domingo, 23 de setembro de 2018

REVELAÇÕES MARCIANAS ABALAM O MUNDO E DERRUBAM A UNIÃO SOVIÉTICA

Manter um posicionamento crítico e independente nos Estados Unidos, durante os anos 50, não deveria ser fácil. Durou pouco a euforia democrática que tomou conta do país, em pleno desenvolvimento econômico, ao fim da Segunda Guerra Mundial. A extrema direita, sempre atenta, logo se reorganizou impulsionada pelo começo da guerra fria. Ganhou força com a “caça às bruxas” bancada pelo Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas. A paranoia se instalou com o FBI de John Edgar Hoover buscando inimigos internos: progressistas e comunistas declarados, geralmente dispersos no meio artístico-cultural. O cristianismo fundamentalista, francamente belicoso, revitalizou-se. Logo os Estados Unidos estariam envolvidos na contenção ao expansionismo vermelho com a Guerra da Coreia. Enquanto isso, os cidadãos comuns temiam ataques da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Nessa época, marcada por pavores e perseguições, a produção fílmica de ficção científica entrou em franco desenvolvimento. As contradições ideológicas entre Leste e Oeste eram transferidas para o espaço sideral. O vermelho planeta Marte incendiava o imaginário. Em 1952, o desenhista de produção Harry Horner estreou na direção com uma das mais bombásticas, inacreditáveis e apelativas realizações: Marte, o planeta vermelho (Red planet Mars). É produção ‘B’, hoje relegada à obscuridade e desenvolvida com competência nos planos formais. Dispensa viagens espaciais e alienígenas monstruosos. Toda a ação se passa na Terra. A trama envolve os esforços dos cientistas Chris Cronyn (Peter Graves) e Linda (Andrea King) para investigar o místico planeta por potentes ondas de rádio. As descobertas, em princípio, abalam os pilares da economia capitalista ocidental. Logo, novas e mirabolantes revelações provocam o renascimento do fervor religioso em escala global. O efeito imediato de tudo isso será a destruição do regime soviético e o descrédito de qualquer vestígio do ‘comunismo ateu’. Só vendo para crer! Marte, o planeta vermelho deixa o espectador boquiaberto e gera risos involuntários.







Marte, o planeta vermelho

Red planet Mars

Direção:
Harry Horner
Produção:
Donald Hyde, Anthony Veiller
Melaby Pictures Corporation
EUA — 1952
Elenco:
Peter Graves, Andrea King, Herbert Berghof, Walter Sande, Marvin Miller, Willis Bouchey, Morris Ankrum, Orley Lindgren, Bayard Veiller e os não creditados Ben Astar, Vince Barnett, Robert Carson, James Conaty, Wade Crosby, Claude Dunkin, Charles Evans, Franklyn Farnum, Sam Flint, Sam Harris, Ed Hinton, Tom Keene, Bill Kennedy, Colin Kenny, Henry Kulky, Grace Leonard, Dayton Lummis, George Magrill, Lewis Martin, Frank Mills, Leo Mostovoy, House Peters Jr., Joe Ploski, Gene Roth, Bert Stevens, Robert Stevenson, Brick Sullivan, John Topa.



O cenógrafo e diretor Harry Horner



O tcheco Heinrich Horner, renomeado para Harry Horner em Hollywood, firmou reputação como cenógrafo. Honrou a função ao longo de 37 anos, até encerrar a carreira em 1980. É responsável pelos desenhos de produção de Fatalidade (A double life, 1947), de George Cukor; Tarde demais (The heiress, 1949), de William Wyler; O mundo é o culpado (Outrage, 1950), de Ida Lupino; Nascida ontem (Born yesterday, 1950), de George Cukor; Por amor também se mata (He ran all the way, 1951), de John Berry; Vidas separadas (Separate tables, 1958), de Delbert Mann; Desafio à corrupção (The hustler, 1961), de Robert Rossen; e, entre outros, A noite dos desesperados (They shoot horses, don’t they?, 1969), de Sydney Pollack. Na direção cinematográfica é responsável pelos pouco vistos Escravo de si mesmo (Beware, my lovely, 1952); Vicki (1953); New face (1954), codirigido por John Beal; A noite conspira com a morte (A life in the balance, 1955), codirigido por Rafael Portillo; Blefando com a morte (Man from Del Rio, 1956); e Orgia sangrenta (The wild party, 1956). Porém, dentre os títulos que assinou o mais notório é a inacreditável ficção científica confessional Marte, o planeta vermelho.


Certamente, é realização sem paralelo na história do cinema; ousadia das mais completas. Aos olhos de hoje resiste como descarada apelação. O resultado, constrangedor, arranca risos involuntários — principalmente pelos tons de seriedade e reverência que a embalam. Nos planos formais não há queixas: é competentemente executada. Dispensa viagens espaciais e seres alienígenas. Os efeitos especiais são básicos. O planeta vermelho é somente um corpo distante alcançado por potentes ondas de rádio transmitidas dos EUA. Estas geram comunicações e descobrimentos no mínimo inquietantes.


