A famosa série Maravilhas
da natureza (True-life adventures),
da Walt Disney Productions, é um conjunto de 17 títulos de metragens diversas
que enfocam documentalmente a convencionada vida selvagem ou natureza em estado
bruto. De 1948 a 1960 as equipes de filmagens da companhia percorrem savanas da
África, o gelado Ártico, planícies e pântanos dos Estados Unidos, selvas do
Canadá e da América do Sul. Com muita paciência e dedicação colheram imagens
esmeradas, trabalhadas por montagens dinâmicas e ritmadas por espirituosos
comentários musicais. Marcaram época títulos como No vale dos castores (Beaver
valley, 1950), O alce olímpico (The
olimpic elk, 1952), Aves aquáticas (Water birds, 1952), Terra
dos ursos (Bear country, 1953), Prowlers of the everglades (1953), O
drama do deserto (The living desert, 1953), A
planície imensa (The vanishing prairie, 1954), No
coração da floresta (Perri, 1957) e, entre outros, o
filme da vez neste blog: o premiado O leão africano (The
African lion, 1955), dirigido por James Algar — responsável por quase
todos os exemplares da série. Apesar de muito incensado, tem andamento dos mais
lentos e composição das mais sisudas se comparado às demais realizações das Maravilhas da natureza. Provavelmente
pelo fato de que as savanas da África são espaços dos mais dramáticos e
violentos para a encenação da luta pela vida. Nisso, algumas imagens
impressionam e chocam, principalmente ao captar o desespero das espécies
durante o inclemente período das secas, marcado por extensas migrações
coletivas. Segue apreciação de 1995.
O leão africano
The
African lion
Direção:
James Algar
Produção:
Walt Disney (não creditado)
Walt Disney Productions
EUA — 1955
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O diretor James Algar |
De 1948 a 1960 — quando
diversificou consideravelmente as atividades — a Walt Disney Productions executou
a famosa série True-life adventures
— no Brasil, Maravilhas da natureza.
É um conjunto de filmes curtos, médios e longos que apreendem diversos aspectos
da natureza, em particular da convencionada vida selvagem. Os títulos foram
concebidos com esmero fotográfico, montagens dinâmicas, divertidos comentários
musicais e até revolucionários movimentos/tomadas de câmera. No Ártico, por planícies,
desertos e pântanos dos Estados Unidos, nas florestas canadenses, savana
africana e selvas da América do Sul, as equipes de filmagens da Disney colheram
material para 17 produções. Todas, pelo visto, ganharam, além das telas dos
cinemas, as páginas das histórias em quadrinhos de números publicados pela
Editora Abril, ao longo das décadas de 60 e 70, das revistas Tio
Patinhas e Almanaque Disney. Nesse formato, infelizmente, perderam-se o
rigor do olhar, os efeitos fotográficos, os comentários musicais, as reações
dos animais e a própria dinâmica do material cinematográfico.
Prestigiar a exibição dos filmes da True-life adventures nos cinemas sempre
foi oportunidade das mais prazerosas, ainda mais quando exemplares curtos completavam
o tempo das sessões e, não raro, revelavam-se mais interessantes e inteligentes
que os títulos principais estrelados por gente de carne e osso.
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O folgado leão: come e dorme |
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A leoa à espreita dos gnus |
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A leoa e os filhotes |
O leão africano é o décimo filme da True-life adventures. Os demais são: A
ilha das focas (Seal island, 1948), No
vale dos castores (Beaver valley, 1950), Nature’s
half acre (1951), O alce olímpico (The
olimpic elk, 1952), Aves aquáticas (Water birds, 1952), Terra
dos ursos (Bear country, 1953), Prowlers of the everglades (1953), O
drama do deserto (The living desert, 1953), A
planície imensa (The vanishing prairie, 1954), Secrets
of life (1956), No coração da floresta (Perri,
1957), O Ártico selvagem (White wilderness, 1958), Criaturas
estranhas da natureza (Nature’s strangest creatures, 1959),
O
eterno e misterioso mar (Mysteries of the deep, 1959), O
gato da floresta (Jungle cat, 1960) e Islands
of the sea (1960). Criaturas estranhas da natureza e O
eterno e misterioso mar não trazem referências aos diretores. Paul
Kenworthy e Ralph Wright são os responsáveis pela concepção de No
coração da floresta. Aves aquáticas é de Ben Sharpsteen.
Todos os demais componentes da série têm direção de James Algar. As narrações
originais, invariavelmente de Winston Hibler, ganharam, no Brasil, versão em português
pela voz de Aloysio de Oliveira.
O leão africano consumiu três anos de tomadas em locações
diversas das savanas da África Meridional e Central, dominadas pelo único ponto
elevado da região: o Kilimanjaro. Foi premiado com o NBR Award pela estadunidense
National Board of Review, que o incluiu entre os dez títulos mais importantes
de 1955. Em 1956, no Festival de Berlin, o diretor James Algar recebeu a Grand
Silver Plaque e, por Melhor Documentário Longo, o Urso de Prata.
