atual estar muito habituada a filmes extraídos de HQ e de muitas lutas e tiros a não querer mais. É uma outra qualidade de platéia, de seguidores que não têm a sorte que tivemos de ver coisas que eram para adolescentes ou jovens ver.

    Diferente portanto.
    Mas o Hathaway preencheu nossas vidas de bons instantes, com belos filmes para a época e com nossos heróis sempre nos dando o que precisávamos, ou seja, muita ação e movimentos de sobra.

    Adoro, e não me canso de citar, Meu Coração Tem Dois Amores/59, com a Hayward e o Boyd. Uma fita deliciosa e que nunca mais passou nem na TV.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Sei, Jurandir, que o Hathaway sempre terá lugar cativo no meu peito de cinéfilo. Gosto muito dele, inclusive por saber lidar com personagens que são repletas de limitações e fragilidades. Seus personagens respiram autenticidade, pois também acumulam desvios e fraquezas, como acontece com qualquer pessoa de verdade. É muito fácil buscar identificação com os personagens estampados nas fitas de Hathaway. A empatia é praticamente imediata.

      Abraços.

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