Os abnegados cientistas Chris Cronyn (Peter Graves) e Linda Cronyn (Andrea King)

Franz Calder (Herbert Berghof) passa de cientista nazista a colaborador dos russos


Poucos filmes de ficção científica tiveram intenções políticas mais explícitas que Marte, o planeta vermelho. Chega ao cúmulo de instrumentalizar personagens legitimados pela religião e lança mão, acintosamente, de passagens bíblicas. A paranoia anticomunista alimentada pelo começo da guerra fria, as atividades do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas, a Guerra da Coreia e o temor de um ataque da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) prepararam o cenário para o desencadeamento de uma espécie de tempestade perfeita nos Estados Unidos. Em meio a tudo isso desabrochava o fundamentalismo religioso: o cristianismo belicoso servia como ponta de lança na ofensiva direcionada contra russos e o “comunismo ateu”. Nesse contexto, Harry Horner estreou na direção.


Em um observatório na Califórnia, o astrônomo Mitchell (Lewis Martin) apresenta ao jovem casal cientista Chris Cronyn (Peter Graves) e Linda (Andrea King) recentes e instigantes imagens de Marte. Os famosos canais se apresentam claramente, inclusive as geleiras polares que os abastecem de água — provavelmente para irrigação de cultivos. Impressionado, Chris resolve intensificar as comunicações por ondas de rádio com o planeta. A esposa, sempre preocupada com os indesejáveis efeitos colaterais das descobertas científicas, mostra-se excessivamente cautelosa. Sinais aos marcianos são enviados por potente transmissor à base de válvula de hidrogênio. Trata-se de invenção confiscada dos alemães derrotados pelas forças aliadas ao fim da Segunda Grande Guerra. O inventor da peça é o criminoso nazista Franz Calder (Berghof). Aprisionado pelos russos, com eles colabora a contragosto. Está instalado em rústica estação secreta improvisada nos Andes, junto ao monumento do Cristo Redentor erguido na fronteira do Chile com a Argentina. Também tenta comunicação com o planeta vermelho, infrutiferamente. Afinal, não teve condições materiais para refazer a válvula de hidrogênio. Entretanto, capta todas as transmissões dos Cronyn.


 Chris Cronyn (Peter Graves) e Linda Cronyn (Andrea King) são recebidos pelo astrônomo Mitchell (Lewis Martin)

 Chris Cronyn (Peter Graves), Linda Cronyn (Andrea King) e Mitchell (Lewis Martin) examinam imagens dos canais de Marte


Tudo sugere que Marte recebeu as mensagens e as respondeu. O problema é interpretá-las. Para auxiliar na tarefa, o governo dos EUA põe à disposição dos Cronyn o Almirante Carey (Sande) — expert em decodificação. Porém, a solução surge de onde menos se esperava: o atento e perspicaz Stewart (Lindgren), filho mais velho do casal, sugere a utilização do número irracional PI como suporte para as transmissões e recepções. TUDO PARECE TÃO FÁCIL!!! Pronto! Questão resolvida! Os dois mundos podem se falar com perfeita e segura base de compreensão.


Os marcianos logo aliviam as primeiras curiosidades terrestres: vivem em média 300 anos; eliminaram doenças; dispensam minérios e combustíveis fósseis para obtenção de energia; lançam mão de práticas agrícolas altamente produtivas e com baixa exigência de solo. As assombrosas novidades abalam a estrutura da terrena economia capitalista. As ações nas bolsas de valores despencam; mineiros e petroleiros entram em greve; bancos, hospitais, transportadoras, firmas de comunicação, serviços energéticos e empreendimentos farmacêuticos abrem falência. É como se Marte, tão distante, pudesse se aproveitar — de uma hora para outra — das vantagens comparativas possibilitadas por um inexistente comércio interplanetário para fazer lucrativas transações com a Terra. Nosso planeta, coitado, ficaria reduzido à desconfortável posição de mero consumidor de produtos e serviços marcianos. Apesar do absurdo, eis o que acontece: os governos ocidentais perdem a iniciativa e quedam paralisados. Só conseguem responsabilizar os Cronyn pelo caos econômico e financeiro. Enquanto isso, os russos estão satisfeitos e animados. Pode ter chegado o momento de desferir a tão esperada ofensiva comunista geral.


Almirante Carey (Walter Sande),  Linda Cronyn (Andrea King) e Chris Cronyn (Peter Graves)

  
Afinal, toda a resposta enviada por Marte ao laboratório dos Cronyn decorre de invenção de Calder. Porém, o desafortunado e irascível colaborador dos soviéticos é supostamente varrido do mapa quando a isolada central andina é destruída por avalanche. Ninguém soube do ocorrido. Assim, cessam todas as comunicações. No entanto, a cúpula governamental estadunidense permanece apreensiva com a hecatombe econômica e continua a responsabilizar o casal cientista. Em represália, ordena o encerramento das operações.