Comparado a outros filmes da True-life adventures — principalmente
com Aves
aquáticas, A planície Imensa e O drama do deserto, os que mais se
fixaram em minha memória —, O leão africano é mais sisudo na
apresentação e condução da temática abordada. Carece de humor. Por outro lado, tal
característica, provavelmente, não encontraria espaço e tratamento adequados
diante da dureza da vida nas savanas, principalmente da constante luta pela
sobrevivência que ocupa os animais em tela.
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A diligente leoa perscruta o entorno para a caçada |
Apesar de o título fazer referência
apenas ao leão, outros animais são considerados: zebras, impalas, búfalos,
rinocerontes, hipopótamos, gazelas, antílopes, babuínos, elefantes, leopardos,
guepardos, gnus, hienas, chacais, crocodilos, girafas, aves diversas,
gafanhotos e mais insetos são razoavelmente privilegiados pelas tomadas e
narração. Todos integram a corte do leão. Alguns entram na composição alimentar
do rei dos animais. Servem de justificativa à nobreza do título e,
paradoxalmente, também questionam a realeza leonina. Afinal, passa a vida quase
que na mais completa modorra, preferencialmente dormindo. Todo o árduo trabalho
da caça corre por conta das fêmeas. Além do fornecimento de alimentação ao
bando, vigiam as carcaças contra as expropriações oportunistas de chacais e
hienas.
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Os elefantes - acima e abaixo - também habitam a savana |
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A savana também é habitat das girafas (acima) e do leopardo (abaixo) |
Algumas imagens impressionam,
principalmente as tomadas da grande migração compartilhada por todos os animais
da savana durante a estação seca. Nessa ocasião, os gnus — em decorrência do
calor e da poeira — são tomados de desorientação e vagam em círculos; gigantescas
nuvens de gafanhotos afetam negativamente a percepção dos felinos enquanto fazem
a festa de aves famintas. Uma sequência chocante e cruel merece destaque: o
rinoceronte mortalmente aprisionado no lago transformado em atoleiro tenta
inutilmente se desprender, imagem que enche de pavor o elefante.
Apresentação: Walt Disney. Narrador:
Winston Hibler. Roteiro: James
Algar, Winston Hibler, Ted Sears, Jack Moffitt. Produção associada: Ben Sharpsteen. Música: Paul J. Smith. Direção
de fotografia (Technicolor): Alfred G. Milotte, Elma Milotte. Montagem: Norman R. Palmer. Gerente de produção: Erwin L. Verity. Direção de som: Robert O. Cook. Processos especiais visuais: Ub Iwerks.
Efeitos de animação: Joshua Meador,
Art Riley. Orquestração: Joseph
Dubin. Edição musical: Evelyn
Kennedy. Gravação de som: RCA Sound
Rocording. Colabororação à produção:
Departamento de Parques da Tanzania; Reserva Sluhluwe-Umfolozi; Reservas
naturais do Quênia; Parque Nacional Kruger, África do Sul; Parque Nacional do
Quênia; Parque Nacional Rainha Elizabeth, Uganda; Parque Nacional Seregente,
Tanganika; Autoridade em
Vida Selvagem , Uganda. Tempo
de exibição: 75 minutos.
(José Eugenio Guimarães,
1995)
Hola Eugenio que gusto me da leer tu blog cinematográfico porque siempre aprendo cosas nuevas y especialmente en lo relacionado al cine de las otras décadas del siglo pasado que no domino de la manera que lo haces tú. De hecho y siendo sincero, desconocía esta serie de propuestas de Walt Disney que pueden resultar interesantes al menos en cuanto a su conocimiento. Me gustaría ver algunas de las que has mecionado de la décadas de las 50, aunque supongo que hoy en día y con las cámaras de alta definición y los nuevos documentales de naturaleza se hayan quedado algo desfasadas.
ResponderExcluirUn gran abrazo y feliz domingo.
Estas películas de la serie "True-life adventures" están todas en DVD o BR, Miguel. Tal vez sea posible encontrarlas con alguna facilidad ay, en España. Destaco que no sólo documentales en su forma más cruda. También se prestan a la encenação cómica de la parte de la naturaleza. Los equipos siempre aprovecharon para filmar y destacar comportamientos inusitados y pitorescos de los animales, trazos del lenguaje corporal, comunicación con otros de la especie, rituais a veces engraçados de acasalamento. Son películas bien ritmadas y muy bien humoradas; algunos momentos son muy feéricos, como se fueran de dibujos animados. Creo que aún no perdieron la gracia y la actualidad.
ExcluirAbrazos y saludos.