Nesse ponto a história encontra o insólito ápice. Marte entra em cena para valer, por frequência radiofônica diferente. As novas transmissões trazem passagens do Sermão da Montanha, de Jesus Cristo. Então, além de cristãos os marcianos ainda se revelam mais superiores: são governados diretamente por Deus. INCRÍVEL!! O Presidente dos EUA (Bouchey) ordena o anúncio da boa nova para todo o mundo. A Voz da América, incansável, provoca um renascimento geral do fervor religioso. Templos são reabertos; cinemas e teatros se convertem em centros de adoração e oração. O povo russo — religiosamente reprimido desde a Revolução de Outubro de 1917 — se levanta contra o poder soviético e o derruba. O comunismo é eliminado. O Patriarca da Igreja Católica Ortodoxa de Moscou toma assento no Kremlyn e liberta todos os países subordinados à Cortina de Ferro.


Na Rússia, o povo recupera símbolos religiosos proscritos e se levanta contra o comunismo


Porém, nem tudo termina como Deus quer. Com o mundo tomado de contentamento pela confirmada existência do Todo Poderoso, o louco e ressentido Franz Calder aparece vivinho e furioso na casa dos Cronyn. Armado, toma Chris e Linda como reféns. Clama por vingança. Exige reparações pelo uso considerado indevido da invenção. Incontrolável, renega Deus e reivindica o heroísmo de Satanás. Para completar, novas comunicações marcianas e divinas chegam ao laboratório. Desesperado, Calder recusa as evidências. Dispara contra o sistema de comunicação e inflama o hidrogênio liberado no recinto. Todos morrem na explosão. O filme termina em clima de solene exaltação celestial. O Almirante Sander assume a guarda dos órfãos Cronyn. Para o mundo, alheio à intervenção de Calder, Chris e Linda pereceram acidentalmente.


Franz Calder (Herbert Berghof) acerta contas com Linda Cronyn (Andrea King) e Chris Cronyn (Peter Graves)

  
Durante toda a exibição a vida doméstica exemplar dos Cronyn é ressaltada. O lar organizado do casal e o carinho dispensado aos filhos remetem à imagem da família exemplar estadunidense em oposição aos desgarrados russos, ocupados apenas com a repressão interna para a manutenção do poder por vias autoritárias. Marte, o planeta vermelho deve ser o filme de ficção científica que mais exalta as supostas qualidades do American way of life.


O mais curioso de toda essa incrível história: o roteiro subverte as intenções da satírica peça Red panet, de John L. Balderston e John Hoare, encenada em 1932. Nesta, o misticismo religioso é alvo de críticas. As comunicações que abalam a Terra partem de um provocador situado nos Andes. O resultado da brincadeira, como no filme, é o revigoramento da fé. Porém, isso não acontece impunemente. Surgem falsos profetas em todo o globo. Aproveitam-se da ingenuidade popular e alimentam o fanatismo. Um dos espertalhões reúne poder para se tornar ditador global, como se fosse ungido pelo próprio Jesus Cristo. Apesar de tudo, a beata Linda Cronyn defende o novo advento. Por isso, explode o laboratório quando a verdade estava para ser revelada, com o objetivo de resguardar a crença — apesar de saber que é fundamentada numa falsidade.


Willis Bouchey, sósia de Dwight David Eisenhower, faz o presidente dos Estados Unidos



Merece atenção o perfil do presidente dos Estados Unidos, interpretado por Willis Bouchey. É praticamente um sósia do fervoroso crente Dwight David Eisenhower, eleito para dois mandatos consecutivos a partir de 1953. Governou o país até 1961.






Roteiro: John L. Balderston, Anthony Veiller, baseados na peça Red Planet, de John L. Balderston e John Hoare. Música: Mahlon Merrick. Direção de fotografia (preto e branco): Joseph F. Biroc. Montagem: Francis D. Lyon. Produção de elenco: Maurice Golden. Direção de arte: Charles D. Hall. Decoração: Murray Waite. Supervisão de maquiagem: Don L. Cash. Supervisão da produção: Joseph Paul. Assistente de direção: Emmett Emerson. Contrarregra: Clem Widrig. Engenheiro de som: Victor B. Appel. Supervisão musical: David Chudnow. Direção musical: Mahlon Merrick. Consultoria técnica em eletrônica: Vern E. Stineman. Assistente de produção: Robert H. Justman (não creditado). Sistema de mixagem de som: RCA Sound System. Tempo de exibição: 87 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 2008)

domingo, 16 de setembro de 2018

O ANO DA PREVISÃO PASSOU, MAS A POSSIBILIDADE PERMANECE

A última criança (The last child, 1971), de Jonh Llewellyn Moxey, é modesto e inquietante telefilme algumas vezes exibido pela TV Globo nas noites de sábado. Era parte do programa Premiere Mundial. Assustava o espectador atento às conjecturas lançadas pelo economista britânico Thomas Malthus nos primeiros anos do século XIX. Na centúria passada, estiveram na ordem do dia de fins dos anos 60 e por quase toda a década seguinte. Os atualmente clássicos No mundo de 2020 (Soylent green, 1973), de Richard Fleischer, e o menos conhecido A mais cruel batalha (No blade of grass, 1970), de Cornel Wilde, também são reflexos das catastróficas antecipações malthusianas. Em futuro próximo o mundo estará praticamente inviabilizado pela explosão demográfica. Esse tempo em A última criança é 1994. Os Estados Unidos tomam medidas drásticas para limitar nascimentos e impedir aos idosos o tratamento médico-hospitalar e acesso às farmácias. A Polícia de Controle Populacional atua com rigor. Gestantes fora-da-lei são encaminhadas às clínicas de aborto. Se a gravidez estiver avançada, aguarda-se o parto para a pronta eliminação do bebê. O casal refratário Alan Miller (Michael Cole) e Karen (Janet Margolin) é descoberto pelas autoridades e tenta escapar para o menos populoso e mais liberal Canadá. Apesar de se entregar às rotinas do filme de perseguição e da concepção pobre, a direção é competente na obtenção de climas e atmosferas. Se porventura resistiu à implacável passagem dos anos, A última criança permanece como realização sombria e angustiante. Contém a última atuação do veterano Van Heflin e apresenta Edward Asner como um cioso burocrata que não merece reparos. Segue apreciação escrita em 1977.






A última criança

The last child

Direção:
Jonh Llewellyn Moxey
Produção:
William Allyn
American Broadcasting Company (ABC), Aaron Spelling Productions Inc.
EUA — 1971
Elenco:
Michael Cole, Van Heflin, Janet Margolin, Harry Guardino, Edward Asner, Kent Smith, Michael Larrain, Philip Bourneuf, James A. Watson Jr., Barbara Babcock, Sondra Blake, Roy Engel, Phyllis Avery, Ivor Francis, Jason Wingreen, Bill Walker, Victor Izay, Frank Baxter.



O diretor John Llewellyn Moxey


O argentino Jonh Llewellyn Moxey consolidou carreira de diretor nas praças estadunidenses e inglesas, principalmente na televisão — em filmes e séries. Para o cinema fez, até o momento, apenas Emboscada no Cairo (Foxhole in Cairo, 1960), Ricochet (Ricochet, 1963), Strangler's Web (Strangler's Web, 1965) e O circo do medo (Circus of fear, 1966). Por ora, merece notoriedade entre os telespectadores brasileiros das noites de sábado: é um dos melhores e mais presentes diretores de telefilmes exibidos pelo programa Premiere Mundial da TV Globo. Os títulos, em geral, pecam pela falta de ousadia — limitação imposta pelo veículo — e condução burocrática. Dentre os destaques está o inquietante A última criança.


Pode-se dizer que é ficção científica com implicações políticas, familiares e demográficas. Apóia-se, de certo modo, nas teorias do economista britânico Thomas Robert Malthus (1766-1834) acerca de uma provável explosão populacional que deixaria em risco a sobrevivência das espécies, principalmente a humana, em futuro não muito distante. Esse tempo chegou em A última criança. Corre o ano de 1994 nos Estados Unidos. As pessoas mal conseguem caminhar pelas ruas sem esbarrar umas nas outras. A superpopulação obrigou um governo de rosto anônimo e draconiano — para não dizer fascista — a baixar medidas severas de controle demográfico. Os nascimentos estão restritos a um filho por casal. Os refratários deverão se entender com a rigorosa Polícia de Controle Populacional. As gestações indevidas são interrompidas. Caso o desenvolvimento fetal esteja muito adiantado, aguarda-se o parto para a consequente eliminação do recém-nascido. Além disso, idosos a partir dos 65 anos estão impedidos de receber qualquer assistência médico-hospitalar e acessar farmácias.



Acima e abaixo: Janet Margolin e Michael Cole nos papéis de Karen Miller e Alan Miller


As imagens de abertura são simples e impactantes. Contribuem para segurar a atenção por todo o resto do filme, mesmo com o arrefecimento da tensão quando a narrativa é tomada pelos clichês do rotineiro drama de perseguição. Apresentados os créditos, a câmera enquadra em plano fechado a movimentação da multidão nervosa e apressada em uma espécie de longa galeria. No fluxo, uma mulher (Sondra Blake) perde o filho John (Frank Baxter). O desespero dura pouco. O garoto é prontamente encontrado pelos amigos Sandy (Michael Larrain) e Alan Miller (Michael Cole). Porém, ao devolvê-lo à mãe a polícia intervém. Descobre uma fora-da-lei, grávida do segundo filho. É aprisionada e nada pode ser feito. A ação é implacável. Ciosos funcionários das agências de controle populacional atuarão com todo o rigor, principalmente Barstow (Edward Asner). É o duro vilão da história dividida entre bons e maus.


O implacável agente Barstow (Edward Asner)


Os espectadores estadunidenses provavelmente assistiram horrorizados a A última criança. São cidadãos socialmente organizados segundo o credo liberal. Aos indivíduos é concedida plena autonomia nas decisões com respeito à esfera privada, inclusive as relacionadas ao corpo e à natalidade. A proibição estatal da gravidez e a obrigatoriedade do aborto — inclusive a condenação do recém-nascido não autorizado à morte —, certamente soaram como os piores anátemas à centralidade dos indivíduos. São atos que ferem frontalmente o direito considerado sagrado e inviolável à liberdade de escolha. Entretanto, a premissa de A última criança — por mais cruel e autoritária que possa ser — não deixa de ser possibilidade muito real. Não para agora, muito menos brevemente — como antecipa o pessimista Jonh Llewellyn Moxey a partir do roteiro de Peter S. Fischer. Porém, em algum momento medidas impopulares e pouco benevolentes — autoritárias ou democráticas — serão tomadas pelos governos e estados quando a explosão demográfica descontrolada se revelar arriscada à sobrevivência.


Em A última criança o drama gira em torno do casal Alan Miller (Michael Cole) e Karen Miller (Janet Margolin). Perderam o filho autorizado. A concepção de outro não é permitida. Não obstante, planejaram nova gravidez e estão sob risco. Descobertos, fogem depois de aprisionados e encaminhados ao departamento médico sob cuidados do Dr. Young (Ivor Francis). Este, apesar dos problemas de consciência que o atormentam, avisa friamente ao casal: a gravidez está avançada e não pode ser interrompida; seguirá um parto normal e imediata morte do bebê.


Alan Miller (Michael Cole) e Karen Miller (Janet Margolin)

Harry Guardino no papel de Howard Drumm

Van Heflin no papel do Senador Quincy George


A partir daí A última criança se converte em filme de fuga e perseguição. O casal ludibria a vigilância e tenta embarcar para o liberal e menos populoso Canadá. Barstow parte na perseguição. Qualquer pessoa é potencial denunciante. Rotas de fuga e meios de transporte são vigiados. Por sorte, contam com a acidental proteção do respeitável ex-Senador Quincy George (Van Heflin), contrário às políticas de controle. Além de abrigar Karen e Alan, oferece-se para ajudá-los na fuga. Entretanto, logo são descobertos e acuados. Apesar da respeitabilidade pessoal do protetor, a residência é cercada. Ainda há um complicador. Aos 72 anos, Quincy George é diabético. Precisa de medicação constante, proibida à idade. A insulina que receberia por contrabando é bloqueada pelo cerco policial. A ajuda chega de forma inesperada, da parte do legalista Howard Drumm (Harry Guardino).


Karen Miller (Janet Margolin)



A concepção visual de A última criança é pobre. A sociedade do futuro antecipada em 1971 — ano da produção — é muito parecida à realidade presente, principalmente em trajes e cenários. A produção, pelo visto, não teve recursos para ousar. Vale a atmosfera sombria. Jonh Llewellyn Moxey soube traduzir com adequadas doses de inquietação e angústia o bom roteiro de Peter S. Fischer, mesmo quando a história se torna corriqueira.


Karen Miller (Janet Margolin) e Alan Miller (Michael Cole) em fuga


Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme de TV em 1972, A última criança traz o derradeiro desempenho de Van Heflin. Faleceu em 1971, aos 62 anos, poucos meses antes de a produção receber as primeiras veiculações pelas emissoras da rede ABC (American Broadcasting Company). Michael Cole, o protagonista, ganhou notoriedade graças ao papel de Pete Cochran — um dos jovens auxiliares da polícia de Los Angeles no combate ao crime, principalmente o tráfico de drogas, na série Mod Squad[1]. Tinha por parceiros Linc Hayes e Julie Barnes, vividos por Clarence Williams III e Peggy Lipton. Edward Asner também ganhou notoriedade nas séries de TV, notadamente pelo papel de Lou Grant em Mary Tyler Moore[2].


Os atores de A última criança:
Ao centro, Van Heflin; à esquerda, Edward Asner (acima) e Harry Guardino; à direita, Michael Cole e Janet Margolin


Roteiro: Peter S. Fischer. Direção de fotografia (cores): Archie R. Dalzell. Direção de arte: Paul Sylos. Assistente de direção: Wesley Barry. Montagem: Art Seid. Decoração: Ken Swartz. Costumes: Robert "Bob" Harris Sr., Vou Lee Giokaris. Nolan Miller. Maquiagem: Howard Smith. Penteados: Pat Whiffing. Supervisão de script: Helen Parker. Coordenador de construções: Jesse Stone. Engenheiro de som: Tommy Thompson. Edição musical: Rocky Moriano. Edição de som: Gene Elliot. Gravação de som: Glen Glen Sound Company. Gerente de produção: Norman Henry. Supervisão de produção de elenco: Bert Remsen. Fornecimento de veículos: Chrysler Corporation, General Motors Corporation. Música: Lawrence Rosenthal. Contrarregra: Jerry MacFarland. Produção executiva: Aaron Spelling. Tempo de exibição: 73 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1977)



[1] Ao todo, a série é formada por cinco temporadas e 124 episódios, cada qual com aproximados 60 minutos. Teve Bud "Buddy" Ruskin na criação e, no desenvolvimento, Tony Barrett, Harve Bennett e Sammy Hess. Foi produzida por Thomas-Spelling e veiculada originalmente pela Worldvision Enterprises para a American Broadcasting Company (ABC) de 24 de setembro de 1968 a 23 de agosto de 1973.
[2] Série de sete temporadas e 168 episódios, cada qual com aproximados 30 minutos. Criação de James L. Brooks e Alan Burns para a rede CBS (Columbia Broadcast System). Originalmente exibida de 19 de setembro de 1970 a 19 de março de 1977. 

domingo, 9 de setembro de 2018

XAVIER DE OLIVEIRA VIRA “MARCELO” PELO AVESSO E EXTRAI “ANDRÉ”

Em 1975 estava pressionado pelas noites mal dormidas decorrentes das pressões do Serviço Militar e exigências do Colégio Universitário da Universidade Federal de Viçosa (Coluni/UFV). O vestibular se aproximava com uma porção de novas exigências e perspectivas. Nesse contexto de intranquilidade, encontrei tempo para prestigiar a exibição de André, a cara a e coragem (1971), segundo longa metragem de Xavier de Oliveira. O primeiro, estrondoso sucesso de público Marcelo Zona Sul (1970), deixou excelente impressão. Ambos contam com o protagonismo do então muito jovem e promissor Stepan Nercessian. Hoje, passados quase 50 anos, gostaria de saber como esses títulos resistiram à passagem do tempo de tantas e tão inclementes mudanças. Ainda guardo bem as imagens de André, a cara e a coragem. É praticamente impossível não se identificar com o personagem do título: André Souza da Silva de apenas 17 anos, mineiro de Carangola que resolveu tentar a vida no Rio de Janeiro. Luta bravamente, no desespero da solidão e falta de perspectivas, para não ser engolfado pela fria, cruel e distante metrópole — ainda capital do estado da Guanabara. Deixei o cinema fascinado com a exposição direta, objetiva e precisa. André, a cara e a coragem é exemplo de cinema narrativo que faltava à produção brasileira naquele período. O diretor, talentoso contador de histórias, também é acurado construtor de personagens. André pulsa na interpretação sentida, tensa e, apesar de tudo, contida de Nercessian. O personagem comunica dramas, histórias, anseios e frustrações sem a necessidade dos artifícios fáceis e apelativos. Percorre literalmente as sendas de uma cidade pouco “Maravilhosa”. Raras vezes a metrópole carioca se mostrou tão despida de ilusões — ponto para a direção de fotografia do também operador de câmera Edison Batista. Senti André, a cara e a coragem como exemplo bem acabado de cinema verdade. Deixei a sala de exibição aproximando-o de clássicos da melhor Música Popular Brasileira: Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e Pedro Pedreiro, de Chico Buarque de Hollanda. Segue apreciação escrita em 1975.






André, a Cara e a Coragem



Direção:
Xavier de Oliveira
Produção:
Lestepe Produções Cinematográficas
Brasil — 1971
Elenco:
Stepan Nercessian, Angela Valério, Ecchio Reis, Antônio Pattino, Cirene Tostes, Pichim Plá, Maria Regina, Edil Magliari, Maria Rita, Antônio Augusto, José de Freitas, Ilva Nino, Alvim Barbosa, Nelson Mariani, Manoel Santana, Divaldo Souza, Emiliano Ribeiro, Edilson Oliveira, Cid Fayão, Eugenio Santos, Dilberto da Silva, José Guilherme, Elcy Andrade, Alcídia Tavares, João Gerônimo, Maria Luiza Splendore, José Lube.



O diretor Xavier de Oliveira orienta Ângela Valério e Stepan Nercessian, intérpretes de Marly e André


O diretor Xavier de Oliveira — também produtor e roteirista — abriu a filmografia com o documentário curto Rio, uma visão de futuro, de 1966. Quatro anos depois, com a metrópole carioca novamente diante dos olhos, voltou a atenção à juventude de classe média mal entrada na adolescência. Entregou uma ficção em longa metragem, praticamente uma crônica sobre os caminhos e descaminhos do processo de descoberta para a vida: Marcelo Zona Sul, um estrondoso sucesso de público que se irradiou do eixo Rio-São Paulo para os quatro cantos do país. Além dos ganhos de bilheteria, fez jus ao prêmio especial concedido pelo governo do estado da Guanabara: um adicional em dinheiro em virtude da renda alcançada. Nada mal para uma produção de baixo orçamento, amortizada somente com a venda de ingressos na praça de realização.


Diante do sucesso de Marcelo Zona Sul, Xavier partiu com vigor renovado para o segundo longa. Permaneceu no cenário carioca e apresentou outra crônica, marcada por intimismo, melancolia, esperança e desesperança. O resultado é um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos, eficaz na comunicação do drama e discreto na exposição: André, a cara e a coragem, protagonizado por Stepan Nercessian lançado no filme de 1970. O ator, de 17 anos, tem a mesma idade do personagem do título. Perambula literalmente por uma metrópole de aparência pouco convidativa e magnificamente captada pela direção de fotografia de Edison Batista. O Rio solar e convidativo das praias e bairros de classe média do trabalho anterior cedeu a vez à urbe da indiferença e do atropelo, lugar frio e distante transformado em cruel arena para a encenação da luta pela vida — situação complicada para um indivíduo anônimo, solitário e forasteiro como o protagonista.


Stepan Nercessian no papel de André


O Rio de Janeiro parece desabar sobre André, quase outro Marcelo entregue à condição de mão de obra não qualificada e pronto a encarar qualquer oportunidade em nome da sobrevivência imediata. A proximidade da prestação do Serviço Militar Obrigatório é sério entrave para conseguir algo melhor e durável. A produção, orçada em aproximados 250 mil cruzeiros, mira um personagem ciente de única certeza: não pode ficar parado. É obrigado a caminhar, procurar e se perder pelo tumultuado e impessoal centro financeiro-comercial da cidade maravilhosa. Também é visto nas áreas marginalizadas, empobrecidas e abandonadas pelo poder público: Santo Cristo, Gamboa, Engenho de Dentro, Cidade Nova, Benfica e ramificações da Avenida Brasil. Esporadicamente é encontrado na região portuária e, extraordinariamente, na Zona Sul que mais se parece a estranho outro mundo.


André veio da mineira Carangola. Entre tentativas, acidentes, incidentes e surpresas, procura, com sofreguidão, se encaixar em algum lugar que lhe sirva de começo. Acomoda-se mal numa pensão mixuruca cuja proprietária (Pichim Plá) demonstra preocupação com os aluguéis atrasados. Os demais moradores, pequenos marginais, o azucrinam. Apelidaram-no cruel e apropriadamente de Pé na Cova. Busca ajuda e indicações com conterrâneos relativamente melhor posicionados profissionalmente. Emprega-se como auxiliar de cozinha da Fundação João XXIII. De pronto conquista a antipatia gratuita de um colega (Nelson Mariani) e termina no olho da rua. A próxima função, de agenciador imobiliário, logo se revela ilegal e é interrompida pela polícia. Segue-se a difícil e antipática vida de cobrador na qual dura pouco: é enganado e roubado por novos e falsos amigos (José de Freitas, Maria Rita, Ilva Niño) em raro instante de descontração. Por pouco, graças ao acidente provocado por Dona Antonieta (Cirene Tostes), não é transformado em bibelô sexual para senhoras carentes e solitárias da Zona Sul. É alvo dos interesses afetivos do gerente de banco Guimarães (Antônio Patiño) e do novo colega de quarto (Edil Magliari), que o deixam em situação desconfortável. Para aplacar a solidão e o desejo, recorre às frustrantes e instrumentalizadas relações com prostitutas como a interpretada por Maria Regina. Felizmente, apesar da alegria de pobre que dura pouco, a desestabilização converge para melhor situação quando conhece a jovem e meiga Marly (Valério) no novo e prometedor trabalho de entregador de um complexo tintureiro. Apaixonam-se, sinceramente. Entretanto, os descuidos provocados pela circunstância logo geram a demissão de ambos. Assoberbado pelos compromissos que virão com a gravidez da companheira, André vaga pela cidade tomada pelas expectativas das festas de fim de ano. Avança indiferente em meio aos transeuntes alegres e à chuva de papel picado. Procura. Pensa em Marly e no filho que virá. Certamente, Carangola e a família também estão na cabeça. Sabe que não pode voltar atrás, derrotado. O jeito é continuar. Que surpresas estão reservadas para o próximo ano?


A dona da pensão (Pichim Plá) e André (Stepan Nercessian)

André (Stepan Nercessian) na zona boêmia com a prostituta interpretada por Maria Regina

André (Stepan Necessian) e Marly (Ângela Valério)

André (Stepan Nercessian) e Guimarães (Antônio Patiño)


Objetivo, direto, conciso e bem interpretado — inclusive por atores conhecidos apenas em bairros e periferias — André, a cara e a coragem é marcante. Leva o espectador a pensar nas razões de encontrar poucos filmes parecidos na agenda da produção nacional, à revelia da pornochanchada e da herança deixada pelo Cinema Novo. A realização mira o cotidiano de muitos brasileiros, cidadãos incompletos deixados ao deus dará da falta de atenção e visibilidade. Buscam um lugar ao sol em época marcada por desilusão e insegurança. A narrativa revela um diretor com pleno domínio do metieur. Xavier tem carinho pelos personagens. Recusa-se a estereotipá-los. Todos, inclusive os relegados a papéis menores, são personalíssimos e dotados de aura específica. Além do mais, o cineasta soube, como poucos, contar uma história sem a preocupação de cometer arroubos estilísticos ou de se perder em experimentações renovadoras da linguagem. Não que isso seja pouco importante. No entanto, vale acima de tudo a pretensão de deixar aberto um canal para o simples e bom cinema narrativo como André, a cara e coragem. É realização que procura comunicação com o grande público deixado quase sempre em estado de orfandade. Faz isso sem recorrer ao banal, muitas vezes resultado da irresistível vontade de fazer concessões fáceis e apelativas. Nada disso há no triste, amargo, reflexivo, realista e arrojado André, a cara e a coragem. O esforço valeu à produção, merecidamente, os prêmios Governador Estado de São Paulo para Melhor Direção e Melhor Atriz (Ângela Valério).


Também é bom ver que André não é um indivíduo qualquer localizado sem mais nem menos e de forma imediata no centro de uma narrativa em desenvolvimento. É um ser completo. Tem história e fortes vínculos com a vida passada junto à família na mineira Carangola. O núcleo de origem está sempre presente em lembranças e conversas que o reposicionam existencialmente. Provavelmente, tais imagens e recordações podem ser apenas idealizações originadas da vontade de possuir alguma estabilidade, principalmente emocional. Mas são sinceras e suficientes para revelar alguém em seus genéricos anseios para a vida, apesar da dureza da realidade envolvente, tão competitiva e com poucas propensões para oferecer algo concreto e durável a alguém como ele.


Marly (Ângela Valério) e André (Stepan Necessian): raro instante de felicidade que custará caro


O filme começa com a apresentação dos créditos comentados por composição melodiosa, semelhante a um ângelus, de autoria dos inspirados Denoy de Oliveira (irmão do diretor) e Maria Aparecida. Seguem-se fotos desbotadas da família, lembranças de folguedos e da escola, a imagem da carteira profissional tida como sinônimo de responsabilidade e respeitabilidade. A seguir, vê-se André — André Souza da Silva, como tantos —, solitário, galgando literalmente as ladeiras e escadarias da vida na interminável procura que é a tônica dominante e dinâmica de todo o filme.


Há instantes sublimes. Um deles é o longo e descompromissado bate-papo de André com Marujo (Ecchio Reis) no quarto da pensão. Enquanto o garoto pode apenas expor as lembranças da estreita vida que levou em família e as vicissitudes da busca por trabalho no Rio de Janeiro, o companheiro correu o mundo em navios e conhece gentes variadas em lugares os mais diversos. Conta casos e histórias que deixam o interlocutor maravilhado. O solidário Marujo, que tanto contribui para a recomposição da humanidade de André, logo estará de partida para passar muito tempo fora. O outro momento é a suave exposição do primeiro relacionamento sexual de André com Marly. Acontece em cômodo de uma casa abandonada e em ruínas do bairro de Benfica.



Acima e abaixo: Ângela Valério, intérprete de Marly


Há muito em comum entre André, a cara e a coragem com recentes clássicos do cancioneiro popular brasileiro, principalmente A felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e Pedro Pedreiro, de Chico Buarque de Hollanda.


Stepan Nercessian como André Souza da Silva


História, roteiro e diálogos: Xavier de Oliveira. Assistente de direção: Nino Ottoni. Direção de fotografia (Eastmancolor) e operador de câmera: Edison Batista. Cenografia e costumes: Armênia Xavier de Oliveira. Música: Denoy de Oliveira, Maria Aparecida. Montagem: Manoel Oliveira. Som: José Tavares. Gerente de produção: Denoy de Oliveira. Produção executiva: Eduardo Osório. Assistência de produção: Divaldo Souza. Continuidade: Chico Borges. Assistência de câmera: Jaime Macedo. Fotografia de cena: Herberto Tavares, Dinand. Eletricistas: Gelson Antônio, Lídio Rocha. Maquinista: José Pequeno. Sonoplastia: Geraldo José, A. César. Tempo de projeção: 91 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 1975)